“O objetivo principal dessa unidade demonstrativa é que se torne uma vitrine das técnicas de restauração aqui na região. Escolhemos estrategicamente o campo experimental da Embrapa, para que as pessoas que não conhecem possam acessar esse espaço que é bem mais perto da cidade”, afirma Miguel Gama, técnico em restauração ecológica do Instituto Socioambiental (ISA) sobre a unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes nativas implantada em 26 fevereiro deste ano, cujos resultados já são visíveis.
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Participantes do I Encontro de Coletores da Amazônia viram de perto os primeiros resultados da semeadura das sementes coletadas pela Rede de Sementes da Terra do Meio|Denise Santos Costa/ISA
Durante o evento, além de ver de perto o processo da restauração por muvuca, os convidados - entre eles Emater, Embrapa, universidades, estudantes, coletores de sementes, entre outros parceiros locais e empresas - também conheceram as ações que vêm sendo desenvolvidas na região pela Caminhos da Semente, Redário e Rede de Sementes Terra do Meio, iniciativas apoiadas pelo ISA.
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Convidados participaram da implantação da unidade demonstrativa experimental, entendendo como o método pode ser adaptado a diferentes formas de semeadura|Miguel Gama/ISA e Matheus Rezende/ISA
“Da teoria à prática, a gente foi para o campo, mostrar como é que é feito. Muitos participantes ainda não haviam tido contato direto com a muvuca, porque é uma coisa nova ainda aqui na região. Agora tem essa área, mais próxima deles, que podem visitar e acompanhar seu desenvolvimento”, continua Miguel.
Conforme Matheus Rezende, técnico em restauração ecológica (ISA), essa unidade também servirá para o monitoramento de indicadores ecológicos em futuros dias de campo. “Discutimos diversas questões e dúvidas importantes sobre toda a cadeia da restauração com sementes, tornando a experiência ainda mais rica. Momentos como esses fortalecem a troca entre conhecimento científico, prática no campo e articulação multissetorial, essenciais para compreendermos tecnicamente a restauração ecológica com sementes, ampliando a restauração com qualidade e garantindo o sucesso dos projetos em diferentes ecossistemas”, finaliza.
O dia de campo experimental “Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes” foi promovido pelo ISA, através das iniciativas Caminhos da Semente e Redário, em parceria com Embrapa Amazônia Oriental, Centro Capoeira e UFPA, com apoio financeiro da Fundação Bezos para a Terra.
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Luciane Lima: guardiã das economias e da cultura indígenas
Liderança que esteve à frente do Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN, Luciane se inspira na força do povo Tariana para fortalecer e articular a floresta, os negócios, os povos e as mulheres do Rio Negro
*Este texto faz parte da série #ElasQueLutam, que costura perfis sobre mulheres guardiãs das história e da memória de suas comunidades, e que fazem de seus corpos uma extensão de seus territórios tradicionais. Saiba mais aqui.
“No início, quando não existia nada, só existia um ser, o Trovão Ennu. Em seu corpo ele tinha vários enfeites, a akângatara (cocar), o itaboho (cilindro de quartzo usado como pingente de colar), o betâpa (enfeite de cotovelo feito de pele de macaco), o yaigi (bastão de comando), o escudo, o kitió (chocalho de tornozelo)”.
“Também levava seu cigarro encaixado na forquilha, sua cuia de ipadu e sua cuia de bebidas doces. Ele vivia só em sua casa, no alto, e começou a pensar sobre a possibilidade de criar novas pessoas. E pensou em um homem e em uma mulher, Kui e Nanaio. Após o surgimento de Kui e Nanaio, Ennu criou os rios, as árvores e os animais. Tudo que surgiu corresponde aos adornos ou objetos e substâncias cerimoniais do Trovão.”
Essa narrativa faz parte da mitologia dos Tariana, um dos 23 povos que convivem no alto Rio Negro, noroeste do Amazonas. Os mais velhos contam que o povo Tariana se reconhece como “Filhos do Sangue do Trovão” - Bipó Diroá Masí.
E é com essa força que Luciane Mendes de Lima, do povo Tariana, identifica-se e vem atuando como coordenadora do Departamento de Negócios Socioambientais da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
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Luciane Lima, Tariana, durante o I Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro, na Casa do Saber da FOIRN, em 2022|Ana Amélia Hamdan/ISA
“Às vezes a gente brinca, quando vai começar a chover e dá muitos raios, muitos trovões, a gente diz que tem um Tariana bravo. Eu me identifico muito com essa força. Acho que é um jeito de ser forte, de ser guerreiro, que é uma característica do Povo do Trovão, que é justamente os Tarianas”, diz.
Luciane Lima busca habilidade, sabedoria e cuidado para os diálogos e ações que promovem as economias da sociobiodiversidade, articulando negócios e parcerias que, ao mesmo tempo, preservam e fortalecem a cultura dos povos que convivem na região do Baixo, Médio e Alto Rio Negro, nos municípios amazonenses de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos.
O Departamento de Negócios da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) abrange a Wariró – Casa dos Produtores Indígenas do Rio Negro; iniciativas de turismo; iniciativas alimentares, sendo as principais delas a Pimenta Baniwa, a Casa de Frutas e a Meliponicultura; e os Mercados Institucionais, em conexão com políticas públicas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Os planos para o futuro incluem o desenvolvimento da Wariró Sabores, com foco na comercialização de alimentos.
Estas são ações que apoiam diretamente as indígenas: atualmente, 64% dos negócios da Wariró são feitos com mulheres. Muitas das atividades são realizadas em parceria com o Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), contribuindo para ampliar a participação das indígenas nas discussões políticas e em espaços de decisão.
Além disso, o fato de uma mulher indígena estar à frente do departamento também inspira outras a ocuparem espaços de decisão. “Quando a gente ocupa esses espaços de coordenação, é importante falar sobre isso, porque a gente empodera outras mulheres que estão em suas casas, muitas vezes sentindo-se a menor pessoa do mundo, sentindo-se excluídas. Elas passam a entender que também podem ocupar esses espaços”, reflete.
A história de Luciane está conectada com a das rionegrinas e com o Rio Negro. Sua avó, Maria da Conceição, Tariana, de 94 anos, falante das línguas indígenas nheengatu e tukano, além do português, nasceu na comunidade de Ipanoré.
Quando tinha apenas 14 anos, Maria da Conceição foi retirada de lá e chegou à cidade de São Gabriel da Cachoeira, repetindo a história de muitos indígenas, deslocados de suas regiões de origem e separados de suas famílias devido a pressões vindas das missões religiosas, trabalho forçado ou pela promessa de vida melhor perto dos núcleos urbanos.
Nesse caminho, alguns conhecimentos se perderam e outros, como o da língua indígena, não foram repassados para as novas gerações, o que também está ligado às pressões para apagamento da cultura nos territórios. Com os processos colonizadores, os povos do Rio Negro chegaram a ser proibidos de falar suas línguas ou manterem seus rituais.
Assim, Luciane entende que, por meio do seu trabalho, acaba recuperando parte da sua história e valorizando a cultura dos povos do Rio Negro.
Para além de promover compras e vendas, o Departamento de Negócios Socioambientais atua como uma ponte entre o governo e instituições como associações e iniciativas indígenas. E vai mais adiante. Ao promover as economias da sociobiodiversidade - que são as economias dos povos indígenas, quilombolas e povos e comunidades tradicionais -, essas ações geram renda, fortalecem a cultura, os modos de vida e sistemas de saberes dos povos que ocupam ancestralmente esse território e cuidam da floresta.
E o que é a sociobioeconomia?
Luciane Lima explica que a "sociobioeconomia", embora seja um termo não indígena, pode ser traduzida como o bem viver no dia a dia das comunidades, envolvendo o trabalho com respeito à natureza e com os recursos para o futuro; é o equilíbrio entre viver em grupo e o cuidar do que temos para o bem de todos. Ela destaca que esse manejo contrasta com iniciativas predatórias.
“A palavra economia, quando falamos, vem logo a relação com dinheiro; mas para nós, a economia ou sociobioeconomia é o nosso bem viver. É o viver bem, o cuidado com a vida. É a nossa ligação com o meio ambiente e o respeito com o ciclo natural e nossa sustentabilidade; é sobre manter o equilíbrio entre as pessoas, a natureza e o bem-estar na comunidade”, diz.
Ela aponta ainda a preocupação com a emergência climática e os impactos nas roças, nas práticas e nos modos de vida indígenas. Em 2021 e 2022, o Rio Negro passou por cheia recorde ou extrema. Logo em seguida, em 2023 e 2024, foram registradas secas recordes na Amazônia. Ou seja, no alto Rio Negro, foram quatro anos seguidos de eventos climáticos extremos.
Cecília Albuquerque, Piratapuya; Luciane Lima; Janete Martins, Tariana; e Dadá Baniwa, na sede da Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI), durante a pandemia|Ana Amélia Hamdan/ISA
“A gente tem a floresta e temos muito o que cuidar, até mesmo por conta das mudanças climáticas, porque hoje a gente não consegue saber o período chuvoso, o período que a gente vai ter a plantação grande, quando vai poder tirar mandioca: porque tá dizendo que vai chover, mas aí não chove. Antes não precisávamos da meteorologia para saber. A gente sabia pelas ferramentas ancestrais mesmo. Os mais velhos falavam: "Ah, mês tal, vai chover". Esse aquecimento global vem nos afetando e a gente já não consegue mais ter isso. O nosso bem viver é estar de bem com a natureza. É esse cuidado humano com a natureza”, reflete.
As economias da sociobiodiversidade têm como base os Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs), um conjunto delicado e sofisticado de saberes e práticas que produz alimentos e fartura e, ao mesmo tempo, cuida da floresta, promovendo biodiversidade, o cuidado com a água e regulação do clima, recursos que ganham especial importância no cenário de emergência climática. O SAT Rio Negro, desenvolvido milenarmente pelos povos que vivem na região, é considerado patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Ao promover ações que cuidam e fortalecem o SAT Rio Negro, o Departamento de Negócios fortalece os povos, seus modos de vida, as roças e o meio ambiente, cuidando também do clima. Novamente, as mulheres, donas das roças, ocupam um lugar de destaque: são elas as responsáveis por cuidar das roças e promover trocas que perpetuam espécies e saberes.
Um exemplo de ação do Departamento de Negócios são as articulações para promoção do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que, ao levar alimentação tradicional aos estudantes, fortalece o sistema agrícola.
