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As canoas dos Enawenê Nawê ficam ancoradas no rio
Iquê, a aproximadamente seis quilômetros da aldeia circular
formada por dez grandes casas retangulares e uma casa
circular, mais ou menos no centro, onde ficam guardadas
as flautas. No pátio central são realizados os rituais
e as partidas de futebol de cabeça, esporte tradicional
dos Enawenê Nawê, cujas bolas são feitas de latéx extraído
das seringueiras. Apanham água, tomam banho e lavam suas
panelas em pequenos igarapés situados próximos à aldeia.
As casas são feitas de troncos de várias grossuras
amarrados com cipós e cobertas com palhas de buriti,
com uma entrada de frente para o pátio e outra nos fundos.
No interior das casas há uma área de circulação comum
formada por um longo e largo corredor central que liga
a duas entradas. Aí estão dispostos grandes jiraus (espécie
de mesa alta feita de troncos finos espaçados entre
si) sobre os quais se colocam bolos assados de milho,
massas de mandioca para secar e outros.
Em cada casa moram diversas famílias ligadas
entre si por relações de parentesco. Cada família composta
de pai, mãe e filhos tem seu próprio fogo, suas redes
próximas e um jirau aonde guardam os seus pertences.
Além dos casais mais velhos, divisórias de esteiras
marcam o espaço dos casais mais jovens. As filhas ficam
perto dos pais e portanto são os jovens esposos que
vão para o outro lado da casa ou para outra residência.
O interior das casas é muito agradável e cheio
de atividades . Durante o dia, quando está quente lá
fora, as casas protegem do calor. À noite as casas são
iluminadas com tochas cheirosas de resina enrolada em
folhas de pacova e são acesos os fogos de cada uma das
famílias. É uma hora em que a família reunida aproveita
para conversar e todos contam o que aconteceu no dia.
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