Produtos da reforma agrária alimentam indígenas de SP durante a pandemia

Esta notícia está associada ao Programa: 
Com apoio do ISA e do Instituto Pró-Terra, ação beneficiou 250 famílias; indígenas da terra Araribá enfrentam dificuldades para manter isolamento e garantir a alimentação das aldeias
Versão para impressão

O Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Pró-Terra, em parceria com assentamentos da reforma agrária no interior paulista, reuniram doações de cestas básicas para quatro comunidades indígenas da Terra Indígena Araribá, no município de Avaí (SP). A ação, realizada em setembro, auxiliou 250 famílias, totalizando mais de mil indígenas das etnias Guarani, Terena e Kaingang beneficiados com produtos perecíveis e não perecíveis.


O pedido de apoio veio das próprias lideranças indígenas. O Instituto Pró-Terra cuidou da logística de aquisição dos alimentos e do contato com os agricultores assentados e as lideranças indígenas. Já o Programa Vale do Ribeira do ISA, que vem apoiando os parceiros locais desde o início da epidemia, redirecionou à ação recursos para ações emergenciais da frente de restauração florestal -- apoiada pela Good Energies Foundation.

O cacique Edenilson Sebastião, da aldeia Kopenoti, na TI Araribá, explica que uma das grandes dificuldades têm sido manter as pessoas dentro das aldeias. Parte dos indígenas precisa se deslocar para fazendas nas redondezas, onde trabalham na colheita de laranja, café e outros produtos agrícolas. Com isso, cresce o risco de disseminação do novo coronavírus no interior das comunidades, onde já foram registrados 18 casos.

Sebastião conta que a necessidade obriga os indígenas a abandonarem o isolamento, já que não há apoio governamental suficiente “para garantir sustentabilidade e geração de renda”. Segundo o cacique, o jeito é seguir com o trabalho de conscientização para o uso de máscaras e outros cuidados essenciais contra a Covid-19.




Fartura

Agricultores dos assentamentos da reforma agrária Luiz Beltrame, em Ubirajara (SP), Zumbi, em Laras (SP), e Dandara, em Agudos (SP), contribuíram com alimentos cultivados pelas famílias assentadas.

Assim, as cestas trouxeram abundância de frutas, hortaliças e verduras, como alface, chicória, couve, abóbora, abacaxi, limão, laranja, batata doce e pimentão, além de arroz, feijão, café, macarrão, molho de macarrão e outros não perecíveis.

“Foi uma riqueza enorme. A gente, como ONGs, o Instituto Pró-Terra e o ISA, mobilizando pessoas da reforma agrária e fechando nessa rede com nossos irmãos indígenas”, relatou o engenheiro florestal e diretor do Instituto Pró-Terra, Amilcar Marcel de Souza, que coordenou a ação e participou da entrega das cestas.

“Essas ações em rede são cheias de afeto e necessárias para apoiar os mais vulneráveis e que ainda não têm as condições fundiárias e recursos suficientes para produzir seu alimento”, afirmou Raquel Pasinato, coordenadora do Programa Vale do Ribeira do ISA. Por outro lado, disse, a iniciativa ajuda a fortalecer a produção agroecológica, “como a dos assentamentos”.

O ISA atua, com apoio da Good Energies Foundation, para fortalecer a restauração florestal junto a territórios como a TI Araribá. O Instituto Pró-Terra é um importante parceiro neste trabalho. Com a pandemia, foi possível alocar parte dos recursos da restauração para ações emergenciais como a realizada junto aos indígenas da TI Araribá.

Victor Pires
ISA
Imagens: 

Comentários

O Instituto Socioambiental (ISA) estimula o debate e a troca de ideias. Os comentários aqui publicados são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião desta instituição. Mensagens consideradas ofensivas serão retiradas.