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As etnias presentes na bacia do Uaupés
são as seguintes:
1) Arapaso. Etnia de origem tukano oriental
que atualmente fala apenas a língua tukano. Vivem
no Médio Uaupés, abaixo de Iauareté,
em povoados como Loiro, Paraná Jucá e
São Francisco. Várias famílias
também moram no Rio Negro e em São Gabriel.
2 ) Bará. Autodenominam-se Waípinõmakã.
Habitam principalmente as cabeceiras do Rio Tiquié,
acima do povoado de Trinidad, já na Colômbia;
o Alto Igarapé Inambú (afluente do Papuri)
e o Alto Colorado e Lobo (afluentes do Pira-Paraná).
Dividem-se em cerca de oito sibs (grupos de descendentes
de um ancestral comum que não podem casar entre
si). São especialistas no preparo do aturá
de turi, muito usado onde não são disponíveis
os aturás de cipó maku. Também
fabricam o carajuru. São hábeis ainda
na confecção de canoas. Atualmente são
os principais especialistas na fabricação
dos adornos de plumas usados nas grandes cerimônias.
3) Barasana. Autodenominam-se Hanera. Vivem
nos igarapés Tatu, Komeya, Colorado e Lobo, afluentes
do Pira-Paraná, e no próprio Pira-Paraná,
em território colombiano. Também encontram-se
dispersos na bacia do Uaupés, no Brasil. Registram-se
36 subdivisões nomeadas.
4) Desana. Autodenominam-se Umukomasã.
Habitam principalmente o Rio Tiquié e seus afluentes
Cucura, Umari e Castanha; o Rio Papuri (especialmente
em Piracuara e Monfort) e seus afluentes Turi e Urucu;
além de trechos do Rio Uaupés e Negro
(inclusive cidades da região). Existem aproximadamente
30 divisões entre os Desana, entre chefes, mestres
de cerimônia, rezadores e ajudantes. Este número
pode variar segundo a fonte. Os Desana são especialistas
em certos tipos de cestos trançados, como apás
grandes (balaios com aros internos de cipó) e
cumatás.
5) Karapanã. Autodenominam-se Muteamasa,
Ukopinõpõna. Vivem no caño Tí
(afluente do Alto Vaupés) e Alto Papuri, na Colômbia.
No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados
do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões,
mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.
6) Kubeo. Autodenominam-se Kubéwa ou
Pamíwa. Possuem uma língua bem particular
da família Tukano Oriental, sendo por isso algumas
vezes classificada como Tukano Central. Em sua grande
maioria, se encontram residindo em território
colombiano, na região do Alto Uaupés,
incluindo seus afluentes Querari, Cuduiari e Pirabatón.
No Brasil, ocupam três povoados no Alto Uaupés
e estão em pequeno número no Alto Aiari.
Estão divididos em aproximadamente 30 sibs nomeados.
Estes sibs, por sua vez, estão agrupados em três
fratrias não nomeadas que funcionam como unidades
para trocas matrimoniais; em outras palavras, ao contrário
da maioria das outras etnias do Uaupés, os Kubeo
costumam casar-se entre si, pessoas que falam a mesma
língua. São especializados na fabricação
das máscaras de tururi.
7) Makuna. Autodenominam-se Yeba-masã.
Vivem principalmente no território vizinho da
Colômbia, concentrando-se no Caño Komeya,
afluente do Rio Pira-Paraná, no baixo curso deste
rio, e no Baixo Apapóris. No Brasil, são
encontrados no Alto Tiquié e nos seus afluentes,
os igarapés Castanha e Onça. Estão
divididos em cerca de 12 sibs. São especializados
em zarabatanas e curare, são também hábeis
fabricantes de canoas, além de fornecerem remos
leves e muito bem acabados aos índios do Alto
Tiquié.
8) Miriti-tapuya ou Buia-tapuya. Atualmente
falam apenas a língua tukano. São habitantes
tradicionais do Baixo e Médio Tiquié,
destacando-se as comunidades de Iraiti, São Tomé,
Vila Nova e Micura.
9) Pira-tapuya. Autodenominam-se Waíkana.
Estão situados no Médio Papuri (nas proximidades
de Teresita) e no Baixo Uaupés. Migraram e vivem
também em localidades do Rio Negro e em São
Gabriel.
10) Siriano. Autodenominam-se Siria-masã.
Moram no Caño Paca e Caño Viña,
afluentes do Alto Papuri, em território colombiano.
No Brasil são encontrados dispersos em rios da
bacia do Uaupés e no Rio Negro. Há informações
referentes a 27 sibs siriano.
