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Índios isolados
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Índios isolados

 

Introdução

No Brasil de hoje, há pelo menos 46 evidências de "índios isolados". Assim são chamados aqueles cujo contato com o órgão indigenista oficial (Fundação Nacional do Índio – Funai) não foi estabelecido. Não se sabe ao certo quem são, onde estão, quantos são e que línguas falam.

O pouco que se sabe é que cerca de 26 dessas evidências encontram-se em Terras Indígenas já demarcadas ou com algum grau de reconhecimento pelos órgãos federais. E, do total das 46 referências, 12 já foram confirmadas pela Funai.

Informações escassas

Os poucos relatos escritos sobre esses povos trazem, por vezes, fotos de tapiris, flechas e outros objetos encontrados nas áreas. Os relatos verbais são geralmente fornecidos por outros índios e regionais mais próximos, que narram encontros fortuitos, ou que simplesmente reproduzem informações de terceiros sobre a existência desses grupos.

Foi por meio de relatos verbais, por exemplo, que se obteve a maioria das informações sobre os Hi-Merimã, que habitam a região do médio rio Piranha, entre o rio Juruá e o Purus, no estado do Amazonas. Estes foram estimados, em 1943, com uma população de mais de mil pessoas e ficaram conhecidos pelos conflitos travados com as populações vizinhas. No entanto, negaram-se ao contato com a sociedade envolvente e mesmo com outros índios, com os quais mantêm, ainda hoje, relações hostis.

Isolados ou contatados?

Como se pode perceber, a idéia de que há índios que permaneceram isolados desde a chegada dos portugueses, de que há sociedades mantidas à margem de todas as transformações ocorridas na face da terra, é enganadora. Os grupos considerados isolados travam, muitas vezes, relações de longa data com segmentos da sociedade nacional. 

O isolamento representa, em muitos casos, uma opção do grupo, que pode estar pautada pelas suas relações com outros grupos, pela história das frentes de atração na região e também pelos condicionantes geográficos que propiciam essa situação. A maior novidade para os "isolados", portanto, diz respeito ao contato regular, principalmente com a Funai.

Desde 1987, a Funai conta com uma unidade destinada a tratar da localização e da proteção a esses índios - o Departamento de Índios Isolados - coordenado atualmente por Elias Bigio. Recentemente, sua atuação se dá por meio de equipes denominadas "frentes de proteção etno-ambiental". São elas: Cuminapanema (PA), Envira (AC), RIO Guaporé (RO), Madeirinha (RO/ MT), Vale do Javari e Purus(AM).

Atualmente, quatro grupos já contatados continuam a ser reconhecidos pela Funai como "isolados", recebendo dela assistência diferenciada. São eles os Kanoê e os Akuntsu, de Rondônia, contatados há cinco anos; os Zo'é, do Pará, há mais de vinte anos; e um pequeno grupo Korubo, há oito anos.

O caso Zo'é

Em 1989, a Funai contatou pela primeira vez os Zo'é, grupo tupi-guarani localizado na bacia do rio Cuminapanema (PA). Porém, esses índios travavam relações com missionários protestantes desde 1982, e apresentavam indícios de mais de 80 anos de contato com não-índios. 

Atualmente, os Zo'é continuam a ser reconhecidos pela Funai como "isolados". Eles vivem hoje um processo de aprendizado de categorias estranhas ao seu universo cultural, devido sobretudo à experiência de delimitação de suas terras, realizada entre 1996 e 1998. A partir de então, a interlocução com segmentos da sociedade brasileira, como médicos, antropólogos, indigenistas, ambientalistas etc. tornou-se inevitável.

O caso Korubo

Outra experiência recente é aquela que se deu com os Korubo, localizados no Vale do Javari (AM). Esses índios também se tornaram famosos na mídia quando do contato, em 1996, de uma parcela de sua população com uma expedição promovida pela Funai, encabeçada por um sertanista e acompanhada por repórteres da revista National Geographic, que transmitiu o evento ao vivo e on line para todo o mundo. 

Conhecidos como "índios caceteiros", por não usarem arcos, os Korubo travam, há mais de trinta anos, uma guerra contida com a população regional, apesar de tentativas mútuas de aproximação. O grupo contatado, que conta hoje com 17 pessoas, separou-se do grupo original, que permanece em constante fuga. 

Um último sobrevivente

Um caso de opção pelo isolamento pode ser observado na região do Tanaru, sul do estado de Rondônia. Trata-se não de uma sociedade, mas de um único homem. Tudo leva a crer que o seu povo desapareceu devido à violência e à ganância dos pecuaristas que ocupam a região. Desde 1996, a Funai vem tentando lhe oferecer assistência. Mas todas as vezes que seus acampamentos foram identificados, ele os abandonava. Mostrou-se absolutamente avesso ao contato, apesar de aceitar alguns presentes dos sertanistas, como panelas e facões.

