“Nosso Modo de Lutar” chega a Belém no dia 22/08, às 20h, como parte da Mostra Ecofalante Pará. O curta-metragem traz o olhar de Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó sobre a diversidade na luta e resistência entre os povos indígenas, a partir de filmagens de um dos principais espaços de mobilização indígena do país na atualidade, o Acampamento Terra Livre (ATL). A exibição será no Cine Líbero Luxardo, com entrada gratuita.
Realizada em Belém pela segunda vez consecutiva, a Mostra Ecofalante Pará é reconhecida como o mais importante festival sul-americano para o audiovisual socioambiental. A edição deste ano exibirá 45 filmes, entre 20 de agosto e 3 de setembro, com destaque para a participação feminina.
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Cartaz de divulgação do "Nosso Modo de Lutar" na Mostra Ecofalante Pará
O curta-metragem “Nosso Modo de Lutar” é fruto de uma parceria entre o Instituto Socioambiental (ISA) e a Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas, a Katahirine. Sua gravação aconteceu em abril de 2024, durante a 20ª edição do Acampamento, com um enfoque especial à atuação das mulheres na mobilização. Dos 50 entrevistados, elas são a maioria e explicam os saberes dos cantos, das comidas, das pinturas, passados de geração a geração.
Para conferir a programação completa da Mostra Ecofalante Pará acesse https://ecofalante.org.br/programacao. Todas as sessões e debates têm entrada franca e ocorrerão no Cine Líbero Luxardo e no Sesc Ver-o-Peso.
Serviço
Exibição do documentário “Nosso Modo de Lutar” na Mostra Ecofalante Pará
Dia 22, às 20h
Cine Líbero Luxardo
Entrada gratuita.
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Mais de cinco mil mulheres indígenas entregam carta ao governo em marcha histórica em Brasília
Documento construído coletivamente reforça a luta pela demarcação de suas terras, pela justiça climática e pelo fim das violências contra mulheres indígenas
Na última semana, a IV Marcha das Mulheres Indígenas levou os cantos, danças e reivindicações de cerca de 5 mil mulheres indígenas, de mais de 100 povos, às ruas de Brasília. Organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), a Marcha é realizada a cada dois anos, e reúne mulheres indígenas de todos os biomas do país para debater pautas como a demarcação de seus territórios, violência contra a mulher indígena, saúde, educação e bem-viver.
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Uma das pautas prioritárias na Marcha foi o veto total do presidente Lula ao Projeto de Lei nº2159/21, conhecido como ‘PL da Devastação’|Mariana Soares/ISA
A caminhada em direção à Praça dos Três Poderes terminou com um uma sessão solene em homenagem à IV Marcha das Mulheres Indígenas, no plenário da Câmara dos Deputados, onde ocorreu a entrega ao Congresso Nacional da Carta dos Corpos-Territórios em Defesa da Vida.
"Para nós, mulheres, é sempre um grande desafio oportunizar esse grande encontro, mas principalmente, esse grande debate que nós, mulheres indígenas, fazemos acerca dos temas que são prioritários para nós e que queremos trazer a Brasília para a gente poder ecoar as nossas vozes, ecoar os nossos desejos, mas ecoar também a defesa dos nossos direitos" , afirmou Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga, na plenária.
Na ocasião, a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, destacou a importância do momento: “Estar hoje no Congresso Nacional é reafirmar direitos e também as nossas capacidades”. Ela lembrou ainda as mudanças no cenário político nos últimos três anos, fruto da luta indígena.
Veta, Lula!
Na plenária e nas ruas, o grito “veta, Lula” fortalecia o protesto das mulheres pelo veto à ao Projeto de Lei nº 2159/21, conhecido como PL da Devastação, que coloca em risco a proteção ambiental de seus territórios.
“Esse PL vai causar um grande dano à nossa vida, à nossa saúde, mudando os nossos modos de viver. Porque nós, pajés, vivemos de oração, de cura, das ervas medicinais que ali se encontram e para nós isso é indispensável. Nós protegemos as nossas matas, nós não derrubamos mata em pé.”, lamentou a Pajé Analice Tuxá, do povo Tuxá, em repúdio ao PL.
Ainda na sexta-feira (08/08), o presidente Lula assinou o veto parcial, excluindo 63 dos 400 dispositivos da lei. Agora, o projeto volta ao Congresso, que pode aprovar ainda a derrubada dos vetos.
Uma das principais pautas anunciadas na mobilização foi a ampliação no número de mulheres indígenas eleitas no pleito do próximo ano. Atualmente, o Congresso Nacional conta com apenas duas representantes da Bancada do Cocar: Célia Xakriabá e Juliana Cardoso.
"Nós iremos eleger dez deputadas federais para enfrentar a bancada que mais tem atacado o direito dos povos indígenas. Vamos aldear a política e replantar nossas vozes", bradou Célia Xakriabá, durante sessão solene no plenário.