Outro exemplo é o turismo de base comunitária, desenvolvido em parceria com as associações indígenas, que propicia a mais pessoas conhecerem de perto esses povos, seus modos de vida, sua alimentação tradicional - como o beiju, a quinhapira, a farinha, o tucupi. Entre os projetos estão o Yaripo Ecoturismo Yanomami; Serras Guerreiras de Tapuruquara e o turismo de pesca esportiva, esses dois no Médio Rio Negro.
O Departamento de Negócios da FOIRN é uma referência para outras instituições, inclusive para a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), por sua expertise em economia indígena e no acompanhamento de 17 iniciativas. Em 2023 e 2024, essas iniciativas econômicas movimentaram um total de R$7,2 milhões, com crescimento de R$3,27 milhões em 2023 para R$3,94 milhões em 2024.
Desafios e andanças
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Departamento de Negócios Socioambientais reúne economia, arte e cultura, em maio de 2018|Carol Quintanilha/ISA
Em São Gabriel, Luciane Lima - ou a Lu da Wariró - é muito conhecida. E parece estar sempre em movimento: seja em viagens pelo território indígena ou para outras partes do país - onde participa de oficinas, intercâmbios, encontros e articulações; na FOIRN, organizando a Maloca - Casa do Saber para os eventos; no Departamento de Negócios; ou cuidando das suas filhas - Evellyn, de 16 anos, e Lunna, de 12. E ainda acha tempo para participar do carnaval e das festas juninas e conceder entrevistas.
Ela começou a atuar na FOIRN em 2019, na Wariró. O que se avizinhava eram os desafios da pandemia em 2020. Nesse período, as portas da loja ficaram fechadas, mas os trabalhos continuaram internamente, com a estruturação do plano de negócios. Quando aconteceu a reabertura, a Casa Wariró estava mais organizada e fortalecida.
Rosângela Fidelis foi contratada como nova gerente da Casa Wariró, sendo que Luciane assumiu o papel de articuladora. Nessa época, para evitar aglomerações ainda devido à pandemia, foram realizados encontros com os produtores indígenas nos territórios.
Em 2021, o Departamento de Negócios foi criado e, logo em seguida, Luciane conduziu seis de sete encontros gerais de produtores, além de oficinas realizados em todas as regionais da FOIRN - Diawii; CAIMBRN; Nadzoeri; CAIBARNX e COIDI - para informar sobre a reestruturação da casa, buscando restaurar a confiança dos artesãos e incentivar a venda do artesanato.
“Com as oficinas, houve o incentivo para as mulheres venderem seus artesanatos que, às vezes, ficavam só dentro de casa. E a Casa Wariró não é só vender: é mostrar a cultura. Por isso é a Casa dos Produtores Indígenas do Rio Negro”, diz.
A Wariró foi criada em 2005 por demanda do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN/FOIRN), que tem sua história contada no documentário “Rionegrinas” do qual Luciane participa (ISA, 2023). Em 2014, um incêndio - investigado como criminoso - na sede da FOIRN destruiu a sede da Wariró, mas o centro continuou a funcionar em espaços provisórios.
Dez anos depois, em fevereiro de 2024, foi inaugurada a sede anexa da FOIRN, no Centro de São Gabriel, com novo espaço também para a Casa Wariró. Na entrada da unidade pode ser visto o grafite do artista amazônico Raiz Campos, inspirado na foto da jornalista Juliana Radler, articuladora de políticas socioambientais do Instituto Socioambiental (ISA). A imagem mostra um casal indígena na roça - a base das economias da sociobiodiversidade! Nos últimos anos, a comercialização de artesanato alcançou a taxa de 65% de crescimento (ver box Wariró).
A chegada de Luciane à Casa Wariró coincidiu com o período da crise da covid-19, assim como com um momento de crise pessoal para ela, que estava se separando e sem trabalho, tendo que assumir sozinha o cuidado das filhas ainda pequenas, enquanto também enfrentava um problema de saúde.
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Inauguração da sede anexa da FOIRN e do novo espaço Wariró, em fevereiro de 2024|Ana Amélia Hamdan/ISA
Devota de Santo Alberto, ela foi curada após fazer uma promessa e, durante três anos, conduziu a festa que homenageia o santo em frente à principal orla de São Gabriel, e ilumina com velas as águas do Rio Negro.
Ela hoje considera estar mais fortalecida. Desde 2021, Luciane conduz o Departamento de Negócios Socioambientais da FOIRN. Também ajuda a conduzir a casa Oito Mulheres, como ela chama carinhosamente a residência da sua família, próxima à principal orla de São Gabriel da Cachoeira, bem perto da praia de areias brancas do Rio Negro. Na casa, moram ela, as duas filhas, Evellyn e Lunna; a sua mãe, Lucila; suas tias Inês e Maria José; sua avó Maria da Conceição e sua tia-avó Avelina.
Luciane se vê como uma guardiã da cultura do Rio Negro, por acumular conhecimentos ancestrais e buscar um futuro que valorize as mulheres, a economia e a cultura, tanto de quem vive nas comunidades quanto de quem está na cidade. Sonha que a Casa Wariró se torne um centro comercial dos povos indígenas do Rio Negro, com a plena implementação do Wariró Sabores. Mas também sonha com a valorização das mulheres.
E finaliza com a força do povo do Trovão:
“A gente ainda sofre preconceito por ser mulher e por ser mãe solo. Quando a gente fala da violência, estamos nos referindo não só à violência física, mas à violência psicológica que a gente enfrenta diariamente dentro de uma sociedade machista. [Conforme citado acima], quando a gente ocupa esses espaços de coordenação (…) a gente empodera outras mulheres (…). Elas passam a entender que também podem ocupar esses espaços que hoje a gente vem ocupando. Não só como artesã, mas também como empreendedora, como uma mulher que sonha. A gente está em todos os espaços buscando aquilo que muitas vezes nos foi tirado lá atrás!”
Wariró: A Casa de Produtores Indígenas do Rio Negro
A Casa Wariró nasceu em 2005 como iniciativa do Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro, o DMIRN/FOIRN, como uma possibilidade de gerar renda e valorizar o trabalho das mulheres.
- O nome Wariró remete a um ser mitológico que representa a fartura e a abundância, com morada na serra de Curicuriari, também conhecida como Bela Adormecida. O nome foi escolhido para simbolizar a comercialização não só de artesanato, mas também de produtos agrícolas.
- A Wariró foi criada em 2005 por demanda das mulheres indígenas, que buscavam uma forma de vender seus artesanatos a um preço justo, sem intermediação de atravessadores. A iniciativa começou como um pequeno espaço na recepção da FOIRN e, desde então, cresceu e se reestruturou, superando desafios como a pandemia de covid-19.
- É uma iniciativa fundamental para a geração de renda e o fortalecimento das mulheres indígenas, contribuindo para ampliar a participação das mulheres nas discussões políticas e em espaços de decisão dentro do movimento indígena.
- No total, 64% dos fornecedores da casa de produtores são mulheres. A casa também é uma ponte entre os clientes e os produtores e associações, fortalecendo a autonomia dos povos e promovendo o comércio justo.
- Nos últimos anos, a comercialização de artesanato alcançou a taxa de 65% de crescimento, saltando de R$235 mil em 2022 para R$390 mil em 2024. Somando o desempenho da GaleriAmazônica, o faturamento total em 2024 foi de R$1,36 milhão.
Departamento de Negócios da FOIRN
- Criado em 2021, o Departamento de Negócios da FOIRN atua como uma ponte entre o governo e instituições com associações e iniciativas indígenas, buscando a conexão e a estruturação de negócios e políticas públicas voltadas às economias da sociobiodiversidade.
- O departamento abrange diversas cadeias produtivas e iniciativas, como:
1. Artesanato: produção tradicional e cultural dos povos do Rio Negro.
2. Turismo de Base Comunitária: inclui a pesca esportiva e iniciativas de ecoturismo, como as Serras Guerreiras de Tapuruquara e o Yaripo - Ecoturismo Yanomami.
3. Produtos Alimentícios: Pimenta Baniwa, Casa de Frutas, meliponicultura (produção de mel de abelhas sem ferrão), Tucupi Preto, e outros produtos do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.
4. Mercados Institucionais: fortalecimento das roças tradicionais através do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
- Resultados Financeiros (2023 e 2024): as iniciativas econômicas apoiadas pelo departamento movimentaram um total de R$7,2 milhões, com crescimento de R$3,27 milhões em 2023 para R$3,94 milhões em 2024.
- Os planos para o futuro incluem o desenvolvimento do Wariró Sabores, com foco na comercialização de alimentos como pimenta, tucupi preto e mel; a expansão da pesca esportiva e o apoio a projetos comunitários, como Kalipana - Casa de beneficiamento de produtos do Sistema Agrícola Kaali.
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Indígenas Ingarikó produzem roteiro de observação de aves na Raposa Serra do Sol, em Roraima
Publicação tem como base uma visita turística experimental; região conta com mais de 80 espécies características
O Conselho do Povo Indígena Ingarikó (Coping) elaborou o roteiro “Observação de aves na Serra do Sol”, que marca o primeiro esboço de um Plano de Visitação Turística da região Ingarikó Wîi Tîpî, no norte da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Trata-se de uma proposta-piloto, construída pelos próprios Ingarikó, que desejam desenvolver e conduzir, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e de acordo com seus protocolos, as futuras atividades de visitação.
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Imagens de parte das mais de 80 espécies de aves que podem ser avistadas no roteiro de observação dos Ingarikó|Ramiro Melinski
O Instituto Socioambiental (ISA) disponibilizou a publicação de 208 páginas em seu acervo público nesta quinta-feira (04/12).
Este roteiro foi baseado em uma expedição experimental realizada em março de 2024. O documento foi elaborado em conformidade com a IN 03/2015 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que regulamenta o turismo em Terras Indígenas.
A partir desta experiência, o roteiro aponta que a atividade pode injetar até R$ 50 mil por expedição, beneficiando 45 indígenas que trabalham diretamente, outras pessoas que vendem artesanatos e alimentos tradicionais, além de um fundo comunitário.
O Coping elaborou o roteiro em parceria com a Kraioapa Assessoria, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) de Roraima e uma equipe multidisciplinar, no âmbito do Projeto Aves na Terra de Siikë, financiado pela Fundação Grupo Boticário, entre 2023 e 2025. A publicação também contou com apoio da Funai e do ISA.
“Meu pai, que é antigo tuxaua da comunidade, sempre quis trazer o turismo. A visita experimental mostrou que, com o turismo, os jovens não precisam ir até a cidade para trabalhar e buscar dinheiro. O dinheiro pode vir até aqui”, disse o presidente do Coping, Vitalino Ingaricó.
Elaborado ao longo de dois anos, o roteiro foi entregue à Funai com um pedido de anuência para que as expedições possam ser realizadas.
