Oficina aborda gestão participativa de conflitos internos nas associações quilombolas

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Depois da realização do planejamento territorial participativo nos quilombos de São Pedro e Morro Seco, no Vale do Ribeira, ISA dá sequência ao projeto com foco no fortalecimento das associações comunitárias
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Entre 6 e 8 de maio, o ISA realizou uma oficina no Quilombo São Pedro, município de Eldorado, Vale do Ribeira (SP), para capacitar e instrumentalizar a associação quilombola para a gestão participativa de seus conflitos internos relacionados ao desenvolvimento do território e dos indivíduos. A atividade é parte do Projeto de Planejamento Territorial desenvolvido entre 2010 e 2012.

Durante o processo de elaboração participativa com os quilombos de São Pedro e Morro Seco, no Vale do Ribeira, o ISA desenvolveu um processo de mapeamento participativo e elaboração de planos de desenvolvimento para o futuro. A experiência resultou em uma publicação para compartilhar o conhecimento adquirido e as lições aprendidas com as demais organizações e pessoas que trabalham com temas semelhantes. (Clique aqui para fazer o download da publicação)

Depois do planejamento realizado, a etapa em curso visa contribuir para que as comunidades implementem seus planos de desenvolvimento para o território, considerando os desafios a complexidade da gestão de um espaço coletivo e tão rico em diversidade socioambiental. Veja o mapa e clique para ampliar.

Com apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o ISA está desenvolvendo ações de capacitação e fortalecimento da associação local, na primeira etapa do projeto (saiba mais sobre o projeto no quadro no final do texto).

Expectativas e acordos de convivência

A oficina com a colaboração de dois consultores externos, Tiago Sartori e Marcia Andrade, especializados em assessorar organizações que buscam desenvolver e melhorar seus processos de gestão e tomada de decisões. A programação iniciou-se com a apresentação da proposta de trabalho à comunidade, o levantamento de expectativas e acordos de convivência para três dias de oficina. Conversas em plenária, palestras, intercaladas com trabalhos em grupo, individuais e atividades lúdicas aconteceram no primeiro dia.

No segundo dia, os consultores trabalharam conteúdos metodológicos para ajudar a associação a resolver problemas e conflitos em suas reuniões, assembleias e outras atividades. Após uma palestra sobre o método do Processo Decisório, a partir de perguntas concretas e pessoais levantadas pelos participantes, foram organizados grupos de trabalho que receberam orientações para aplicar a metodologia como treinamento. O objetivo foi fomentar conceitos e práticas dos processos de tomada de decisão participativa.

No último dia, foi trabalhado o conceito dos temperamentos, buscando evidenciar as diferenças e características particulares de cada indivíduo e como a associação pode aproveitar as competências de cada um nos trabalhos da comunidade. Iniciou-se um processo de sensibilização das pessoas sobre o impacto das atuações individuais nos resultados coletivos e vive versa.

Processo decisório

Os participantes identificaram em quais temas do dia a dia do quilombo podem se utilizar do Processo Decisório que aprenderam para buscar acordos e soluções que contemplem a necessidade do maior número possível de pessoas.

A oficina permitiu a percepção da importância de valorizar os indivíduos para que se sintam mais capazes de atuar nas atividades coletivas da associação, além de tocar em temas mais focados no bem estar e nas relações sociais dos moradores do quilombo. A conclusão mais clara é de que a gestão do território depende do grau de envolvimento das pessoas e do nível de sinceridade dos compromissos que assumem perante o coletivo.

Desenvolvimento sustentável e mobilização de recursos

O objetivo do projeto é promover o desenvolvimento sustentável de comunidades quilombolas através da mobilização de recursos para estratégias compatíveis entre uso sustentável e conservação da biodiversidade da Mata Atlântica.

A proposta inclui ações de fortalecimento de organizações quilombolas, dando continuidade a estratégia de planejamento territorial em curso, desenvolvida pelo ISA e as associações em dois territórios quilombolas do Vale do Ribeira em 2010 e 2011.

Para que se materializem as oportunidades de financiamento aos projetos comunitários propomos a realização de um encontro com potenciais financiadores, parceiros regionais e órgãos governamentais que possam apoiar concretamente os projetos, inclusive agentes dos programas de financiamento para a agricultura como o Pronaf, por exemplo.

Para isso, são necessárias atividades de capacitação para captar recursos e viabilizar projetos de desenvolvimento, avançando, por exemplo, no tema da compensação de Reserva Legal, buscando informar e inserir as comunidades quilombolas no debate e nas oportunidades de geração de renda colocadas por esta alternativa.

As primeiras conversas sobre áreas disponíveis para a Reserva legal de territórios quilombolas já se iniciaram no planejamento territorial. A ideia é estabelecer de forma participativa regras para que projetos de compensação aconteçam ou não nos territórios.
Com as atividades propostas espera-se atingir resultados de alcance local, mas que contribuam para ações regionais e nacionais.

Raquel Pasinato
ISA
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