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Timbira é o nome que designa um conjunto
de povos: Apanyekrá, Apinayé, Canela, Gavião
do Oeste, Krahó,
Krinkatí, Pukobyê. Outras etnias timbira
já não se apresentam como grupos autônomos:
os pouco numerosos Krenyê e Kukoikateyê vivem
entre os Tembé e Guajajara, que falam uma língua
tupi-guarani (Tenetehara); os Kenkateyê, Krepumkateyê,
Krorekamekhrá, Põrekamekrá, Txokamekrá,
recolheram-se e se dissolveram entre alguns dos sete povos
timbira inicialmente enumerados.
Alguns desses povos, apesar de distintos, são
conhecidos pelas mesmas denominações.
A três deles é aplicado o termo Canela:
Ramkokamekrá, Apanyekrá e Kenkateyê.
Desses três grupos vizinhos, do sul do Maranhão,
o último desapareceu devido à destruição
de sua aldeia e aniquilamento de seus habitantes por
um fazendeiro, em 1913. Cada vez mais o termo Canela
tem sido usado para designar principalmente o primeiro,
que está abandonando o nome Ramkokamekrá.
Na verdade, Canela vem a ser a abreviação
de Canela Fina, termo que no início do século
XIX era aplicado aos "Capiecrans". Esse último
termo, hoje não mais usado, referia-se aos Ramkokamekrá.
Pelo nome Gavião, por sua vez, costuma-se
designar três outros grupos timbira, Krinkati,
Pukobyê e Gaviões do Oeste, com mais freqüência
o terceiro e com menos o primeiro. Eles também
mantêm uma certa proximidade espacial, os dois
primeiros no oeste do Maranhão, na borda da floresta
amazônica, e o último no leste do Pará,
dentro dela. Esse tipo de vegetação permitiu
aos grupos maranhenses resistir por bastante tempo às
expedições que contra eles marchavam.
O grupo paraense, por sua vez, recusou o contato com
os brancos por muito mais tempo ainda, só o aceitando
no início da segunda metade do século
XX.
O nome Krenyê também se aplica a dois povos.
O primeiro vivia na proximidades da localidade maranhense
de Bacabal, no baixo Mearim, não havendo notícias
de pessoas que hoje se identifiquem como a ele pertencentes.
O outro vivia no médio Tocantins e transferiu-se
para o rio Gurupi, tendo vivido algum tempo junto a
um afluente deste, o Cajuapara.
O significado de seus nomes indígenas
é indicado nos seus respectivos verbetes.
Quanto ao nome mais geral, Timbira, Curt Nimuendaju,
o etnólogo pioneiro no estudo desses povos, admite
que, se for de origem tupi, então pode significar
"os amarrados" (tin = amarrar, pi'ra = passivo),
uma referência às inúmeras fitas
de palha ou faixas trançadas em algodão
que usam sobre o corpo: na testa, no pescoço,
nos braços, nos pulsos, abaixo dos joelhos, nos
tornozelos. Mas vários desses grupos chamam a
si mesmos de Mehím.
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