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De acordo com dados fornecidos pela FUNAI,
em 1997 a população Kariri-Xocó estava
estimada em 1.500 pessoas, número que vinha sendo
repetido desde, pelo menos, 1993.
Em notícias publicadas na Gazeta de Alagoas de
22-11-92 e 1-10-93, porém, os números variam
de "1.700 índios" na primeira data para
"2.500 integrantes" na segunda.
Cabe ressaltar que esta última
notícia se refere à ida de um representante
do grupo à Câmara Municipal de Maceió
para pedir apoio dos vereadores à causa das terras
indígenas. O número, portanto, neste contexto,
não é um dado imparcial.
Conforme relatório do primeiro agente do Posto
Indígena, havia, em 1944, 166 pessoas identificadas
como índios. No início de meu trabalho
de campo, em 1979, havia 728 índios registrados
no Posto da FUNAI. Em 1983 o número se elevara
para 1.050, em parte devido à reocupação
de terras da Fazenda Modelo ou Sementeira, que provocou
a volta à aldeia de parentes dispersos e tornou
vantajoso o casamento misto, numa região de escassez
de terras.
Ao tratar da demografia Kariri-Xocó
é preciso levar em conta que entre as pessoas
que se auto-identificam como índias e como tal
são identificadas pelo grupo e pelos não
índios, há negros, loiros de olhos azuis
e biotipos ameríndios. Ser índio em Porto
Real do Colégio significa ser filho da aldeia
e conhecer o segredo do Ouricuri, desde a primeira infância.
Há, porém uma diferenciação
interna.
Se a pessoa tem pai e mãe identificados
como Kariri e/ou Xocó, é descendente.
Se, além disso freqüenta o Ouricuri, é
conhecedor. Para ser realmente membro da aldeia, pois,
o ideal é ser descendente e conhecedor. Há,
contudo formas atenuantes: a parte não-índia
de um casamento misto pode vir a ser um caboclo de entrada
se, merecendo a confiança do grupo, for convidado
pelo pajé a freqüentar o Ouricuri. Há
ainda a condição de cabeça seca,
que inclui todos nós que não conhecemos
o segredo do Ouricuri. |