Sociedade civil mobiliza-se em defesa de um acordo climático ambicioso e justo em Paris

Em meio às negociações da Conferência do Clima de Paris (COP-21), cerca de 30 mil pessoas foram, neste fim de semana, à Cúpula do Clima Cidadã, na cidade de Montreuil, arredores de Paris, enquanto um barco com 60 indígenas percorreu o Rio Sena e o espaço Zona de Ação Climática inaugurou ontem suas atividades, no Centro 104
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Entre uma estátua da Liberdade da qual se desprendia fumaça, vários ursos polares dançando, em ritmo de batucada, mercados de produtos ecológicos e locais e uma variada oferta de palestras, mais de três mil pessoas ocuparam as ruas centrais da cidade de Montreuil, nos arredores de Paris, neste final de semana durante a Cúpula do Clima Cidadã (veja a galeria de fotos ao final da reportagem).

“Nós temos as alternativas para começar a mudar este sistema que tanto dano faz ao clima”, afirma Marion Boursier, voluntária na organização Alternatiba, uma das principais ONGs presentes ao evento.

Os participantes se mobilizaram em torno de três polos principais: uma Aldeia Mundial das Alternativas, o Fórum Clima – como lugar de debates – e uma feira de produtores. Sob o lema “mudemos o sistema e não o clima”, o objetivo do evento foi sensibilizar a população, e ao mesmo tempo informar e conscientizar sobre a situação de urgência climática.

Há um ano que a sociedade civil vem preparando uma enorme quantidade de atividades graças à ação de voluntários. Algumas ações, como a marcha pelo clima de Paris, foram canceladas por causa do Estado de Emergência decretado após os atentados terroristas (leia mais). No entanto, “além dos atentados decidimos manter o espaço (da Cúpula Cidadã) porque a gente precisa se expressar”, disse Patrick Bessac, prefeito de Montreuil.

No Espaço do Fórum, mais de 250 palestras e debates aconteceram durante dois dias
(5 e 6/12), sobre temáticas como a situação das florestas tropicais, a soberania alimentar ou os fundos de financiamento verde para a transição climática. O ISA, promoveu a palestra A floresta amazônica em tempos de mudanças climáticas, com a participação de um grupo de seis indígenas amazônicos das etnias Tukano, Baniwa e Waura (leia mais).

Na Aldeia Mundial das Alternativas, foram apresentadas 277 soluções para atingir um modo de vida mais sustentável. Nos estandes rodeavam a praça da Prefeitura, uma cantina oferecia pratos feitos por voluntários a preços populares, enquanto shows de música se alternaram durante todo o dia.

Além dessa mobilização, outras atividades ocuparam a programação do final de semana, entre elas a canoagem feita por 60 indígenas de 17 países diferentes no Rio Sena, com um ritual conjunto que insistiu nas principais demandas frente à COP-21: o fim da morte de lideranças indígenas, demarcação das terras e respeito aos direitos indígenas.

“Sem mobilização da sociedade civil não tem pressão, e sem pressão os governos são incapazes de agir além de seus interesses”, disse Juliette Rousseau, coordenadora da Coalizão Clima 21, plataforma de organização de 130 ONGs, sindicatos e outros movimentos sociais.

A mobilização do final de semana deslocou-se a partir de segunda-feira, 7/12, para o Centquatre (104), um espaço cultural ao norte de Paris que acolherá até o final da COP-21 a Zona de Ação Climática (ZAC). A ZAC foi aberta com uma assembleia geral. "Vamos ter um cardápio de mobilizações para o dia 12/12", anunciou Juliette, no final. No ZAC serão planejadas as mobilizações finais de encerramento da COP-21 e o futuro do movimento climático global.

O ISA vai marcar presença em dois eventos no ZAC, onde mostrará a perspectiva dos povos indígenas da Amazônia sobre a mudança climática (saiba mais).

Luna Gámez, especial para o ISA de Paris
ISA
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