ISA e Autres Brésils promovem evento na Zona de Ação Climática, em Paris

Nesta quarta-feira, 9/12, mais de 50 pessoas assistiram ao filme "Para onde foram as andorinhas?", em francês "Où sont passées les hirondelles", no Centro 104, norte da capital francesa, sobre os impactos das mudanças climáticas no Parque Indígena do Xingu (MT)
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Em parceria com a ONG francesa Autres Brésils voltada ao público francófono, o ISA e o Instituto Catitu apresentaram o filme Para onde foram as andorinhas (Où sont passées les hirondelles) com a presença dos indígenas Yapatsiama Waurá e Tukupé Waurá, de Paulo Junqueira, do ISA, de Mari Corrêa, realizadora do filme, além de Maria Leusa Munduruku e Roseninho Munduruku, acompanhados por Christian Poirier, da Amazon Watch.

O Centre 104 é um espaço cultural que promove e organiza atividades voltadas à participação comunitária e entre 7 e 11 de dezembro, está abrigando os eventos da Cúpula dos Povos, programados pela Coalition Climat 21, um coletivo de organizações da sociedade civil francesa – fora do Le Bourget, onde se realiza a Conferência do Clima e onde também há um espaço destinado à sociedade civil e o Pavilhão Indígena.

Depois da apresentação do filme, a cineasta e realizadora Mari Corrêa falou sobre seu trabalho no Parque do Xingu e em seguida, Maria Leusa Munduruku e Roseninho Munduruku deram seus depoimentos sobre a luta que travam contra a construção de hidrelétricas no Rio Tapajós, no Pará, e em defesa dos povos da Amazônia. Por sua luta, os Munduruku receberam o prêmio Equador, concedido pelas Nações Unidas na noite do dia 7 (veja quadro no final do texto).


Em seguida, formou-se uma roda de conversa comandada por Erika Campello, da Autres Brésils. O primeiro afalar foi Yapatsiama Waurá, que contou aos presentes o que está acontecendo no Xingu e como as altas temperaturas estão impactando a vida de seu povo. Tukupe Waura falou sobre o ataque aos direitos indígenas em curso no Brasil. "Somos brasileiros, mas o governo não conhece os povos indígenas. Eles querem acabar com a gente, ao invés de nos agradecer. A gente sabe que o mundo tá acabando. Não precisa explicar pro homem branco, está visível a olho nu", disse.

Paulo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA, falou sobre as alterações que ele vem vivenciando desde que trabalha no Parque Indígena do Xingu, há 15 anos e para as quais os índios não têm explicações. Junqueira chamou a atenção dos presentes para as ameaças contra os povos indígenas por meio de projetos de lei, a PEC-215 entre eles, que tramitam no Congresso Nacional, e da bancada ruralista, formada por produtores rurais e bastante numerosa. O público participou fazendo perguntas especialmente sobre o impacto da construção de barragens e sobre Belo Monte.

Munduruku recebem prêmio

Por Tatiane Klein

A presença das lideranças Munduruku no evento do Centre 104 foi motivada pela entrega do Prêmio Equador, na segunda-feira (7) à noite. Nele, as Nações Unidas premiaram 21 iniciativas de povos indígenas e comunidades locais de todo o mundo, em cinco categorias.

Entre as iniciativas estava o Movimento Ipereg Ayu, do povo Munduruku, que foi premiado pela autodemarcação da Terra Indígena Sawre Maybu, que será diretamente impactada pela construção do Complexo Hidrelétrico do Tapajós, no Pará, e suas estratégias de organização contra a exploração ilegal de madeira e a mineração. Os Munduruku, premiados na categoria “Ativismo pela justiça ambiental”, foram representados na cerimônia por Maria Leusa Munduruku e Rozeninho Saw Munduruku e aproveitaram para protestar contra a construção das barragens, com a mensagem “Libertem o Tapajós”grafada em um pequeno cartaz.

Durante a cerimônia, a relatora da ONU para os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz destacou a importância e atualidade dos conhecimentos indígenas para conter as mudanças climáticas: “Há um sinal de esperança. Finalmente, seus esforços para traduzir seus conhecimentos estão sendo reconhecidos - não como superstições: como conhecimentos e que são muito modernos”.

O prêmio também reconheceu o trabalho do Instituto Raoni com os Kayapó, na categoria “Proteção, restauração e manejo sustentável de florestas”.

Ines Zanchetta,direto de Paris
ISA
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