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Cabe aos homens desmatar e fazer a queimada da
área de floresta ou de capoeiras velhas para a
constituição das roças. A partir
de então, o trabalho torna-se feminino, desde a
escolha das variedades de mandioca ou das outras espécies
cultivadas até o preparo dos alimentos. No longo
trabalho de produzir os diferentes derivados da mandioca
(manicuera, tucupi, tapioca, baiji, mingau, farinha),
as mulheres gastam praticamente todo o dia.
Depois de preparar a primeira refeição,
as mulheres vão à roça colher,
fazer o replantio e limpar o terreno; às vezes
vão às capoeiras das roças antigas,
à procura de frutas que continuam produzindo
depois que as roças são abandonadas. Em
casa se desdobram entre ralar a mandioca, carregar água
do rio para lavar a massa, buscar lenha para o fogo,
preparar comida e cuidar e dar atenção
para as crianças menores. Desde muito cedo as
meninas ajudam sua mãe, no começo apenas
entretendo seus irmãozinhos menores para que
os adultos possam trabalhar, e depois ajudando em tudo.
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Os homens costumam acompanhar suas mulheres na
roça, ajudando-as na capina e a carregar a mandioca
para casa. Muitas vezes, principalmente nos povoados mais
antigos, as roças ficam bem distantes das casas,
o que significa grande esforço no transporte da
carga. Maior ajuda masculina é esperada quando
a família se envolve na produção
de um novo estoque de farinha ou de um excedente para
venda, quando contribuem puxando maiores quantidades de
lenha para torrar a farinha. Isto também acontece
quando se faz muito caxiri para as grandes festas.
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A atividade principal dos homens é contribuir
com a outra parte da alimentação, o peixe
ou a carne de caça. Em geral, os homens saem de
canoa todos os dias ou durante a noite para pescar ou
caçar. Este trabalho requer um bom conhecimento
do rio, dos melhores locais para a pesca, dos hábitos
dos peixes e das técnicas de pescaria. Nas áreas
de maior escassez de pescado, é fundamental um
bom domínio destes conhecimentos e técnicas.
Praticamente todos os homens têm pelo menos uma
canoa, sendo bastante valorizada uma maior e melhor para
viagens mais longas. Algumas vezes eles saem para caçar
a pé, percorrendo grandes distâncias à
procura de algo com paciência e atenção.
Quando um homem consegue abater um animal maior, como
uma anta ou um veado, ele destina parte de sua carne para
uma refeição comunitária, para a
qual convida todas as pessoas de seu povoado. As refeições
comunitárias, no entanto, não se restringem
às oportunidades de comida boa e farta. Quase todos
os dias elas acontecem pela manhã. Cada mulher
leva seu cesto de beiju, uma panela de mingau e outra
com peixe ou quinhãpira. Todos comem juntos e conversam,
aproveitando para tomar decisões de interesse coletivo.
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Ainda na divisão sexual das tarefas do
dia-a-dia, o trabalho artesanal das mulheres restringia-se,
tradicionalmente, à produção de
cerâmica e cuias, fiação de tucum
para cordas, enquanto aos homens cabia a produção
dos objetos cerimoniais e toda a cestaria (com exceção
dos aturás de cipó, trançados por
mulheres maku). Entre os "índios do rio"
existem também outros pontos em comum, como os
equipamentos e técnicas empregados diariamente
nas atividades de subsistência (na agricultura,
coleta, pesca e caça; nos deslocamentos cotidianos
e a mais longa distância; nas atividades de processamento
culinário e de conservação de alimentos,
e assim por diante). Por exemplo, os artefatos usados
na cozinha são os mesmos em toda a área:
tipiti, cumatá, peneira e balaios de arumã;
ralos baniwa, feitos no Içana e distribuídos
por todas as partes; abanos trançados com talas
de tucum ou de arumã ; além de recipientes
para pimenta e jiraus feitos com os mais diversos materiais.
Os cestos utilizados para carregar mandioca, frutas
e outras raízes são variados, de acordo
com o rio: na bacia do Rio Uaupés predominam
os aturás maku feitos de cipó, mais resistentes
e produzidos em diferentes tamanhos, de acordo com a
idade e a força do usuário; também
são empregados outros tipos de aturá de
cipó titica nos rios Negro e Içana, além
de jamaxis e aturás de turi.
Aspectos do cotidiano dos "índios da floresta"
podem ser encontrados na página sobre os Maku.
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