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Prêmio Chico Mendes 2003 em Ciência e Tecnologia
 

[ construção de viveiros ]   

Fases da Piscicultura


Como em qualquer outra atividade zootécnica, a maneira de tratar os animais em piscicultura é realizada considerando a biologia das espécies criadas (hábitos reprodutivo, alimentar, fases de vida, etc.), bem como o sistema de produção possível de ser praticado no local, conforme as características mercadológicas de cada região.

A região do Alto Rio Negro é praticamente desprovida de mercado fornecedor de insumos, tais como rações específicas, fertilizantes químicos,etc. os quais, quando encontrados na cidade de São Gabriel da Cachoeira custam extremamente caros, inviabilizando a atividade na medida em que esta se torna vitalmente dependente desses tipos de produtos. Por outro lado a distância das Estações de piscicultura do projeto em relação ao mercado consumidor de S. Gabriel, em média cerca de 200 km de rio, também inviabiliza o comércio dos produtos oriundos da piscicultura (alevinos, peixes abatidos) praticada nos locais de base. Portanto o sistema de criação (manejo) adotado pelo projeto pode ser chamado de sistema semi-intensivo de piscicultura familiar, o qual deve aproveitar ao máximo os produtos que podem ser obtidos localmente.

FASES DA PISCICULTURA

As fases de vida dos peixes podem ser divididas basicamente assim: ovo, larva, pós-larva, alevino, juvenil, matriz ou reprodutor. Como a diferença de tamanho e comportamento entre tais fases é bastante grande, torna-se necessário adequar o trato, bem como as unidades de produção, instrumentos e utensílios, naquilo que chamamos fases da piscicultura. Por exemplo, no Alto Rio Negro, podemos separar as fases da piscicultura em quatro: 1 - fase de reprodução: manejo de matrizes e reprodutores nos viveiros externos, em tanques-redes temporários no rio ou nos tanques de reprodução do laboratório; 2 - fase de incubação: manejo de ovos e larvas em incubadoras especiais; 3 - fase de alevinagem: formação de alevinos (até cerca de 5 cm) em tanques internos, viveiros-berçários externos ou viveiros-barragens; 4- fase de engorda: produção de peixes juvenis para o abate (até cerca de 25 cm) em viveiros-barragens familiares.

1 - Fase de reprodução:

De acordo com sua biologia de reprodução, os peixes de águas interiores podem ser classificados em basicamente dois grupos: peixes lóticos e peixes lênticos.



Sempre ligados às águas correntes, os peixes lóticos são identificados como aqueles que necessitam realizar migrações durante a época da reprodução, geralmente subindo os rios em cardumes uma vez por ano, na época das chuvas de verão, desovando em diferentes “turmas”, em dias diferentes durante as primeiras enchentes, de janeiro a maio na região. No Alto Rio Negro, os principais “peixes de piracema”, são os aracus. Cada fêmea desova sempre apenas uma vez por ano. Os casais nao constroem ninhos e não cuidam dos filhotes. Para compensar as perdas pela predação, devido à falta de proteção, liberam enormes quantidades de ovos muito pequenos na correnteza, a qual se encarrega de incubar e transportar larvas e pós-larvas para as zonas de alimentação (lagos, igapós, etc).

Mais relacionados às águas paradas, os peixes lênticos não precisam realizar migrações longas para desovar. No Alto Rio Negro, os principais representantes dessa categoria de peixes são os acarás, as traíras e os tucunarés. Algumas dessas espécies podem desovar mais de uma vez por ano, mas sempre pequenas quantidades de ovos. Apesar de poucos, os ovos são maiores e mais resistentes. Não costumam ocorrer grandes perdas por predação, já que os casais constroem ninhos e protegem ferozmente tanto os ovos quanto os alevinos.

Essas informações são importantes no momento de escolher os métodos de reprodução a serem aplicados às espécies escolhidas para serem criadas em cativeiro. Nesse sentido, são os peixes lênticos os melhor adaptados ao ambiente de criação, pois são capazes de se reproduzir naturalmente nos viveiros de água parada. Já as espécies lóticas, mantidas no ambiente fechado dos viveiros, não podem receber estímulos ambientais suficientes para fechar completamente o ciclo de maturação sexual por que são impedidas de realizar a migração, implicando na necessidade de intervenções hormonais diretamente na corrente sanguínea para estimular a maturação final e ovulação em laboratório.

Métodos de reprodução de peixes utilizados no Alto Rio Negro.

Desova natural em viveiros.