Onde estão os isolados 

Veja abaixo que existem "isolados" em (terras indígenas (TIs) que foram reconhecidas para eles, em outras TIs e tembém em terras ainda  não identificadas. 

 

Isolados em TIs próprias

Terra

Estado  Situação
TI Alto Tarauacá Acre Declarada
TI Hi Merimã Amazonas Homologada
TI Igarapé Taboca do Alto Tarauacá Acre Com restrição de uso
TI Jacareúba / Katawixi Amazonas Com restrição de uso
TI Massaco  Rondônia Homologada e registrada
TI Rio Muqui Rondônia Com Restrição de Uso
TI Kawahiva do Rio Pardo Mato Grosso Identificada e aprovada pela Funai e com Restrição de Uso
TI Riozinho do Alto Envira (Xinane) Acre Identificada/aprovada FUNAI
TI Tanaru Rondônia Com Restrição de Uso

 

Isolados em outras TIs já reconhecidas

Terra  Estado  Situação
TI Awá (Guajá contatados e isolados) Maranhão Homologada
TI Avá Canoeiro (contatados e isolados Avá Canoeiro) Goiás Declarada
TI Arara do rio Branco Mato Grosso Homologada e Registrada
TI Araribóia  (referências de isolados Guajá)  Mato Grosso Homologada e Registrada
TI Aripuanã (índios Cinta Larga e isolados) Rondônia Homologada e Registrada
TI Caru (dos Guajarara e Guajá isolados)  Maranhão Homologada e Registrada
TI Kampa e Isolados do rio Envira   Acre Homologada
TI Kaxinawa do Rio Humaitá Acre Homologada e Registrada
TI Kayapó (isolados Pituiaro) Pará Homologada e Registrada
TI Koatinemo (dos Asurini) Pará Homologada e Registrada
TI Menkragnoti (dos Menkragnoti e isolados Mengra Mrari) Pará Homologada e Registrada
TI Mamoadate (dos Machineri e Jaminawa) Acre Homologada e Registrada
TI Rio Tea (dos Maku Nadeb e isolados Maku) Amazonas Homologada e Registrada
TI Raposa/Serra do Sol (os Ingarikó dizem que na região de Monte Caburaí, na parte intangível do Parque Nacional Monte Roraima, vive um grupo de isolados) Roraima Homologada
TI Trombetas Mapuera (dos Wai Wai, Hiskariana e grupos isolados) Amazonas, Pará e Roraima Declarada
Parque Indígena do Tumucumaque (Akurio isolados)  Pará e Amapá Homologada e Registrada
TI Uru-Eu-Wau-Wau (dois grupos de isolados) Rondônia Homologada e Registrada
Vale do Javari (vários grupos isolados: do Jandiatuba, do Alto Jutaí, do São José, do Quixitos, do Itaquaí e Mayá Amazonas Homologada
Ti Waimiri Atroari (isolados Piriutiti dentro e fora da TI)  Amazônia e Roraima Homologada e Registrada
TI Xikrin do Cateté  Pará Homologada e Registrada

 