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Lideranças indígenas durante sessão solene em homenagem à IV Marcha das Mulheres Indígenas na Câmara dos Deputados|André Corrêa / MPI
Carta final
A leitura da carta final da IV Marcha das Mulheres Indígenas, “Carta dos Corpos-Territórios em Defesa da Vida”, aconteceu na noite da quinta-feira, e contou com uma apresentação da rapper MC Anarandá, do povo Guarani Kaiowá e um desfile ancestral. “Somos guardiãs do planeta pela cura da terra. Nosso corpo é território. É terra, é água, é semente. E pela força do que somos, vamos transformar o mundo. Estamos em Marcha e caminharemos sempre pelo bem-viver”, afirma o documento.
Conferência histórica e a construção coletiva de políticas públicas
A IV Marcha também foi palco da 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Realizada entre os dias 4 e 6 de agosto, a Conferência é fruto de uma parceria da Anmiga com os Ministérios dos Povos Indígenas e das Mulheres e integrou a programação da semana.
“Essa conferência nos deu a oportunidade de colocar na mesa do governo federal as propostas prioritárias nos eixos de saúde, educação, emergência climática, defesa dos nossos corpos e gestão ambiental e territorial”, avaliou Joziléia Kaingang.
Ao longo do evento, grupos de trabalho se debruçaram em discussões acerca de cinco eixos temáticos: Direito e Gestão Territorial; Emergência Climática; Políticas Públicas e Violência de Gênero; Saúde; e Educação e a Transmissão de Saberes Ancestrais para o Bem Viver.
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A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, fala sobre as sete etapas regionais da Conferência das Mulheres Indígenas|Mariana Soares/ISA
Ao fim das discussões, foram priorizadas 49 propostas que integraram o Caderno de Resoluções da Conferência, entregue às ministras Sonia Guajajara e Márcia Lopes em cerimônia de encerramento. O Caderno intitulado “Carta Pela Vida e Pelos Corpos-Territórios: “Nosso corpo é território! Somos as guardiãs do planeta pela cura da terra!”, foi resultado de um processo iniciado nas sete etapas regionais e concluído na Conferência.
Na cerimônia de encerramento, foi anunciada a assinatura de uma portaria que instaura um Grupo de Trabalho responsável por consolidar as propostas trazidas no Caderno de Resoluções a fim de estabelecer a normativa da Política Nacional para Mulheres Indígenas (PNMI), também anunciada durante o evento. O GT recém instaurado terá caráter interministerial e colaborativo, reunindo diferentes atores como órgãos do governo, lideranças indígenas e representantes da sociedade civil.
A criação do Prêmio Nega Pataxó também foi oficializada na ocasião. Uma homenagem à pajé Maria de Fátima Muniz Andrade, conhecida como Nega Pataxó, do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, o programa tem como objetivo o fortalecimento da autonomia, da participação política e da proteção integral das mulheres indígena.
Além disso, também foi anunciada a criação do Prêmio Mre Gavião, para comunicadores indígenas, em homenagem a Mre Gavião, fotógrafo e servidor do MPI que faleceu neste ano. Por fim, foi anunciada a reestruturação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) pela presidenta Joenia Wapichana, que se comprometeu a lutar por um orçamento digno para apoiar as necessidades específicas das mulheres indígenas.
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Cerimônia de homologação das TIs no Ceará assinadas pelo presidente Lula contou com a presença de lideranças indígenas|Ricardo Stuckert/PR
Juliana Alves, conhecida como Cacika Irê, do povo Jenipapo Kanindé e atual Secretária dos Povos Indígenas do Ceará, celebrou a decisão durante a Marcha. “Ontem (06/08) foi um dia significativo, foi um dia muito festivo, nós estamos muito felizes em poder estar festejando um momento desse tão significativo na vida dos povos do estado do Ceará, dentro da nossa IV Marcha”.
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Ouça! Encontro entre Geni Núñez e Ehuana Yanomami abre podcast 'Floresta no Centro', do ISA
Episódio gravado celebra trajetórias e apresenta histórias de resistência no campo das artes, do ativismo, da espiritualidade e da escrita
Ehuana Yanomami, liderança da Terra Indígena Yanomami, conversou com a psicóloga e escritora guarani Geni Núñez em São Paulo|Claudio Tavares/ISA
O Instituto Socioambiental (ISA) lança o podcast “Floresta no Centro”, para estimular escutas e trocas sobre territórios, culturas e resistências. Os episódios são gravados em eventos realizados na Floresta no Centro, espaço do ISA na Galeria Metrópole, na capital paulista, que apresenta saberes de comunidades do Xingu, Rio Negro e Vale do Ribeira por meio de itens tradicionais, exposições, encontros e publicações da organização e de parceiros para visitantes.