Este é o método mais simples e barato, bastando apenas preparar os viveiros (secagem, limpeza, enchimento, etc) e selecionar os casais, que podem ser pescados no rio. Dependendo do caso podem ser fornecidos materiais necessários para os peixes construírem os ninhos, tais como: folhas e galhos secos, pedras, seixos, etc.

Fecundação artificial em local e horário de desova na natureza.

Esse também é um método “simples e barato”, que é aplicado somente no caso das espécies lóticas, bastando estar presente com os devidos instrumentos, na hora certa e no lugar certo. Para isso o conhecimento indígena tradicional é indispensável. Os índios são precisos em avaliar as mudanças ecológicas que anunciam a chegada da hora em determinados locais. Por exemplo, no Alto Tiquié os sinais da natureza a serem observados podem ser muitos:

- Conforme a astrologia indígena local, a “constelação da jararaca” primeiro precisa se aproximar da linha do horizonte, anunciando a chegada do ciclo de cheias do calendário pesqueiro. Começa então a chover. O nível do rio sobe um pouco e depois seca novamente. Chegam os gaviões formigueiros. Ocorrem então intensas revoadas de rainhas de cupins, formigas e efemerópteros, todos repletos de ovos. Chove forte a noite inteira e o nível do rio permanece subindo até as 16:00/17:00 horas do dia seguinte. Os peixes se reúnem. A “festa” dos peixes (desova) em local próximo à foz do Onça-igarapé está na prestes a acontecer. A equipe de técnicos indígenas da Estação Caruru é avisada via radiofonia e se dirige ao local, onde com total apoio da comunidade pescam as matrizes e realizam a fecundação artificial por extrusão. Os ovos são levados ao pavilhão de incubação da Estação Caruru, onde permanecerão durante a próxima fase. Nessas operações tem sido possível obter até 700.000 óvulos de Aracu-riscado. A taxa de fecundação é perfeita: geralmente mais de 650.000 óvulos se transformam em ovos. Cabe ressaltar que locais, dias, horários e artes de pesca variam conforme a espécie de aracu e a região (Alto Tiquié, Alto Uaupés ou Alto Içana) em que se está.

Esse método vem sendo desenvolvido exclusivamente pelas equipes técnicas do Projeto, sendo que sua grande vantagem está justamente na facilidade de obtenção de grandes quantidades de ovos de elevada qualidade sem muitos gastos. A desvantagem é que se trata de um método muito dependente da natureza, mais imprevisível a cada ano.

Método de ovulação induzida

Também utilizado somente na reprodução artificial de espécies lóticas, trata-se de um método menos simples e menos barato, sendo baseado na aplicação de injeções de hormônios sexuais naturais nos peixes. O sucesso desse método depende de treinamento técnico intenso e experimentação, já que não existem trabalhos publicados na área de reprodução induzida das espécies da região.

Os casais são capturados no rio. Podem ser enviados às estações de piscicultura onde devem passar por períodos de adaptação e preparação, ou podem ser injetados no próprio local de captura por meio da sua acomodação em pequenos tanques-redes temporários.

Os hormônios naturais são obtidos a partir de peixes doadores, através da extração e dessecação de glândulas chamadas hipófises. As hipófises dos aracus são muito pequenas, pesando em média 0,75 mg. Em geral são necessárias cerca de dez glândulas para induzir um casal. Em períodos próximos das piracemas essas glândulas, localizadas na cabeça em uma cavidade logo abaixo do cérebro, ficam cheias de hormônios gonadotrópicos (sexuais). Se os peixes estiverem livres na natureza, mediante a influência de estímulos ambientais, no momento certo esses hormônios são liberados na corrente sanguínea e vão agir nas gônadas (ovários e testículos) , viabilizando sua maturação final e ovulação (desova).

Quando os peixes lóticos ficam confinados, suas hipófises não liberam os hormônios, sendo então necessário induzir a ovulação através de injeções. As injeções de hormônios só fazem o efeito desejado (maturação final e ovulação) quando as fêmeas já se encontram em avançado estágio de desenvolvimento ovocitário. Por isso, as aplicações praticadas em tanques-redes temporários, com peixes recém-capturados, só podem ser feitas em tempos já bem próximos das desovas naturais no rio.

Por outro lado, quando as matrizes e reprodutores se tornam adaptados aos viveiros, as diferenças ambientais do sistema fechado podem provocar assincronismo no processo de maturação sexual, com a possibilidade de se poder selecionar peixes sexualmente maduros em praticamente todo tempo na região. Esta é a maior vantagem desse método, que por não depender tanto assim da natureza, pode propiciar uma produção mais constante de alevinos ao longo do ano.

