Fogo sem controle Após os elevados índices de queimadas registrados no ano passado, pouco foi feito para prevenir novas devastações durante a estação seca deste ano. Entre os exemplos mais evidentes do descaso das autoridades, estão a Reserva Biológica do Poço das Antas, no Rio de Janeiro – que foi vítima de incêndios quase ininterruptos entre os meses de junho e julho, comprometendo cerca de 10% da área total do parque - e a duplicação do número de queimadas no Mato Grosso, onde, segundo dados de satélite, mais de 500 mil hectares de vegetação foram destruídos.
Recursos genéticos Entidades da sociedade civil brasileira divulgaram no dia 29 de julho uma nota pública repudiando a decisão do governo federal de criar uma medida provisória para regular o acesso aos recursos genéticos do país. A necessidade de regulamentação de matérias de interesse público ser feita pelo Legislativo, a eliminação do debate público e a exposição do texto a interesses específicos, como ocorrido em relação ao Código Florestal, foram algumas das razões que motivaram a nota. Mas a iniciativa não surtiu o efeito esperado e no dia seguinte a MP 2.052 foi editada prejudicando, entre outros, os índios e populações tradicionais, já que a MP fere o direito de usufruto exclusivo dos índios sobre os recursos naturais de suas terras, permitindo o livre acesso de pesquisadores, e legitima toda e qualquer prospecção que tenha conhecimento de populações tradicionais, legalizando assim a biopirataria.
Universidade Indígena – Foi aberta no dia 04 de julho, no Mato Grosso, a primeira universidade indígena da América do Sul. A instituição, coordenado pelas universidades Estadual e Federal de Mato Grosso (Unemat e UFMT) e a Funai, vai oferecer a partir de janeiro de 2001 três cursos com a duração de cinco anos cada um: ciências da matemática e da natureza, ciências sociais e línguas (português e o idioma da etnia) artes e literatura. Serão 200 vagas para as três áreas, das quais 180 serão exclusivas para as 35 etnias indígenas do Mato Grosso e as demais para outros Estados e países. O processo de seleção em setembro inclui apresentação de carta da comunidade indígena, prova escrita e entrevista.
Terras Indígenas – A demarcação e o respeito aos limites das terras indígenas continua sendo um dos maiores problemas de diversos povos no Brasil. Só no mês de julho, três incidentes ocorreram tendo como pano de fundo a demarcação de terras. No dia 21, 150 índios Kaingang ocuparam a comunidade de Bonsucesso, na Região Oeste de Santa Catarina, como forma de pressionar a Funai a demarcar suas terras, exploradas por agricultores e empresas de reflorestamento. Também em julho, 50 índios Kayapó fizeram reféns 15 pescadores que invadiram suas terras, exigindo a presença da polícia federal. Finalmente, em Florianópolis, 20 famílias guarani, que estavam acampados às margens da BR-101, obtiveram a posse definitiva de suas terras da área Mbiguaçu.
ANA – Foi sancionado em 17 de julho, pelo presidente em exercício Marco Maciel a lei que cria a Agência Nacional de Águas (ANA), que será responsável pelo gerenciamento dos recursos hídricos brasileiros. A aprovação ocorreu com quatro vetos: o direito de coordenar a elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos; a proposta de proibir dirigentes da ANA de prestar, direta ou indiretamente, serviços a empresas fiscalizadas por ela, 12 meses seguintes à sua saída da autarquia; o poder de delegar a outros órgãos, entidades públicas ou organizações sociais civis de interesse público a execução de atividades de sua competência e o dispositivo que permitiria que as dotações orçamentárias da ANA não sofressem limitações nos seus valores.
Quilombos – 18 quilombos tiveram sua terras reconhecidas pela Fundação Palmares, ligada ao governo federal, em 19 de julho. Entre as comunidades, o quilombo de Ivaporunduva, no Vale do Ribeira, é o primeiro do Estado de São Paulo a receber o título de domínio. Apesar dessa boa notícia, inúmeros quilombos no Brasil continuam sem registros e o processo para inverter a situação continua sendo bastante complexo. Para se ter uma idéia, cartórios de Goiás, Mato Grosso e Pernambuco não querem registrar terras de negros por pressão de fazendeiros. A questão tem originado hostilidades e causou inclusive a saída forçada, sob escolta, de um advogado da Fundação Palmares da cidade de Cavalcante, GO, no último dia 28 de julho.
SNUC – Depois de oito anos tramitando no Congresso, foi sancionada pelo Vice-Presidente Marco Maciel a lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). A lei estabelece "critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação" no país, dividindo as modalidades de UCs existentes em Unidades de Proteção Integral, que são de uso indireto e conceitualmente restritivas em relação à presença de populações humanas em seu interior, e Unidades de Uso Sustentável, de uso direto e que admitem diferentes níveis de atividades e de presença de populações humanas nas áreas.