Manchetes Socioambientais
As notícias mais relevantes para você formar sua opinião sobre a pauta socioambiental
“O encontro entre índios e brancos só se pode fazer nos termos de uma necessária aliança entre parceiros igualmente diferentes, de modo a podermos, juntos, deslocar o desequilíbrio perpétuo do mundo um pouco mais para frente, adiando assim o seu fim.”
Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo, um dos fundadores do ISA
O tema "Povos Indígenas" está na origem da existência do Instituto Socioambiental. Lá se vão pelo menos quatro décadas de comprometimento e trabalho com o tema, produzindo informações para a sociedade brasileira conhecer melhor seus povos originários. Desde sua fundação, em 1994, o ISA dá continuidade ao trabalho do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que havia sido iniciado em 1980 e que, por sua vez, remonta ao começo dos anos 1970, quando o então governo da ditadura militar lançava o Plano de Integração Nacional, com forte componente de obras de infraestrutura na Amazônia, região que era então descrita pelo discurso oficial como um "vazio demográfico".
Por meio dos relatos coletados, dados produzidos e pesquisas empreendidas por uma rede de colaboradores espalhada pelas diversas regiões do País, o Cedi ajudou a derrubar essa tese. Ao dar publicidade às informações levantadas por essa rede social do tempo do telex, o Cedi colocou, definitivamente, os povos indígenas e suas terras no mapa do Brasil. Seus integrantes ainda participaram ativamente no movimento de inclusão dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e, juntamente com integrantes do Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) e ativistas ambientais, fundaram o ISA em 1994.
De lá para cá, ampliando sua rede de colaboradores em todo o País, o ISA se consolidou como referência nacional e internacional na produção, análise e difusão de informações qualificadas sobre os povos indígenas no Brasil. O site "Povos Indígenas no Brasil", lançado em 1997, é a maior enciclopédia publicada sobre as etnias indígenas no Brasil, com suas línguas, modos de vida, expressões artísticas etc. O site é uma das principais referências sobre o tema para pesquisadores, jornalistas, estudantes e acadêmicos.
A atuação hoje é transversal aos territórios onde atuamos, especialmente na Bacia do Xingu, no Mato Grosso e Pará, e Bacia do Rio Negro, no Amazonas e Roraima, e também envolve povos indígenas de todo o Brasil, por meio da atualização permanente do site e de seus mais de 200 verbetes, inclusão de novos textos sobre etnias emergentes e indígenas recém-contatados, além do monitoramento e cobertura jornalística sobre situações de violência e perda de direitos contra estas populações. O tema "Povos Indígenas" ainda é tratado no site "PIB Mirim", voltado ao público infanto juvenil e de educadores.
O monitoramento de Terras Indígenas também é um eixo central do nosso trabalho com o tema, e remonta à sistematização de dados e divulgação de informações iniciada pelo Cedi em 1986, e se dá por meio da produção de livros impressos e mapas temáticos sobre pressões e ameaças, como desmatamento, mineração, garimpo, obras de infraestrutura, entre outras, além do site "Terras Indígenas no Brasil".
Confira os conteúdos produzidos sobre este tema:
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Em formato de enciclopédia, é considerado a principal referência sobre o tema no país e no mundo |
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A mais completa fonte de informações sobre o tema no país |
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Site especial voltado ao público infanto-juvenil e de educadores |
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Painel de indicadores de consolidação territorial para as Terras Indígenas |
Neste momento de dor, o ISA se solidariza com a família e amigos e reverencia o legado de sua obra
Foi com imensa tristeza que o Instituto Socioambiental (ISA) recebeu a notícia do falecimento de Rosa Gauditano, ocorrido em 7 de agosto de 2025, aos 70 anos. Rosa foi uma fotógrafa e ativista que dedicou parte de sua vida à luta pelos direitos das populações indígenas no Brasil.
Reconhecida parceira e aliada do movimento indígena, ela compareceu ao Encontro de Altamira, que reuniu mais de 600 lideranças indígenas em 1989, no Pará, e desde então dedicou-se a documentar a realidade de povos como os Karajá, Kayapó, Tukano, Yanomami, Xavante, Guarani e Pankararu.
Rosa também se destacou publicando livros como Índios: Os Primeiros Habitantes (1998), Raízes do Povo Xavante (2003) e Guaranis M'Byá na Cidade SP (2006), e escreveu crônicas para o jornal Público, nas quais alertava sobre a situação dos povos indígenas durante a pandemia de Covid-19.
O legado de Rosa Gauditano é uma contribuição fundamental para a memória visual e histórica do Brasil. Sua obra continuará a inspirar gerações de ativistas na luta pelos direitos dos povos indígenas.
Neste momento de dor, o ISA se solidariza com a família e amigos, em especial Camila Gauditano, ex-colaboradora do ISA, sua filha e atualmente supervisora do Centro de Pesquisa e Referência do Museu das Culturas Indígenas (MCI).
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Movimento indígena comemora a regularização dos territórios Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas, mas lamenta demora na decisão
Em evento no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (06/08), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os decretos de homologação das Terras Indígenas Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas ao lado da Ministra Sônia Guajajara, Joênia Wapichana, presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves Jenipapo Kanindé, e da Secretária de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ceiça Pitaguary.