Isolados em TIs ainda  não reconhecidas

Povo Localidade
Arama/Inauini  Os Jamamadi do Purus e uma familia Katukina que mora no igarapé Kanamari deram informações sobre a presença de um grupo isolado nessa região do Inauini. Em outubro de 1985, alguns desses indios teriam aparecido no outro lado do igarapé, em frente a moradia da família katukina. Município de Pauini/AM.
Isolados do rio Tapirapé  Esses índios vivem nas cabeceiras do rio Tapirapé, afluente da margem esquerda do rio Itacaunas, no município de Senador José Porfírio/PA.
Isolados do rio Liberdade Há anos os Metuktire dizem que existem Kaiapó "brabo" na região do Rio Liberdade, onde encontraram vestígios desses índios . Parece ser o mesmo grupo que foi visto pelos Metuktire na Cachoeira Von Martius, a poucas horas do rio Liberdade. Foram vistos três índios de cabelos compridos que flecharam os Metuktire, com uma flecha igual a dos Kaiapó, no dia 25/10/90. Nos municípios de Luciara e Vila Rica/MT e talvez em São Felix do Xingu. Segundo o antropólogo Gustaaf Verswijver, que tem trabalhado com os Kayapó, hoje perambulam entre a região do rio Liberdade que cada dia tem sofrido mais desmatamento e a TI Mekragnoti (informação novembro de 2005)
Isolados Guajá na REBIO do Gurupi  Há informações de grupo de Guajá isolado no interior da Reserva Biológica do Gurupi
Isolados do Igarapé Muriru e Pacutinga  Localizados entre os rios Juruena e Aripuanã, no municipio de Aripuanã/MT. Os índios Rikbaktsa, dizem que já tiveram contato com esse grupo que denominam Yakara Waktá (moradores do mato) São 20 a 30 índios que se deslocam para o Aripuanã na época seca. Pelos vestígos (alimentação) poderiam ser um um subgrupo Apiaká. Em 1985 o jesuita Balduino Loebens em sobrevôo localizou suas roças, esse mesmo missionário disse que em 1984, um picadeiro da colonizadora Cotriguaçu encontrou esses índios. Segundo o antropologo Rinaldo Arruda, o grupo foi visto TI Escondido, dos Rikbaktsa.
Isolados Kayapó Pituiaro (Rio Meruré) Esse grupo Kaiapó tem o nome do homem mais velho que o conduziu separadamente, quando em 1950, os Kuben Kran Ken se dispersaram em meio a um ataque dos Kokraimoro. Este grupo perambula entre a região do rio Merure e a área Kuben Kran Ken, município de Altamira/PA Em agosto de 1977 o antropologo Gustaaf Verswijver, ao sair da aldeia, num vôo para Santana do Araguaia, avistou uma aldeia dos Pituiaro à margem do rio Merure - um cérculo de 5 a 6 casas do tipo tradicional Kaiapó, encravado numa serra. Gustaaf disse em novembro de 2005 ser impossível a presença desses índios na região do rio Meruré, pois está muito desmatada, acha que eles podem ter se refugiado na TI Kayapó, no sudeste do Gorotire ou sul do Kuben-Kran-Krên
Isolados Kayapó Pu´ro   Esse grupo se formou em 1940, quando 25 índios partidários do chefe Tapiete deixaram a aldeia Mekragnoti, nunca mais retornando. Os Megranoti atuais, se referem a esse grupo como os Pu´ro. Segundo antropólogo Gustaaf Verswijver, em novembro de 2005 diz que eles não se encontram mais na região que está muito desmatada, e soube pelos Mekrãgnoti da aldeia Pukanu, que dizem ter ouvidos de kubens (brancos) que a uns dois ou três anos, quatro homens desse grupo foram mortos, (provavelmente por madeireiros). é uma notícia preocupante, principalmente porque deve ser um grupo pequeno. Esses sobreviventes parecem estar nos limites norte da TI Mekragnoti.
Isolados Apiaká Em 1984, o antropólogo Eugenio Wenzel, que viveu mais de 15 anos com os índios Apiaká , informou que havia notícias sobre a existência de um grupo de Apiaká que, depois de viver em contato com a sociedade regional e sofrer massacres no período da borracha no início do século vinte, fugiu, afastando-se das margens dos rios maiores. Localiza-se na região dos rios Ximari e Matrinxã, entre os rio Teles Pires e Juruena, no município de Alta Floresta/MT.
Isolados Tupi do Madeirinha Chamados de Piripicura pelos índios Gaviâo da TI Igarapé Lourdes, esses índios se localizam na área entre os rios Branco e Madeirinha, afluentes do Roosevelt, município de Aripuanã/MT.
Isolados do Karipuninha Moradores da região do rio Karipuninha não tem coragem de subir o rio no rumo de suas cabeceiras, devido aos inúmeros vestígios de índios "brabos" que lá encontram. O rio Karipuninha é afluente da margem esquerda do rio Madeira, a aproximadamente 100 km rio acima a partir de Porto Velho , e suas cabeceiras ficam próximas à divisa de Rondônia e o estado do Amazonas.
Isolados do Bararati Nos planos e metas da FUNAI de 1987, constava a referência sobre a existência de índios isolados no rio Bararati e Maracanã (municípios de Apuí e Sucurundi/AM).
Flona do Purus - Rio Candeias A informação sobre a existência desse grupo motivou uma expedição da equipe da Frente de Contato Guaporé em meados de 1998. A equipe percorreu 90 km na margem direita deste rio, sem resultados concretos. Não foram encontrados vestígios de ocupação indígena na área vistoriada. Porém, ainda falta uma grande área a ser pesquisada.
Waiãpi do Alto Amapari A antropologa Dominique Gallois, informou em 1990 que desde 1987 garimpeiros da Perimetral Norte informam terem encontrado, repeditas vezes, vestigios da presença de um grupo isolado na região dos formadores do rio Amapari. De acordo com os Waiãpi do Amapari trata-se dos remanescente do grupo "Amapari Wan" que se separou dos demais há cerca de 50 anos. Membros desse mesmo grupo vivem na aldeia Mariry e aldeia Camopi. Essa região é dentro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, as vezes esses índios se deslocam para a Guiana Fancesa. em 2003 os Waiãpi Camopi acharam a roça desses índios no rio Muturá.


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