11) Taiwano, Eduria ou Erulia. Autodenominam-se
Ukohinomasã. Habitam o Caño Piedra e Tatu,
afluentes do Rio Pira-Paraná, e o Rio Cananari,
afluente do Apapóris. Todas estas áreas
estão situadas em território colombiano.
Há informações que dão conta
de oito subdivisões internas.
12) Tariana. Autodenominam-se Taliaseri. Diferentemente
das outras etnias da bacia do Uaupés, a maioria
dos Tariana adotaram o Tukano Oriental, mas falavam
outrora uma língua pertencente à família
Aruak, e algumas comunidades ainda a falam. Atualmente
moram no Médio Uaupés, Baixo Papuri e
Alto Iauiari. O centro do povoamento fica entre as cachoeiras
de Iauareté e Periquito. São especializados
em implementos de pesca como caiá, cacuri, matapi.
13) Tatuyo. Autodenominam-se Umerekopinõ.
Habitam uma área situada na Colômbia: o
Alto Rio Pira-Paraná, o Alto Tí e o Caño
Japu. No Brasil, são representados sobretudo
por mulheres casadas com homens de outras etnias. Existem
cerca de oito subdivisões internas.
14) Tukano. Autodenominam-se Yepâ-masa
ou Daséa. É a etnia mais numerosa da família
lingüística Tukano Oriental. Concentram-se
principalmente nos rios Tiquié, Papuri e Uaupés;
mas também estão morando no Rio Negro,
a jusante da foz do Uaupés, inclusive na cidade
de São Gabriel. É possível que
existam mais de 30 subdivisões entre os Tukano,
cada qual com um nome e, idealmente, compondo um conjunto
hierarquizado. Atualmente, com todas as dispersões
ocorridas nos últimos séculos, as posições
hierárquicas são razão de polêmicas
e versões variadas. Os Tukano são fabricantes
tradicionais do banco ritual, feito de madeira (sorva)
e pintado, na parte do assento, com motivos geométricos
semelhantes àqueles dos trançados. É
um objeto muito valorizado, obrigatório nas cerimônias
e rituais, onde se sentam os líderes, kumua (benzedores)
e bayá (chefes de cerimônia).
15) Tuyuka. Autodenominam-se Dokapuara ou Utapinõmakãphõná.
Estão concentrados principalmente no Alto Rio
Tiquié, entre a Cachoeira Caruru e o povoado
colombiano de Trinidad, incluindo os igarapés
Onça, Cabari e Abiyú. Estão presentes
também no trecho do Rio Papuri próximo
à fronteira Brasil/Colômbia e em seu afluente
Inambú. Possuem cerca de 15 sibs nomeados. São
exímios construtores de canoas e, antigamente,
eram especialistas na confecção de redes
feitas de fibras de buriti. Também são
especializados na confecção do cesto urupema,
trançado de finíssimas talas de arumã,
usado para coar sumo de frutos.
16) Kotiria. Autodenominam-se Kótiria.
Predominam no Médio Uaupés, entre a cachoeira
de Arara e Mitú. Entre Arara e Taracuá
(do Alto Uaupés), os Kotiria são hegemônicos;
acima daí, convivem em território onde
a maioria é Kubeo. Há informações
de que existem 25 divisões entre os Kotiria. Sua
especialidade no âmbito das relações
de troca interétnica é o preparo do carajuru,
um pó corante feito com as folhas de um cipó,
muito usado na confecção de artefatos
rituais e na pintura do banco tukano, bem como para
a pintura corporal. Também são hábeis
cesteiros e produtores de objetos de tururi.
17) Yuruti. Autodenominam-se Yutabopinõ.
Etnia de língua tukano oriental, ocupa o Alto
Paca (afluente do Alto Papuri) e os caños Yi
e Tui e áreas vizinhas do Vaupés onde
estes igarapés desaguam (em território
colombiano). Há informações que
possuem nove sibs.
No Rio Uaupés e em seus afluentes existem atualmente
mais de 200 povoados e sítios. Membros dessas
etnias também estão presentes nas cidades
da região, sobretudo em São Gabriel da
Cachoeira, Santa Isabel e Barcelos. A seguir, é
apresentada uma tabela com a estimativa populacional
de cada etnia.
| Etnia |
População no
Brasil |
| Arapaso |
328 |
| Bará |
39 |
| Barasana |
61 |
| Desana |
1.531 |
| Karapanã |
42 |
| Kotiria |
447 |
| Kubeo |
287 |
| Makuna |
168 |
| Mirity-tapuya |
95 |
| Pira-tapuya |
1.004 |
| Siriano |
17 |
| Taiwano |
0 |
| Tariana |
1.914 |
| Tatuyo |
0 |
| Tukano |
4.604 |
| Tuyuca |
593 |
| Yuruti |
0 |
| TOTAL |
11.130 |
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