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A sociedade baniwa hoje se subdivide em várias
fratrias ou conjuntos de sibs - como os Hohodene, os Walipere-dakenai
e os Dzauinai - tradicionalmente localizadas em determinados
trechos dos rios da região. As fratrias são
exogâmicas (ou seja, seus membros não podem
casar-se entre si) e, no passado, há evidência
de que foram organizadas em grupos lingüísticos
correspondendo a dialetos da língua baniwa - tais
como os kuripako, karom e outros -, semelhante ao que
ocorre em algumas áreas dos povos tukanoanos. Mas
hoje, devido a deslocamentos e migrações
históricas, provavelmente os únicos grupos
lingüísticos que continuam a manter a sua
identidade são os Kuripako da Colômbia, cujo
nome se refere a um dialeto (Kuri- = negativo; -pako =
eles falam) e os Wakuenai (Waku- = nossa fala;
-enai = coletivo; ou "Os da Nossa Língua").
Segundo a tradição da fratria
dos Hohodene, eles são o sib de maior rank de
um agrupamento de cinco sibs - os Maulieni, os Mulé
dakenai, os Hohodene, os Adzanene, e os "irmãos
menores dos Adzanene" (Alidali dakenai),
cujos ancestrais '"nasceram" ao mesmo tempo
na época da criação. É marcante
nessa fratria seu sentimento de identidade baseada em
lugares de emergência mítica e território
comum. Há evidência, no mito de criação
dessa fratria, de que existe uma relação
hierárquica associada a papéis cerimoniais
entre os sibs: o primeiro sib a "nascer" foram
os Maulieni, os avós dos Hohodene, que são
o sib "maaku", ou servos, que limpavam o terreno
onde iam nascer os outros sibs; o segundo sib a nascer
foram os Mulé-dakenai, os irmãos maiores
dos Hohodene e o sib de chefes, que arrumavam os banquinhos
para todo mundo sentar na sala cerimonial; o terceiro
grupo a nascer quando o sol estava a pino, foi os Hohodene,
os "filhos do Sol", grupo guerreiro, e o grupo
mais alto na hierarquia pois nasceram no meio; depois,
os Adzanene e seus irmãos menores.
Cada fratria consiste de pelo menos quatro ou
cinco patri-sibs ordenados conforme a emergência
dum grupo de irmãos ancestrais míticos,
de mais velho a mais novo. Em alguns casos, o nome da
fratria é o mesmo do sib considerado mais alto
na hierarquia de irmãos. Por exemplo, os sibs
Tuke-dakenai, Kutherueni, e outros pertencem à
fratria dos Walipere-dakenai, o sib-irmão mais
velho na hierarquia; e os Kathapolitana são um
sib-irmão mais novo que pertencem à fratria
dos Dzauinai, o sib-irmão mais velho na hierarquia.
Os Baniwa traçam descendência pela
linha paterna. O núcleo das comunidades locais
consiste no grupo de irmãos descendentes da família
fundadora, com as suas famílias. Os laços
entre irmãos, tal como nos níveis das fratrias
e sibs, formam a base dum sistema de ordem hierárquica
de acordo com a idade relativa. O significado da ordem,
porém, está sujeito a variações
locais na prática.
As regras de casamento entre os Baniwa prescrevem
a exogamia frátrica e expressam uma preferência
para casamento com os primos cruzados patrilaterais.
A troca direta de irmãs freqüentemente ocorre
entre linhagens e sibs de afins preferidos e, em alguns
casos, mostra-se uma preferência para casamentos
entre pessoas de sibs pertencentes a fratrias diferentes
mas da mesma posição na hierarquia. Os
casamentos geralmente são monógamos (embora
existam casos de poligamia) e arranjados pelos pais
do noivo e noiva.
A virilocalidade é o padrão de
residência predominante; porém, a regra
de serviço do noivo freqüentemente produz
situações de uxorilocalidade temporária
ou permanente. As comunidades, portanto, podem incluir
afins e até evoluir em comunidades multi-frátricas
ou multi-sibs, ou ainda, em casos de antigos parceiros
de troca, em metades. A intolerância dos missionários
evangélicos tem modificado consideravelmente
os padrões de residência e o casamento
entre primos cruzados, contribuindo assim à uxorilocalidade
permanente.
Tradicionalmente, o grupo de irmãos descendentes
da família fundadora constitui o nível
político mais importante da comunidade. O chefe
de uma comunidade local era o irmão mais velho
do grupo de irmãos da família fundadora.
No entanto, há tantas exceções
a esta regra atualmente que não está claro
se ela ainda permanece. As histórias orais indicam
a existência de grandes líderes de guerra
no passado, mas a guerra foi abandonada pela maioria
das fratrias no final do século XIX.
Os líderes das comunidades, ou capitães,
variam em seu exercício de autoridade, mas todos
devem ter a aprovação da comunidade -
principalmente o grupo dos velhos - em qualquer decisão,
e a expectativa é que os capitães ajam
como intermediários em assuntos internos e como
interlocutores em relações com estranhos.
Além disso, eles organizam trabalhos conjuntos,
presidem reuniões e atividades religiosas, distribuem
a produção comunitária, e reforçam
os padrões de comportamento comunitário.
Caso um capitão não cumpra as suas obrigações,
os velhos da comunidade decidem por consenso a sua substituição.
Nas comunidades evangélicas, a estrutura de autoridade
religiosa se sobrepõe à hierarquia tradicional
dos velhos, podendo até reforçá-la.
Com a criação de novas associações
políticas desde a década de 1990, tem
surgido vários jovens líderes vinculados
ao movimento indígena regional. Estes jovens
líderes, porém, permanecem sob o controle
e a censura da autoridade política tradicional
de suas comunidades.
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