Projeto Político Pedagógico Indígena é tema de oficina na comunidade Canafé, no Médio Rio Negro (AM)

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Cerca de 40 pessoas entre professores, alunos, pais, avós e lideranças das etnias Baniwa, Desana, Tukano e Baré participaram do encontro entre 19 e 22 de outubro na comunidade de Canafé, no Médio Rio Negro, noroeste amazônico.

Promovida pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) em parceria com o Instituto Socioambiental, esta foi a terceira oficina realizada entre 2011 e 2014. O objetivo foi dar continuidade à elaboração do Projeto Político Pedagógico Indígena (PPPI) da escola Yané Putira (que em língua nhengatú significa “nossa flor”) aprofundando textos já escritos e iniciando novas sistematizações realizadas em trabalhos de grupo. Depois vieram as apresentações em plenária e em seguida a digitação das ideias levantadas e a elaboração de texto com auxílio do power point, de forma que todos pudessem acompanhar e opinar sobre o desenvolvimento dissertativo do projeto. Com a leitura final coletiva e aprovação em plenária, o PPPI, ainda não concluído foi impresso e entregue aos participantes.

Os itens que compõem o projeto, discutidos e sistematizados, foram a missão da escola Yané Putira incluindo objetivo geral, objetivos específicos, metodologia de ensino adotada, grade curricular, calendário local, funcionamento da escola, sistema de avaliação, coordenação e administração e histórico da comunidade e escola.

As principais discussões giraram em torno da metodologia de ensino via pesquisa, formação de professores indígenas, produção de material didático, língua nhengatú, grade curricular e calendário específico. Em relação à metodologia de ensino os participantes informaram sentir dificuldades em trabalhar a partir dessa proposta, reivindicando oficinas sobre metodologia de ensino via pesquisa aos seus professores. No que tange a produção de material didático consideram importante, a partir das oficinas realizadas junto aos professores indígenas, pais e alunos, a produção de material didático, como livro de histórias, temas relacionados às pesquisas realizadas na escola, cantos e desenhos.

O material didático deve ser elaborado em língua portuguesa, sendo que em Canafé, os alunos iniciam seu processo de letramento com a língua portuguesa, pois falam apenas o português. Materiais na língua nheengatú também serão pensados com o intuito de iniciar o processo de grafia para aqueles jovens que já o falam, levando em consideração a escolha da comunidade de iniciar primeiro a língua nhengatú a partir da oralidade, para que crianças e jovens aprendam a falar e, somente depois, começar o processo de escrita.

Já a grade curricular deverá se pautar no diálogo das disciplinas preconizadas pelo MEC, com os temas de pesquisa propostos pela própria comunidade, como: roça, caçaria, quelônios, culinária indígena, frutos do mato, arquitetura indígena, canoas, pesca. Na grade, as tecnologias de fora e indígenas serão trabalhadas no mesmo nível. No calendário específico, os espaços de produção de conhecimento serão levados em consideração e contabilizados como hora/aula, pois a escola Yané Putira entende que os processos de ensino-aprendizagem não se dão apenas dentro de uma sala de aula.

Ao final foi criado o conselho escolar da escola Yané Putira, composto por Sandoval Basílio (presidente), Euzita Silva Cordovil (secretária), Luiz Carlos Basílio Brazão (tesoureiro) e Adonias Mateus Gomes (coordenação pedagógica). O conselho também é responsável por realizar reuniões comunitárias para dar continuidade às discussões relacionadas às práticas escolares e produção de conhecimentos também fora do espaço escolar. A próxima oficina de continuidade na elaboração do Projeto Político Pedagógico está marcada para março de 2015.

Os trabalhos em Canafé contaram a assessoria de Ivo Fontoura e Higino Pimentel Tenório do departamento de Educação da Foirn e de Lirian Ribeiro Monteiro do ISA.

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