Indígenas do PIX aprendem ferramentas de Geoprocessamento para monitoramento ambiental

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Vinte gestores territoriais do PIX foram treinados a utilizar ferramentas de Geoprocessamento para fazer monitoramento territorial
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Gestores territoriais do Parque Indígena do Xingu (PIX), participaram entre 27 de junho e 4 de julho, em Canarana (MT), de um curso sobre Geoprocessamento Sociopolítico e Monitoramento Territorial. Realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a Associação Terra Indígena Xingu (Atix) e Funai, contou com a participação de 20 gestores territoriais do Parque Indígena do Xingu (PIX).

Em 2014, 35 indígenas do PIX concluíram o curso de Gestão Territorial, que teve três anos de duração. Um dos desdobramentos desse processo de formação foi a criação do Coletivo de Cartografia Sociopolítica do Xingu. O curso realizado em Canarana foi parte da estratégia de formação continuada focada nesse tema. “O interesse dos alunos foi tamanho que decidimos dar continuidade ao curso de gestão de uma maneira diferente, focado só no geoprocessamento, com prática na gestão territorial”, explicou Fábio Moreira, do ISA, responsável pelo curso.

O objetivo é que os gestores aprofundem seus conhecimentos de maneira autônoma tendo condições de relacionar as novas tecnologias com o conhecimento tradicional para que, desta maneira, utilizem GPS, um software de geoprocessamento, e dados secundários disponíveis na rede para elaborar mapas e documentos que possam subsidiar a tomada de decisão comunitária e também pelo poder público, como a Funai e outros órgãos governamentais.

O curso contou com a presença de um convidado especial, o arqueólogo Michel Hackenberg, que apresentou parte de seus estudos (baseados em análises de imagens Landsat) na região do Alto Xingu sobre as tecnologias indígenas ancestrais desenvolvidas pelos povos xinguanos ao longo de milhares de anos e que tem relevância fundamental para os estudos de cartografia contemporânea.

Pasi Suya, da Associação Indígena Kisêdjê (AIK), foi um dos partcipante do curso de gestão que se encerrou no final do ano passado e agora da oficina de cartografia. Ele contou o que aprendeu no curso e o conhecimento que foi aperfeiçoado na oficina. “No curso foi resgatado como os ancestrais viviam no Xingu. A partir disso comecei a pensar como poderia ajudar a comunidade e consegui adaptar algumas coisas. Na oficina conheci mais ferramentas como que faz monitoramento e tira pontos [no mapa], para que a gente possa praticar em nossas comunidades e monitorar nossas áreas via internet com imagem de satélite. Gostei muito”, relatou.

O indígena Karin Juruna (Yudja) disse que na oficina aprofundou seu conhecimento sobre cartografia: “Busquei mais informação e aprofundou meu conhecimento para monitoramento, tirar pontos e localizar onde foi tirado. Com certeza vai ajudar mais ainda na parte da fiscalização”. Elejá realizou três expedições dentro do PIX para vistoriar o território. “Temos que cuidar do Xingu porque é aqui que vivemos e buscamos tudo o que precisamos”, disse. Conforme Karin, as três maiores ameaças hoje para o PIX é a retirada de madeira, o desmatamento e a plantação de soja ao entorno do Parque.

Para novembro está sendo programada nova etapa do curso, mas desta vez os próprios gestores é que serão os monitores, repassando o conhecimento a outros indígenas.

Rafael Govari e Fabio Moreira
ISA
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