Fase de Incubação

É a fase mais fácil de todo processo, pois os pequenos (ovos e larvas) ficam protegidos e ainda não precisam se alimentar. Independentemente do método de reprodução artificial utilizado, os ovos das espécies lóticas (que não protegem os filhotes), são levados às incubadoras, onde se desenvolverão até passarem a fase larval, que vai da eclosão (nascimento) até avançada formação dos órgãos e membros. Durante esse período, de cerca de uma semana, os milimétricos peixinhos não necessitam se alimentar porque ainda possuem reservas alimentícias na barriga. Por serem muito pequenos e sensíveis ainda têm que permanecer protegidos nas incubadoras até aprenderem a nadar, passando a ter necessidade de alimentação externa e de mais espaço. Nesse momento, passam a se chamar pós-larvas, quando então devem ser contados e distribuídos aos viveiros externos ou tanques de alevinagem intensiva.

Fase de alevinagem

O sucesso na obtenção do primeiro alimento externo é um dos fatores mais críticos e decisivos que os peixes enfrentam ao longo de suas vidas. Devido ao seu pequeno tamanho, poucos são os organismos que eles conseguem comer, embora sejam muitos os animais que podem devorá-los. Portanto, esse é justamente o momento em que eles representam muito mais o papel de presa que de predador na cadeia alimentar do ecossistema do qual fazem parte, seja ele natural ou artificial. Em viveiros de produção de alevinos os predadores mais perigosos são os insetos aquáticos (baratas e besouros d’água, larvas e ninfas de libélulas), as espécies indesejadas de outros peixes (lambaris, traíras, acarás, etc) que podem invadir o viveiro, cobras d’água, aves aquáticas, etc. Também existem competidores tais como os girinos e outros pequenos peixinhos que embora não predem diretamente, agem como “ladrões” da comida dos alevinos, impedindo seu crescimento e fortalecimento, o que acaba favorecendo a ação dos predadores.

A maioria das pós-larvas e alevinos precisam obrigatoriamente se alimentar de microorganismos aquáticos. Esses organismos basicamente se classificam em plâncton (microorganismos que habitam a coluna d’água) e bentos (microorganismos que habitam o fundo). A dependência por estes animais microscópicos se estende até as pós-larvas e micro-alevinos aprenderem a se alimentar de outras fontes. Daí a necessidade de se criar e fornecer tais organismos na quantidade adequada.

Por isso a fase de alevinagem é a fase mais sensível de todo processo. A taxa de sobrevivência pode ser zero, caso não haja um bom preparo de viveiros ou um bom manejo alimentar, controle de predadores e competidores, necessitando treinamento, experimentação e sobretudo grande atenção para com os “milimétricos bebês”.

Cabe ressaltar a importância de uma estocagem correta de pós-larvas, a qual vai depender da espécie criada, da qualidade da unidade de produção (viveiro) utilizada e do tipo de trato possível de ser praticado na região, conforme a disponibilidade de insumos. Percebe-se como tudo passa a ser extremamente relativo nessa fase, em apelo ao bom senso dos técnicos envolvidos, cujo trabalho pode se tornar estritamente experimental.

Devido a essa necessidade constante de experimentação, os sistemas de alevinagem utilizados no Alto Rio Negro variam podendo ser basicamente de três tipos: sistema semi-extensivo, semi-intensivo e intensivo.

Alevinagem semi-intensiva: É o sistema mais praticado em pisciculturas de outras regiões do Brasil e do mundo. É um método dependente de um minucioso preparo e manutenção de viveiros-berçários, os quais devem possuir dispositivos hidráulicos para o controle total da vazão, possibilitando um manejo mais efetivo e adequado: secagem total, retirada de lama, erradicação de predadores, calagem (correção da acidez da água com aplicação regular de calcário agrícola), fertilização (aplicação regular de fertilizantes químicos) para estimular produção de fitoplâncton (plâncton de origem vegetal ou micro-algas) e adubação (aplicação regular de adubos orgânicos) para estimular a produção de zooplâncton (plâncton de origem animal).

Devido à necessidade da aplicação de todos esses insumos, freqüentemente inexistentes na região, é necessário ainda realizar monitoramento regular da qualidade da água, feito através de análises físicas e químicas.

No Alto Rio Negro a aplicação desse método tem gerado resultados incertos, mostrando-se muitas vezes inviável, por conta, principalmente, das dificuldades de logística, impossibilidade de integração com outras atividades zootécnicas, capacitação teórica dos agentes locais, etc.