Na estreia, as trajetórias de Ehuana Yanomami, professora, pesquisadora, artista plástica e liderança do povo Yanomami, e Gení Núñez, psicóloga, escritora, pesquisadora e ativista guarani, se fundem em uma conversa exclusiva, densa e sensível, mediada por Ana Maria Machado, tradutora de línguas e de mundos, antropóloga e indigenista com mais de uma década de atuação junto ao povo Yanomami.
Durante o episódio, Ehuana compartilha durante sua fala seus sentimentos ao visitar a Aldeia Guarani Kalipety, na Terra Indígena Tenondé Porã, em São Paulo. Segundo ela, foi a primeira vez que ela esteve em um território Guarani.
“Eu vi como eles fortalecem suas roças, valorizam os próprios alimentos [...] e fiquei muito feliz com tudo aquilo. Eles são também Yanomami, são indígenas. Temos os mesmos olhos e a mesma pele”, disse. “Mesmo que São Paulo cerque seus territórios, e eles sofram com isso, ao mesmo tempo, eles se mantêm fortes, mantêm suas línguas, escrevem e foi muito bom ver como eles fizeram a retomada. Os Guarani são muito fortes”, finalizou.
O episódio atravessa temas como território, espiritualidade, cuidado, linguagem e ancestralidade – da floresta ao centro urbano, do corpo à escrita.
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Da esquerda para direita: Gení Núñez, Ehuana Yanomami e Ana Maria Machado|Claudio Tavares/ISA
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Gení e Ehuana conversaram sobre suas trajetórias e os pontos de intersecção de suas culturas|Claudio Tavares/ISA
Durante a conversa, Gení Núñez ressalta como o modo de vida tradicional é uma forma de resistência e barreira contra a colonização, que mantêm o povo Guarani vivo.
“Muitas vezes o nosso povo é descrito como um povo pacífico e isso é traduzido como se nós fossemos muito obedientes ou muito em sintonia com esse processo colonial, mas isso esconde a resistência do nosso povo, porque mesmo depois de tantos séculos, a gente tem orgulho em dizer que há parentes que não falam nenhuma palavra em português”, disse.
“Esse movimento de manter a língua, os costumes, o modo de vida tradicional, ele segue tendo a espiritualidade no centro”, explicou.
Gení homenageia Ehuana com um poema, que pode ser conferido na íntegra na sua plataforma de áudio favorita.
Gravado durante os eventos realizados no Espaço Floresta do Centro (https://loja.socioambiental.org/), em São Paulo, o podcast é uma realização do Instituto Socioambiental (ISA) e faz parte de um esforço coletivo para amplificar vozes originárias e tradicionais.
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Entre os presentes, estava a fotógrafa Nair Benedicto, que compareceu para escutar Gení Núñez e Ehuana Yanomami no centro de São Paulo|Claudio Tavares/ISA
O podcast Floresta no Centro tem apoio da Fundação Rainforest da Noruega.
Créditos
Identidade visual: Cama Leão
Captação de áudio, identidade sonora e edição: Voz Ativa Produções
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Nota de pesar pelo falecimento de Rosa Gauditano, fotógrafa e defensora dos direitos indígenas
Neste momento de dor, o ISA se solidariza com a família e amigos e reverencia o legado de sua obra
Rosa Gauditano na comunidade São Domingos, Foz do Cabari, alto Tiquié (AM)|Flora Cabalzar/ISA
Foi com imensa tristeza que o Instituto Socioambiental (ISA) recebeu a notícia do falecimento de Rosa Gauditano, ocorrido em 7 de agosto de 2025, aos 70 anos. Rosa foi uma fotógrafa e ativista que dedicou parte de sua vida à luta pelos direitos das populações indígenas no Brasil.
Reconhecida parceira e aliada do movimento indígena, ela compareceu ao Encontro de Altamira, que reuniu mais de 600 lideranças indígenas em 1989, no Pará, e desde então dedicou-se a documentar a realidade de povos como os Karajá, Kayapó, Tukano, Yanomami, Xavante, Guarani e Pankararu.
Rosa também se destacou publicando livros como Índios: Os Primeiros Habitantes (1998), Raízes do Povo Xavante (2003) e Guaranis M'Byá na Cidade SP (2006), e escreveu crônicas para o jornal Público, nas quais alertava sobre a situação dos povos indígenas durante a pandemia de Covid-19.
O legado de Rosa Gauditano é uma contribuição fundamental para a memória visual e histórica do Brasil. Sua obra continuará a inspirar gerações de ativistas na luta pelos direitos dos povos indígenas.
Neste momento de dor, o ISA se solidariza com a família e amigos, em especial Camila Gauditano, ex-colaboradora do ISA, sua filha e atualmente supervisora do Centro de Pesquisa e Referência do Museu das Culturas Indígenas (MCI).
