Pausa no acampamento para curar feridas e preparar segundo trecho da expedição

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Moreno Saraiva Martins e Estevão Benfica Senra

26 de setembro de 2013, oitavo dia da expedição

Moreno: "O ritmo de saída foi tranquilo. Arrumamos nosso acampamento e saímos pouco antes das 9h em direção ao Rio Apiaú, navegando pelo igarapé Ingarana. O nível do rio tinha baixado alguns centímetros nesses últimos dias, o suficiente para dificultar bastante a nossa navegação. Troncos que antes estavam submersos e que passamos tranquilamente por eles quando subimos o igarapé, agora estavam alguns centímetros acima do nível da água, o bastante para que todos fossem forçados a descer do barco e empurrá-lo por cima dos troncos por diversas vezes.
Por volta das 11h alcançamos o Rio Apiaú, onde nos esperavam Anderson e Guilherme da Funai, acompanhados por três Yanomami: Timóteo do Uxiu, Edgar que mora na Ajarani mas é casado com uma mulher do Apiaú e o Agente de Saúde do Apiaú, que me esqueci o nome. Eles estavam lá desde segunda-feira, quando a Funai e a Polícia ambiental encerraram a Operação de Combate ao garimpo".

Estevão: "A operação, tida como bem sucedida, conseguiu prender dez pessoas e interceptar barcos que abasteciam o garimpo com rancho e equipamentos diversos. Houve, porém, muitas fugas. Segundo nossos colegas da Funai, entre os garimpeiros do Apiaú havia refugiados da penitenciária agrícola de Manaus e que, por isso, mesmo sem laterna, terçado e provisões, para evitar a prisão, escaparam no meio da mata à noite".

Moreno: "Foram apreendidos dois motores a diesel, dois barcos com motores de popa, alimentação e combustível. Guilherme ainda relatou que a volta ao acampamento foi muito difícil, pois dois dos três motores que eles estavam usando quebraram, e parte do trajeto teve de ser feito usando varas de madeira para empurrar o barco".

"Para nossa equipe, o resto do dia de hoje foi dedicado a ficar sentado no barco. Saímos da boca do Rio Ingarana ao meio dia e chegamos na comunidade do Apiaú às 17h. Desembarcamos as nossas mochilas e mantimentos, e começamos a cuidar de nossos ferimentos, tirar os espinhos encravados na pele e a lavar a roupa que estava havia cinco dias molhada e com cheiro nada agradável.

Após jantar mandioca cozida, começamos a planejar o próximo trecho da expedição. Serão mais de 25km, em linha reta, a serem percorridos em no máximo 06 dias. Abrimos o mapa e começamos a ver as características do relevo e da vegetação por onde passaremos. Em uma primeira olhada as áreas alagadas serão os nossos maiores desafios. Além é claro de ter que vencer uma distância considerável depois de todos já estarmos com o corpo cansado. Amanhã a intenção é ficarmos na comunidade, preparando os equipamentos para seguir viagem e tentando descansar o máximo para seguirmos viagem no sábado".

A série de expedições ao limite leste da TI Yanomami, iniciada em outubro do ano passado, e integrada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), HAY (Hutukara Associação Yanomami), e ISA e agora pela Polícia Ambiental e pelo Bope tem o apoio da Fundação Rainforest da Noruega.

Para saber mais

Próximo relato (27 de setembro de 2013) > Um descanso merecido na comunidade de Hatyanay

Relato anterior (25 de setembro de 2013) > Espinhos, umidade, insetos e urtigas, a floresta é uma experiência epidérmica e tanto!

Linha do Tempo da viagem com galeria de fotos e outras informações http://isa.to/1ag7MYF

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