A
denominação Kariri-Xocó foi adotada
como conseqüência da mais recente fusão,
ocorrida há cerca de 100 anos entre os Kariri
de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó
da ilha fluvial sergipana de São Pedro. Estes,
quando foram extintas as aldeias indígenas pela
política fundiária do Império,
tiveram suas terras aforadas e invadidas, indo buscar
refúgio junto aos Kariri da outra margem do rio.
Kariri (ou Kirirí), por outro
lado, é um nome recorrente no Nordeste e evoca
uma grande nação que teria ocupado boa
parte do território dos atuais estados nordestinos
desde a Bahia até o Maranhão. As referências
a Xocó (ou Ciocó) remontam ao século
XVIII.
A denominação Kariri-Xocó
para se referir ao grupo, identificar a aldeia bem como
o posto indígena é, porém, recente,
posterior à criação da FUNAI. O
posto em Colégio, fundado em 1943, recebeu o
nome de Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso,
modificado depois para P.I. Kariri. Apesar disso, em
1960 Hohenthal Jr. identifica como Xocó a comunidade
indígena de Porto Real do Colégio.
No interior do grupo esta dupla denominação
também pode causar disputa ou motivar união.
Quando ainda aspiravam conquistar de volta a ilha de
São Pedro, juntamente com os Xocó que
permaneceram no município sergipano de Porto
da Folha, a ascendência Xocó era a mais
acionada. Por outro lado, quando perceberam que a conquista
das terras da Fazenda Modelo ou Sementeira era politicamente
viável, a identidade Kariri se sobrepôs.
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