Todas no estado do Ceará, as TIs somam 4.238 hectares e são territórios tradicionais dos povos Tremembé, Jenipapo-Kanindé e Pitaguary. Os processos de demarcação das áreas demoraram em média 25 anos para serem finalizados.
O anúncio aconteceu ao mesmo tempo em que ocorre, em Brasília, a IV Marcha das Mulheres Indígenas, realizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e foi recebido com celebração pelo movimento. Com as novas assinaturas, o terceiro mandato do presidente homologou 16 Terras Indígenas, e o Ministério da Justiça declarou os limites de dez áreas. No entanto, a cobrança pelo cumprimento da promessa feita por Lula de homologar o máximo de TIs possíveis durante o seu mandato, segue intensa.
Segundo Cacica Irê, do povo Jenipapo Kanindé, atual Secretária dos Povos Indígenas do Ceará, a homologação dessas áreas foi fruto da parceria e da articulação do estado junto a Funai e MPI. Em novembro de 2023, a Funai, o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepince) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica com o objetivo de realizar a demarcação física e o levantamento de benfeitorias instaladas por terceiros em quatro Terras Indígenas. Para além das áreas homologadas ontem, resta a homologação da Terra Indígena Tapeba, que também fazia parte do acordo. Para ela, a demarcação dessas TIs é muito significativa dentro de um estado que por tantos anos invizibilizou a presença desses povos.
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No Brasil existem 809 Terras Indígenas em diferentes estágios de reconhecimento. Dessas, 521 áreas já estão com o processo finalizado, sendo que o restante ainda está em alguma das etapas do processo de demarcação. São 265 TIs com processo em andamento na Funai, 65 delas, aguardam apenas a homologação pelo presidente Lula. No processo administrativo de demarcação de Terras Indígenas, a homologação pela presidência da República é um dos últimos passos, faltando apenas o registro no cartório.
"Essas demarcações sinalizam um avanço, mas o atual cenário é preocupante. São muitos retrocessos dos direitos indígenas, e o processo de demarcação vem sendo afetado com a aprovação da Lei do Marco Temporal", afirma Moreno Martins, coordenador do Programa Povos Indígenas no Brasil, do ISA.
No estado do Ceará, são 10 Terras Indígenas, totalizando agora cinco homologadas, uma declarada, uma delimitada, duas em estudo e uma Reserva Indígena em processo de regularização. A área total é de 21.648,00 hectares.
Contexto das três Terras Indígenas
A Terra Indígena Pitaguary, localizada nos municípios de Maracanaú e Pacatuba (CE) - zona metropolitana de Fortaleza, foi homologada com 1.731 hectares. Desde 2006, quando o MJSP assinou a Portaria Declaratória do território, o povo Pitaguary aguardava a conclusão do processo de demarcação, iniciado há 28 anos.
A luta pelo território é antiga, com registros de solicitações realizadas por lideranças do povo para que o governo tomasse providências contra os invasores do território ainda no século XIX. A TI Pitaguary teve o processo de demarcação física concluído em outubro de 2024, mas até esse marco, foi palco de muitos episódios de violência, entre eles, um ataque à Cacica Madalena, em 2018.
Do povo Jenipapo Kanindé, a Terra Indígena Lagoa Encantada, localizada em Aquiraz (CE), estava em processo de demarcação desde 1997 e aguardava a homologação há 14 anos. A área de 1.732 hectares, onde vivem 382 pessoas (IBGE, 2022), é casa da cacica Maria de Lourdes da Conceição Alves, a Cacica Pequena, tida como a primeira cacica mulher do país, uma referência da força feminina no movimento indígena.
Cacica Irê, filha de Cacica Pequena, reforçou a importância do movimento de mulheres nesse contexto. “Estamos muitos felizes em poder estar festejando um momento desses tão significativo na vida dos povos do Ceará dentro da nossa IV Marcha Nacional das Mulheres Indígenas”.
Comentou ainda sobre a necessidade da luta continuar pela homologação de outras TIs: "Nós temos fé e esperança que daqui para o final do ano o presidente Lula vai sancionar e homologar a Terra Indígena do povo Tapeba”, disse. “Afinal de contas, o povo Tapeba é muito merecedor de ter sua homologação do seu território, uma vez que foi o primeiro povo no estado do Ceará que fincou o pé e demarcou a luta dizendo 'nós existimos!', completou.
A lentidão do processo de demarcação se explica em parte por conta do conflito judicial envolvendo o Grupo Ypióca, que explorava recursos hídricos da Lagoa Encantada para irrigação de plantio de cana de açúcar. Uma filial ligada ao grupo recorreu judicialmente para anular o processo de demarcação. Em 2017, o Supremo Tribunal de Federal rejeitou recurso apresentado pela empresa e afirmou a validade do processo de demarcação.
Já no caso da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, localizada em Acaraú (CE), a espera para a conclusão do processo de demarcação chegou a 20 anos. Agora, o povo Tremembé espera a regulação de outras duas TIs com processo em andamento: Tremembé de Almofala e Tremembé do Engenho.
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Escrito em Baniwa, Nheengatu e português, obra editada pelo INPA alia o conhecimento tradicional dos Baniwa à pesquisa científica
Espécies de Aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro venceu nesta terça-feira (05/08), em São Paulo, o Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 no eixo Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia.
