Feira 'Presentes da Floresta' exalta produção de indígenas, ribeirinhos e quilombolas

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Sugestões de cestas de Natal continuam à venda no box Amazônia e Mata Atlântica do Mercado de Pinheiros, em São Paulo
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A feira "Presentes da Floresta", realizada no último sábado (08/12) no Mercado de Pinheiros, em São Paulo, marcou Higor Matheus Faustino Cazimiro, 18 anos, beiradeiro da Reserva Extrativista Rio Xingu, na Terra do Meio (PA).

Emocionado com o interesse sobre as iniciativas produtivas de suas comunidades – farinha de babaçu, castanha-do-Pará, mistura para bolo, óleos, entre outros – Higor pode apresentar o esforço em construir a marca Vem do Xingu, das associações que compõem a rede de cantinas da Terra do Meio, e uma economia que valoriza o trabalho dos povos tradicionais da região, há décadas ameaçados pela grilagem, pelo roubo de madeira e por garimpos ilegais.

O caminho trilhado por ele, desde a coleta de castanha e babaçu na floresta, até o consumidor final em São Paulo, unindo as pontas da cadeia produtiva, trouxe uma nova perspectiva sobre a urgência de seu trabalho e da necessidade de resposta do consumidor.

"Foi uma grande luta para a gente chegar até onde chegou hoje, com lideranças trabalhando muito para criar as reservas extrativistas", afirmou ao público. "Os grileiros estão voltando, estão nos ameaçando, mas a gente não quer isso. A gente quer a floresta em pé. E queremos cada vez mais fortalecer essas cadeias produtivas", sublinhou.

Com as mãos na massa, na preparação de mingaus à base de farinha de babaçu das comunidades, ele engajou o público a presentear com cestas de produtos de indígenas, ribeirinhos e quilombolas neste Natal. "É muita felicidade ver que as pessoas gostaram. Teve gente que quis experimentar só um pouquinho, mas voltou pedindo mais", celebrou.


Conhecer é valorizar

A feira "Presentes da Floresta", realizada pelo Instituto Socioambiental (ISA), pelo Instituto ATÁ, pela iniciativa Origens Brasil®, com parceria da empresa de pães Wickbold e do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora), e apoio da União Europeia, reforçou a necessidade de consolidar a utilização dos produtos da floresta no dia a dia, a partir de relações comerciais justas.

"Antes de mais nada, precisamos falar de valor", disse Alex Atala, co-fundador do Instituto ATÁ. "Muitos dos produtos da floresta ainda sofrem do mal de não terem valor por desconhecimento. Conheça os produtos da floresta, que é a melhor maneira de gerar valor para a base da cadeia."

"As pessoas me perguntam: como é que usa farinha de babaçu? Eu respondo: sabe usar maizena? É a mesma coisa", disse Atala. "É um tremendo espessante. Faz um mingau incrível, dá pra tomar numa vitamina pela manhã. Dá até para fazer sorvete."

A maior parte dos produtos à venda no box Amazônia e Mata Atlântica do Mercado de Pinheiros faz parte da iniciativa Origens Brasil®, elaborada pelo Imaflora em parceria com o ISA, que promove a valorização dos produtos da floresta e suas populações, atua como elo e promove relações comerciais éticas e transparentes entre produtores, consumidores e empresas.

Através de um código digital (QR Code) estampado no produto é possível acessar a origem e as histórias dos produtos, desde sua extração, das histórias das populações e do território em que cada um deles está inserido.

"Todos os produtos com a marca Vem do Xingu têm o selo Origens Brasil, que garante que esses produtos vêm de comunidades tradicionais, e garante uma relação justa entre as comunidades e os parceiros comerciais", afirmou Marcelo Salazar, do ISA.

"Um exemplo é a Wickbold, que esse ano comprou aproximadamente 25% de seu consumo de castanha de comunidades certificadas pelo Origens Brasil, numa relação comercial com preços muito acima dos praticados pelo mercado e outras condições de negociação aderentes aos modos de vida das comunidades", ressaltou.



As sugestões de cestas de produtos da floresta continuam à venda no box Amazônia e Mata Atlântica do Mercado de Pinheiros, em São Paulo, que está aberto de segunda a sábado das 8h às 19h. Para quem não está em São Paulo, os produtos podem ser adquiridos na loja online do Instituto Socioambiental, com entregas para todo o país. Clique aqui e acesse.

Roberto Almeida
ISA
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