A população Ingarikó é estimada em 2 mil habitantes vivendo em 16 comunidades. O objetivo das expedições para observações de aves é incentivar a permanência de jovens na região e diversificar as fontes de renda da população, através de atividades que promovam a sustentabilidade socioambiental.
“Jovens de toda a região Ingarikó devem participar das visitas experimentais e levar seus aprendizados para suas comunidades. Esses jovens serão como sementes do turismo”, afirma a liderança regional Dilson Ingaricó.
Expedição experimental
A expedição experimental ocorreu na última semana de março de 2024, época que antecede à estação mais chuvosa, com sete dias e seis noites de duração. Foram envolvidos seis turistas, um guia da Ornis Birding Expeditions, a operadora parceira, dois membros do Projeto Aves na Terra de Siikë e 45 Ingarikó diretamente remunerados, que foram selecionados durante a Reunião de Acordos e a Oficina de Capacitação para a Expedição Experimental, promovidas em 2023.
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Na foto, grupo de turistas estrangeiros que participou de expedição experimental na Raposa Serra do Sol, em março de 2024|Ramiro Melinski
Entre 2010 e 2014, os Ingarikó promoveram quatro expedições turísticas entre a comunidade ingarikó Manalai e o monte Caburaí.
Desde 2010, os Ingarikó receberam capacitações em turismo, através de iniciativas de instituições parceiras do Coping, como o Instituto Federal de Roraima (IFRR), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o ICMBio.
Conforme a antropóloga Virginia Amaral, que atuou como coordenadora da equipe do projeto, a primeira etapa na elaboração do roteiro foi o processo de seleção de uma operadora de turismo que pudesse conduzir uma expedição experimental. E, assim, os Ingarikó chegaram à Ornis.
“Depois, houve uma oficina de acordos de governança e planejamento da expedição experimental em 2023. Em 2024, a expedição foi de fato realizada com seis turistas estrangeiros, sendo quatro dos Estados Unidos e dois de países europeus, Suíça e Bélgica”, explicou.
A trilha da expedição, que parte da comunidade Karumanpaktëi, está localizada em uma área de sobreposição entre a região Ingarikó Wîi Tîpî, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e o Parque Nacional do Monte Roraima, sendo utilizada para atividades de monitoramento da biodiversidade promovidas pelo ICMBio e os Ingarikó, que compartilham a gestão da Unidade de Conservação
“Toda a região Wîi Tîpî é reconhecida por ter grande potencial turístico, devido à sua riqueza cultural, à biodiversidade, à ocorrência de espécies animais e vegetais endêmicas e às paisagens exuberantes”, destaca trecho do documento.
Com a expedição experimental, os Ingarikó pactuaram que devem ocorrer até quatro visitas anuais com grupos de 10 pessoas. Eles entendem que esta frequência é o ideal para prestar o serviço com qualidade sem deixar as atividades tradicionais das comunidades de lado.
O roteiro prevê atividades que devem ocorrer antes, durante e depois das expedições. Para a execução das tarefas são necessárias 45 pessoas que, no conjunto, devem receber R$34,5 mil. O documento estima ainda a entrada na região Ingarikó de cerca de R$16 mil com a venda de artesanato e outros serviços tradicionais.
Observação de aves
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Bico-de-lança observado no roteiro Ingarikó|Ramiro Melinski
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Também é possível avistar o surucuá-mascarado|Ramiro Melinski
Em 2023, o Brasil ocupava o 11° lugar no número de listas registradas no eBird, a principal plataforma de registro de observação de aves no mundo, gerida pelo Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, EUA.
A plataforma Wikiaves, site dedicado exclusivamente ao registro dos avistamentos das aves nacionais, contabiliza 51.600 observadores cadastrados, mais de 5,5 milhões de registros e 1.962 espécies da avifauna nacional registradas, em fevereiro de 2025.
No local indicado pelo roteiro dos Ingarikó, foram registradas mais de 80 espécies consideradas características do Pantepui (região formada pelos vestígios de terras altas do escudo das Guianas).
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Canoada Xingu chega à sétima edição e convida turistas a remar pelos desafios da Amazônia
Liderada pelo povo Juruna/Yudjá, a Canoada Xingu é uma expedição de 110km a remo pela Volta Grande do Xingu e acontece entre os dias 22 e 27 de novembro
A Canoada Xingu é uma experiência única de imersão na Amazônia, um mergulho profundo na natureza, na cultura e na realidade socioambiental de uma das regiões mais emblemáticas e ameaçadas da Amazônia, em um ano crucial para o futuro do Brasil e do planeta.
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Canoada Xingu reforça o vínculo histórico e cultural com o rio e a identidade Juruna/Yudjá, e promove o turismo comunitário|Marcelo Soubhia/ISA
A expedição é liderada pelo povo Juruna/Yudjá, canoeiros ancestrais do Xingu, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a Mazô Maná, com apoio do Fundo Amazônia e da Amazon Watch.
A primeira edição da Canoada aconteceu em 2014 como ato de defesa do Rio Xingu que passou a ser ameaçado pela construção e operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Foi também um ato de resistência para chamar a atenção do mundo para os impactos de Belo Monte sobre rios, florestas e o modo de vida dos povos da Volta Grande do Xingu.
Hoje, a Canoada Xingu reforça o vínculo histórico e cultural com o rio e a identidade Juruna/Yudjá. Também mobiliza toda a comunidade em torno de uma atividade de turismo comunitário que faz frente ao desmatamento e à degradação, e que permite expressar a história de luta do povo pela vida em seu território ancestral.
A Canoada Xingu
A jornada acontece de 22 a 27 de novembro de 2025 na Volta Grande do Xingu, no Pará. A expedição parte de Altamira, município que mais emite gases do efeito estufa no Brasil, e percorre aproximadamente 110km a remo pelo Rio Xingu em direção à Terra Indígena Paquiçamba. Os viajantes remam em canoas tradicionais de madeira, conduzidos por experientes guias Juruna/Yudjá, testemunham as transformações causada por Belo Monte, conhecem as ameaças de Belo Sun, o novo projeto de mineração que pretende se instalar na região, vivenciam a biodiversidade única da Volta Grande e visitam aldeias e lugares sagrados da cultura Juruna/Yudjá, como a cachoeira do Jericoá, que é o símbolo do surgimento do mundo em sua mitologia.
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A 5ª Canoada Xingu aconteceu entre os dias 3 a 8 de setembro de 2018, percorrendo mais de 100 km da Volta Grande do rio Xingu (PA)|Marcelo Soubhia/ISA
Agenda da Canoada
● Dia 1: Chegada dos participantes e deslocamento para o Retiro Betânia, onde acontece uma reunião com os guias da Canoada, instruções sobre os protocolos de segurança e organização final de equipamentos. ● Dia 2: Início da Canoada. Saída de Altamira rumo à Praia do Tucum, onde acontece uma roda de conversa sobre os impactos de Belo Monte. Pernoite na Praia do Caju. ● Dia 3: O grupo rema até a Praia do Choro, na Terra Indígena Paquiçamba, onde irá pescar e participar de uma roda de conversa sobre o Território Juruna. ● Dia 4: Dia de atividades em terra. O grupo fará uma trilha até a Ilha do Zé Maria e depois participará de atividades de mergulho e observação de peixes, além de assistir a apresentações culturais. O pernoite, novamente, acontece na Praia do Choro. ● Dia 5: A Canoada segue para Jericoá com paradas para banho de rio e conversas. ● Dia 6: O dia começa com visita à cachoeira do Jericoá. No horário do almoço, há a opção de retornar à Altamira em uma viagem de carro que leva cerca de duas horas. Para quem ficar, há a opção de visitar a cachoeira do Camaleão e pernoitar em Jericoá. ● Dia 7: Após o café da manhã, o grupo parte para Altamira em uma viagem de carro que leva cerca de duas horas.
Observações: Pernoites são feitos em barracas nas praias ou em redes com mosquiteiros. Os participantes são responsáveis por levar seus equipamentos pessoais como, redes, mosquiteiros e barracas.
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Card/Divulgação
Sobre os Juruna/Yudjá
Os Juruna/Yudjá são o povo canoeiro da Volta Grande do Xingu que habita, desde tempos imemoriais, as ilhas e penínsulas do Baixo e Médio Xingu, um dos rios mais importantes da Amazônia Meridional. Há cerca de cem anos, em consequência dos ataques sofridos contra sua população por parte das frentes de expansão não-indígenas na região, os Juruna/Yudjá acabaram se dividindo em dois grupos. Uma parte do coletivo indígena, cerca de doze pessoas, permaneceu na Volta Grande do Xingu criando a Terra Indígena Paquiçamba e preservando o território ancestral. Outra parte, cerca de 150 pessoas, remaram para a região do Alto Rio Xingu e se estabeleceram no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso, preservando a língua e outras tradições culturais.
Desde 2011, esses dois grupos protagonizam um processo de intercâmbio e de trocas entre parentes para reforçar sua matriz cultural e suas relações de parentesco após mais de cem anos de separação, marcados pelos impactos da colonização, do ciclo da borracha, da abertura da Transamazônica e, mais recentemente, da usina de Belo Monte. A Canoada no Xingu reforça esse vínculo histórico e cultural com o rio, paisagem viva da memória passada e presente da identidade Juruna/Yudjá. Remar junto aos Juruna/Yudjá da Volta Grande é celebrar esse vínculo de luta, resistência e a história de defesa pela vida e pelas águas do Rio Xingu.
Pacotes
O pacote individual custa R$ 9.900,00 . O valor inclui hospedagem em Altamira, deslocamentos locais, refeições durante toda a jornada, guias, canoas e remos, coletes, equipe médica de apoio e registros audiovisuais. O pacote não incluí o trajeto aéreo até Altamira, no Pará, barracas, redes, mosquiteiros e itens de uso pessoal.
Para mais informações sobre valores e reservas (WhatsApp): +55 93 99129‐2846.
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Expedições às Serras Guerreiras de Tapuruquara abrem novas datas para vivências na Amazônia indígena
Guiados por lideranças indígenas, os roteiros oferecem uma imersão nos saberes, paisagens e histórias do Médio Rio Negro
Quando as águas do Rio Negro baixam, praias de areia branca se formam em sua margem|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Quando as chuvas intensas no noroeste da Amazônia começam a diminuir, é sinal que o verão vem logo ali. As águas do Rio Negro começam a baixar e a paisagem passa a ganhar um contorno branco das praias de areia fina em contraste com as águas escuras e o verde intenso das árvores. É chegada a hora da temporada de expedições do projeto de turismo de base comunitária Serras Guerreiras de Tapuruquara, que proporciona aos visitantes uma imersão no território, cultura e saberes dos povos indígenas do Rio Negro.