Publicado pela Editora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o livro é resultado de uma parceria entre pesquisadores do instituto e autores da comunidade Baniwa da aldeia de Nazaré, e contou com a colaboração do Instituto Socioambiental (ISA) e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) no município de São Gabriel da Cachoeira (AM).
O conteúdo reúne registros de 310 espécies de aves observadas na região do Rio Cubate, com informações detalhadas sobre nomes tradicionais, habitats, alimentação e comportamentos.
Escrito em Baniwa, Nheengatu e português, o livro alia o conhecimento tradicional dos Baniwa à pesquisa científica, e foi concebido desde o início como ferramenta para fortalecer o ensino nas escolas indígenas e a autonomia cultural das comunidades locais.
Para Dzoodzo Baniwa, educador, pesquisador, liderança indígena e um dos organizadores da obra, o livro atende a uma demanda da própria comunidade de Nazaré, que vislumbra o potencial do levantamento das aves para futuras iniciativas de ecoturismo.
Dzoodzo também destaca a importância do reconhecimento como um convite à comunidade científica a rever a forma histórica de produção de conhecimento, propondo a atualização de metodologias participativas e colaborativas que incluam as comunidades indígenas e/ou locais e seus saberes. “Receber o Prêmio Jabuti Acadêmico é reconhecer a importância da construção colaborativa do conhecimento científico intercultural baseado na valorização de saberes locais e conhecimentos científicos. Isso é o que o nosso livro traz”.
O projeto foi conduzido por meio de oficinas, expedições e deliberações comunitárias, com todas as decisões editoriais sendo aprovadas em assembleia na aldeia de Nazaré.
O livro não apenas registra a biodiversidade do Alto Rio Negro, mas também afirma a potência dos saberes indígenas como base legítima para a produção de conhecimento científico e a conservação ambiental.
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‘Uma Enciclopédia nos Trópicos: memórias de um socioambientalista’ vence o Jabuti Acadêmico 2025
A obra foi organizada por Dario Baniwa, Dzoodzo Baniwa, Damiel Legario Pedro, Estevão Fontes Olímpio, Gracilene Florentino Bittencourt, Camila Cherem Ribas, Fernando Mendonça d’Horta e Ramiro Dário Melinski.
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Lançado em 2024, livro destaca o legado de Beto Ricardo, fundador do ISA, e reúne memórias e documentos sobre a defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil
O livro Uma Enciclopédia nos Trópicos: memórias de um socioambientalista, de um dos fundadores do Instituto Socioambiental (ISA), o antropólogo Beto Ricardo, e do escritor e jornalista Ricardo Arnt, foi o vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais.
A cerimônia de premiação aconteceu nesta terça-feira (05/08), no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, e reuniu autores, editoras e representantes de instituições acadêmicas de todo o país. Carolina Ricardo, filha de Beto Ricardo, recebeu o prêmio ao lado de Ricardo Arnt e Ricardo Teperman, publisher da Zahar, selo do Grupo Companhia das Letras responsável pela publicação da obra.
Lançado em 2024 e organizado por Jurandir Craveiro, ex-presidente do ISA, o livro reúne reflexões, relatos e documentos essenciais da trajetória de Beto Ricardo e da organização. Jurandir destaca que relembrar histórias, orientar pesquisas e selecionar fotos e mapas não foi uma tarefa fácil para Beto, que enfrenta há alguns anos o Mal de Parkinson.
“Em 2021, ele pressentiu que, em algum momento, talvez não estivesse mais apto a levar adiante o projeto. Com os pés no chão e determinação, não hesitou em me pedir ajuda. Durante quase três anos, com o apoio da família, cuidadoras, amigos e companheiros do ISA, estive junto do Beto para que conseguisse nos contar a histórias da sua vida e suas lutas. Não sem sacrifício, com amor e paciência, ele concluiu a obra, deixando um legado inspirador”, afirmou.
O livro resgata momentos-chave da criação e consolidação do campo socioambiental no Brasil, revelando bastidores do movimento indigenista e destacando contribuições de figuras como Darcy e Berta Ribeiro, Davi Kopenawa, Lula, Marina Silva, Milton Nascimento e Gilberto Gil, entre outros.
Veja imagens históricas de Beto Ricardo que constam no livro:
Um dos marcos narrados é a criação do programa Povos Indígenas no Brasil, herança que o ISA recebeu do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e que reunia, sistematizava e divulgava informações cruciais sobre os povos indígenas em um período em que o Estado brasileiro insistia em negar sua existência. O programa criou à Enciclopédia “Pibão”, como ficou conhecida a base de dados pioneira, referência nacional e internacional e alicerce fundamental para o trabalho do ISA.
Com prefácio do escritor e ativista indígena Ailton Krenak e posfácio do jornalista Leão Serva, o livro encerra com o capítulo “O céu que nos protege”, onde Beto alerta para os efeitos da crise climática no Brasil. O texto enfatiza a urgência do protagonismo dos povos tradicionais e a valorização da sociobiodiversidade para a preservação da vida no planeta.
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Veja como foi a cerimônia:
Sobre os autores
CARLOS ALBERTO (“BETO”) RICARDO é antropólogo e ativista desde a resistência à ditadura militar no Brasil. Foi um dos fundadores do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), criou e editou a série Povos Indígenas no Brasil junto com Fany Ricardo, recebeu o prêmio Goldman de Meio Ambiente de 1992 e fundou diversas organizações, como o Instituto Socioambiental (ISA), o Instituto Atá e a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg).
