O Programa Rio Negro (PRN) tem por objetivo geral, a longo prazo, formular, criar condições e colaborar para a implantação de um programa de desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Negro, uma região trinacional entre Brasil, Colômbia e Venezuela.

A diversidade socioambiental da região do Rio Negro – a maior bacia de águas pretas do mundo - é uma das mais importantes da Amazônia. No Brasil, são 23 povos indígenas e um mosaico de formações florestais únicas, parcialmente protegido por terras indígenas e unidades de conservação ambiental.

A médio prazo, o Programa Rio Negro se propôs a formular e criar condições para a implantação do programa regional de desenvolvimento indígena sustentável do Médio e Alto Rio Negro, no noroeste da Amazônia brasileira, em parceria com as organizações indígenas locais, outras ONGs e instituições governamentais.

A população total deste segmento da Bacia do Rio Negro é de cerca de 40 mil pessoas e está distribuída por 750 comunidades e sítios distribuídos ao longo dos principais rios e nos dois centros urbanos existentes na região, São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, com onze mil e quatro mil habitantes respectivamente. Aproximadamente 90% desta população é indígena. A população não-indígena concentra-se nos centros urbanos e mesmo aí a maioria é indígena.

No desenvolvimento e na implementação de seus objetivos, o Programa Rio Negro do ISA toma em consideração algumas características sócio-históricas e ecológicas específicas da região do Alto e Médio Rio Negro:

  • Trata-se de uma região da Amazônia brasileira em que a população indígena é maioria e onde há mais de dez anos os povos indígenas vêm se organizado em associações de base articuladas por uma federação (Foirn – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro). A população indígena é também majoritária na cidade de São Gabriel da Cachoeira, centro administrativo e econômico da região. A participação indígena nas instituições públicas e comerciais locais é significativa, o que reflete uma longa experiência histórica com diferentes agências de contato; desde os patrões da época da borracha que recrutavam mão-de-obra indígena para os seringais do Médio e Baixo Rio Negro aos missionários salesianos, que desde o início do século promoveram a catequese e introduziram a educação escolar na região e, mais recentemente, com o Exército. A demarcação das Terras Indígenas na região antecedeu a chegada da fronteira econômica predatória, cuja expectativa de dinamização está depositada na exploração de recursos minerais por parte de interesses privados.
  • A região do Alto e Médio Rio Negro caracteriza-se por uma enorme variedade de microecossistemas bem como por uma pobreza generalizada de nutrientes (oligotrofia), característica de bacias de rios de águas pretas. Possui formações florestais de terra firme, igapós (florestas inundadas) e campinarana, esta última também conhecida como caatinga do Rio Negro, um tipo de vegetação peculiar à região. A caatinga do Rio Negro cobre a maior parte das Terras Indígenas demarcadas na região e seus solos são extremamente ácidos, arenosos e lixiviados (spodosolos). Apesar de uma diversidade de espécies relativamente baixa, a caatinga do Rio Negro apresenta, no entanto, altíssimo grau de endemismo. Suas espécies são consideradas um recurso genético de alto valor por constituírem exemplos de adaptação biológica em condições extremas. Os índios do Alto Rio Negro utilizam várias espécies da catinga, mas em geral suas comunidades estão localizadas nas regiões de ocorrências de matas de terra firme, cujos solos permitem o aproveitamento agrícola. Por este motivo, há grandes extensões de terras no interior das áreas indígenas que não são habitadas, constituindo reservas de recursos vegetais e aquáticos. Por outro lado, a tendência à concentração da população e áreas de terra firme vem sendo reforçada há décadas pela intervenção de missionários e comerciantes, criando situações críticas do ponto de vista da sustentabilidade socioambiental. Há forte demanda nas comunidades por serviços básicos e apropriados de atendimento à saúde, educação, segurança alimentar e geração de renda.

Desde 1994, o ISA estabeleceu uma parceria prioritária com a Foirn. Entre os vários sucessos dessa parceria, destaca-se a demarcação de cinco terras indígenas contíguas, somando 10.6 milhões de hectares. Trata-se de uma base importante para se planejar o futuro. A consolidação dessa conquista depende de um programa em escala regional que dê respostas adequadas e integradas às demandas das comunidades indígenas. Para tanto, têm se implantado uma série de projetos-piloto visando solucionar questões como proteção e sustentabilidade das terras indígenas demarcadas, segurança alimentar, geração de renda, educação escolar, saúde, fortalecimento organizacional e expressão e afirmação cultural.

O ISA mantém em São Gabriel da Cachoeira uma sub-sede e uma equipe permanente, além de uma rede de colaboradores associados, e desenvolve as seguintes linhas de ação:

  • Coordenação/Desenvolvimento

  • Pesquisas, documentação e mapeamento

  • Manejo sustentável de recursos naturais

  • Educação e Cultura

  • Apoio ao fortalecimento institucional da Foirn e associações filiadas e ao desenvolvimento e aperfeiçoamento de projetos comunitários

Parceria prioritária

  • Foirn – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e 49 associações filiadas

Parceiros técnicos e fontes de financiamento do programa

  • Cepta/Ibama – Centro de Pesquisa e Treinamento em Aqüicultura

  • CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

  • Coama – Consolidación del Amazonas, Bogotá, Colômbia

  • FVA - Fundação Vitória Amazônica, Manaus

  • Horizont3000 – Organização Austríaca de Cooperação para o Desenvolvimento/ Campanha Aliança pelo Clima

  • ICCO – Organização Intereclesiástica para Cooperação ao Desenvolvimento (Holanda)

  • INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus

  • IRD - Institut de Recherche pour le Développement, França

  • MEC – Ministério da Educação e Cultura / Coordenação de Educação Indígena

  • MPEG – Museu Paraense Emílio Göeldi, Belém

  • NCA – Norwegian Church Aid, apoio institucional ao ISA

  • PWA – Programa Waimiri – Atroari, Manaus

  • RFN - Rainforest Foundation da Noruega

  • Semec – Secretaria Municipal de Educação de S. Gabriel da Cachoeira (AM)

  • UE – União Européia

  • Unicef

Equipe

Carlos Alberto (Beto) Ricardo (antropólogo, coordenador)
Geraldo Andrello (antropólogo, coordenador adjunto)
Adeílson Lopes da Silva (ecólogo, assessor do programa)
Aloísio Cabalzar (antropólogo, assessor do programa)
Andreza Andrade (jornalista, gerente do Espaço Público da sub-sede ISA-SGC)
Antônio Araújo Aguiar (auxiliar de administração em Manaus)
Carla Dias (bióloga e antropóloga, assessora do programa)
Elizabete Morais (estudante secundarista, estagiária do Espaço Público da sub-sede ISA-SGC);
Fernando Luiz de Freitas Vicente (administrador de empresas, gerente de projeto)
Francimar Lizardo dos Santos (supervisor de administração em São Gabriel da Cachoeira)
Francis Miti Nishiyama (jornalista, assistente da coordenação)
Gustavo Tosello Pinheiro (administrador, assessor do programa)
Joás Rodrigues da Silva (auxiliar de administração em São Gabriel da Cachoeira)
Laise Lopes Diniz (pedagoga, assessora permanente do componente baniwa/coripaco)
Lucia Alberta Andrade (educadora e antropóloga, assessora permanente do componente wanano)
Margarida Murilo Costa (zeladora em São Gabriel da Cachoeira)
Maria Luiza Dourado (estudante de biologia, técnica de projeto)
Marina Antongiovanni da Fonseca (bióloga, assessora do programa)
Marta Azevedo (antropóloga e demógrafa, assessora do Projeto de Educação Indígena no Alto Rio Negro)
Masayuki Futagawa (administrador em Manaus)
Mauro Lopes (engenheiro de pesca, assessor do programa)
Melissa Santana de Oliveira (antropóloga, assessora permanente do componente tuyuka)
Murilo Amaral de Oliveira Faria (estudante de administração, estagiário)
Natalie Unterstell (administradora – assessora para projetos de alternativas econômicas)
Pieter van der Veld (agrônomo, assessor do programa)
Renata Alves (ecóloga, analista em sensoriamento remoto)
Renata Eiko Minematsu (zootecnista, assessora do programa)


Pesquisadores associados

Almir de Oliveira (arquiteto)
André Martini (Unicamp – Universidade Estadual de Campinas, antropólogo)
Bruce Nelson (Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ecólogo)
Dominique Buchillet (IRD - Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, antropóloga)
Fabiana dos Santos Souza (Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, ecóloga)
Flora Dias Cabalzar (USP – Universidade de São Paulo, antropóloga)
Gilvan Muller de Oliveira (Ipol - Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística, lingüista)
Glenn Shepard Jr. (Inpa, antropólogo e ecólogo)
Henri Ramirez (UA - Universidade do Amazonas, lingüista)
José Ribamar Bessa Freire (Uerj - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, jornalista e historiador)
Judite Gonçalves Albuquerque (Unemat - Universidade do Estado de Mato Grosso, educadora)
Kristine Stenzel (Universidade do Colorado, lingüista)
Laure Emperaire (IRD - Institut de Recherche pour le Développement, etnobotânica)
Lúcia Hussak van Velthem (Mpeg – Museu Paraense Emilio Goeldi), antropóloga)
Ludivine Eloy (geo-agrônoma)
Luiza Garnelo (UA - Universidade do Amazonas, médica e antropóloga)
Márcia Abraão (ecóloga)
Maria Nazareth F. da Silva (Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, bióloga)
Marlui Miranda (etnomusicóloga)
Maurice Bazin (Ipol - Inst. de Investigação e Des. em Política Lingüística, etnomatemático)
Paulo Maia (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, antropólogo)
Robin Wright (Unicamp - Universidade Estadual de Campinas, antropólogo).
Walmir Cardoso (PUC/SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, astrônomo)


Parceiros técnicos e fontes de financiamento do programa

  • Cafod - Agência Católica para o Desenvolvimento /Fundo de Pequenos Projetos
  • CEEEI – Conselho Estadual de Educação escolar Indígena do Amazonas
  • Cepta/Ibama – Centro de Pesquisa e Treinamento em Aqüicultura
  • CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
  • Fundação Gordon & Betty Moore
  • Fundação Ford
  • Fundación Gaia Amazonas
  • FVA - Fundação Vitória Amazônica, Manaus
  • Horizont3000 – Organização Austríaca de Cooperação para o Desenvolvimento/ Campanha Aliança pelo Clima
  • Instituto Iraquara
  • Iphan - Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional
  • Instituto Pólis
  • INPA – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus
  • Ipol
  • IRD - Institut de Recherche pour le Développement, França
  • MEC/FNDE – Ministério da Educação e Cultura / Fundo Nacional de Desenvolvimento
  • Prefeitura Municipal de São Gabriel da Cachoeira
  • NuTI
  • Pacta – Populações Locais, Agrobiodiversidade e Conhecimentos Tradicionais na Amazônia
  • Rede de Cooperação Alternativa - RCA
  • RFN – Fundação Rainforest da Noruega
  • SDS – Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento ustentável
  • Seduc – Secretaria Estadual de Edcuação do Amazonas
  • Semed – Secretaria Municipal de Educação e Desporto de S. Gabriel da Cachoeira (AM)
  • Vídeo nas aldeias
  • Unicamp