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O TRABALHO E OS ALIMENTOS   
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O TRABALHO E OS ALIMENTOS

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Homens e mulheres fazem trabalhos diferentes. As mulheres cozinham os alimentos, cuidam das crianças, tecem redes e pulseiras de algodão, fabricam panelas de barro, pescam pequenos peixes nas lagoas, plantam, buscam alimentos na roça e outros. Uma boa parte dos trabalhos femininos é realizada dentro das casas. Os homens buscam lenha, acompanham as mulheres nas roças, derrubam e queimam as roças, pescam de diversas formas, buscam resinas, cogumelos, mel, frutas, cipó e palha no mato, fazem canoas e muitas outras coisas.

As atividades econômicas dos Enawenê Nawê estão articuladas ao calendário ritual. Isso porque eles acreditam que há um outro tipo de vida após a morte. Então, quando alguém morre, a carne e os ossos ficam para os Yakairiti (espíritos que habitam o patamar subterrâneo) e a pulsação (impulso vital) e último sopro vão para o céu e se transformam em Enore (espíritos que habitam o patamar celeste). Esses espíritos interferem na vida dos humanos e para manter a harmonia do mundo, a organização e as regras da sociedade, para que não faltem alimentos, toda a sociedade estabelece uma relação de troca constante com eles através da troca generalizada entre grupos rituais. Essa relação se dá através de um ciclo anual de rituais.


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:: Foto: Kristian Bengtson, 2003
Virgínia Valadão (1952-1998)
Centro de Trabalho Indigenista
Adaptado pela equipe do ISA
Agosto de 1998
 
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