Alevinagem intensiva: É um sistema mais moderno que vem sendo muito experimentado atualmente em toda parte, estando sua tecnologia em processo de desenvolvimento na maioria das pisciculturas do Brasil e do mundo. É baseado no fechamento quase que completo do sistema, na tentativa de impedir totalmente a entrada de predadores. Por isso só pode ser realizado em laboratório através do confinamento de uma grande quantidade de pós-larvas e micro-alevinos em espaço e volume de água filtrada reduzidos, onde os peixinhos são alimentados com uma dieta nutricionalmente mais completa quanto for possível. Podem ser fornecidos zooplâncton nativo, filtrado dos viveiros externos, ou zooplâncton de origem marinha (Artemia salina) criado intensivamente em laboratório, além de ração artificial vitaminada e de elevado teor de proteínas, possível de ser produzida artesanalmente em pequenas quantidades. As vantagens desse sistema estão relacionadas com a obtenção de altas taxas de sobrevivência, sendo uma maneira real de se aumentar a produção de alevinos sem depender da necessidade de aumentar a área alagada com a construção nem sempre possível de novos viveiros nas estações de piscicultura. A desvantagem está no alto grau de intervenção humana (dá muito trabalho) e também na necessidade de insumos provenientes de fora (plâncton de origem marinha, ingredientes especiais de ração etc).

Alevinagem semi-extensiva: Este é um sistema que vem sendo exclusivamente experimentado e aperfeiçoado pelas equipes técnicas do Projeto. Os viveiros familiares ou comunitários recebem não alevinos (mudas) e sim pós-larvas (sementes). Para isso eles são preparados apenas com o objetivo de controlar a população de predadores antes e durante o processo. Para que haja um máximo aproveitamento da produtividade natural em alimentos, os peixamentos são feitos de modo crescente e sucessivo, conforme as possibilidades. Essas estocagens sucessivas variam, havendo como base teórica a sucessão bentônica e planctônica, bem como as possibilidades de canibalismo em relação à dinâmica de crescimento e mudanças de hábito alimentar das pós-larvas, micro-alevinos, alevinos e juvenis que dessa forma co-habitam um mesmo viveiro.

Por exemplo, no viveiro comunitário de Caruru-Cachoeira (Alto Tiquié) a estocagem tem sido praticada da seguinte maneira: 25 pós-larvas por metro quadrado no primeiro peixamento, 50 pós-larvas por metro quadrado no segundo, mais 100 pós-larvas por metro quadrado no terceiro, sendo o intervalo entre os peixamentos de cerca de 15 a 20 dias. Dessa forma, pós-larvas pequenas se alimentam de plânctons e bentos pequenos, micro-alevinos se alimentam de plânctons e bentos grandes, alevinos já se alimentam de ração normal, farináceos e insetos. Percebe-se como as diferentes turmas não competem por alimentos. Alevinos grandes podem comer pós-larvas, mas por outro lado competem positivamente com outros tipos de predadores. Além disso, por já se alimentarem de ração comum, contribuem para uma espécie de adubação natural do viveiro, aumentando sua capacidade de suporte. O aumento crescente na estocagem serve para compensar eventuais perdas por canibalismo dos grandes sobre os pequenos, estando baseado na possibilidade de haver sobras crescentes de organismos menores, numa sucessão promovida pela própria seletividade alimentar daqueles que já haviam sido estocados anteriormente.

Esse sistema de produção de alevinos tem sido o mais interessante para a região do Alto Rio Negro, apresentando várias vantagens: a primeira refere-se à facilidade de transporte das pós-larvas, pois estas necessitam de um volume de água bem menor que os alevinos; em segundo lugar, não ocorre demanda de insumos provenientes de fora para o preparo dos viveiros; a terceira vantagem está na qualidade genética dos alevinos produzidos, sempre de grande tamanho, devido a própria seletividade natural do ecossistema formado, onde somente os mais fortes sobreviverão.

Porém, esse é um sistema que apresenta certas limitações: teoricamente só é possível ser praticado com pós-larvas de espécies de boca pequena, como é o caso dos aracus. Além disso, dependendo das características físicas, químicas e biológicas diferentes de cada unidade de produção não tem sido possível praticar esse sistema em todos os viveiros, devido à presença de predadores e dificuldades relacionadas à sua erradicação, o que é um fato bastante comum para viveiros onde não é possível controlar a vazão.

Fase de engorda:

No alto rio Negro a fase de engorda começa quando os peixes apresentam tamanho à partir de 5 cm. Com esse porte já têm melhor eficiência em ingerir partículas maiores, farináceos (restos de cozinha tradicional, folhas secas e piladas de mandioca), pequenos insetos, etc, sendo inclusive fisicamente mais bem preparados para escaparem dos predadores.

