Podcast dos beiradeiros da Terra do Meio comemora um ano com informações de qualidade e combate às fake news

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O Áudio do Beiradão nasceu a partir da necessidade da disseminação de informações verdadeiras e de confiança sobre a pandemia da Covid-19 na Terra do Meio (PA)
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“Beiradeiro vivo e protegido! Corpo vivo, parente!” É assim que Leonardo Moura, conhecido como Léo dos Cachorros, se despede ao final dos episódios do programa semanal Áudio do Beiradão. Com mais de 50 edições, o podcast dos beiradeiros da Terra do Meio completa um ano neste mês de maio. [Confira os episódios na íntegra]




O tom descontraído dos apresentadores, Naldo Lima e Léo dos Cachorros, conquistou a atenção e os ouvidos da população beiradeira, além de ter alcançado ouvintes também nas cidades. O programa, que é uma produção das associações ribeirinhas (PA), junto ao Instituto Socioambiental (ISA) e à Rede Xingu+, foi estruturado no início da pandemia para divulgar informações de combate à Covid-19.

O ano de 2021 começou com o programa sendo premiado pela Artigo 19, organização de direitos humanos que atua na defesa do acesso à informação. O edital selecionou 30 organizações e coletivos de comunicação popular, comunitários ou independentes que atuam na Amazônia para apoiar a produção de comunicação no contexto das crises econômica, política, social e de saúde pública. O Áudio do Beiradão integra a rede de comunicação da campanha #CompartilheInformação #CompartilheSaúde. [Saiba mais]

“Para mim, o Áudio do Beiradão é um programa de comunicação, mas acima de tudo, de formação, de informação e de fortalecimento dessas comunidades tradicionais e dos povos originários da região do Xingu. O Beiradão tem uma alma enorme, porque retrata a vida de cada um dos povos que constroem, e que fazem acontecer esta grande região xinguana”, afirmou Dorismeire Almeida de Vasconcelos, articuladora da Rede Eclesiástica Pan Amazônica - REPAM Xingu. A ouvinte ainda disse que consumir o programa “causa grande alegria, porque ao ouvir os episódios a cada semana, é como se ouvisse as vozes que vêm das comunidades tradicionais e dos povos originários”.

Com o tempo, o podcast ganhou forma e abraçou pautas que vão além da pandemia, como segurança alimentar, proteção territorial, economia da floresta, além de informações de utilidade pública como realizar o cadastro da Lei Aldir Blanc e do auxílio emergencial. Além disso, em 2020, a checagem de fatos passou a fazer parte da rotina de produção com o quadro “É verdade ou não é?”.

“Feliz aniversário ao Áudio do Beiradão que tanto nos informa com assuntos importantes. Nos informa das coisas que a gente precisa ouvir, pois ficamos com muitas dúvidas com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, e o programa ajuda muito com a informação”, disse Mobuodó Arara, cacique da aldeia Iriri da Terra Indígena Cachoeira Seca, em mensagem de felicitação pelo ano de produção.



Quem faz o Áudio

Para Naldo Lima, apresentador e assessor das associações ribeirinhas da Terra do Meio, o podcast é a realização do desejo de infância de ser locutor. “Quando criança, eu gostava de ficar imitando alguns locutores da minha cidade, achava super divertido e ficava imaginando se um dia eu poderia me tornar locutor e levar informação com a minha voz. Como era tímido, nunca me envolvi com a profissão”, contou. Quando foi convidado para integrar a equipe do podcast e assumir o papel de apresentador, Naldo contou que ficou surpreso, mas viu a oportunidade de realizar o desejo adormecido. Hoje, o programa tem asas e alça voos cada vez mais altos. “A gente sente o reconhecimento do público que nos ouve de forma muito participativa, não só como ouvintes mas como pessoas que dão feedbacks e sugerem pautas”, compartilhou.

“O público é muito interessado. Tem comunitários que falam “voltei a estudar, estou estudando pelo Áudio do Beiradão”, pois é isso, estamos levando algo diferente para eles, conteúdo que interessa em vários âmbitos. A pandemia pode acabar mas o Áudio continua”, falou Léo dos Cachorros, assessor técnico do ISA na Terra do Meio. O apresentador ainda destacou a minuciosidade na produção, e como o programa é pensado com cuidado. “É engraçado, pois como é descontraído o pessoal acha que é Naldo e eu conversando e entrevista na hora, e não é assim. Tem toda uma produção atrás. Um amigo indígena disse uma vez “mas Léo, você é muito sabido, olha quanta coisa você traz”, e não é bem assim, eu aprendo também, a produção pesquisa e a gente leva para vocês”, disse em tom descontraído.

Christianne Oliveira é a parte da produção que pesquisa, entrevista e roteiriza o áudio. A jornalista se juntou à equipe há sete meses, e contou que era apreciadora e ouvinte do programa antes de integrar o time. “A partir daí, eu já estava nos bastidores e não mais do outro lado, e a sensação de receber esse feedback [positivo] dos ouvintes é maravilhosa; você fica com o sentimento de dever cumprido”, disse. “É prazeroso contribuir com informações para a população do Beiradão, pois eu também aprendo junto. Há sim produções que são desafiadoras, mas é gratificante o resultado final, que é todo construído com meus colegas de trabalho”, concluiu.

“De uma iniciativa que surgiu para levar orientações sobre o combate à covid-19, o Áudio do Beiradão ganhou uma proporção que a gente nem imaginava no começo. Hoje trata de direitos, de organização comunitária, de saúde, de geração de renda com a floresta em pé. Acho que isso tem muito a ver com a dedicação e a sintonia de toda a equipe. O Naldo e o Léo fazem uma dobradinha sensacional, e a Guta mantém o nível quando precisa substituí-los”, disse Roberto Rezende, coordenador do podcast. “A equipe de produção é incansável, se desdobrando para ter informações sempre atualizadas sobre os assuntos mais relevantes da semana. Com essa combinação, o Áudio do Beiradão é uma fonte confiável e prazerosa para beiradeiros, indígenas, e até para gente da cidade. Foi uma forma que a gente encontrou para estar na casa dos beiradeiros durante o distanciamento da pandemia e, no final das contas, a pandemia vai passar e o áudio vai continuar, já que ele nos ensinou novos jeitos de comunicar e de estar junto na defesa dos direitos de beiradeiros, indígenas e de todos que sonham com a florestania”, concluiu.

Além de Naldo, Léo e Chris, o time do Áudio do Beiradão é composto por Fabíola Silva e Roberto Rezende, coordenadores adjuntos do Programa Xingu do ISA. A equipe também é composta por Maria Augusta Martins Rodrigues Torres, a Guta, técnica de campo do Programa Xingu do ISA, Sília Moan, jornalista da Rede Xingu+, Isabel Harari, jornalista do ISA, e Fred Mauro, que trabalha na montagem e edição do programa.

A produção do Áudio do Beiradão conta com o apoio da União Europeia, Rainforest Foundation Norway, Good Energies, Amazon Forest Fund (AFF), WWF-Brasil e Bera Ivanishvili.

Sandra Silva
ISA
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