No noroeste amazônico, indígenas realizam comunicação por direitos

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Juliana Radler

Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro completa um ano de trabalho e realiza sua segunda oficina de formação em São Gabriel da Cachoeira (AM)

A segunda oficina de formação da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro será realizada entre os dias 24 e 28 de outubro, em São Gabriel da Cachoeira (AM), na Casa dos Saberes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). Com 17 integrantes de oito etnias (Baré, Baniwa, Desana, Tariana, Tukano, Tuyuka, Wanano e Yanomami), a Rede vem produzindo mensalmente o boletim de áudio informativo, o Wayuri, com o objetivo de produzir e divulgar notícias de interesse dos povos indígenas do Rio Negro.



Essa etapa de formação tem como objetivo ampliar o conhecimento dos comunicadores sobre a produção e veiculação de notícias, assim como potencializar as ações da Rede de Comunicadores Indígenas, com a formação de multiplicadores na região. Após a oficina em São Gabriel, será realizada a primeira atividade de multiplicação da Rede de Comunicadores em Santa Isabel do Rio Negro, município vizinho à São Gabriel, entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro. A oficina será realizada a convite da Secretária municipal da Mulher de Santa Isabel, Katiana Gaspar Bruno, que tem o objetivo de estimular a formação de comunicadoras indígenas no município.



Além dessa segunda etapa de formação, os comunicadores indígenas também participarão, nos dias 22 e 23 de outubro, da oficina ministrada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) sobre Orçamento e Direitos Indígenas com o objetivo de introduzir o tema do orçamento público como possibilidade de ação e maior incidência política para a juventude indígena do Rio Negro.

Com a conclusão dos planos de gestão territorial e ambiental (PGTAs) das Terras Indígenas do Médio e Alto Rio Negro, os povos indígenas rionegrinos terão mais oportunidades de buscar parcerias e lutar por políticas públicas para o desenvolvimento da região e a oficina do Inesc vem ao encontro dessa necessidade de formação dos jovens nesses temas.

Veja a programação da II Oficina de Formação da Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro.

Sobre a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro

A Rede foi formada em 2017 com o objetivo de fortalecer a comunicação nas comunidades indígenas na área de atuação da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) na Bacia do Rio Negro, englobando três municípios: Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira (AM).

Esse fortalecimento passa por uma melhor produção e circulação de informações de interesse dos povos indígenas, tanto dentro dos seus territórios, como para fora dele. E o ponto principal: que essas notícias e narrativas sejam produzidas por comunicadores indígenas, em sua maioria jovens e com ampla participação feminina no grupo. Buscar maior incidência política do movimento indígena a partir das próprias narrativas é fundamental para sensibilizar a sociedade em geral, assim como para fortalecimento dos povos indígenas e da pauta socioambiental.

A Rede conta com o apoio da União Europeia, por meio do projeto de fortalecimento e autonomia das organizações indígenas, coordenado pelo Programa Rio Negro (PRN) e pelo Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS), do ISA. Saiba mais sobre a Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro aqui.

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