RICARDO ARNT é jornalista e escritor. Foi editor da Folha de S. Paulo, do Jornal do Brasil, do Jornal Nacional da TV Globo, da TV Bandeirantes e das revistas Exame, Superinteressante e Planeta. É autor de vários livros, entre os quais O que é política nuclear (1983); Um artifício orgânico: Transição na Amazônia e ambientalismo (1992); Jânio Quadros: O Prometeu de Vila Maria (2004); e O que os economistas pensam sobre sustentabilidade (2010).
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Uma Enciclopédia nos Trópicos, Beto Ricardo, Ricardo Arnt
Número de páginas: 328
Preço: R$ 109,90 | E-book: R$ 44,90
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“A Rede Wayuri foi quem nos inspirou”, afirmou o comunicador indígena Tukumã Pataxó na abertura da rádio, criada pela Apib e Conaq
Na tarde da última sexta-feira, 1º de agosto, foi ao ar a primeira transmissão da Rádio Nacional dos Povos, diretamente do Estúdio Roça, na Universidade de Brasília (UnB). Comandada por comunicadores indígenas e quilombolas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), de diversas regiões do Brasil, a estreia marca um momento histórico de celebração da comunicação feita a partir dos territórios para os próprios territórios.
A Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas do Rio Negro, referência em comunicação indígena na Amazônia, esteve presente no evento, representada pelas comunicadoras Claudia Ferraz, do povo Wanano, e Nayra Sthefany, do povo Baniwa.
Claudia foi entrevistada ao vivo no programa Fala Comigo, Parente!, apresentado pelo ativista e comunicador indígena Tukumã Pataxó, que destacou a importância da rede como referência para outros coletivos. “A Rede Wayuri foi quem nos inspirou também com a comunicação, com o rádio, e a partir do significado do próprio nome: a comunicação como trabalho coletivo”.
Confira a transmissão de estreia completa aqui!
Durante a conversa, Claudia compartilhou a trajetória da Rede Wayuri e da Rádio Online Wayuri, que completará dois anos em novembro. “Nossa rádio nasceu da necessidade de levar informações importantes aos nossos quadrantes dentro do território. A gente sente muito orgulho porque são os próprios parentes comunicando, falando nas nossas línguas, com nosso jeito. Isso nos fortalece e aproxima”, afirmou Claudinha.
A transmissão contou ainda com a participação ao vivo do comunicador José Paulo, do povo Piratapuya, diretamente do estúdio da Rádio Online Wayuri em São Gabriel da Cachoeira (AM). José também destacou a força coletiva que sustenta essas iniciativas e celebrou a criação da nova emissora: “Estamos aqui para somar forças na construção da programação da Rádio dos Povos”.
Entre os convidados especiais, esteva também o presidente e sócio fundador do Instituto Socioambiental (ISA), Márcio Santilli, que foi entrevistado durante a programação pela dupla de apresentadores Nathalia Purificação (Conaq) e Yago Kaingang (Apib). Santilli ressaltou a importância da criação da Rádio Nacional dos Povos como uma representação de uma virada simbólica e prática na luta por visibilidade e pelo direito à palavra.
“É um momento histórico, de virada. Por isso fiz questão de vir aqui com vocês, escutar um pouquinho. É impressionante e emocionante. Vocês estão assumindo de frente esse processo de comunicação, de passar mensagem para todo mundo. A gente espera que seja um grande sucesso”, comentou.
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Para ouvir a Rádio Nacional dos Povos, basta acessar o link www.radionacionaldospovos.com.br ou baixar o aplicativo. A proposta da iniciativa é colocar no centro da conversa sobre o clima as vozes e experiências de povos que resistem há gerações aos impactos da destruição ambiental em seus territórios.
A programação será transmitida todas as sextas-feiras, das 14h às 17h, com um giro de notícias conduzido por comunicadores da Apib e da Conaq seguido de programas temáticos como Fala Comigo, Parente!, Mães em Movimento, Avós do Brasil e Tybyra, abordando maternidade, ancestralidade e vivências LGBTQIA+ nos territórios. Durante a semana, a programação segue com músicas, entrevistas, poesias e áudios históricos.
A Rádio Nacional dos Povos segue com chamada aberta para receber conteúdos colaborativos. Comunicadores, artistas e organizações de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais podem enviar áudios, músicas, podcasts e outros materiais. Basta preencher o formulário no site.
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Parceria entre o ISA e a ANMIGA, iniciativa fez parte da abertura da IV Marcha das Mulheres Indígenas
Em um marco histórico para a visibilidade e fortalecimento das mulheres indígenas no Brasil, foi lançado neste domingo (3/8) o "Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil". A cerimônia de lançamento ocorreu durante a abertura da IV Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, e incluiu a entrega simbólica do Mapa à deputada Célia Xakriabá.
O Mapa Interativo é uma ferramenta digital que pretende trazer visibilidade às diversas organizações e coletivos liderados por mulheres indígenas em todo o território nacional. Desenvolvido em uma plataforma dinâmica e interativa, ele permite a identificação das iniciativas por região, com dados como site e rede social de cada organização. A proposta é facilitar a conexão entre organizações, como forma de fortalecer a ação articulada de mulheres indígenas. Acesse aqui.
