Piabeiros no Rio Negro
Exploração de peixes ornamentais centralizada em Barcelos e Manaus
está subindo o Rio Negro e envolvendo cada vez mais comunidades indígenas
na região conhecida como "Cabeça do Cachorro", noroeste amazônico.
Nessa atividade exploratória, os patrões são conhecidos como piabeiros
(os pescadores de piaba), atravessadores e compradores.
Em 1999, dezoito homens liderados pelos patrões de piaba Laércio Ribeiro
e Baiano invadiram, sob ameaça a mão armada, a TI Médio Rio Negro II.
Os invasores entraram através da comunidade Castanheiro, localizada
na margem esquerda do rio, acima da cidade de S. Isabel do Rio Negro.
Segundo denúncia que lideranças da comunidade enviaram à Foirn em S.
Gabriel da Cachoeira, em 30 de outubro, os piabeiros chegaram em Castanheiro
e pediram permissão ao capitão Raul Ferreira da Silva para entrar. O
capitão disse que não aceitava e propôs: "nós mesmo faz a pesca
e o senhor compra", o que não foi aceito pelos piabeiros. Armado
com revolver, o tal Baiano que é casado com uma índia da comunidade
Bacabau, logo abaixo vociferou que já havia matado esposa e filho
na sua terra natal e que poderia fazer o mesmo com os índios. O capitão
Raul insistiu que a terra indígena estava reconhecida por lei, mas Láercio
respondeu que "lei não manda" e que se "os índios querem
ir atrás de seus direitos, nunca iriam achar, nem no inferno".
Diante do fato consumado, as lideranças de Castanheiro pediram à Foirn
interceder junto às "autoridades competentes" para providenciar
a retirada dos invasores, incluindo a balsa de um tal sr. Joel, com
dois mergulhadores. (Fontes: Programa
Rio Negro/ ISA; denúncia enviada pelas lideranças de Castanheiro
à Foirn e repassada à AER/ Funai/ S. Gabriel da Cachoeira em 03/11/1999).