Visões de Uttarakhand, Índia II

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Nurit Bensusan

Em que você pensa quando ouve a palavra “Satiagraha”? Uma operação da polícia federal? Lavagem de dinheiro? Corrupção? Para nós brasileiros, é difícil escutar a palavra Satiagraha e não pensar em outra coisa. Mas Satiagraha, que significa algo como a “firmeza da verdade”, junto com Swaraj, algo como “auto-governo”, e Swadesh, uma espécie de economia local solidária, são os três eixos do Sarvodaya, o “bem-estar de todos”. Esses conceitos, criados por Gandhi, dão o tom do trabalho desenvolvido aqui na Navdanya.

Gandhi acreditava que seria possível ter uma Índia que assegurasse o Sarvodaya por meio de vilas rurais onde esses três eixos fossem implementados. Esses conceitos dialogam muito com várias iniciativas que acontecem em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. O conceito de economia solidária, a emergência das ecovilas, as experiências de gestão territorial, a atenção aos produtos das cadeias da sociobiodiversidade e muitos outros.

Uma roda dos brasileiros aqui em Navdanya, cerca de 10 pessoas, aproveita a presença de Leandro Uchoas, que escreveu um livro relacionando os ensinamentos de Gandhi com os desafios brasileiros, para tentar entender melhor esses conceitos. É nesse momento que percebo que o Sarvodaya dialoga inteiramente com várias tendências mais contemporâneas, pois considera o bem-estar de todos os seres, e não apenas dos humanos.

E o encontro das mulheres prossegue, mas fica claro que foi concebido para a diversidade de mulheres indianas, dentro do sistema hierárquico indiano. Ou seja: majoritariamente falado em hindi e sem nenhum espaço para a participação. Sim, talvez a lição do ditado “em Roma como os romanos” seja útil em algumas situações, mas é difícil, nesse caso, acreditar que a melhor estratégia seja dar lições e palestras para as pessoas e não apostar em seu fortalecimento e protagonismo. Estou achando que, na Índia, talvez seja melhor não agir sempre como os indianos...

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