Fruto de uma parceria entre a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e o Instituto Socioambiental (ISA), o lançamento marca mais uma etapa no processo da construção coletiva do mapeamento de organizações de mulheres indígenas no país.
A primeira edição, lançada em 2020, havia identificado 92 organizações. A partir de um chamado da Anmiga e da parceria, a segunda edição, por sua vez, identificou 241 organizações, um aumento em duas vezes e meio do número de coletivos do gênero. Agora, o Mapa Interativo, permite uma atualização periódica e o acompanhamento do crescimento do associativismo de mulheres indígenas.
“Muitas organizações ficaram de fora quando imprimimos o mapa. Então, a gente conversou com o ISA e pensou em como resolver e tivemos a ideia de ter um mapa virtual, para que a gente possa atualizar esse mapa e cada vez mais as organizações de mulheres indígenas possam aparecer e se identificar, registrar as mulheres, a região, o estado”, explicou Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga.
“Além disso, a gente vai fazer com que esse mapa chegue a quem mais interessa, que são as mulheres indígenas. Qualquer mulher indígena que tenha acesso à internet poderá acessar esse mapa, poderá identificar a sua organização e organizações parceiras para articular, para poder fazer planos conjuntos, para se mobilizar a fortalecer a luta”, complementou Luma Prado, pesquisadora do ISA responsável por essa edição.
O lançamento do Mapa Interativo é um passo crucial para a consolidação da rede de mulheres indígenas no Brasil, que desempenham um papel fundamental na defesa de seus territórios, modos de vida, direitos e na luta contra todas as formas de violência. A plataforma servirá como um recurso valioso para pesquisa, para construção de políticas públicas e para inspirar novos coletivos de mulheres indígenas, defenderam durante o evento que também contou com uma exibição de um vídeo apresentando o mapa.
O material audiovisual, produzido pelas cineastas Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó, em parceria com a Rede Katahirine, traz o relato das mulheres indígenas e os coletivos dos quais representam. Com apresentação da ativista e comunicadora Sâmela Sateré-Mawé, o vídeo remonta o processo de construção do Mapa, com pesquisadoras da Anmiga e do ISA e a checagem dos dados no 19º Acampamento Terra Livre, em 2024.
ISA na IV Marcha das Mulheres Indígenas 2025
Somado ao lançamento do mapa, desde domingo é possível navegar pelo Mapa Interativo na tenda do ISA no “Espaço das Vozes Aliadas”. O ISA estará presente ao longo de toda a Marcha e da I Conferência das Mulheres Indígenas.
Além da navegação no Mapa Interativo, também estão sendo distribuídas a versão impressa do Mapa das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil 2024 e a publicação Cuidados e prevenção no enfrentamento à violência contra mulheres no Rio Negro, uma parceria entre o ISA, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), o Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e do projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-mundo.
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ISA lança edital para professores, Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas e mais uma série de conteúdos inéditos
Começa nesta sexta-feira (01/08), o Agosto Indígena, efeméride que marca o mês em que é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas (09/08). Para ampliar a valorização das lutas, diversidade cultural e a contribuição dos povos indígenas para a sociedade, o Instituto Socioambiental (ISA) promove um calendário repleto de lançamentos, atividades e conteúdos inéditos.
Entre os destaques estão o Edital Aldear a Educação Básica, que busca reconhecer e divulgar experiências no ensino de histórias, culturas e saberes indígenas nas salas de aula brasileiras; o Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas; e o podcast Floresta no Centro, para estimular escutas e trocas sobre territórios, culturas e resistências indígenas.
O dia 9 de agosto foi instituído como Dia Internacional dos Povos Indígenas pelas Nações Unidas em 1994 para celebrar a importância dos povos indígenas, seus saberes e unir esforços pela garantia aos direitos previstos na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos Indígenas.
Em 2024, o ISA marcou a efeméride com o lançamento do documentário Nosso modo de lutar, uma parceria com a Rede Katahirine, que explora a perspectiva de Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó, três cineastas mulheres indígenas, sobre o Acampamento Terra Livre (ATL).
Iniciativas como essas buscam reconhecer e valorizar a riqueza e pluralidade das culturas indígenas no Brasil, que somam 1,7 milhões de pessoas, de 278 povos indígenas diferentes e falantes de mais de 170 línguas.
Toda essa diversidade também se expressa na territorialidade: hoje são mais de 800 Terras Indígenas, presentes em todos os biomas brasileiros e unidades da federação. Grande parte dos indígenas, entretanto, vive em outros contextos territoriais, como cidades ou áreas ainda não demarcadas, na luta pelo direito à terra e à existência. Saiba mais.
Programação
Começando a celebração deste ano, nos dias 3 a 8 de agosto, o ISA acompanhará em Brasília a IV Marcha das Mulheres Indígenas, realizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) sob o tema “Nosso Corpo, Nosso Território: Somos as Guardiãs do Planeta Pela Cura na Terra”.
Com expectativa de reunir ao menos cinco mil pessoas, a Marcha será palco do lançamento do Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil, fruto de parceria entre a Anmiga e o ISA. Lançado em versão física em novembro de 2024, a partir do dia 3/8, será possível navegar online pelo mapa, que além das centenas de organizações, possui entre as suas camadas os seis biomas e as 809 Terras Indígenas em diferentes fases do procedimento demarcatório identificadas. O mapa, que agora contará com atualizações periódicas, já identificou 241 articulações do gênero por todo o país até o momento.