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Amanhecer na lagoa Piyulaga, do povo Waurá, Parque Indígena do Xingu, 2005|Rosa Gauditano/Studio R
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Lula homologa três Terras Indígenas no Ceará durante a Marcha das Mulheres Indígenas
Movimento indígena comemora a regularização dos territórios Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas, mas lamenta demora na decisão
Em evento no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (06/08), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou os decretos de homologação das Terras Indígenas Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas ao lado da Ministra Sônia Guajajara, Joênia Wapichana, presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves Jenipapo Kanindé, e da Secretária de Gestão Ambiental e Territorial Indígena do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ceiça Pitaguary.
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A assinatura dos decretos aconteceu no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (06/08) com a presença de lideranças indígenas|Ricardo Stuckert/PR
Todas no estado do Ceará, as TIs somam 4.238 hectares e são territórios tradicionais dos povos Tremembé, Jenipapo-Kanindé e Pitaguary. Os processos de demarcação das áreas demoraram em média 25 anos para serem finalizados.
O anúncio aconteceu ao mesmo tempo em que ocorre, em Brasília, a IV Marcha das Mulheres Indígenas, realizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e foi recebido com celebração pelo movimento. Com as novas assinaturas, o terceiro mandato do presidente homologou 16 Terras Indígenas, e o Ministério da Justiça declarou os limites de dez áreas. No entanto, a cobrança pelo cumprimento da promessa feita por Lula de homologar o máximo de TIs possíveis durante o seu mandato, segue intensa.
Segundo Cacica Irê, do povo Jenipapo Kanindé, atual Secretária dos Povos Indígenas do Ceará, a homologação dessas áreas foi fruto da parceria e da articulação do estado junto a Funai e MPI. Em novembro de 2023, a Funai, o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepince) assinaram um Acordo de Cooperação Técnica com o objetivo de realizar a demarcação física e o levantamento de benfeitorias instaladas por terceiros em quatro Terras Indígenas. Para além das áreas homologadas ontem, resta a homologação da Terra Indígena Tapeba, que também fazia parte do acordo. Para ela, a demarcação dessas TIs é muito significativa dentro de um estado que por tantos anos invizibilizou a presença desses povos.
No Brasil existem 809 Terras Indígenas em diferentes estágios de reconhecimento. Dessas, 521 áreas já estão com o processo finalizado, sendo que o restante ainda está em alguma das etapas do processo de demarcação. São 265 TIs com processo em andamento na Funai, 65 delas, aguardam apenas a homologação pelo presidente Lula. No processo administrativo de demarcação de Terras Indígenas, a homologação pela presidência da República é um dos últimos passos, faltando apenas o registro no cartório.
"Essas demarcações sinalizam um avanço, mas o atual cenário é preocupante. São muitos retrocessos dos direitos indígenas, e o processo de demarcação vem sendo afetado com a aprovação da Lei do Marco Temporal", afirma Moreno Martins, coordenador do Programa Povos Indígenas no Brasil, do ISA.
No estado do Ceará, são 10 Terras Indígenas, totalizando agora cinco homologadas, uma declarada, uma delimitada, duas em estudo e uma Reserva Indígena em processo de regularização. A área total é de 21.648,00 hectares.
Contexto das três Terras Indígenas
A Terra Indígena Pitaguary, localizada nos municípios de Maracanaú e Pacatuba (CE) - zona metropolitana de Fortaleza, foi homologada com 1.731 hectares. Desde 2006, quando o MJSP assinou a Portaria Declaratória do território, o povo Pitaguary aguardava a conclusão do processo de demarcação, iniciado há 28 anos.
A luta pelo território é antiga, com registros de solicitações realizadas por lideranças do povo para que o governo tomasse providências contra os invasores do território ainda no século XIX. A TI Pitaguary teve o processo de demarcação física concluído em outubro de 2024, mas até esse marco, foi palco de muitos episódios de violência, entre eles, um ataque à Cacica Madalena, em 2018.
Do povo Jenipapo Kanindé, a Terra Indígena Lagoa Encantada, localizada em Aquiraz (CE), estava em processo de demarcação desde 1997 e aguardava a homologação há 14 anos. A área de 1.732 hectares, onde vivem 382 pessoas (IBGE, 2022), é casa da cacica Maria de Lourdes da Conceição Alves, a Cacica Pequena, tida como a primeira cacica mulher do país, uma referência da força feminina no movimento indígena.
Cacica Irê, filha de Cacica Pequena, reforçou a importância do movimento de mulheres nesse contexto. “Estamos muitos felizes em poder estar festejando um momento desses tão significativo na vida dos povos do Ceará dentro da nossa IV Marcha Nacional das Mulheres Indígenas”.
Comentou ainda sobre a necessidade da luta continuar pela homologação de outras TIs: "Nós temos fé e esperança que daqui para o final do ano o presidente Lula vai sancionar e homologar a Terra Indígena do povo Tapeba”, disse. “Afinal de contas, o povo Tapeba é muito merecedor de ter sua homologação do seu território, uma vez que foi o primeiro povo no estado do Ceará que fincou o pé e demarcou a luta dizendo 'nós existimos!', completou.
