Guarani Kaiowá mobilizam redes sociais

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Tatiane Klein

Nas últimas semanas as redes sociais foram tomadas pela mobilização em torno de uma carta de uma comunidade guarani kaiowá e ñandeva, de Pyelito Kue/Mbarakay, em Iguatemi (MS). Divulgada inicialmente pelo Conselho da Aty Guasu (grande assembleia desses povos), o documento teve forte repercussão e chamou a atenção de um público amplo e variado para as graves violações aos direitos indígenas no estado do Mato Grosso do Sul.

Em Pyelito Kue/Mbarakay, um grupo de 170 pessoas reivindica a demarcação de seu território; na carta, eles relatavam decisão da Justiça Federal que determinou sua expulsão das margens do rio Hovy e prometiam resistir à ela até a morte.

Em solidariedade à demanda territorial desses povos, milhares de usuários da rede social Facebook incluíram Guarani Kaiowá em seus nomes. Personalidades públicas também fizeram eco às milhares de manifestações em apoio aos Guarani Kaiowá: entre outros, o escritor moçambicano Mia Couto, a ex-senadora Marina Silva e músicos como Gilberto Gil e Ed Motta.

A mobilização chegou às ruas, e desde então, têm acontecido passeatas em cidades de todo o Brasil. Veja a lista dos atos que acontecem nos próximos dias!


Em Brasília, cinco mil cruzes foram fincadas no gramado da Esplanada dos Ministérios em um ato em defesa dos povos indígenas.

Imprensa medieval
Tendo chamado a atenção da imprensa nacional e internacional, o caso, infelizmente, não recebeu o tratamento devido de alguns veículos de comunicação e articulistas.

No último fim de semana, a revista Veja voltou a atacar o direito indígena à terra - que é constitucional - e o trabalho antropológico, que é chamado de medieval pelos editores de Veja. Entre os absurdos, eles registram: “Os antropólogos os convenceram de que o nascimento ou o sepultamento de um de seus membros em um pedaço de terra que ocupem enquanto vagam pelo Brasil é o suficiente para considerarem toda a área de sua propriedade”.

Em nota, o conselho da Aty Guasu expressou seu repúdio à reportagem de Veja: “A imprensa REVISTA VEJA, como sempre, não perdeu a oportunidade de apresentar, mais uma vez, a imagem dos Guarani e Kaiowá como seres incapazes, como nós indígenas não fossemos seres humanos pensantes, fomos considerados como selvagens e truculentos; assim, nesta manchete da REVISTA VEJA há, antes de tudo, incitação ao preconceito, a discriminação e ao ódio o que acaba por colocar em risco total toda a população Guarani e Kaiowá, alimentando violências, racismo, discriminação e estigmas sobre os Guarani e Kaiowá”.

Segue na mesma linha o artigo da senadora Kátia Abreu, publicado pela Folha de S. Paulo. Em "A tragédia da Funai", a senadora quer fazer acreditar que o único responsável pela miséria dos Guarani Kaiowá é o órgão indigenista e que o avanço do agronegócio sobre as terras indígenas nada tem a ver com isso. No documentário "À sombra de um delírio verde" é possível verificar, ao contrário do que sustenta o artigo, o quão íntima é a relação do agronegócio com o confinamento territorial do Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul.

Em favor dos indígenas, vale destacar o artigo "Muita terra, pouco índio", do editor da Folha, Marcelo Leite, e outro, de Eliane Brum, na Época, que se aprofunda em aspectos da cosmologia guarani e sua relação com a palavra.

Saiba mais

"O desafio da paz", de Spensy Pimentel

"Os índios e a fronteira", de Márcio Santilli

"A guerra dos Guarani-Kaiowá: Reza para parar bala. Retomada para andar justiça", de Joana Moncau

Capítulo sobre o Mato Grosso do Sul no livro Povos Indígenas no Brasil 2006-2010

Lista de vídeos sobre os Guarani Kaiowá e Ñandeva

(Colaborou Bruno Aguiar)

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