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Comunicação para o protagonismo indígena no Rio Negro

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Foirn (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) apresentou diagnóstico que mostra desafios e potencialidades sobre a comunicação a seus diretores e funcionários durante oficina em São Gabriel da Cachoeira
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Com o objetivo de fortalecer a comunicação da Foirn, que representa 750 comunidades indígenas no Médio e Alto Rio Negro (10% da população indígena do Brasil), jornalistas do Instituto Socioambiental (ISA), realizaram diagnóstico da comunicação da organização durante o primeiro semestre de 2017. O documento (de circulação interna) foi apresentado aos funcionários e diretoria da Foirn, em oficina realizada no ISA, em São Gabriel da Cachoeira, nos dias 24 e 25 de agosto.



O diagnóstico da Foirn é o ponto inicial do projeto de fortalecimento da comunicação na região, que conta com recursos da União Europeia. O projeto visa também formar e animar uma rede de jovens comunicadores indígenas no Rio Negro. “Queremos nos comunicar melhor com o nosso público-alvo, tanto localmente, quanto com o público externo. Com o fortalecimento da comunicação, queremos melhorar os canais já existentes e buscar novos canais para atingir esses públicos”, ressalta Ray Baniwa, coordenador da comunicação da Federação, que participou ativamente da elaboração do diagnóstico.

Ampliar a comunicação da Foirn nas comunidades indígenas, assim como dar maior visibilidade à pauta do movimento indígena do Rio Negro em termos regional e nacional, fazem parte da estratégia do trabalho que será desenvolvido atendendo a uma demanda da própria Federação. Além de apresentar o diagnóstico, a equipe de jornalistas do Programa Rio Negro (PRN) e do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS), do ISA, realizaram um treinamento com a diretoria da Foirn para falar em público e dar entrevistas à imprensa, denominado “Fala Foirn”.



“Quem nunca sentiu o coração disparar ao começar uma palestra ou abrir uma reunião difícil? Nós treinamos aqui no Rio Negro técnicas para que eles possam se sentir seguros ao falar em público, seja numa reunião na maloca da Foirn ou numa agenda internacional das Nações Unidas”, conta a jornalista do ISA, Letícia Leite.

Representatividade da Foirn



Os diretores da Foirn participam de conferências internacionais, como a Conferência de Mudanças Climáticas da ONU, encontros da Aliança pelo Clima, na Europa, e outros grandes eventos. Representantes de um território multiétnico e multilíngue, como o Rio Negro, que abriga 23 etnias indígenas, as lideranças são importantes porta-vozes globais de temas fundamentais, como mudanças climáticas, direitos humanos, Amazônia e alternativas econômicas sustentáveis.

Muitas vezes poliglotas (falantes do Português e de línguas indígenas da região), as lideranças da Foirn sabem da importância de se preparar para apresentações públicas, assim como falar com a imprensa e autoridades. Pela representatividade que possuem, os porta-vozes buscam aperfeiçoamento em técnicas que os auxiliem a se comunicar melhor com diferentes públicos. Vale lembrar que em São Gabriel da Cachoeira são faladas três línguas indígenas como co-oficiais, Baniwa, Nheengatu e Tukano.



O presidente da Foirn, Marivelton Barroso, da etnia Baré, por exemplo, é uma jovem liderança com uma agenda tomada por assembleias e eventos decisórios. Barroso viajou esse ano para a capital argentina, Buenos Aires, para denunciar as violações aos direitos indígenas durante a 162ª sessão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, assim como para evento realizado pelo rei da Noruega, em Oslo, sobre a importância dos povos indígenas para a preservação das florestas, em maio de 2017.

Em outubro próximo será realizada a oficina de formação dos jovens comunicadores, em São Gabriel da Cachoeira, quando serão iniciadas uma série de atividades voltadas para a ampliação da comunicação no Rio Negro, englobando uma região de sete Terras Indígenas (TI) demarcadas. O fortalecimento da comunicação vai ao encontro dos objetivos da elaboração dos planos de gestão territorial e ambiental (PGTAs) das TIs, que visam maior governança e autonomia indígena em seus territórios.

Juliana Radler
ISA
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