Realização



Apoio financeiro


União Européia

 

Apoio Técnico

Cepta/Ibama

 

Apoio Científico
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (Museusp)

 


Prêmio Chico Mendes 2003 em Ciência e Tecnologia
 

[ Formação de mudas | Alimentação alternativa ]   

Alimentação alternativa de peixes

Para seu crescimento, o peixe precisa de uma alimentação rica em proteínas. Farinha e massa de mandioca são tipos de rações regularmente oferecidos pelos piscicultores indígenas, mas infelizmente são muito pobre em proteínas: uma dieta na base dos produtos de raiz de mandioca deve ser complementada com outros tipos de alimentação. Os insetos, entre eles as saúvas e os cupins, podem servir como fonte de proteína.

Como fazer e usar as armadilhas de saúva

É muito fácil fazer uma armadilha de saúva. Pode-se usar garrafas de refrigerante de dois litros. Com três garrafas se fazem duas armadilhas: uma para a armadilha e a metade de uma outra para a tampa. Fazer um corte na parte acima de uma garrafa e virar esta parte de ponta cabeça na parte baixa. Colocar pedaços de folhas, de preferência de laranjeira ou limão, como isca na parte baixa e enterrar até a boca a armadilha perto de um caminho de saúva. Espalhar pedaços de folha-isca em volta da boca da armadilha; para evitar ela encha com água de chuva, basta fabricar uma tampa com outra garrafa de plástico.

Colocar quatro ou seis armadilhas e fazer controle a cada dois dias. As armadilhas com poucas saúvas podem ser deixadas mais de um dia para capturar mais formigas; quando alguma delas não enche, é melhor mudá-la de lugar. Quando a garrafa está com saúvas, enchê-la primeiro com água para facilitar a manobra e levá-la para ser jogada (com as formigas vivas) no viveiro de peixe. Este método serve para alimentar peixes grandes. Para alimentar peixes de qualquer tamanho, as saúvas podem ser torradas no forno e depois trituradas no moinho ou socadas no pilão; o pó da formiga deve ser misturado com um outro tipo de alimentação, como por exemplo, a massa de mandioca. Veja a imagem

Como fazer manejo de cupim

O cupim já é muito usado na alimentação dos peixes da região. Normalmente o piscicultor leva o cupinzeiro da mata e o deixa acima de um jirau, construído na água. Ali, sem condições de procurar comida e expostos no calor do sol, os cupins não sobrevivem muito tempo, fazendo com que o piscicultor precise procurar novos cupinzeiros, ficando cansado e desistindo da tarefa. O cupim é oferecido apenas ocasionalmente. O projeto desenvolveu dois métodos de manejo de cupim que garante um uso mais sustentável desta fonte de proteína.

Um método é a construção de um jirau, o “jirau pai”, que fica perto do viveiro de peixes, abaixo da sombra das árvores. Um segundo jirau, o “jirau filho”, é construído na água do viveiro. No “jirau pai” se coloca no mínimo cinco cupinzeiros. Um pedaço quebrado de um destes cupinzeiros é colocado acima do “jirau filho”, para a alimentação dos peixes; quando este pedaço não tem mais cupim, um novo é quebrado de outro cupinzeiro. O pedaço velho de cupinzeiro é um bom fertilizante e pode ser usado para adubar a horta. Deve-se fazer rodízio de cupinzeiros, sempre quebrando um pedaço de um outro cupinzeiro, de modo que o cupinzeiro usado tenha tempo de se recuperar. Na estação de Iauareté, os cupinzeiros manejados sobreviveram semanas, ou até meses, em vez de dias.

Outro método é melhorar o jirau acima da água para que um cupinzeiro inteiro possa sobreviver bastante tempo. Este jirau deve ser sombreado e ser conectado com a terra. Assim o cupim tem um caminho para sair em busca de alimentação.
Veja a imagem