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NOTAS SOBRE AS FONTES   
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NOTA SOBRE AS FONTES

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As teses de doutorado de Elick (1969), Weiss (1969) e de Bodley (1970), assim como o livro de Varese (1968), constituem as referências antropológicas básicas sobre os Ashaninka. Esses antropólogos realizaram suas pesquisas em aldeias peruanas. Após um capítulo histórico e uma caracterização do meio-ambiente, Elick oferece ao leitor um estudo de vários aspectos da cultura indígena: atividades de subsistência, alimentação, cultura material, organização social e cosmologia. Esse tema da cosmologia foi o enfoque principal de Weiss, enquanto Bodley orientou mais seu estudo para as relações dos Ashaninka com as frentes de colonização e o meio-ambiente. Enfim, Varese focaliza sua análise sobre a história do povo. Além desses trabalhos clássicos, existem outros escritos apresentando de uma maneira geral a cultura ashaninka, como o de Graig (1967), ou analisando aspectos particulares dessa sociedade, como as atividades de subsistência (Denevan 1974).

Se os Ashaninka situados no Peru foram sujeitos a vários estudos, o conhecimento antropológico sobre o povo no Acre ainda é muito limitado. Excluindo alguns relatórios da Funai, a literatura etnográfica se resume a uma apresentação geral do povo realizada por Mendonça (1991) e a três dissertações de mestrado. Woodward (1991), Mendes (1991) e Ioris (1996). Woodward estudou os cantos e o xamanismo entre algumas famílias do rio Amônia e Breu. Mendes realizou uma etnografia pioneira com os Ashaninka do rio Amônia, focalizando sua atenção no ritual do piyarentsi. Ioris estudou o grupo do rio Envira em suas relações com a Funai e os índios isolados da região.

Minha tese de doutorado, concluída enm 2002, procura desvendar as construções peculiares que os Ashaninka do rio Amônia fazem de sua história e da política interétnica, mostrando como esse povo indígena viveu, degeriu e reinterpretou o contato com a sociedade branca em função das contingências históricas e de sua própria especificidade cultural. O trabalho revela como os Ashaninka do rio Amônia se apropriam de maneira original e criativa de vários elementos do mundo e do discurso ocidental para afirmar sua diferença étnica frente aos outros e suas reivindicações políticas.

01: Aldeia das Terras Altas, Igarapé do Breu. foto: Arno Vogel, 1978

José Pimenta
Antropólogo, professor substituto do Depto. de Antropologia da UnB e pesquisador associado do IRD
josepimenta@hotmail.com

Setembro de 2005

 
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