Próximas datas: 2025
Roteiro Maniaka – 18 a 25 de outubro
Roteiro Iwitera – 15 a 22 de novembro (confirmado)
2026
Roteiro Iwitera – 24 de janeiro a 03 de fevereiro
As Serras Guerreiras de Tapuruquara — Iwitera Maramuywera Tapuruquara Suiwara, na língua geral Nheengatu — são sagradas para os povos indígenas da região. Contam os antigos que elas eram um grupo de guerreiros que desceu da Colômbia para travar uma batalha contra a serra localizada do outro lado do rio. Amanheceu o dia, os guerreiros viraram pedra e ali estão até hoje.
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Local sagrado para os povos indígenas, as Serras Guerreiras estão localizadas nas TIs Médio Rio Negro I e II|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Elas estão localizadas nas Terras Indígenas Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II, no município de Santa Isabel do Rio Negro (AM). Uma área estratégica, onde parte do território se sobrepõe ao Parque Nacional do Pico da Neblina.
Desde a primeira expedição, em 2017, o projeto vem contribuindo para a geração de renda e autonomia de mais de 200 famílias e para o fortalecimento da organização coletiva frente às ameaças que cercam o território, como a mineração, a pesca predatória, o desmatamento e outras atividades ilegais.
Nas expedições, os visitantes são conduzidos por guias indígenas em dois roteiros imersivos desenvolvidos por eles mesmos: o Maniaka e Iwitera. Ambas oferecem experiências de vivência cultural, como festas, danças e rituais, além do contato com saberes tradicionais e paisagens naturais da floresta amazônica.
A diferença entre eles é que um, o Iwitera, é mais focado no ecoturismo, com maior intensidade de trilhas na floresta, remadas nos rios e igapós e incursão às serra sagradas. Já o Maniaka proporciona uma imersão no etnoturismo, com uma vivência mais intensa no dia a dia das comunidades e seus modos de vida, e que inclui visita ao sistema agrícola tradicional, contação de histórias com os sabedores mais velhos e a experimentação da produção de artesanatos tradicionais, como cerâmica e cestarias.
As expedições partem de Manaus e os pacotes incluem transporte de barco até as comunidades, alimentação e todas as atividades previstas nos roteiros. Para saber mais sobre cada um deles, acesse o site do projeto: www.serrasdetapuruquara.org.br. As vagas são limitadas e, para garantir a sua, entre em contato com a Poranduba, operadora parceira do projeto.
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Serras Guerreiras de Tapuruquara: aventura, cultura e hospitalidade indígena na Amazônia
No Médio Rio Negro, o turista se torna um visitante – acolhido e guiado pelos povos que ocupam ancestralmente o território
Começa a tarde na comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas. As pessoas se preparam para almoçar, seguindo a regra dos anfitriões indígenas, que indicam que os primeiros a se servirem devem ser os visitantes.
Sobre a mesa, há uma diversidade de alimentos da floresta e dos quintais, como cará roxo, beiju, peixe moqueado – ou defumado –, peixe ensopado, buriti, abacaxi, banana, entre outras delícias.
Cozinheiras da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, apresentam os pratos que serão servidos aos visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Peixes, frutas variadas, beiju: os melhores sabores do Rio Negro à mesa/Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Expedições das Serras Guerreiras de Tapuruquara oferecem variedade de pratos locais/Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Antes do cochilo na rede, logo após o almoço e com o forte calor amazônico, ainda resta disposição para uma conversa. Seu João Vieira Brazão, do povo Baré, usa o bloco de anotações e uma caneta para começar a rascunhar uma pequena gramática ilustrada de nheengatu, para ensinar um pouco de sua língua.
Desenha um rosto, coloca setas indicativas e vai escrevendo: olho, reçá; nariz, tym; cabeça, yakãga; orelha, nãby, boca, yorou. Em seguida, avança um pouco: meu nariz, se tym; meu olho, se reçá, minha boca, se yorou, minha orelha, se nãby. Como bom professor, vai em frente e forma uma frase: minha cabeça dói ou se akãga sacy.
A aula na língua nheengatu – um tanto improvisada pelo seu João Brazão – não faz parte do roteiro oficial do projeto de turismo Serras Guerreiras de Tapuruquara. Mas dá uma ideia dos encontros possíveis ao conhecer a Amazônia dos indígenas. E acompanhados dos indígenas.
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Crianças da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Seu João Brazão (primeiro à direita) recebe participantes da expedição|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
O projeto oferece dois roteiros de cultura e aventura. O Maniaka tem ênfase na parte cultural, enquanto o Witera oferece mais aventura (detalhes abaixo).
A viagem acontece no Estado do Amazonas, entre as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, numa das regiões mais lindas do Estado, com um cenário único onde há serras em meio ao tapete verde da floresta. A visitação acontece de agosto a fevereiro, quando as chuvas diminuem na região, sendo que cada expedição dura de 8 a 12 dias.
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Rio Negro de cima: vista panorâmica no topo de uma das serras|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Paisagens de tirar o fôlego se revelam aos visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Para cada serra, um nome. Vamberto Plácido, do povo Baré, que nasceu e sempre viveu nessa região, conta que as serras que dão nome ao projeto são, na verdade, guerreiros.
“Então, contando um pouco da história das serras guerreiras, vou contar para vocês uma históriazinha dessas serras. Segundo os mais antigos, essas serras, eles eram os guerreiros. Cada uma delas tem seu nome. Por isso que é o Jacamim, a Jacuraru, a Cutia, o Porco, o Trovão e a Anta. Saindo da Colômbia, percorreram a noite toda, mas não conseguiram pegar o destino onde iam guerrear com outra serra, onde ficava a cobra conhecida como cobra do Tukano. Eles não conseguiram chegar até lá e amanheceram o dia e ficaram até hoje. Então, esse projeto já trouxe o nome das Serras Guerreiras de Tapuruquara. Tapuruquara é o antigo nome de Santa Isabel do Rio Negro”, narra.
Para entrar nesse território – que é sagrado –, é preciso benzimento. Com esse ritual, o pajé apresenta os turistas aos verdadeiros donos da área, invisíveis aos não indígenas. Feita a proteção, é hora de aproveitar a viagem!
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Chega a hora de partir e conhecer as belezas do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Banho de rio e amizade com as Serras de Tapuruquara ao fundo|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Variedade de lugares, sabores e experiências
Subida de serras, canoagem, culinária tradicional, oficinas de artesanato, banhos de rio, narrativas indígenas, danças e muita cultura.
Os passeios não se repetem. A depender da época, da seca ou das chuvas, as paisagens e os roteiros mudam – dificilmente o visitante vai nadar duas vezes na mesma praia.
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Roteiros incluem canoagem e passeios pelas praias de areia branca do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Do alto das serras, é possível ver de cima a copa das árvores da floresta amazônica, o rio serpenteando, o voo das araras.
Depois de percorrer trilhas, ouvir histórias, visitar roças, fazer farinha e artesanato, nadar em praias de areia branca, remar, comer os alimentos tradicionais, você ainda poderá ter contato com a cultura dos 23 povos indígenas do Médio e Alto Rio Negro, que ocupam ancestralmente este território. Nessa região, convivem povos como os Baré, Tukano, Baniwa, Desano, Piratapuya, Arapaso, Nadeb, entre outros.
Na comunidade de Boa Vista, por exemplo, os turistas vão dançar o Mawako e participar de um Dabucuri. O ritual acontece em ocasiões especiais, agradece e compartilha os bons momentos e as farturas.
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Turismo de base comunitária leva os viajantes a uma imersão na culturas dos povos indígenas do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Na comunidade de Aruti, a artesã Alciene da Silva de Oliveira, povo Piratapuia, ensina a manejar o arumã, usado para as peças artesanais como os tapetes. Em São João 2, Jacson Luis Costa Silva e Marlice Brandão Pinheiro, do povo Baré, convidam para sentir nas mãos a argila dos igarapés amazônicos e moldar pequenas peças seguindo a tradição milenar da arte de fazer cerâmica.
No projeto de turismo de base comunitária, o passeio tem um componente a mais. Além de passear, o turista apoia os indígenas e ajuda a preservar o meio ambiente, contribuindo para uma atividade econômica sustentável. São cerca de 200 famílias beneficiadas em cinco comunidades: Cartucho, Aruti, São João 2, Uábada 2 e Boa Vista.
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Oficina de cerâmica tradicional na comunidade São João 2|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Atividade faz parte dos roteiros do Projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
E, ao se prepararem para receber os turistas, os indígenas acabam reforçando a própria cultura, inclusive repassando aos mais jovens envolvidos nos projetos da sociobiodiversidade.
Os esforços exigidos nas viagens amazônicas são compensados na hora do descanso. O corpo se ajeita na rede. É hora de dormir como os indígenas.
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Visitantes dormem em redes e conhecem os costumes regionais|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Alojamentos permitem uma integração profunda com a natureza|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Na chegada e na saída, há momentos de muita emoção. Na recepção aos turistas, as crianças indígenas cantam para receber os visitantes, na língua indígena. Na despedida, é hora de abraçar os anfitriões, que já se tornaram amigos.
Por volta de setembro, quando as águas baixam no início da estação seca, a paisagem ganha generosas revoadas das borboletas amarelas, que agrupadas no chão formam verdadeiros tapetes vivos.
Coordenador geral do Serras Guerreiras de Tapuruquara, Marcos Baltazar Salustiano, do povo Baré, morador da comunidade do Cartucho, convida para essa visita.
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Marcos Baltazar Salustiano, do povo Baré e morador da comunidade do Cartucho, é coordenador geral do Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
“A gente convida você a vir participar do nosso projeto, que é familiar. A gente tem esse contato com as pessoas de fora, mas é um contato assim, de amigo. As comunidades oferecem um carinho enorme para essas pessoas que vêm. E essas pessoas que vêm deixam também um carinho enorme nas comunidades. Por isso que a gente convida todos a participarem do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara, que envolve os 23 povos indígenas de várias etnias, como Baré, Tukano, Desano, Nadeb.”
Puranga Pesika – Sejam bem-vindos!
Depoimentos
Jaciel Manoel Rodrigues, povo Baré, morador da comunidade do Cartucho e coordenador da Associação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas (Acir)
Desde o início do projeto, a gente tem essa mentalidade. Todos que chegam, para a gente é como se fosse o nosso vizinho daqui. A gente acolhe com carinho, todos eles. E a gente se sente muito feliz quando eles estão aqui entre a gente.
