Yanomami e Ye´kwana solicitam que Exército volte a combater garimpo em seu território

Programa: 
Versão para impressão
ISA

Em meio a epidemia, lideranças se reúnem com Comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva, e pedem volta da fiscalização permanente na Terra Indígena Yanomami

Lideranças dos povos Yanomami e Ye´kwana solicitaram a volta da fiscalização permanente contra o garimpo nos Rios Uraricoera e Mucajaí em audiência com o General Márcio Bessa, Comandante da 1ª Brigada de Infantaria da Selva. Na reunião, que ocorreu em 16/4, estavam presentes Davi Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami, e Júlio Ye´kwana, presidente da SEDUUME,

Durante a audiência, as lideranças informaram que o garimpo ilegal nunca esteve em situação tão alarmante desde a demarcação da Terra Indígena, em maio de 1992. No início do ano, o Exército abandonou as bases de fiscalização permanente na área, o que fez a invasão se intensificar.

A estimativa é que mais de 7 mil garimpeiros estejam ilegalmente dentro da Terra Indígena Yanomami, ocupando as calhas dos Rios Uraricoera, Mucajaí, Couto de Magalhaes e as cabeceiras dos Rios Catrimani, Novo e Apiaú.



Segundo Davi Kopenawa, a situação gera uma vulnerabilidade extrema para os povos Yanomami e Ye´kwana, que veem com bastante apreensão e impotência esse momento. Júlio Ye´kwana apontou que, além dos impactos no meio ambiente, como o assoreamento dos rios, despejo de resíduos e a contaminação por mercúrio, a atividade garimpeira está associada a uma forte degradação social das comunidades, com o aliciamento dos jovens e mulheres para trabalhar nos barrancos e balsas.

Durante os meses de agosto a dezembro de 2018, o Exército Brasileiro manteve bases de fiscalização nos Rios Uraricoera e Mucajaí, enfraquecendo a ação dos garimpeiros ilegais. Durante esses quatro meses houveram apreensões de armas, combustível e a destruição de muitos equipamentos utilizados na atividade. Segundo moradores das áreas mais afetadas, após dois meses de fiscalização a turbidez do Rio Uraricoera já havia melhorado. Com o desmonte das bases no final do ano, eles já voltaram a notar os impactos da atividade garimpeira nos cursos d´água.

Segundo o General Bessa haverá o retorno da fiscalização nas calhas dos rios Uraricoera e Mucajaí ainda no primeiro semestre deste ano. O General enfatizou a resiliência do garimpo ilegal, que a cada fiscalização se reorganiza para atuar em novas frentes. O oficial ainda apontou que grande parte do efetivo do exército em Boa Vista está atuando na Operação Acolhida, que atende os imigrantes venezuelanos fugidos da crise econômica em seu país.

No final da audiência Davi Kopenawa entregou um documento ao General Bessa com a solicitação em nome das comunidades Yanomami e Ye´wkana para que o exército volte a atuar na mitigação do garimpo ilegal. Segundo Kopenawa o problema principal do garimpo não são os pequenos garimpeiros pobres, “mas sim os grandes financiadores da cidade, que querem o ouro manchado com o sangue Yanomami e Ye´kwana”. A grande liderança Yanomami finalizou a sua fala ressaltando a importância das ações militares agradecendo a ajuda que o exército deu no passado.

Imagens: 

Comentários

O Instituto Socioambiental (ISA) estimula o debate e a troca de ideias. Os comentários aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião desta instituição. Mensagens consideradas ofensivas serão retiradas.