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Cacica Irê Juliana Alves, do povo Jenipapo Kanindé, atual Secretária dos Povos Indígenas do Ceará celebra homologações|Mariana Soares/ISA
A lentidão do processo de demarcação se explica em parte por conta do conflito judicial envolvendo o Grupo Ypióca, que explorava recursos hídricos da Lagoa Encantada para irrigação de plantio de cana de açúcar. Uma filial ligada ao grupo recorreu judicialmente para anular o processo de demarcação. Em 2017, o Supremo Tribunal de Federal rejeitou recurso apresentado pela empresa e afirmou a validade do processo de demarcação.
Já no caso da Terra Indígena Tremembé de Queimadas, localizada em Acaraú (CE), a espera para a conclusão do processo de demarcação chegou a 20 anos. Agora, o povo Tremembé espera a regulação de outras duas TIs com processo em andamento: Tremembé de Almofala e Tremembé do Engenho.
Em um marco histórico para a visibilidade e fortalecimento das mulheres indígenas no Brasil, foi lançado neste domingo (3/8) o "Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil". A cerimônia de lançamento ocorreu durante a abertura da IV Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, e incluiu a entrega simbólica do Mapa à deputada Célia Xakriabá.
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Lançamento do Mapa Interativo das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil ocorreu na abertura da IV Marcha das Mulheres Indígenas|Mariana Soares/ISA
O Mapa Interativo é uma ferramenta digital que pretende trazer visibilidade às diversas organizações e coletivos liderados por mulheres indígenas em todo o território nacional. Desenvolvido em uma plataforma dinâmica e interativa, ele permite a identificação das iniciativas por região, com dados como site e rede social de cada organização. A proposta é facilitar a conexão entre organizações, como forma de fortalecer a ação articulada de mulheres indígenas. Acesse aqui.
Fruto de uma parceria entre a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e o Instituto Socioambiental (ISA), o lançamento marca mais uma etapa no processo da construção coletiva do mapeamento de organizações de mulheres indígenas no país.
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Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga, e Luma Prado, pesquisadora do ISA responsável pelo mapa com a edição física do material|Mariana Soares/ISA
A primeira edição, lançada em 2020, havia identificado 92 organizações. A partir de um chamado da Anmiga e da parceria, a segunda edição, por sua vez, identificou 241 organizações, um aumento em duas vezes e meio do número de coletivos do gênero. Agora, o Mapa Interativo, permite uma atualização periódica e o acompanhamento do crescimento do associativismo de mulheres indígenas.
“Muitas organizações ficaram de fora quando imprimimos o mapa. Então, a gente conversou com o ISA e pensou em como resolver e tivemos a ideia de ter um mapa virtual, para que a gente possa atualizar esse mapa e cada vez mais as organizações de mulheres indígenas possam aparecer e se identificar, registrar as mulheres, a região, o estado”, explicou Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga.
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Entrega simbólica do Mapa à deputada Célia Xakriabá pelas mãos de Luma e Joziléia|Mariana Soares/ISA
“Além disso, a gente vai fazer com que esse mapa chegue a quem mais interessa, que são as mulheres indígenas. Qualquer mulher indígena que tenha acesso à internet poderá acessar esse mapa, poderá identificar a sua organização e organizações parceiras para articular, para poder fazer planos conjuntos, para se mobilizar a fortalecer a luta”, complementou Luma Prado, pesquisadora do ISA responsável por essa edição.
O lançamento do Mapa Interativo é um passo crucial para a consolidação da rede de mulheres indígenas no Brasil, que desempenham um papel fundamental na defesa de seus territórios, modos de vida, direitos e na luta contra todas as formas de violência. A plataforma servirá como um recurso valioso para pesquisa, para construção de políticas públicas e para inspirar novos coletivos de mulheres indígenas, defenderam durante o evento que também contou com uma exibição de um vídeo apresentando o mapa.
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Durante a plenária, mulheres aproveitaram para procurar ou cadastras suas organizações no Mapa|Mariana Soares/ISA
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Na foto, Genilda Kaingang, presidente da Associação de Mulheres Originárias da Terra Indígena Apucaraninha (PR) (Amotia)|Mariana Soares/ISA
O material audiovisual, produzido pelas cineastas Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó, em parceria com a Rede Katahirine, traz o relato das mulheres indígenas e os coletivos dos quais representam. Com apresentação da ativista e comunicadora Sâmela Sateré-Mawé, o vídeo remonta o processo de construção do Mapa, com pesquisadoras da Anmiga e do ISA e a checagem dos dados no 19º Acampamento Terra Livre, em 2024.
