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a instalação da Hidroelétrica de
Sobradinho, que começou a funcionar em 1979,
a agricultura de inundação teve de ser
repensada, pois, devido à barragem, o rio já
não teria seu ciclo de enchentes e vazantes determinado
pelo sistema de seus afluentes. Assim sendo as áreas
anteriormente inundáveis são desapropriadas
para dar lugar a projetos de agricultura de irrigação.
A rizicultura é a mais atingida,
mas de um modo geral toda a região parece parar
a espera da instauração da nova ordem.
As mudanças atingem os índios enquanto
trabalhadores meeiros ou alugados. É neste contexto
de mudanças que o momento propício para
a tomada das terras é vivenciado pelo grupo.
A Fazenda Modelo também teve
suas lagoas de plantio de arroz afetadas pelo novo regime
imposto pela barragem de Sobradinho. Tanto assim que
a CODEVASF planejava nela criar um programa de piscicultura
(1979) , quando a mesma foi invadida pelos Kariri-Xocó.Tendo
em vista as modificações provocadas pela
barragem de Sobradinho, que inviabilizada a agricultura
que obedecia ao ciclo de enchente e vazante do rio São
Francisco, as várzeas inundáveis são
em grande parte desapropriadas para que se implantem
projetos de irrigação baseados em lotes
distribuídos num sistema de cooperativa agrícola.
Um deles foi o Projeto Itiúba, implantado em
1975 na região de Colégio.
Alguns índios conseguem nele
inscrever-se como parceleiros, com acesso a empréstimo
bancário pagável com produção
agrícola, participação nas reuniões
dos cooperativados, devendo obedecer aos horários
de abertura da água para irrigar seus lotes e
aceitar a supervisão dos agrônomos da CODEVASF,
que distribuía a semente de arroz padronizada.
A maioria, porém, se sente discriminada. Em 1980,
os mesmos Kariri-Xocó que invadiram a Fazenda
Modelo pressionam a CODEVASF para que alguns dos seus
sejam selecionados como parceleiros. Organizam um piquete
à entrada da sede administrativa do Projeto e
conseguem que mais índios, em número superior
a quarenta, sejam aceitos como parceleiros.
Estes, porém, ficam separados
dos primeiros, em lotes de um outro setor, de cuja má
qualidade se queixam, passando posteriormente a ser
assistidos por um técnico contratado pela Funai.
A situação, porém, não é
satisfatória e poucos parceleiros, índios
ou não, conseguem obter um saldo positivo junto
à cooperativa. Alguns vão trabalhar no
corte de cana de usinas localizadas no sul do estado
de Alagoas em áreas onde esta cultura é
recente.
Outra fonte de renda é o uso do barro para
a fabricação de tijolos pelos homens,
sendo as mulheres do grupo famosas ceramistas. Normalmente
a cerâmica é feita na entressafra, quando
as mulheres não trabalham na agricultura. Fabricam
potes e outras peças utilitárias. Registros
antigos se referem a esta atividade como uma alternativa
para os períodos de crise. Durante a enchente
de 1979, foi a única atividade que pôde
ser realizada para ajudar no sustento do grupo. Na Fazenda
Modelo ou Sementeira há lagoas com barro de reconhecida
qualidade. Entretanto, apesar de ser uma prática
secular, já nos fins dos anos 1980 parecia estar
diminuindo o interesse das jovens em aprender a tradicional
manufatura.
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