Elaine da Silva Galvão, coordenadora do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade Aruti
A gente convive com outras pessoas. A gente conhece outras pessoas e eles conhecem a gente também, nossa língua, que é o nheengatu.
O que o visitante pode aproveitar da culinária? Bacaba, bacabinha, patauá. Surubi, pirandira, aracu, pacu. Tucupi doce, tucupi azedo, pimenta. Todo tipo de peixe eles pegam, eles trazem para oferecer aos turistas. Tem caldeirada, assado, frito, moqueado e, às vezes, até salgado.
Professor Rosemiro Torres Olar, povo Baré, professor e coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade Uábada II
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Professor Rosemiro Torres Olar, povo Baré, coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Esses lugares são sagrados. Cada cachoeira tem um nome, tapiracanga, jurupari, outro lá, piramiri, kiuá. Tudo isso aí, ele se envolve em apenas um dono, que é Uaimi, que significa velha. Ela que cuida disso aqui. É dono de tudo esse patrimônio que tem aqui para dentro desse igarapé. Então toda vez que a gente vai para dentro do igarapé pescar, atrás de algum produto, ou vai a passeio, nós temos que pedir permissão a ela.
Um dos pajés, toda vez que a gente recebe o turista, para cá, principalmente pela primeira vez, ele faz um benzimento. Para que esse benzimento? Esse benzimento é para apresentar o visitante para o dono do igarapé, o dono da cachoeira. Então seria apresentar. Por isso, pelo cuidado que temos que ter com o turista. Proteger o nosso visitante.
Orlandino Cordeiro de Oliveira, povo Baré, conhecedor indígena e morador de Aruti, recebe os turistas em sua casa
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Orlandino Cordeiro de Oliveira (camisa pólo azul), povo Baré, conhecedor indígena e morador de Aruti, recebe os turistas em sua casa|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Meu nome é Orlandino de Oliveira, essa é minha família. Somos eu e minha família aqui. Minhas filhas, minhas noras, filhos, genros. Uma partezinha. A maioria está por aí. Sabe por que que possui esse nome de Aruti, essa ilha? Não tem essa pedrazona bem no rabo da ilha? Essa é Aruti. Isso significa, em português, é preguiça, a Ilha da Preguiça. Mas é o nome da ilha, não é porque eu sou preguiçoso. Esse Aruti está em nheengatu, língua de Baré.
João Vieira Brazão, povo Baré, coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade de São João 2
Espero que você venha conhecer aqui. Esperamos de braços abertos, com muito entusiasmo, para que conheçam a nossa realidade, a nossa floresta, o nosso rio, a nossa imagem pessoalmente, ao vivo, conhecer a nossa comida tradicional, conhecer o fruto da nossa região aqui, comer o peixe gostoso, conhecer a nossa farinha, o nosso beiju, a nossa fruta tradicional.
Vamberto Plácido Rodrigues, povo Baré, ex-coordenador do Projeto Serras Guerreiras e atual servidor da Funai
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Vamberto Plácido Rodrigues, do povo Baré, ex-coordenador do Projeto Serras Guerreiras e atual servidor da Funai|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Esse projeto, o benefício que trouxe para foi o intercâmbio das pessoas que vêm de fora conhecer a nossa cultura nas comunidades. Isso faz com que essa cultura se fortaleça. Porque apresentamos aos turistas a dança cultural, a própria língua, a dança.
Bruno Mangolini, coordenador da Poranduba Amazônia, participou da expedição em outubro de 2023
Além de você estar vivendo uma experiência muito peculiar, muito rica, de passear, de conhecer um lugar diferente, uma cultura, isso vai também vai contribuir com as comunidades, inclusive com o resgate da parte cultural. Também gera renda para a comunidade.
O que fica mais marcante fora os passeios, a parte gastronômica, as belezas naturais, é o cuidado dos indígenas que estão nos recebendo. A simpatia, a alegria deles em receber o visitante que vem conhecê-los, acho que isso é muito marcante.
Mari Salim, sócia da Montanero Expedições, participou da expedição em outubro de 2023
A gente percebe o resgate de vários saberes tradicionais, inclusive de saberes que os mais jovens não estavam valorizando tanto. E foi muito bonito perceber que eles estão articulando tudo isso por conta desse trabalho de turismo. Para mim, o que mais encantou foi a mobilização desse resgate, junto às famílias e os jovens, e o quanto eles já estão se sentindo orgulhosos de estar apresentando isso para nós. E fiquei muito contente de ver uma preocupação não só com a segurança, mas com o conforto de todos os visitantes que vêm. Desde os dormitórios, até a culinária e os transportes.
Jéssica Martins, assessora técnica em turismo do Instituto Socioambiental (ISA)
O projeto Serras Guerreiras é sonhado e construído junto com as comunidades, pelas comunidades indígenas do médio rio Negro. Esse é um roteiro que acontece nessa região bem especial, do Noroeste Amazônico, com uma paisagem diferenciada, tanto na questão da natureza, quanto na questão dos povos indígenas e na parte cultural, que é muito rica e muito diversa.
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Até breve! Moradores da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas, se despedem dos amigos-visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Apresentação dos pratos para o almoço na comunidade São João 2|Benjamin Mast/ISA
Merenda com pratos regionais depois de remada na comunidade de Boa Vista|Benjamin Mast/ISA
Roteiros de turismo comunitário convidam a descobrir os sabores da culinária tradicional do Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
Indígenas do povo Baré ensinam aos turistas a tradição milenar da arte de fazer cerâmica|Benjamin Mast/ISA
Paisagem na viagem de barco pelo Médio Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
Paisagem na viagem de barco pelo Médio Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
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Indígenas reabrem roteiros de Serras Guerreiras de Tapuruquara, turismo de base comunitária na Amazônia
Visitantes são recebidos e guiados por moradores de comunidades indígenas do Rio Negro (AM). Próximas saídas serão em novembro.
Turismo de base comunitária leva a imersão nas belezas naturais e culturais da Amazônia|Marcelo Monzillo / ISA
Cercadas pela floresta, pelo rio Negro, seus igarapés e igapós, as Serras Guerreiras de Tapuruquara, localizadas em uma das regiões mais preservadas da Amazônia, no município de Santa Isabel do Rio Negro (AM), voltam a receber visitantes no próximo mês de outubro. A retomada é especial, já que os passeios não aconteciam desde 2019, quando foram interrompidos devido à pandemia.
O primeiro roteiro, chamado Maniaka, tem nove dias de duração e foi cuidadosamente pensado e estruturado pelos povos indígenas. Os turistas serão recebidos por famílias que moram nas comunidades e têm a oportunidade de viver uma imersão cultural, guiados pelos povos que vivem ali milenarmente. O segundo roteiro é o Iwitera e estará disponível a partir de janeiro.
Cada expedição conta com no máximo 12 visitantes e, portanto, as vagas são limitadas. No próximo dia 14, quinta-feira, às 19h (horário de Brasília) será realizada uma roda de conversa virtual sobre o projeto. Não perca!
A expedição parte de Manaus e os pacotes incluem transporte de barco até as comunidades, alimentação e todas as atividades previstas nos roteiros nas comunidades.
O projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara é uma experiência que une o turismo de base comunitária, o turismo etnográfico e o ecoturismo, possibilitando que o visitante tenha a experiência de conhecer a região e, ao mesmo tempo, de proteger a Amazônia e fortalecer a cultura dos povos que vivem ali, contribuindo com o desenvolvimento sustentável.
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Vista do topo da Segunda Serra Guerreira, próxima à comunidade do Cartucho no Rio Negro|Marcelo Monzillo/ISA
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Vista do topo da Serra Iacawení, na Comunidade Uábada II, em Santa Isabel do Rio Negro (AM)|Marcelo Monzillo/ISA
Pelo turismo comunitário, as comunidades locais desempenham papel central no desenvolvimento e gestão do projeto, sendo as principais beneficiadas. Com o etnoturismo, os visitantes vivenciam e aprendem sobre as tradições, costumes, estilos de vida e patrimônio cultural das comunidades anfitriãs. Como os roteiros são pensados pelas comunidades, o calendário respeita o cotidiano dos indígenas, interferindo minimamente em seus modos de vida.
Durante a viagem às Serras Guerreiras, os visitantes vão conhecer as comunidades Cartucho; Tayaçu (São João II) e Aruti, passando pela experiência de dormir em redes, caminhar por trilhas, navegar em canoas, experimentar o alimento tradicional, ouvir narrativas em línguas indígenas, observar a confecção de artesanatos e ir às roças tradicionais cultivadas em meio à floresta.
Nas idas às roças, o visitante vai ver de perto o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, registrado como patrimônio cultural nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Localizadas em Santa Isabel do Rio Negro, as Serras Guerreiras de Tapuruquara são consideradas sagradas. A narrativa revela que as serras são guerreiros que desceram da Colômbia para lutar contra uma cobra mitológica que estava impedindo a passagem e permanência dos indígenas. Os guerreiros venceram a batalha e estão até hoje no local, representados em rochas.
Nessa região – no médio e alto rio Negro - convivem povos de 23 etnias em cerca de 750 sítios e comunidades em meio à floresta. Os visitantes vão estar em contato principalmente com povos Baré, Desana e Baniwa.
As expedições às Serras Guerreiras de Tapuruquara aconteceram anteriormente, entre 2017 e 2019, quando foram realizadas treze expedições que beneficiaram ao menos 100 famílias e 500 pessoas de oito etnias. Em 2020, a pandemia do coronavírus forçou a interrupção das atividades. Agora, os indígenas se preparam para receber novamente os visitantes.
O projeto de turismo de base comunitária Serras Guerreiras de Tapuruquara é desenvolvido pela Associação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas (ACIR) e Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O roteiro especial de retomada será operado pela agência Poranduba Amazônia.
Serras Guerreiras de Tapuruquara
Roteiro Maniaka
Comunidades Cartucho, Tayaçu (São João II) e Aruti
Data: 3/11/23 a 11/11/2023
Valor: R$ 7.200 à vista ou parcelado com acréscimo em até 12x
Principais experiências:
- Prática cultural com cerâmica;
- Prática cultural com tecidos de arumã;
- Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (Patrimônio Cultural do Brasil);
- Canoada;
- Dança Mawako.
O que está incluído:
Ida de barco regional a partir de Manaus inclusa (não inclui volta de avião a Manaus);
O pacote inclui transporte até as comunidades, alimentação tradicional e as atividades previstas nos roteiros nas comunidades.