ISA na IV Marcha das Mulheres Indígenas 2025
Somado ao lançamento do mapa, desde domingo é possível navegar pelo Mapa Interativo na tenda do ISA no “Espaço das Vozes Aliadas”. O ISA estará presente ao longo de toda a Marcha e da I Conferência das Mulheres Indígenas.
Além da navegação no Mapa Interativo, também estão sendo distribuídas a versão impressa do Mapa das Organizações das Mulheres Indígenas no Brasil 2024 e a publicação Cuidados e prevenção no enfrentamento à violência contra mulheres no Rio Negro, uma parceria entre o ISA, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), o Departamento de Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN), a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e do projeto Cosmopolíticas do Cuidado no Fim-do-mundo.
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Nota de pesar pelo falecimento de Gelson José Martins, liderança Ingarikó
Gelson deixa um legado marcado pelo diálogo e por uma incansável luta pelos direitos indígenas em Roraima
Ministros Cármen Lúcia e Carlos Ayres Britto conversam com Gelson Ingarikó na Reserva Raposa Serra do Sol, em maio de 2008|FAB/CCOM
É com imenso pesar que o Instituto Socioambiental (ISA) recebe a notícia do falecimento de Gelson José Martins, liderança referência do povo Ingarikó.
Nascido na Serra do Sol, na década de 1970, Gelson dedicou sua vida à defesa de seu território e de sua cultura. Como presidente do Conselho do Povo Ingarikó e Tuxaua da Serra do Sol, sua liderança foi marcada pelo diálogo e por uma incansável luta pelos direitos indígenas.
Sua atuação foi decisiva na construção do Plano de Gestão do território Ingarikó e do Plano de Manejo do Parque Nacional do Monte Roraima, auxiliando na construção de ferramentas inovadores de gestão compartilhada.
Gelson deixa um legado de coragem, resistência e amor pela terra, que continuará a inspirar a todos que o conheceram. Sua partida representa uma enorme e irreparável perda para o movimento indígena de Roraima.
Em nota oficial, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) prestou condolências à família e à comunidade Ingarikó, valorizando o legado de liderança e resistência de Gelson.
O ISA se solidariza com a família, amigos e com todo o povo Ingarikó neste momento de dor e perda.
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Invasões e garimpo seguem devastando Terras Indígenas com povos isolados, apesar das medidas de proteção
Na Terra Indígena Piripkura, o boletim Sirad-I identificou o equivalente a 12 mil árvores derrubadas em uma área em recuperação após desmate
Em 2024, apesar da queda no desmatamento de 18,2% em relação a 2023, Terras Indígenas (TIs) com povos isolados seguiram sendo alvos de atividades ilegais como a mineração e a exploração madeireira. No total, foram mais de 2 mil hectares de desmatamento em TIs com presença de isolados, o equivalente à derrubada de mais de 1,2 milhão de árvores. É o que constata o relatório anual Sirad-I: Sistema de Alerta de Desmatamento em Terras Indígenas com Registros de Povos Isolados de 2024.
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Sobrevôo sobre a Terra Indígena Piripikura evidencia as consequências das invasões ilegais de grileiros, madeireiros e criadores de gado|Rogério Assis/ISA
Lançado hoje (28/07), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pelo Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi), a publicação traz análises periódicas sobre desmatamento em áreas com presença de povos isolados, detectados a partir de imagens ópticas de alta resolução e radar.
O documento traz um retrato do desmatamento em 33 áreas com registros de povos indígenas isolados, totalizando 224 milhões de hectares monitorados. A partir do último ano, foram incluídas no monitoramento sete áreas localizadas na Bacia do Rio Xingu, graças à incorporação de informações do Sirad-X, da Rede Xingu+, da qual o ISA faz parte.
Segundo o Boletim, as áreas que apresentaram as maiores perdas da vegetação nativa foram as TIs Kayapó e Mundurucu e o Território Indígena do Xingu. Juntas, elas somam cerca de 60% do total desmatado no período.
“Há um aumento generalizado da exploração ilegal de madeira em toda Bacia do rio Xingu, isso tem afetado também o Parque Indígena do Xingu. O roubo de madeira vem sendo denunciado desde 2019, mas houve uma disparada nos últimos dois anos, inclusive com o aumento da abertura de ramais dentro do território", explicou Tiago Moreira, antropólogo e pesquisador responsável pelo monitoramento, citando o relatório Desafios de Proteção na Bacia do Xingu – panorama 2025" que traz um retrato detalhado do que está acontecendo na Bacia do Xingu.
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Aldeia Tepdjàti, Terra Indígena Kayapó sofreu incidência de queimadas e fatores climáticos no limite de seus territórios|Silia Moan/ISA
O ano de 2024 foi marcado pela alta incidência de queimadas no Brasil, uma combinação entre fatores climáticos e avanço da devastação no entorno dos territórios. A TI Kayapó respondeu por 40% de todos os focos de queimadas registrados nas áreas monitoradas no período, além de ter apresentado um aumento de mais de 2.000% na incidência de incêndios florestais em relação a 2023. A nota técnica Queimadas em Terras Indígenas, publicada no final de 2024 registra algumas das transformações nos padrões de clima e temperatura que estão aumentando os riscos de queimadas e intensificando os incêndios na floresta amazônica como um todo.
