Entrando no clima da COP-21

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Victor Pires

Entrando no clima da COP-21. A partir de hoje, o site do ISA estreia a coluna Entre no Clima, sobre mudanças climáticas e assuntos correlacionados. Na coluna, vamos apresentar, de forma breve, conteúdos variados sobre as negociações da COP-21, a posição do governo brasileiro, florestas e mudanças climáticas, projetos inovadores, novidades e curiosidades da ciência climática, agenda nacional e internacional, entre outros temas. A ideia é reunir diferentes pontos de vista e perspectivas sobre esses temas.

Sonolento. Na semana passada, o jornalista Washington Novaes, colunista do jornal Estado de S. Paulo, participou, no Senado, do debate sobre a encíclica ambiental Laudato si – Sobre o cuidado da casa comum, do Papa Francisco. Em entrevista ao ISA, Novaes falou sobre as dificuldades do governo brasileiro em promover as energias renováveis. “O Brasil demorou a acordar, mas, com a crise hídrica, está tendo de correr. O Brasil já podia ter feito muito em matéria de energia solar, de energia eólica. O Brasil tem tudo para ser um país único, mas demorou muito para acordar, se é que acordou”, afirmou o colunista. Novaes foi incisivo ao falar sobre os rumos do planeta, caso não haja mudanças rápidas. “É preciso dizer de início, e isso tem que ficar muito claro, que há uma crise do padrão civilizatório. Nossos modos de viver, hoje, não são compatíveis com as possibilidades do planeta e é preciso agir sem perder tempo”, afirma o jornalista. O debate foi realizado como parte da reunião conjunta entre a Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) e a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado.

Recurso finito. O secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Leonardo Steiner, também participou da discussão sobre a encíclica. “A Terra não é inesgotável. A Terra tem seus limites”, alertou. “Está aqui a questão do Código da Mineração no Congresso Nacional. Esperamos que o Congresso não ouça apenas as mineradoras, ouça os povos e comunidades envolvidas. A mineração tem sido um desastre em nosso país”, comentou Steiner.

Polo Sul em risco. Um estudo publicado na revista Science Advances demonstra que, caso todos os combustíveis fósseis da Terra sejam queimados, a camada de gelo sobre a Antártida deixará de existir. O trabalho leva em conta que a elevação e aquecimento dos oceanos, aliados à fragilidade da camada de gelo oceânica, são fatores que interagem para acelerar o derretimento. “Se as emissões de carbono de combustíveis fósseis resultarem em um aquecimento substancialmente maior que a meta de 2ºC, é provável que escalas milenares de aumento do nível do mar sejam dominadas pela perda de gelo da Antártida”, afirmam os pesquisadores. O estudo foi conduzido pelos cientistas Ricarda Winkelmann, Anders Levermann, Andy Ridgwell e Ken Caldeira.

Pedalando e caminhando pelo clima. A campanha Pole to Paris busca conscientizar a população mundial sobre os temas da Conferência do Clima de Paris de um jeito pouco usual. O cientista Daniel Price, especialista em clima antártico, vai encontrar Erlend Moster Knudsen, especializado no clima ártico, em Paris. Até aí, nada demais. O que chama a atenção é o modo como a viagem de cada um vai ser feita. Price vai sair do círculo antártico e percorrer cerca de 17 mil quilômetros de bicicleta, enquanto Knudsen vai partir do círculo ártico e caminhar por mais ou menos três mil quilômetros até a capital francesa. Os cientistas levam bandeiras das duas regiões polares, as áreas mais afetadas pelas mudanças climáticas, para a Conferência. A iniciativa tem apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A viagem pode ser acompanhada pelo site http://poletoparis.com/#home. Veja vídeo abaixo.

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