A Marcha deste ano também receberá a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, resultado de um acordo entre o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o Ministério das Mulheres (MMulheres) e a Anmiga, que acontece entre os dias 4 e 8 de agosto.
No dia 18, serão abertas as inscrições para o “Aldear a Educação Básica: Fortalecendo a Lei 11.645/08, por mais histórias, culturas e saberes indígenas nas salas de aula no Brasil”. Destinado a professores indígenas e não-indígenas, a iniciativa selecionará as dez experiências mais criativas e com maior potencial de impacto na comunidade escolar com o objetivo de valorizar ações educativas no ensino de histórias, culturas e saberes indígenas nas salas de aula brasileiras.
A iniciativa é uma realização do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígnea (FNEEI) e do ISA, com parceria do Instituto Alana, e busca fortalecer a aplicação da Lei nº 11.645/08, que determina o ensino de histórias e culturas afrobrasileiras, africanas e indígenas nas salas de aula da educação básica.
Com enfoque no ensino sobre povos indígenas, o edital busca combater o racismo, reconhecer a importância dos conhecimentos dos povos indígenas para o enfrentamento da crise climática e evidenciar histórias indígenas milenares até as mais recentes que têm lugar no território atualmente reconhecido como Brasil.
Irá ao ar também em agosto o episódio de lançamento do podcast “Floresta no Centro”. A produção busca transmitir e disseminar os saberes compartilhados nas rodas de conversa sediadas no espaço Floresta no Centro, a loja e espaço de eventos do ISA localizado no centro da capital paulista. O primeiro episódio da série traz a troca entre a professora e liderança Ehuana Yanomami e a psicóloga e escritora Geni Núñez, com a mediação e tradução da antropóloga indigenista Ana Maria Machado.
Além de outros conteúdos especiais nos canais do ISA, durante todo o mês, ou enquanto durarem os estoques, estará disponível na loja do ISA um kit com a publicação Povos Indígenas no Brasil 2017-2022 e uma camiseta sortida da sociobiodiversidade, pelo valor de R$130,00. Garanta já o seu kit no link.
Atuação do ISA
A ação dá sequência ao trabalho desenvolvido pelo Instituto Socioambiental desde sua criação, em 1994. Ao longo dos últimos 30 anos, o ISA vem trabalhando ao lado de comunidades, coletivos e organizações indígenas pela defesa da sociodiversidade dos povos e seus direitos garantidos pela Constituição Federal. Além da atuação com parceiros local e nacionalmente, o ISA é responsável pelas plataformas online Povos Indígenas no Brasil; Terras Indígenas no Brasil; além da série de livros Povos Indígenas no Brasil, e do monitoramento de Terras Indígenas com presença de povos indígenas isolados, o Sirad-I.
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Sobre a Anmiga
Articuladora da Marcha das Mulheres Indígenas e parceira na produção do mapa, a Anmiga é uma organização de mulheres originárias dos seis biomas do País – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Por meio de uma construção coletiva, elas buscam fortalecer a luta pelo bem viver e por seus territórios, a partir do protagonismo das mulheres e da valorização de seus saberes tradicionais.
Sobre o FNEEI
O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI) é um espaço de diálogo e articulação entre lideranças indígenas, educadores e o Estado, em defesa de uma educação escolar indígena específica, diferenciada e intercultural. Criado em 2015, o Fórum atua na promoção de políticas públicas que valorizem os saberes tradicionais, as línguas e os territórios indígenas, conforme previsto na Constituição e no Plano Nacional de Educação, reafirmando seu papel de resistência frente aos retrocessos nos direitos dos povos indígenas.
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Gelson deixa um legado marcado pelo diálogo e por uma incansável luta pelos direitos indígenas em Roraima
É com imenso pesar que o Instituto Socioambiental (ISA) recebe a notícia do falecimento de Gelson José Martins, liderança referência do povo Ingarikó.
Nascido na Serra do Sol, na década de 1970, Gelson dedicou sua vida à defesa de seu território e de sua cultura. Como presidente do Conselho do Povo Ingarikó e Tuxaua da Serra do Sol, sua liderança foi marcada pelo diálogo e por uma incansável luta pelos direitos indígenas.
Sua atuação foi decisiva na construção do Plano de Gestão do território Ingarikó e do Plano de Manejo do Parque Nacional do Monte Roraima, auxiliando na construção de ferramentas inovadores de gestão compartilhada.
Gelson deixa um legado de coragem, resistência e amor pela terra, que continuará a inspirar a todos que o conheceram. Sua partida representa uma enorme e irreparável perda para o movimento indígena de Roraima.
Em nota oficial, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) prestou condolências à família e à comunidade Ingarikó, valorizando o legado de liderança e resistência de Gelson.
O ISA se solidariza com a família, amigos e com todo o povo Ingarikó neste momento de dor e perda.
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Obra de Beto Ricardo, um dos fundadores do ISA, e Ricardo Arnt navega pelas memórias do socioambientalismo no Brasil
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou nesta semana os finalistas da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico em 26 categorias. Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais está a obra “Uma Enciclopédia nos Trópicos”, de Beto Ricardo, antropólogo e um dos fundadores do Instituto Socioambiental (ISA), e do jornalista e escritor Ricardo Arnt.