Sr Jacson Luís, artesão dos fornos de cerâmica, na Terra Indígena Médio Rio Negro II|Marcelo Monzillo/ISA
Sra. Alaíde produzindo farinha na Comunidade Cartucho, em Santa Isabel do Rio Negro (AM)|Marcelo Monzillo/ISA
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Rede de produtores indígenas expande laços e experiências com a economia da floresta no Rio Negro
Encontro em São Gabriel da Cachoeira (AM) com representantes de oito estados da Amazônia Brasileira fortaleceu negócios da sociobiodiversidade
Uma rede de produtores indígenas do Rio Negro (AM) vai, pouco a pouco, tornando-se visível e fortalecida.
Na abertura do I Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro, que aconteceu em São Gabriel da Cachoeira (AM) entre os dias 10 e 14 de outubro, indígenas reunidos em um círculo usaram um novelo para representar o momento. Enquanto o fio se desenrolava, cada um se apresentava e falava sobre sua produção, mostrando a diversidade de povos e produções da região.
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Dinâmica no início do encontro na Casa do Saber, em São Gabriel da Cachoeira (AM), formou uma rede entre os povos do Rio Negro e suas produções|Ana Amélia Hamdan/ISA
Durante a dinâmica, os trançados de tucum das mulheres Baré e Piratapuya foram se ligando à cestaria Yanomami, confeccionada com cipó e fungo përisi. A cerâmica Tukano se uniu à Baniwa, sem deixar de lado os produtos da roça e os utensílios ancestrais usados nessas atividades, como as peneiras e abanos. O trançado dos aturás (cestos) Hupda encontrou sementes e colares trazidos por outros povos.
No início do encontro, a rede envolveu boa parte dos 23 povos que vive na região do Rio Negro e no dia seguinte se expandiu, contando também com aproximadamente 20 produtores indígenas de oito estados da Amazônia Brasileira, por meio de Intercâmbio de Cadeias de Valor da Rede de Cooperação Amazônica (RCA), composta por 14 associações indígenas e indigenistas.
O I Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro e o Intercâmbio de Cadeia de Valor da RCA foram promovidos na Maloca – Casa do Saber da Foirn pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e a própria RCA.
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Feira foi realizada durante o I Encontro Geral de Produtores Indígenas do Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira|Ana Amélia Hamdan/ISA
Diretor-presidente da Foirn, Marivelton Barroso, do povo Baré, falou da riqueza da economia da floresta e do fortalecimento das cadeias de valor do Rio Negro, que geram renda preservando a floresta. Segundo ele, a estrutura do Departamento de Negócios da Sociobiodiversidade da Foirn vem se fortalecendo mesmo diante das pressões políticas que propõem modelos não sustentáveis dentro de Terras Indígenas.
Uma das principais pautas do encontro de produtores foi a assinatura do termo de pactuação política e acordo de cogestão da Wariró – Casa dos Produtores Indígenas do Rio Negro, que fica em São Gabriel da Cachoeira e comercializa os produtos da região.
O documento é um instrumento de consolidação de gestão de negócios de excelência, participativa, transparente, envolvendo os povos representados, funcionários, diretores da Foirn e a assessoria do ISA.
Para garantir a legitimidade dos processos, representantes das cinco coordenadorias da Foirn - Nadzoeri, Diawii, Caibrm, Caiarnx e Coidi (ver abaixo o significado das siglas) participaram do encontro, analisaram e aprovaram o acordo de cogestão em assembleia.
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Encontro é importante para o fortalecimento de laços com as bases, diz Luciane Lima, da Foirn|Ana Amélia Hamdan/ISA
Para a coordenadora do Departamento de Negócios da Sociobiodiversidade da Foirn, Luciane Lima, do povo Tariano, esse processo garante a transparência das decisões e aproxima os artesãos da Casa Wariró.
“O encontro de artesãos é muito importante para o fortalecimento dos laços com as bases. É importante ressaltar o papel das associações de base na economia da floresta”, disse.
Assessora em gestão de negócios indígenas do ISA, a economista Ana Letícia Pastore Trindade contou que a Wariró está em um processo de expansão, com geração de renda para os povos indígenas e sustentabilidade.
“Crescer é um desafio enorme, pois envolve respeito à floresta. A Wariró traz a proposta de comercializar com sustentabilidade financeira e ambiental. Não é possível aumentar a oferta com a degradação do equilíbrio ambiental. Então, a produção é ligada também às pesquisas interculturais, ao cuidado com a matéria-prima”, explicou.
Um dos indicadores desse crescimento é o aumento de 78% do número de artesãos que vendem produtos para a Wariró, passando de 60 no primeiro semestre de 2021 para 107 no mesmo período de 2022.
Entre 2021 e 2022, a Wariró fez compras no valor de quase R$ 260 mil. Os produtos mais vendidos foram a cestaria Yanomami, a cestaria de arumã do povo Baniwa, a cerâmica Tukano e a cerâmica Baniwa.
Os produtos indígenas são vendidos principalmente no Amazonas e também em São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior.
Também foram apresentadas no encontro as experiências da Casa de Frutas, em Santa Isabel do Rio Negro, e de apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). As ações, desenvolvidas em conjunto por Foirn e ISA, fortalecem a economia da floresta e, ao mesmo tempo, protegem o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT-RN), registrado como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O encontro contou com a participação do assessor técnico do Projeto Cadeias de Valor do ISA em São Gabriel da Cachoeira, João Gabriel Raphaelli. Iniciativas desenvolvidas pelo ISA em Roraima foram compartilhadas pela engenheira de produção Amanda Latosinski, que trabalha com os povos Yanomami, Ye’kwana e Wapichana, e pela assessora técnica Stephany Caroline Rodrigues, que assessora o povo Wai Wai.
Supervisor comercial do ISA em São Paulo, Sérgio Marques falou sobre a experiência da loja do ISA, inaugurada na Galeria Metrópole, e que vende produtos da sociobiodiversidade de territórios onde a organização atua. Segundo ele, mais da metade dos produtos comercializados no espaço vem do Rio Negro. “A loja é um difusor de parcerias dentro do ISA”, destacou.
Cultura
Coordenador-adjunto do Programa Rio Negro do ISA, Aloisio Cabalzar falou sobre a importância e a riqueza cultural da economia da floresta, inclusive como forma de proteger a cultura dos povos do Rio Negro.
O líder indígena André Baniwa também compartilhou seus saberes no encontro de produtores, analisando que os índices mostrados pela Casa Wariró indicam que o fortalecimento dos negócios anda junto com a cultura. “As peças mais originais, como a cestaria Yanomami ou os aturás do povo Hupda, estão atraindo maior interesse. São peças que contam uma história”, detalhou.
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Produtos que contam história estão atraindo maior interesse dos consumidores, analisa André Baniwa|Ana Amélia Hamdan/ISA
Uma dessas histórias é contada pela artesã Verônica Ramos Pena, do povo Hupda, que mora na comunidade de Vila Fátima, no Rio Uaupés, e confecciona o tradicional aturá de seu povo. “A gente pega o cipó lá no mato. É muito perigoso entrar no mato, enfrentar cobra, aranha. E, para apanhar o cipó, a gente tem que dormir na floresta por causa da distância. Depois, queima o cipó lá na floresta mesmo e queima a mão”, relatou. Em seguida, a matéria-prima é levada para a comunidade, onde vai ser entrelaçada para se transformar em cestaria.
Vice-presidente da Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma (Amyk), Lídia Santos da Silva conta que, para dar início ao trabalho de confecção da cestaria Yanomami, é preciso paciência. Primeiro, para procurar o cipó. E também para achar uma boa quantidade de përisi, fungo utilizado na cestaria.
“Algumas vezes levamos os homens para tirar o cipó grande, que é o ambé. Depois voltamos para a comunidade para fazer o artesanato”, contou.
Vivendo em Iauaretê, no Uaupés, Dona Jacinta Araújo Alves, povo Desana, e seu marido Benjamim Antônio Montalvo Cardoso, Piratapuya, ajudaram a criar o Clube dos Casais para produção de artesanato e repasse de saberes aos mais jovens.
Todo domingo, o grupo – formado por cerca de 20 casais – se reúne para trabalhar e compartilhar conhecimentos.
Os homens trabalham com o arumã, fazendo tipitis, cumatás, abanos, peneiras e urutus. As mulheres trabalham com o tucum, porta-jóias, colares, brinco, novelos e bolsas.
Intercâmbio
Além das experiências do Rio Negro, os participantes do encontro de produtores puderam conhecer iniciativas de outros Estados da Amazônia Brasileira por meio de intercâmbio sobre cadeias de valores promovido pela RCA.
“A experiência entre diferentes territórios e realidades promove cooperação, aprendizado e construção conjunta”, afirmou Luis Donisete Benzi Grupioni, secretário executivo da RCA.
“Estamos dando os primeiros passos conhecendo as ações do Rio Negro, que tem experiência em cadeias produtivas diversificadas, com erros, acertos e desafios”, disse.
Assessora técnica da Secretaria Executiva da RCA, Patrícia de Almeida Zuppi destacou a importância do encontro entre os povos indígenas. “O intercâmbio no território é muito potente, pois a experiência compartilhada sai da linha narrativa e vai para a mão na massa.”
Uma das experiências desenvolvidas no Rio Negro é o turismo de pesca esportiva de base comunitária desenvolvido no Rio Marié. Integrantes da Foirn e da RCA foram até a comunidade de Tapuruquara Mirim, que beneficia 14 comunidades indígenas.
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Povo Tuyuka fez apresentação de dança tradicional durante o encontro de produtores em São Gabriel da Cachoeira|Ana Amélia Hamdan/ISA
Ianukula Kaiabi Suiá, presidente da Associação Terra Indígena Xingu (Atix), em Mato Grosso, considerou a troca de experiências inspiradora. Ele ressaltou que os povos indígenas vêm passando por um momento de pressão política, o que pode dificultar a estruturação de cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Vindo do Oiapoque, no Amapá, Diemisom Sfair dos Santos, do povo Karipuna, mostrou a experiência do Empório Uasei, que quer dizer “açaí”. A iniciativa foi construída com o apoio do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepe). “A venda de açaí pelos indígenas era desordenada, com muitos atravessadores. Agora compramos o açaí e revendemos in natura ou batido no Empório Uasei, garantindo uma relação mais justa com os indígenas”, explicou.
Diemisom dos Santos trouxe a experiência da comercialização do açaí e levou para Oiapoque o exemplo de gestão da Wariró. Assim, as trocas entre os povos dos Estados da Amazônia mostram que as redes para fortalecimento dos negócios da sociobiodiversidade vão se expandindo.