Ao longo de 2024 houve a renovação de cinco portarias para atuação da Força Nacional de Segurança Pública em apoio ao trabalho de fiscalização das Bases de Proteção Etnoambiental nas TIs: Pirititi, Ituna/Itatá, Uru-Eu-Wau-Wau, Alto Rio Guamá e Alto Turiaçu.
Além disso, em cumprimento a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 991, foi publicada a portaria de restrição de uso para a proteção de povos isolados no sul do Amazonas na área chamada Mamoriá Grande.
As TIs Jacareúba/Katawixi e Vale do Javari, por sua vez, apesar de baixos níveis de desmatamento, tiveram uma variação maior que 500% em comparação com 2023. Enquanto no Vale do Javari, o mapeamento identificou o uso tradicional do território, no caso da TI Jacareúba/Katawixi, o Sirad-I identificou o desmatamento como resultado da ação de invasores na área.
Confira abaixo os destaques do Sirad-I: Sistema de Alerta de Desmatamento em Terras Indígenas com Registros de Povos Isolados de 2024:
Terra Indígena Zoró
Já nos primeiros meses de 2024, o garimpo ilegal causou a a derrubada de mais de 5 mil árvores na Terra Indígena Zoró, o equivalente a cerca de 10 hectares. Ao fim de 2024, o desmatamento totalizou 92,2 hectares, ou 130 campos de futebol, o que representou um aumento de 103% em relação a 2023, com as áreas de garimpo sendo responsáveis por 21,5% deste valor. Além disso, também foi identificada a expansão de uma área de pastagem próxima ao limite com a TI Sete de Setembro. “Uma das possibilidades é a de que, com a repreensão dos garimpos existentes em outras TIs, como Yanomami, Mundurucu e Kayapó, estas atividades se intensifiquem em outras áreas, como no caso da Zoró e Sete de Setembro”, afirma o boletim.
Terra Indígena Mundurucu
Na TI Mundurucu, foram registrados mais de 159 hectares de desmatamento em consequência da mineração ilegal, o equivalente a quase 244 campos de futebol. A devastação identificada representa um aumento de 40% em relação a 2023. No período monitorado, setembro foi o mês com o maior pico de desmatamento, com quase 40% do total no período. Segundo Moreira, cerca de 74% desse desmatamento foi relacionado à abertura de novas áreas de exploração. “A área sofre esse tipo de ameaça há décadas. Para combater e proteger a área e os povos que ali habitam, o governo federal iniciou no começo de novembro uma operação para desintrusão da TI, localizada entre os municípios de Jacareacanga e Itaituba (PA). Os resultados dessa ação só poderão ser conferidos no futuro.”
Terra Indígena Piripkura
A Terra Indígena Piripkura apresentou uma queda de 89,39% na taxa de desmatamento em relação a 2023. O registro acontece após o segundo ano da renovação da Portaria de Restrição de Uso, assinada em fevereiro de 2023, depois de ficar desprotegida durante o Governo Bolsonaro.
Apesar da redução, em 2024, foram 23 hectares desmatados na TI, com mais de 12 mil árvores derrubadas, o que indica a expansão de áreas de floresta primária devastadas. Além disso, em julho de 2024, uma área anteriormente desflorestada e em recuperação também foi desmatada, o que reforça a urgência de medidas para proteção do território.
“Há 17 anos atrás foi identificado um desmatamento na área. Com o tempo, essa vegetação se regenerou, havia uma capoeira, tinha nascido a floresta de novo nessa área de desmatamento, mas em julho do ano passado, voltaram a desmatar essa região, comprometendo a recuperação ambiental deste território”, explicou o pesquisador responsável pelo monitoramento. Além da vegetação secundária, também houve a derrubada de mais de 6,8 mil árvores no entorno da área desmatada pela segunda vez.
Terra Indígena Jacareúba-Katawixi
Assim como a TI Piripkura, a TI Jacareúba-Katawixi também teve sua Portaria de Restrição de Uso renovada com a mudança de governo, o que, a princípio, impactou positivamente na proteção do território. No entanto, o boletim aponta que o desmatamento voltou a crescer em 2024, marcando quase 30 hectares no período, ou 42 campos de futebol.
Segundo o Sirad-I, a TI sofre com a pressão imposta por empreendimentos próximos ao seu entorno e também pela proximidade com a BR-319 e do complexo hidrelétrico do Rio Madeira. O desmatamento registrado no período foi registrado justamente na porção leste da TI, que se encontra mais próxima aos empreendimentos.