Figura central do movimento indigenista, Beto Ricardo foi corresponsável por ações fundamentais na defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil e pela conservação do meio ambiente.
O livro, lançado em 2024 pela Zahar, selo da Cia das Letras, traz parte das histórias do movimento socioambiental no país, contadas a partir das memórias de Beto.
Um dos marcos narrados é a criação do programa Povos Indígenas no Brasil, herança que o ISA recebeu do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e que reunia, sistematizava e divulgava informações cruciais sobre os povos indígenas em um período em que o Estado brasileiro insistia em negar sua existência.
O programa criou a Enciclopédia “Pibão”, como ficou conhecida a base de dados pioneira, referência nacional e internacional e alicerce fundamental para o trabalho do ISA.
A obra relembra este e outros marcos históricos de sua atuação, além dos caminhos que levaram à criação do ISA. O livro, que contém 18 capítulos, traz prefácio do escritor e ativista indígena Ailton Krenak e posfácio do jornalista Leão Serva.
A cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti será realizada no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP).
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Primeira oficina do Ciclo de Estudos Interculturais conecta políticas climáticas globais e nacionais às realidades indígenas, com foco em carbono, governança e justiça climática na Amazônia
Em ano de Conferência do Clima na Amazônia (COP 30), os povos indígenas fortalecem o diálogo intercultural sobre aspectos da governança climática global, geopolítica, economia e política de modo que temas como regulamentação do mercado de carbono e pagamento por serviços ambientais possam ser objeto de debate e reflexão de forma democrática, inclusiva e pé no chão junto às comunidades no Amazonas.
Estabelecer conexões entre o pensamento indígena e as estratégias de mitigação e adaptação às alterações climáticas previstas no âmbito das negociações internacionais, também foi um dos objetivos do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas, iniciado com a primeira oficina presencial realizada na Casa do Saber, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), entre os dias 10 e 13 de junho.
Com organização do Programa Rio Negro, do Instituto Socioambiental (ISA) e apoio do Banco Mundial, o evento contou com 42 lideranças de cerca de 15 etnias do Rio Negro, como Baré, Baniwa, Desana, Tariana, Tuyuka, Tukano, Piratapuia, Koripako e Wanano. Os participantes debateram e refletiram sobre aspectos da ciência do clima, das políticas, leis internacionais e nacionais implementadas sobre o assunto, como a regulamentação do mercado de carbono, com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
A governança climática global e seus impactos nos territórios indígenas e nas políticas públicas existentes, como a Política Nacional de Gestão Territorial em Territórios Indígenas (PNGATI), é tema fundamental para as lideranças indígenas rionegrinas que habitam uma região com 23 milhões de hectares de floresta amazônica preservada, com 12 Terras Indígenas, na área de abrangência da governança territorial da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
A oficina contou com a presença da advogada especialista em Direito Socioambiental, Fernanda Rotta, da Rotta e Moro Sociedade de Advogados, para introduzir os aspectos jurídicos das políticas do clima, como a recém sancionada Lei 15.042 (Lei do Carbono), mecanismos de REDD + e REDD+ Jurisdicional - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal -, assim como os direitos dos indígenas como titulares dos créditos de carbono em seus territórios.
A importância das salvaguardas socioambientais (salvaguardas de Cancún) e da aplicação dos Protocolos de Consulta para consulta livre, prévia e informada (CLPI) junto às comunidades em casos de desenvolvimento de projetos também foi trabalhada no Ciclo pelos participantes, que contaram com um encontro entre advogados (indígena e não indígena) para refletir sobre temas ligados à autonomia indígena, autodeterminação e soberania em seus territórios e modos de vida, com a participação do advogado Adriano Oliveira, do povo Tukano.
A equipe do Programa Rio Negro do ISA também conduziu apresentações sobre os efeitos dos Gases do Efeito Estufa (GEE), sobre o Ciclo do Carbono e a interferência antropogênica no equilíbrio climático da Terra, assim como tópicos relacionacionados às negociações no âmbito da UNFCCC (Convenção do Clima da ONU), sua criação na Eco 92 e principais desafios e conquistas, como o Acordo de Paris. Pontos de atenção sobre violações de direitos, fraudes e a chamada maquiagem verde também foram abordados, assim como a necessidade de se valorizar os princípios éticos estabelecidos nas negociações climáticas globais, como os estabelecidos pela Unesco, em 2017.
Durante quatro dias, os diálogos interculturais contaram também com apresentações dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (Aimas) e dos conhecedores indígenas, assim chamados os guardiões dos saberes ancestrais da cosmovisão indígena, entre eles Arlindo Maia Tukano e Januário Bastos Alves Tuyuka, ambos da Terra Indígena Alto Rio Negro, moradores dos Rios Uaupés e Tiquié. O papel dos Aimas, que formam uma rede de pesquisadores indígenas na Bacia do Rio Negro, foi ressaltado pelos participantes do Ciclo de Estudos como de fundamental importância para o presente e futuro da Amazônia em tempos de mudanças climáticas.