Esta fase, que tem por objetivo tornar os peixes consumíveis, aumentando seu tamanho até cerca de 20 cm, é caracterizada pela necessidade de quantidades maiores de alimento e também por uma mudança nas espécies de predadores que passam a agir no ecossistema: jacarés, morcegos pescadores, lontras e até ladrões de peixes. Daí a necessidade de se adequar o trato através do fornecimento diário de alimentos e monitoramento regular da produção.

Devido ao alto custo das rações comerciais, o sistema de criação praticado que apresenta maiores vantagens na região também pode ser tecnicamente chamado de policultivo semi-extensivo com fornecimento de alimento suplementar variado. É baseado na criação de várias espécies em pequenos viveiros-barragens familiares ou comunitários, onde os peixes são alimentados com o que é encontrado localmente: sub-produtos da mandioca e da pupunha, folhas, frutos, restos de cozinha tradicional, insetos etc. A freqüência da alimentação depende da disponibilidade da mão-de-obra familiar e também da distância da localização dos viveiros em relação às casas.

Para a viabilização desse sistema a integração da piscicultura com atividades específicas de manejo agroflorestal é indispensável. Essas atividades referem-se principalmente à implantação de S.A.Fs (sistemas agro-florestais) em locais próximos aos viveiros de piscicultura associada ao controle de pragas (cupins e formigas cortadeiras) que são muito abundantes na região.

No caso dos S.A.Fs, são plantadas frutíferas de igapó conhecidamente utilizadas como alimento pelos peixes no ambiente natural, sendo que para isso também é indispensável o aproveitamento dos conhecimentos tradicionais dos indígenas. Essas plantas são provenientes de viveiros de mudas que são implantados tanto junto às estações de piscicultura quanto nas comunidades. Os insetos são capturados em armadilhas e fornecidos regularmente aos peixes como complemento protéico da sua alimentação.

Resultados obtidos até o momento:

Dados de produção de espécies lóticas das estações

Produção média anual de óvulos

700.000

Produção média anual de ovos

450.000

Produção média anual de larvas

300.000

Produção média anual de juvenis

10.000

Índice de acertos na desova induzida

50%

Fecundação média na desova induzida

50%

Fecundação média durante as piracemas

90%

Sobrevivência máxima na alevinagem semi-extensiva

6%

Sobrevivência máxima na alevinagem semi-intensiva

9,5%

Sobrevivência média na alevinagem semi-intensiva 5 %
Sobrevivência média na alevinagem intensiva do jundiá 70%

Dados de produção da fase de engorda em viveiros familiares e comunitários

Produtividade máxima (ração comercial 27% PB)

3.000 kg/há/ano (em dois ciclos)

Produtividade máxima em viveiros familiares (alimento Suplementar variado)

2.225 kg/há/ano (em dois ciclos)

Produtividade média em viveiros. Comunitários:

500 kg/ha/ano (em dois ciclos)

Área alagada total aproximada

30.000 m2

Quantidade de viveiros de engorda em funcionamento em 2000 15
Quantidade de viveiros de engorda em funcionamento em 2004 82
Área alagada total atual  

 

Fase de reprodução dos ovos
de peixes matrizes a ovos
Método da Piracema
Peixes matrizes capturados e os ovos retirados e fecundados durante a desova natural realizada no rio
  Métodos de ovulação induzida
Peixes matrizes no laboratório ou em tanques-redes temporários, com uma aplicação de injeções de hormônios naturais
 
Fase de incubação
de ovos a pós-larvas
(4 a 6 dias)


Ovos


Incubação
Realizada em incubadoras tipo funil



Pós-larvas

 
Fase de larvicultura e alevinagem
de pós-larvas a alevinos
(40 dias)
Semi-extensivo
APraticado nos viveiros-barragens familiares e comunitários, sem utilização de insumos de fora, com pouco manejo.
  Semi-intensivo
Praticado nos viveiros escavados das Estações, com controle total da vazão, adubação, monitoramento regular da qualidade da água, erradicação de predadores e competidores e fornecimento de ração comercial.
  Intensivo
APraticado nos tanques dos laboratórios de reprodução, com fornecimento de plâncton, ração comercial enriquecida e monitoramento constante da qualidade da água.
 
 


Alevinos

 
Fase de engorda
de alevinos (5cm) a peixes para consumo (20cm)
(6 meses)
  Policultivo Semi-intensivo com alimento suplementar variado
APraticado nos viveiros familiares, com espécies variadas de peixes nativos, fornecimento oportuno de frutos, restos de cozinha tradicional (farináceos) e insetos.
 
 
 

Peixe para consumo