Índios começam estudos de potencial eólico na TI Raposa-Serra Sol (RR)

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Em fevereiro último, o projeto Cruviana instalou três torres (Maturuca, Pedra Branca e Tamanduá) para medir a força dos ventos na Raposa-Serra do Sol e confirmar no período de um ano se a região pode gerar energia eólica
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Parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR), o Instituto Socioambiental (ISA) e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o projeto Cruviana pretende, durante pelo menos um ano, estudar continuamente a potencialidade eólica da região nordeste de Roraima, onde está a Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, um dos locais com os ventos mais fortes do país, segundo o Atlas Brasileiro do Potencial Eólico.

Até o momento a intenção dos índios é gerar energia apenas para consumo das comunidades, ficando a possibilidade da geração de energia em larga escala para discussão posterior.

Desde que o Atlas foi lançado, em 2001, vários estados realizaram estudos em escala local e atualmente geram energia usando a força dos ventos. Em Roraima, entretanto, nenhum estudo ou mapeamento do vento foi feito, e o potencial eólico do estado continua sem aproveitamento.

O projeto também realiza o mapeamento das comunidades e o levantamento da necessidade de energia elétrica de cada família. Para realizar esta atividade uma equipe de 14 pesquisadores indígenas está percorrendo a região com aparelhos de GPS e aplicando questionários de casa em casa. O estudo é realizado na parte norte da Raposa-Serra do Sol, conhecida como Região das Serras, distante da rede elétrica e a 300 km de Boa Vista, capital do estado. Nessa região vivem 10 mil pessoas em cerca de 90 comunidades.

Atualmente a única energia disponível para eles é gerada por motores a diesel, e apenas durante algumas horas por dia. Para ampliar a oferta de nas comunidades o Programa Luz Para Todos, do governo federal, estava avaliando a construção de mini e micro-hidrelétricas. Com o estudo dos ventos, os índios pretendem colocar os resultados à disposição do governo federal em busca de uma solução mais diversificada e sustentável de geração de energia e que leve em conta o potencial eólico da região.

Embora ainda seja cedo para avaliar o potencial da região, os ventos de 11 metros por segundo registrados no momento da instalação das torres são bons indicadores. A expectativa dos índios é que este potencial seja confirmado após 12 meses de estudo, e que a força dos ventos seja suficiente para gerar energia não apenas para consumo das famílias, mas principalmente para tocar adiante as atividades produtivas previstas no seu plano de etnodesenvolvimento. De acordo com o Atlas Brasileiro do Potencial Eólico a região apresenta ventos médios que variam de seis a nove metros por segundo, potencial semelhante ao registrado em alguns estados do litoral brasileiro, onde a energia eólica vem ganhando importância na última década.

Ciro Campos
ISA
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