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“Uma Enciclopédia nos Trópicos” é finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025
Obra de Beto Ricardo, um dos fundadores do ISA, e Ricardo Arnt navega pelas memórias do socioambientalismo no Brasil
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou nesta semana os finalistas da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico em 26 categorias. Na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais está a obra “Uma Enciclopédia nos Trópicos”, de Beto Ricardo, antropólogo e um dos fundadores do Instituto Socioambiental (ISA), e do jornalista e escritor Ricardo Arnt.
Figura central do movimento indigenista, Beto Ricardo foi corresponsável por ações fundamentais na defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil e pela conservação do meio ambiente.
O livro, lançado em 2024 pela Zahar, selo da Cia das Letras, traz parte das histórias do movimento socioambiental no país, contadas a partir das memórias de Beto.
Um dos marcos narrados é a criação do programa Povos Indígenas no Brasil, herança que o ISA recebeu do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI) e que reunia, sistematizava e divulgava informações cruciais sobre os povos indígenas em um período em que o Estado brasileiro insistia em negar sua existência.
O programa criou a Enciclopédia “Pibão”, como ficou conhecida a base de dados pioneira, referência nacional e internacional e alicerce fundamental para o trabalho do ISA.
A obra relembra este e outros marcos históricos de sua atuação, além dos caminhos que levaram à criação do ISA. O livro, que contém 18 capítulos, traz prefácio do escritor e ativista indígena Ailton Krenak e posfácio do jornalista Leão Serva.
A cerimônia de entrega do Prêmio Jabuti será realizada no dia 5 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo (SP).
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Assista ao documentário 'Mapear Mundos' no Youtube do ISA
Filme une imagens históricas e depoimentos de figuras-chave da luta pela garantia de direitos dos povos indígenas no Brasil
O documentário ‘Mapear Mundos’, dirigido por Mariana Lacerda, com Fany Ricardo e Beto Ricardo, está disponível de forma gratuita no canal do Youtube do Instituto Socioambiental (ISA).
O longa-metragem articula imagens e vídeos do arquivo histórico do ISA com testemunhos atuais para rememorar os passos dados por organizações da sociedade civil na luta pela garantia dos direitos indígenas no Brasil, no contexto da ditadura cívico-militar, apoiando as condições para a articulação do “capítulo dos índios” na Constituição Brasileira de 1988.
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"Mapear Mundos" traz registro fotográfico que mostra mapa elaborado pelo Centro Ecumênico de Documentação e Informação (CEDI)|André Dusek/AGIL
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Indígenas de várias etnias estiveram nas negociações do 'capítulo dos índios' na Constituinte de 88|Beto Ricardo/ISA
Mariana Lacerda, captou as imagens, histórias e depoimentos entre 2022 e 2023, em São Paulo e São Gabriel da Cachoeira (AM), nas comunidades Duraka, Tukano, Waurá e Dâw. A produção também conta com imagens de arquivos indigenistas do ISA e se funde com a vida e trajetória de Beto e Fany Ricardo, fundadores da organização que completou 30 anos em 2024.
O documentário passou pelo mais importante evento sul-americano para a produção audiovisual ligada às temáticas socioambientais, a Mostra Ecofalante de Cinema, em São Paulo, em Brasília e em Belém do Pará. Mais recentemente, Mapear Mundos foi exibido na TV Cultura, em sua estreia em TV aberta.
Assista ao filme completo abaixo!
Mapear Mundos, documentário, 72'
Sinopse: A pesquisa-movimento que localizou as populações indígenas no território Brasileiro, fornecendo as condições para a articulação do "capítulo dos índios" na Constituição Brasileira e as demarcações das Terras Indígenas. Um filme que articula imagens de arquivos indigenistas com testemunhos atuais para rememorar os passos dados por organizações da sociedade civil, em um contexto de ditadura militar, pela garantia de direitos dos povos originários no Brasil.
Realização: Instituto Socioambiental, em comemoração aos seus 30 anos.
Produção: Bebinho Salgado 455
Com Marta Azevedo, Marcio Santilli, Márcio Meira e Eduardo Viveiros de Castro
Com André Baniwa, Bráz França (Povo Baré, in memoriam) e Dagoberto Azevedo (Povo Tukano, in memoriam)
Filmado entre 2022 e 2023, em São Paulo, São Gabriel da Cachoeira (AM), Comunidade Duraka, povo Tukano e Comunidade Waruá, povo Dâw.
Argumento: Beto Ricardo e Fany Ricardo, com Mariana Lacerda
Direção: Mariana Lacerda
Roteiro: Mariana Lacerda e Paula Mercedes
Produção Executiva: Mylena Mandolesi
Pesquisa e produção: Silvia Futada, Camila Gauditano, Claudio Tavares e equipe Instituto Socioambiental
Montagem: Paula Mercedes
Trilha sonora original: O Grivo
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