* Organizações da Foirn
Nadzoeri (Organização Baniwa e Koripako), Diawii (Coordenadoria das Organizações Indígenas do Tiquié, Uaupés e Afluentes), Caibrm (Coordenadoria das Associações Indígenas do Médio e Baixo Rio Negro), Caiarnx (Coordenadoria das Associações Indígenas do Alto Rio Negro e Xié); e Coidi (Coordenadoria das Associações Indígenas de Iauaretê).
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Lideranças indígenas denunciam invasão garimpeira no Rio Negro
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) cobra retirada de dragas; atividade ilegal ameaça turismo sustentável e principal reduto de tucunarés gigantes da Amazônia
O vídeo de uma draga de garimpo de ouro entrando ilegalmente em território indígena na região do Rio Negro, no Amazonas, foi postado nas redes sociais pelo diretor-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Marivelton Barroso, do povo Baré, em 17 de setembro. Passados 13 dias e após a federação encaminhar a denúncia a órgãos públicos, o problema persiste.
Na quarta-feira (28/09), Marivelton Baré voltou a utilizar as redes sociais para exigir que os órgãos públicos reajam às denúncias feitas. “A gente vem a público pedir que as instituições e órgãos de controle do Estado brasileiro possam reagir às nossas denúncias e pedido de desintrusão das dragas de garimpo que estão hoje nas Terras Indígenas Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II. Sobretudo na localização do Rio Marié, onde estão plenamente em operação”, narrou.
Segundo a Foirn, há pelo menos três dragas de garimpo na região. Além de expor a riscos a população indígena, a ação ilegal prejudica as atividades de turismo sustentável de pesca esportiva que ocorrem no Rio Marié.
“A gente não quer que o território do Rio Negro fique como outras áreas que não fizeram nada e [logo] a ilegalidade tomou conta”, completou. A Foirn encaminhou um ofício em 23 de setembro com pedido de providências a órgãos como Ministério Público Federal (MPF), Fundação Nacional do Índio (Funai) e Exército. No dia 29, voltou a pedir novas providências ao MPF.
Em julho, Marivelton Baré e o vice-presidente da Foirn, Nildo Fontes, do povo Tukano, entraram com pedido para integrar ação popular contra o que denominam de “loteamento do Rio Negro” para fins minerários.
No vídeo divulgado nesta semana, o diretor-presidente da Foirn informa que uma operação envolvendo órgãos públicos chegou a fazer a abordagem da draga de garimpo ilegal, mas a embarcação e seus responsáveis foram liberados. Eles teriam mostrado licença para estudo de viabilidade de extração de ouro.
De acordo com a Constituição Federal, tanto a pesquisa como a lavra das riquezas minerais em Terras Indígenas só podem ser efetivados mediante lei específica, que ainda não foi editada pelo Congresso Nacional. “Mas que licença de autorização é essa que viola nossos direitos?, questionou Marivelton Baré.
Além da necessidade de lei específica, a Constituição Federal prevê que empreendimentos de pesquisa (incluindo pesquisa de viabilidade) e lavra de riquezas minerais também necessitariam, após a edição da lei, de autorização do Congresso Nacional, oitiva das comunidades afetadas e sua participação nos resultados da lavra.
Atividades deste porte demandariam, também, licenciamento ambiental. Tudo isso deveria ser capitaneado por órgãos federais, já que as Terras Indígenas estão entre os bens da União. Nada disso foi realizado, o que faz com que a atividade seja absolutamente ilegal, a configurar, inclusive, possível crime ambiental.
Turismo sustentável
De acordo com a Foirn na região onde as dragas estão atuando, no Rio Marié, está em pleno desenvolvimento o projeto de turismo de pesca esportiva e de base sustentável, que vem sendo executado após a elaboração de um plano de visitação realizado de forma participativa pelas comunidades que vivem ena região de Santa Isabel do Rio Negro. O projeto tem aprovação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e contou com estudos ambientais elaborados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a fim de manter a integridade ambiental da região.
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Embarcação de turismo sustentável de pesca esportiva no Rio Marié, no Rio Negro, em imagem de 2017|Marcos Hlace
O Marié é o principal reduto de tucunarés gigantes na Amazônia. O rio está inteiramente localizado dentro de um extenso território indígena, uma área com cerca de 2 milhões de hectares. Com mais de 800 quilômetros de rio, 180 igarapés e 60 lagos mapeados, esse importante afluente do rio Negro é uma área altamente preservada e, por isso, com condições para os peixes gigantes crescerem. Tudo isso está seriamente ameaçado com a recente invasão de dragas garimpeiras.
Diretor da Associação das Comunidades Indígenas do Baixo Rio Negro (Acibrn), Gelvani da Costa Silva, do povo Baniwa, reforça que os impactos ambientais causados pelas dragas podem também inviabilizar a atividade do turismo sustentável que vem gerando renda para a famílias indígenas.
A concepção do projeto turístico garante o diálogo entre os modos de vida das comunidades, respeitando sua autonomia e investindo em relações inovadoras entre empresas e comunidades.
Aumento de denúncias
O aumento da pressão do garimpo ilegal sobre as Terras Indígenas do Rio Negro está colocando a população em risco e levando ao crescimento de denúncias. Em 2021, indígenas relataram ameaças por pessoas estranhas que pretendiam exercer atividade mineral na região. Há denúncias de dragas nos rios Cauburis, Inambu, Arichana, Aiari, entre outros.
Levantamento realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) mostra que há cerca de 77 requerimentos minerários ativos para pesquisa e lavra nas áreas que compreendem as terras indígenas Jurubaxi-Téa, Rio Téa, Yanomami, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II e Cué-Cué Marabitanas.
Somente nas TIs Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II, são 20 requerimentos ativos. Referentes a ouro são 60 e os outros 17 a estanho, cassiterita, nióbio, cascalho e areia.
A Agência Nacional de Mineração (ANM) vem liberando requerimentos minerários em áreas ne leito do Rio Negro, dentro de Terra Indígena o que compromete os modos de vidas dos indígenas e ameaça a integridade ambiental da área.
“Nós lutamos para demarcar esse território exatamente para podermos preservar e trabalhar nossas atividades produtivas. Brigamos muito para manter ele de forma preservada. Não foi favor de governo nenhum, foi a luta de lideranças que nos antecederam. E a gente não quer que esses intrusos fiquem dentro do nosso território. Então a gente fala: ‘fora garimpo, fora mineração e fora também esse desgoverno’, que não está atuando de forma alguma para coibir e barrar a entrada dessas atividades ilegais e ilícitas no território”, finaliza Marivelton Baré.
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Anfitriões Yanomami começam a receber turistas no Yaripo, o Pico da Neblina
Modelo de turismo de base comunitária propõe desenvolvimento sustentável na Amazônia com autonomia dos povos indígenas
Visitantes fazem imagens do Pico da Neblina antes de seguir para o cume, o mais alto do Brasil|Marcos Wesley/ISA
Na metade de abril deste ano, os turistas que participaram da expedição ao Yaripo – nome Yanomami para o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil – estavam quase finalizando o trajeto de dez dias em plena floresta amazônica. Exaustos, pararam no último alojamento para passar a noite e tiveram um jantar especial com cogumelos e palmito Xirãkomi embrulhados em folha de bananeira e assados na brasa, acompanhado de peixe fresco. O prato foi preparado pela cozinheira Lucilene Souza Pereira, indígena da etnia Yanomami, com os ingredientes encontrados ali mesmo, na mata.
Essa foi uma das surpresas vivenciadas pelo grupo que subiu o Yaripo, que significa Serra dos Ventos, numa das primeiras expedições após a reabertura ao turismo. Os anfitriões – ou os Teri këpë – do Yaripo guiaram os visitantes. E, para muitos dos turistas, esse é o grande diferencial do projeto: caminhar pela floresta ao lado dos Yanomami.
Essa expedição foi acompanhada pela jornalista Sônia Bridi e pelo repórter cinematográfico Paulo Zero, da Rede Globo, para reportagem sobre o Pico da Neblina e o povo Yanomami que foi ao ar neste domingo (01/05) no Fantástico. Em suas redes sociais, a jornalista falou do privilégio em escalar o pico e de aprender “com os donos da casa”. “Muito antes de os brancos enxergarem essa montanha e chamá-la de Pico da Neblina, os Yanomami já a conheciam: Yaripo, a morada da ventania”, escreveu.
Com cerca de 3 mil metros de altitude, o Yaripo está localizado em território indígena Yanomami, em área de sobreposição do Parque Nacional Pico da Neblina, no Amazonas. Para os Yanomami, é um local sagrado, morada dos espíritos.
Turistas chegam no início da trilha (porto do rio Irokae) após pernoite na comunidade Maturacá, rumo ao Yaripo|Marcos Wesley/ISA
O Projeto Yaripo - Ecoturismo Yanomami é de base comunitária e busca o protagonismo dos indígenas, tendo como objetivo gerar renda, proteger o território e fortalecer a cultura. A gestão é dos próprios indígenas, com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Fundação Nacional do Índio (Funai). Três operadoras atuam também em apoio aos indígenas: Amazon Emotions, Ambiental Turismo e Roraima Adventures.
Coordenador do Programa Rio Negro do ISA, Marcos Wesley de Oliveira participou da expedição no início de abril, sendo a terceira vez que completa o percurso. Ele considera que esse é um modelo de empreendedorismo indígena que visa à geração de renda por meio de atividade sustentável.
“Os Yanomami, com o projeto Yaripo, estão nos apontando um modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia que valoriza duas das suas principais riquezas: os povos indígenas e suas culturas; e a própria floresta, com rios, cachoeiras, pedras, flores, árvores e todas as paisagens. Ter a oportunidade de andar alguns dias com os Yanomami nos apresentando a floresta e se apresentando a nós é uma experiência transformadora”, disse.
Grupo reunido no porto Irokae, início da trilha para o topo do Pico da Neblina|Marcos Wesley/ISA
Presidente da Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca), José Mário Pereira Góes fez uma avaliação positiva do Projeto Yaripo após as duas primeiras expedições, com os indígenas atentos para a necessidade de ajustes. “Aqueles que estão envolvidos com o projeto estão vendo a realidade, que aquilo que pensávamos e sonhávamos está acontecendo. É um ponto positivo, agora acreditam que temos um projeto de ecoturismo Yanomami em funcionamento”, afirmou.
José Mário relembra que a reabertura do Pico Neblina ao turismo estava prevista para acontecer no início de 2020, mas foi adiada devido à pandemia. Depois disso, já em 2022, houve outro adiamento devido à variante Ômicron do novo coronavírus. Para participar da expedição, o turista precisa estar vacinado contra a Covid-19 e passar por testagem.
