Diálogo na fronteira amazônica

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Sede do Instituto Socioambiental (ISA) em São Gabriel da Cachoeira (AM) recebe visita do novo general da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, Danilo Mota Alencar

Na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, São Gabriel da Cachoeira, no noroeste amazônico, abriga uma das principais bases militares fronteiriças no Brasil, a 2ª Brigada de Infantaria de Selva, integrante do Comando Militar da Amazônia (CMA). Desde abril passado, a Brigada tem um novo comandante, General Danilo Mota Alencar, que na última sexta-feira (19) visitou a sede do ISA no município.

Conhecer os trabalhos do Instituto Socioambiental em parceria com os povos indígenas da região foi o principal intuito do general, recém-chegado do Rio de Janeiro, onde coordenava o departamento de Educação e Cultura do Exército. Acompanhado do tenente-coronel Carlos Eduardo Bragança (Comunicação Social), do major Daniel Zanini (Inteligência e Operações), do major Rodrigo Macedo (Logística), além de sua esposa, Katerine Werner e de sua filha Ana Carolina Alencar, Danilo conheceu as instalações do ISA, como a biblioteca e o telecentro comunitário, e assistiu a uma apresentação dos trabalhos do instituto no Rio Negro.



O general vem visitando as principais instituições sediadas em São Gabriel e ressaltou a importância de elas se apoiarem e atuarem juntas na Amazônia. Entre os temas relevantes conversados estiveram a necessidade das comunidades indígenas da região terem acesso a fontes de energia limpa – hoje a maior parte possui apenas geradores a diesel – e terem suas associações de base organizadas para venderem seus produtos agrícolas para o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar). O ISA vem assessorando as associações indígenas nesse sentido, e também buscando alternativas, inovações e estimulando a formulação de políticas públicas relacionadas ao incentivo no fornecimento de energia renovável para comunidades na Amazônia.

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O general Danilo nasceu no Ceará e iniciou sua carreira militar em 1983 na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas (SP). Em sua trajetória, já assumiu a função de Oficial de Ligação do Exército Brasileiro junto ao Centro de Armas Combinadas do Exército dos EUA, quando também foi redator assessor da edição brasileira da publicação Military Review, em 2016. Na Amazônia liderou o Comando de Fronteira no Acre, 4 Batalhão de Infantaria de Selva, em Rio Branco, nos anos de 2011 e 2012.

“Selva” em muitas línguas

Um dos principais diferenciais da 2ª Brigada de São Gabriel é o fato de ter cerca de 1,8 mil indígenas no contingente de aproximadamente 2,5 mil militares que servem na localidade. Uma das mais famosas cerimônias da Brigada é saudar os seus visitantes com o grito “Selva” emitido por soldados de diferentes etnias do Rio Negro, que recepcionam os convidados em suas línguas originais, como Baniwa, Tukano, Tariano, Tuyuka, Nheengatu e outras. Em São Gabriel, são faladas três línguas indígenas co-oficiais e cerca de 90% de seus 45 mil habitantes pertence a uma das 23 etnias do Alto Rio Negro.

Além das instalações militares na parte urbana, a Brigada comanda sete pelotões de fronteira (PEFs), todos situados em Terras Indígenas (PEFs de Maturacá, na TI Yanomami; Iauaretê, Querari, São Joaquim, Tunuí Cachoeira, São Joaquim, na TI Alto Rio Negro e Cucui, na TI Cué-Cué Marabitanas).

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