Maloca de Itacoatiara Mirim, em São Gabriel da Cachoeira, entra na reta final de reconstrução

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Após bem-sucedida campanha de arrecadação de recursos, o centro cultural multi-étnico da mais indígena cidade do Brasil deve ser reinaugurado em abril.

Seu Luiz Laureano, liderança baniwa do clã Hohodene e mestre da maloca de Itacoatiara Mirim, em São Gabriel da Cachoeira (AM), está feliz. A maloca vive a reta final de sua reconstrução, graças ao trabalho da comunidade e, também, à doação financeira de pessoas de todo o Brasil. Saiba mais sobre a campanha aqui.

Nos últimos dias, Seu Luiz viu a reforma avançar bastante. Principalmente com a chegada do primeiro lote de 250 feixes da palha caraná (Mauritia Caraná Wallace), coletado em um igarapé próximo à São Gabriel e destinado à virar o novo telhado da maloca.

Para a total reconstrução do espaço serão precisos 450 feixes de caraná, palmeira também conhecida em outras partes do Brasil como buritirana, ou miritirana, e que pode chegar a 15 metros de altura. A extração da palha e o transporte dos feixes era o ponto mais crítico de toda a reforma da maloca.

Itacoatiara Mirim é um importante lugar para a manutenção das tradições de uma comunidade multiétnica na área periurbana de São Gabriel da Cachoeira. Esta grande casa comunal é um espaço de celebração de rituais de dança, de benzimentos e de iniciação de jovens, além de promoção de diálogos, reuniões e tomadas de decisões políticas.

"A maloca é um espaço de uso cotidiano que motiva toda a comunidade a participar de atividades culturais e é um contraponto às situações de risco - alcoolismo, violência entre outros - às quais os jovens indígenas estão expostos na cidade", destaca o antropólogo Renato Martelli, pesquisador do programa Rio Negro do ISA. Além de Itacoatiara Mirim, há apenas outra maloca na cidade mais indígena do Brasil: a da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

A reforma começou com a retirada dos esteios e das madeiras que sustentam a estrutura e formam o esqueleto dessa "casa-universo", em uma analogia usada pelos povos rionegrinos. Para sua conclusão, está previsto o trabalho de enredar as palhas para que se configurem feixes, a construção e pintura de paredes e o aplainamento do chão, “para ficar bom de dançar” como diz mestre Luiz.

Todo este trabalho deve ser feito até o Dia do Índio, em 19 de abril próximo, quando a comunidade espera fazer uma grande festa de inauguração.

A campanha de arrecadação para a reforma da maloca está encerrada. Para saber como apoiar seu fortalecimento entre em contato com malocaitacoatiara@gmail.com

ISA
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