“O sonho do meu povo Yanomami está sendo realizado agora, está tendo resultado muito bom para dar suporte nas comunidades. Não é pensamento só de uma pessoa – é pensamento de todos. Várias reuniões e assembleias foram realizadas. É um projeto que não degrada a mata, o rio”, completou.
Visitantes
Vários dos visitantes que subiram o Pico da Neblina na reabertura para o turismo falaram que caminhar lado a lado com os Yanomami em meio à floresta Amazônica é uma experiência única. O administrador e empresário Oswaldo Toyofuku, de 69 anos, participou da expedição no início de abril e era o mais velho de seu grupo. Ele disse que fez viagens em várias partes do mundo, tendo inclusive subido até a base do Everest, mas, após ter a experiência do Yaripo e do contato com o povo Yanomami, decidiu conhecer mais o Brasil.
Acampamento Areal é o mais próximo ao Yaripo. De lá, no quinto dia, se ataca o cume|Marcos Wesley/ISA
Trabalhando e estudando desde os 13 anos de idade, ele conta que passou a se dedicar a subir montanhas quando viu todos os filhos criados. E vem cumprindo um ritual: faz uma “montanha” por ano, sendo que deixa o cabelo e a barba crescerem e só corta ao chegar ao seu destino. No caso do Yaripo, houve um componente especial, pois ele estava há três anos sem cortar o cabelo e a barba, já que precisou se recolher devido à pandemia. “Lá no cume do Pico da Neblina, cortei a barba e joguei para o lado da Venezuela. Depois cortei o cabelo e joguei para o lado do Brasil. Foi uma festa”, relatou. O Pico da Neblina fica na fronteira entre os dois países.
A médica Lilian Meissner, de 67 anos, também subiu o Yaripo. Ela sonhava em conhecer o Pico da Neblina desde a época do colégio, quando aprendeu sobre o ponto mais alto do país. Como sempre foi aventureira, fez expedições em várias partes do Brasil e em outras partes do mundo, com viagens ao Everest, Monte Roraima (RR) e Pedra da Gávea (RJ). “Essa foi a expedição mais desafiadora”, contou.
Para o jornalista Ivan Zumalde, de 43 anos, nessa expedição, o contato com o povo Yanomami é mais importante até mesmo que atingir o ponto mais alto do país. “A cultura indígena é maior que o pico em si”, resumiu. Ele participou da viagem como turista e não tinha intenção de escrever sobre o assunto. Mas ficou tão estimulado com a experiência que redigirá um artigo.
“Vendo que o projeto é realmente de base comunitária, isso me estimulou a escrever. Há negócios de impacto socioambiental atraindo investimentos. Mas esse projeto é totalmente diferente do que o mercado financeiro está enxergando. Quando eu vi, senti e vivi a realidade do povo Yanomami, eu percebi que não é preciso muito malabarismo. Precisa de gente trabalhando e fomentando isso, o povo Yanomami já está no protagonismo. Na verdade, é simples”, avaliou.
Jornalista Ivan Zumalde fotografa a expedição ao Yaripo, ponto mais alto do Brasil|Marcos Wesley/ISA
A empresária Katharina Brazil, de 46 anos, também se encantou com o povo Yanomami. Ela não é montanhista e está acostumada a outro tipo de aventura: o turismo em carro 4x4. Em suas viagens, já rodou quase todo o país e, mesmo com toda essa experiência, se surpreendeu com o Yaripo. “Foram os dias mais incríveis dessa minha descoberta do Brasil. A floresta é incrível e os Yanomami são muito o 'aqui o agora', o presente, a noção de tempo é diferente. Isso é aprendizado para quem vive na correria da cidade”, analisou a empresária.
Para o geólogo Luiz Antônio Pereira de Souza, de 65 anos, a viagem sem a presença dos Yanomami não teria graça. “Chegar ao ponto mais alto do Brasil é muito interessante, mas cruzar parte da Amazônia com os Yanomami e conversando com eles, conhecendo o que a gente pode comer no meio do mato, é uma experiência única. Estou na casa deles!”, celebrou.
Ovos de Inambú encontrados pelos Yanomami e que serviram para sua dieta alimentar|Marcos Wesley/ISA
O empresário suíço-brasileiro Hanspeter Gass, de 39 anos, vinha buscando informações sobre o Pico da Neblina desde 2008. Preparou-se para a primeira expedição, que seria em janeiro de 2020, mas o mundo foi surpreendido pela pandemia da Covid-19. Ele adiou a viagem e acabou participando da primeira expedição ao Pico da Neblina, em março de 2022. Chegou ao topo do Brasil em dia aberto, o que possibilitou que ele fizesse muitas fotos.
Ele elogia o acolhimento dos Yanomami e a trilha. “Minha rede rasgou no caminho e os Yanomami me emprestaram a rede deles. Ajudaram em tudo. Eu adorei a trilha, na minha opinião não precisa de pontes (sobre algumas áreas) ou conforto. Mas isso, é claro, vai depender do que os Yanomami querem”, afirmou. “Já fui a quase 100 lugares em expedições e posso dizer que essa foi uma experiência única que quase não existe mais no nosso planeta. A convivência com a selva foi intensa”, ressaltou.
Irokae, primeiro e último acampamento na caminhada até o ponto mais alto do Brasil|Marcos Wesley/ISA
Marcos Wesley, do ISA, explica que esse contato com os turistas é positivo também para os indígenas. “É importante que os não indígenas conheçam os Yanomami, sejam seus aliados. Esse contato reforça a pergunta sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para a Amazônia: é um desenvolvimento sustentável que valoriza os povos indígenas e a floresta ou é o desenvolvimento que está sendo incentivado hoje que destrói a floresta, que destrói os rios, que contamina a natureza, que invade Terra Indígena e causa caos humanitário? Diante das emergências climáticas, a resposta é só uma: a da economia sustentável. A gente tem que se posicionar hoje no Brasil diante das agressões que a floresta e os povos indígenas vêm sofrendo. E o projeto Yaripo nos inspira nesse sentido”, pontuou.
Sob o aspecto da proteção territorial, o ecoturismo se apresenta como alternativa ao garimpo. A data da segunda expedição ao Yaripo coincidiu com o lançamento pela Hutukara Associação Yanomami do relatório Yanomami Sob Ataque, que denuncia a crise humanitária provocada pelo garimpo em território Yanomami, mas em área localizada no estado de Roraima, onde o problema é mais grave.
Segundo o coordenador do Projeto Ecoturismo Yanomami Yaripo, Celso Lopes Góes, da etnia Yanomami, a comunidade está se mostrando satisfeita com o projeto. “É como se estivéssemos recebendo alguém de nossa família. A comunidade está se sentindo alegre vendo o turismo funcionar, com muito respeito dos visitantes, com geração de renda”, resumiu.
Yanomami descansam no trajeto de volta ao acampamento Areal|Marcos Wesley/ISA
E os indígenas que estão envolvidos diretamente na expedição também dizem que estão gostando da experiência. “Sempre tive vontade de conhecer a montanha porque minha avó contava dos caminhos do pico, com árvores de frutas como abiu, bacaba, pupunha. Eu fico cansada, mas estou acostumada a andar na floresta. Tenho experiência na comida dos brancos, tenho capacitação em culinária. E fiz de tudo: acompanhei, conversei, cuidei. Cantei junto com os visitantes!”, contou a cozinheira e agricultora Lucilene, que participou da expedição e ainda preparou as refeições do grupo, inclusive o jantar especial com cogumelos, palmito e peixe fresco.
Projeto
O Yaripo ou Pico da Neblina fica no território Yanomami, no Amazonas, em área de sobreposição com parque nacional sob gestão do ICMBio. Todo o processo para a construção do plano de visitação durou cerca de sete anos, envolvendo capacitação, reuniões e assembleias entre os agentes envolvidos. A primeira expedição após reabertura do turismo aconteceu de 20 a 29 de março. Já o segundo grupo subiu o Yaripo entre os dias 3 e 12 de abril.
Este ano, a previsão é que aconteça uma viagem por mês, respeitando o ritmo de trabalho dos Yanomami. Cada grupo tem até 10 turistas, que podem contratar Yanomami como apoio para carregamento das bagagens e alimentos. Os indígenas utilizam os jamaxis, cestos que são levados nas costas, para levar os materiais. O trajeto é considerado de montanha de alta dificuldade.
Área de charco no caminho do Pico da Neblina. Trajeto é considerado de montanha de alta dificuldade|Marcos Wesley/ISA
Para chegar ao Pico da Neblina, os turistas partem do município de São Gabriel da Cachoeira, no Noroeste do Amazonas, até a comunidade Yanomami de Maturacá, onde são recebidos e benzidos em ritual promovido pelos xamãs – lideres espirituais. Os visitantes ficam na sede da Ayrca até partirem rumo ao Pico da Neblina. O projeto não envolve etnoturismo, ou seja, os turistas não ficam em contato com a comunidade indígena.
Assessora do ISA para o Projeto Yaripo, Lana Rosa explica que o plano de visitação construído junto com os Yanomami prevê a implantação de turismo de base comunitária. Nesse tipo de proposta busca-se preservar a cultura e os modos de vida de comunidades, como indígenas, ribeirinhos ou quilombolas.
Um dos cuidados é a não interferência em atividades tradicionais. “No turismo de base comunitária, o cuidado não é só com o visitante, mas também com a comunidade tradicional. No caso dos Yanomami, alguns vão se dedicar a essa nova atividade, vão gerar renda a partir disso. Isso é importante, pois as comunidades costumam ser isoladas e com possibilidade limitada de renda. Mas é necessário cuidado para que eles não sejam afastados das atividades tradicionais, como a de fazer a roça”, explicou.
Coordenador do Programa Rio Negro do ISA, Marcos Wesley chega ao cume do Yaripo|Marcos Wesley/ISA
A técnica de turismo da Foirn, Tifane Máximo, da etnia Baré, informou que cerca de 80 indígenas Yanomami estão envolvidos diretamente no Projeto Yaripo. “Estamos fortalecendo o turismo de base comunitária para dar protagonismo ao povo Yanomami, os grandes guardiões de seu território. Como instituição, vamos dar o apoio necessário”, disse.
Dentro do projeto, os indígenas exercem funções de coordenação, guia, barqueiros, acompanhantes e cozinheiras. Eles recebem um valor pelo trabalho e, além disso, a cada expedição é destinado um montante para o fundo comunitário gerido pela Ayrca. Outra fonte de renda é a venda de produtos da agricultura indígena que são levados nas expedições. Também está entre os objetivos buscar o protagonismo das mulheres, inclusive com promoção de venda de artesanatos e participação no projeto da Associação das Mulheres Yanomami - Kumirayoma (Amyk).
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