Nos últimos anos, cresce o apelo dos índios junto ao mercado de "ecoturismo"
e de "turismo virtual", isto é, de viagens que não se faz,
mas a que se assiste. Iniciativas nesse sentido podem surgir como alternativas
econômicas para os índios, mas é preciso que primem pela
ética.
Montar um hotel de selva na Amazônia é um negocio lucrativo ao ponto
de atrair o interesse das próprias comunidades indígenas. Em uma ilha
do rio Xingu distante cem quilômetros do município de Altamira, a oeste
do estado do Pará, a Cooperativa Mista de Produtores e Extrativistas
(Campealta), formada por 1,2 mil índios de nove tribos acaba de inaugurar
o Hotel Tataquara. Com um investimento de R$ 70 mil, financiados com
recursos de fundações e ONGs internacionais, a pousada foi a alternativa
para gerar renda sem grandes impactos para o ambiente.
Além de instalações ecologicamente corretas, abastecidas por energia
solar e com sistemas de tratamento de efluentes, o hotel também colabora
de forma indireta para a preservação da floresta. Os lucros da exploração
turística serão utilizados para reforçar a fiscalização nas terras indígenas
da região, vítimas de constantes invasões de madeireiras e garimpeiros.
Com 15 quartos distribuídos em duas cabanas de madeira e palha e equipados
com duas camas, banheiro e telas de proteção contra mosquitos, o Tataquara
tem como público-alvo os turistas estrangeiros. Nos cinco ha da ilha,
os visitantes poderão percorrer trilhas abertas em meio à mata virgem,
passear por rios e saborear frutas regionais colhidas na hora nas plantações
existentes próximas ao hotel. Outra atração, ainda em construção, é
uma maloca onde ficarão expostas para venda peças de artesanato indígena.
A região é rodeada por aldeias indígenas a mais próxima fica
a apenas 40 minutos de lancha mas a visitação a esses locais
é proibida pela própria administração do hotel, que é contrária à banalização
da cultura indígena comum em estabelecimentos deste tipo. Isto não significa
que os hóspedes deixarão de ter contato com as etnias que povoam as
reservas no Xingu. Os guias para os passeios nas trilhas, por exemplo,
são da etnia Wai-Wai. À noite, os visitantes poderão ouvir histórias
e lendas contadas por índios.
Entre as entidades financiadoras do empreendimento destaca-se a Fundação
Body Shop, da Inglaterra, responsável por 50% dos investimentos. Operadoras
de turismo da Suécia e da Inglaterra já começaram a vender pacotes para
o Tataquara. Aprovados pela cooperativa, os pacotes prevêem grupos com
um máximo de seis pessoas e tempo mínimo de permanência de três dias.
Os hóspedes do Tataquara passam primeiro por Altamira e, depois, seguem
para o hotel, em viagem de três horas subindo as águas escuras do rio
Xingu. (Fonte: Gazeta Mercantil, 04/07/2000).

Em 1998, a área indígena do Balaio, superposta ao Parque Nacional do
Pico da Neblina, foi visitada pela equipe de televisão Japonesa, Nagasaki,
com autorização e apoio do sr. Ribamar Caldas da Funai e Ézio Borba
do Ibama. Mas, segundo a liderança do Balaio, Álvaro Fernandes Sampaio,
além de registrar a pescaria, o preparo da alimentação, o ensino bilíngüe
e a dança tradicional do povo Tukano, os japoneses queriam também levar
amostras de plantas medicinais em troca de presentes.
Inconformado ao ver que os índios explicariam os segredos das plantas
e seus remédios de graça, o líder fez uma interferência rígida que acabou
não agradando os organizadores. No entanto, a filmagem aconteceu em
troca de duas motoserras, cujo uso foi logo autorizado pelo Ibama. (Fonte:
carta da liderança Tukano Álvaro Sampaio para o presidente da Funai
30/10/1998).

Há turistas visitando periodicamente as aldeias Yanomami. Entre dezembro
de 1999 e maio de 2000, pelo menos seis turmas (formadas por norte-americanos,
japoneses, coreanos, italianos, israelenses e brasileiros de SP e MG)
estiveram por lá. A maior parte, levada por guias turísticos, foi autorizada
pelo Ibama a visitar o Pico da Neblina, passando, no caminho, pelas
aldeias.
O Ibama, que cobra taxa dos visitantes, alega que tem competência para
autorizar, unilateralmente, o acesso ao local, já que se trata de Parque
Nacional. A Funai local autorizou a entrada de dois norte-americanos,
que trocaram roupas usadas pela chance de fotografar os Yanomami.
Divisão dos ganhos
De modo geral, os Yanomami se dizem a favor do turismo, desde
que os ganhos sejam repartidos. Um Yanomami serviu, ele mesmo, como
guia a turista italiano. Em troca, recebeu gasolina para o motor do
barco de seu pai, chefe da aldeia de Maturacá. A comunidade de Nazaré
ganhou bote e motor por permitir que um grupo de coreanos levados pelo
Ibama fizesse uma filmagem.
Nus para fotos
Os guias negociam o acesso às aldeias explorando as disputas
entre os chefes yanomami. Na comunidade de Nazaré, um guia pediu que
os Yanomami ficassem nus para serem fotografados pelos visitantes. O
fato causou desconforto entre a comunidade, que não quer mais a presença
de turistas. Apesar disso, um Yanomami de Ariabu, guarda-campo assalariado
pela Comara, sempre passa por Nazaré com garimpeiros e turistas, pernoitando
na casa de sua irmã. (Fonte: ISA junho/ 2000).

Estrangeiros pagam para ver índios Zo'é
Os índios Zoé, habitantes da TI Cuminapanema, no estado do Pará,
viraram atração para equipes de televisão da Europa e EUA, que estariam
pagando até US$ 200 mil para filmá-los. A autorização para a tomada
das imagens foi dada dias antes que o presidente da Funai, Sulivan Silvestre
Oliveira, assinasse portaria proibindo por um ano o ingresso de pessoas,
a qualquer título na TI Cuminapanema. De acordo com a decisão, publicada
no Diário Oficial da União em 17/10/1998, as autorizações já concedidas
perdem a validade.
Conforme o texto da portaria, a proibição apenas não se aplica às "Forças
Armadas, policiais e equipes de saúde, no cumprimento de suas funções
institucionais, cujo ingresso, locomoção e permanência na Terra Indígena
Cuminapanema deverá ser antecipadamente acordada e acompanhada por funcionários
da Funai". Cumprir a proibição e a exceção determinadas caberá
à Equipe do Posto Indígena de Contato Cuminapanema, do Departamento
de Índios Isolados da Funai. (Fontes: ISA 20/08/98; jornal
O Liberal, Belém/ PA 24/08/98).

Contato com os Korubo vira Show
Em 1996, uma expedição da Funai objetivando estabelecer contato com
os índios Korubo, sudoeste do Amazonas, foi exibida para o mundo pelo
canal National Geographic. A aventura, chefiada pelo indigenista
Sidney Possuelo, do Departamento de Índios Isolados da FUNAI
(ver índios Isolados
), partiu de Tabatinga, junto à fronteira com a Colômbia, e prosseguiu
por barco e a pé através da mata. Os relatos e imagens foram transmitidos
via satélite. (Fonte: revista Isto É, 28/08/1996).