A próxima oficina presencial do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas no Rio Negro ocorrerá entre os dias 15 e 18 de julho, na Casa do Saber, na sede da Foirn, em São Gabriel da Cachoeira, com o objetivo de aprofundar o tema de pagamento por serviços ambientais, serviços ecossistêmicos e estratégias indígenas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, além da articulação dos povos indígenas do Rio Negro para a COP 30, em Belém, considerando aspectos ligados à gênero, raça e direitos da juventude.
Chega de destruição
Adolescentes indígenas e não indígenas, estudantes do Colégio Estadual São Gabriel, localizado no centro do município, apresentaram para os participantes do Ciclo de Estudos, trabalhos feitos em sala de aula sobre o aquecimento global, suas causas, consequências e ações possíveis para enfrentar o problema. Preocupados com o futuro que terão em um planeta mais quente, os alunos amazonenses demonstraram seu engajamento e compromisso com o meio ambiente, levantando a necessidade de cuidar urgentemente das florestas, dos rios e melhorar as condições de vida nas cidades amazônicas.
“Chega de destruição e de lixo nos nossos igarapés. A gente tem que respeitar a natureza e não maltratar quem nos dá a vida”, disse uma aluna na apresentação.
O intercâmbio entre o Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas com os alunos adolescentes do colégio São Gabriel continuará na segunda oficina, com acompanhamento do professor de Ciências, Benedito Melgueiro Ribeiro, do povo Baré.
Ficha técnica do Ciclo de Estudos Interculturais em Políticas Climáticas do Rio Negro | Oficina de 10 a 13 de junho:
Organização: Juliana Radler
Produção: Michelle Machado Tukano, Juliana Radler e Wizer Oliveira Baré
Conselho Intercultural e articulação com rede de Aimas: Arlindo Maia Tukano, Aloisio Cabalzar e Danilo Bruxellas Parra
Assessoria Jurídica: Fernanda Rotta (Rotta e Moro Sociedade de Advogados) e Adriano Oliveira Tukano
Assessoria técnica em Gestão e Cadeias Produtivas: Ana Letícia Pastore
Mediação: Michelle Machado Tukano e Juliana Radler
Logística: Antônio Gabriel Silva, Claudino Amorim e Wizer Almeida Baré
Alimentação: Rosemira Lizardo, Marlene Albino e Valéria Guerra
Apoio na articulação com comunidades: Adelina Sampaio Desana
Elaboração de conteúdos para a oficina (slides, apostila e materiais de apoio): Ana Letícia Pastore, Aloisio Cabalzar, Arlindo Maia Tukano, Fernanda Rotta e Juliana Radler
Relatoria do evento e gravação em áudio dos conteúdos: Inês Mexia
Participantes:
Diretoria da Foirn: Dario Casimiro Baniwa (presidente), Hélio Gessém Monteiro Lopes Tukano, Carlos Neri Piratapuia e Edison Cordeiro Gomes Baré.
Lideranças das Coordenadorias: Coordenadoria das Associações Indígenas do Baixo e Médio Rio Negro (Caimbrn): Adilson da Silva Joanico, Lilian Gabriela Caldas de Assis Koripako e Pedro Vaz Pena; - Coordenadoria das Associações Indígenas do Balaio, Xié e Alto Rio Negro (Caibarnx): Adelina de Assis Sampaio Veloso, José Baltazar, Edmundo Gomes Alemão e Lucilene Veloso; Coordenadoria das Associações Indígenas do Distrito de Iauaretê (Coidi): Gustavo Cordeiro Trindade, Miriam Sirlene Marques Dias e Grazielly Prado Rodrigues, Almerinda Ramos de Lima; Coordenadoria Diawii (rios Uaupés e Tiquié): Francicleno dos Santos Brandão, Anunciata Rezende Marques e Maria Suzana Menezes Miguel e Coordenadoria Nadzoeri (rios Içana e Ayari): Ronaldo Apolinário, Francinaldo Farias, Walter Lopes da Silva e Bonifácio José
Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs): Milena Joaquim, Araújo Lourenço Amâncio, Edécio Marques Meira, Ezequias da Costa Pereira, Milton Sanches Velasque, Damião Barbosa, Ismael Pimentel dos Santos (Piaba) e Roberval Pedrosa.
Comunicadores da Rede Wayuri: Claudia Ferraz Wanano e João Paulo Piratapuia.
Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (Dmirn): Cleocimara Gomes Piratapuia
Departamento de Adolescentes e Jovens do Rio Negro (Dajirn): Jucimery Garcia Tariano
Assessoria Jurídica da Foirn: Adriano Oliveira Tukano
Conhecedores indígenas: Arlindo Maia Tukano, Januário Bastos Alves Tuyuka e Raimundo Rezende Tuyuka
Equipe do ISA: Andréia Damasceno, Aloisio Cabalzar, Ana Letícia Pastore, Dulce Morais, Danilo Bruxellas Parra, Juliana Radler e Petra Caldas
Convidada da Academia: Juliana Lins Góes de Carvalho, doutoranda da Universidade Radboud, Holanda
Rotta Moro Advogados: Fernanda Rotta
Instituições convidadas - FUNAI - CR Rio Negro: Maria do Rosário Martins (Dadá Baniwa) e Denivaldo Cruz da Silva, ICMBIO (São Gabriel da Cachoeira): Maria Janete Pena Ramos; Tribunal de Justiça do Amazonas (São Gabriel da Cachoeira) - juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes.
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