Manifesto de cerca de 40 organizações que compõem o ÓSocioBio reúne 46 propostas para candidatas e candidatos nas Eleições 2026 e aponta papel central das economias promovidas pelos povos tradicionais e pequenos agricultores
Cerca de 40 organizações da sociobioeconomia estão mobilizadas na campanha "Sociobio nas Urnas", reunindo demandas dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Com o lema "Deixa a sociobio crescer!”, a campanha é coordenada pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio) e apresenta às candidaturas da Eleição 2026 uma carta com 46 propostas de políticas públicas organizadas em oito eixos temáticos.
“A sociobioeconomia gera renda, trabalho e conserva os territórios, mas ainda enfrenta barreiras que limitam seu potencial. O que estamos propondo é que ela deixe de ser tratada como exceção e passe a ocupar o lugar que merece nas políticas de desenvolvimento do Brasil. Queremos que os candidatos reconheçam essa economia como estratégica e assumam compromissos concretos para fazê-la crescer”, diz a secretária-executiva do ÓSocioBio, Laura Souza.
Secretário-geral do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Dione Torquato reforça que a garantia do território é essencial para a sociobioeconomia. "Nessas eleições, o que está em jogo é garantir que os povos e comunidades tradicionais e os agricultores e agricultoras familiares continuem vivendo e produzindo em seus territórios. Não tem sociobioeconomia sem território garantido", diz.
O documento conta com o apoio dos chefs de cozinha Rodrigo Oliveira (Mocotó), Bel Coelho, Neide Rigo, Adriana Salay, que assinam a carta, reconhecendo a floresta como fonte não apenas da culinária e identidade brasileira, mas de seu projeto de futuro.
Com a carta mobilizada pelo ÓSocioBio, observatório do qual o Instituto Socioambiental (ISA) faz parte, as candidatas e candidatos têm a oportunidade de assumirem um compromisso público de criar ou adequar políticas públicas para que a economia da sociobiodiversidade tenha acesso às mesmas condições de crédito, infraestrutura, políticas de fomento, regras sanitárias que os modelos produtivos convencionais já têm garantidos há décadas.
Um exemplo da disparidade vem do crédito rural. Entre 2013 e 2025, 91,6% do crédito rural foi destinado a médios e grandes produtores, e só 8,4% para a agricultura familiar. No Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que é destinado justamente para os pequenos, R$151,7 bilhões foram para produção de commodities versus R$3,26 bilhões para sociobio entre 2020 e 2024 — uma diferença de 46,5 vezes.
“Há uma assimetria histórica nas políticas públicas, nos incentivos e nos recursos destinados aos diferentes modelos de uso da terra, e precisamos corrigi-la”, afirma Fabíola Zerbini, Diretora Executiva da Conexsus.
As Economias da Sociobiodiversidade são promovidas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, estando baseadas na diversidade, no conhecimento tradicional e na inovação, nos sistemas socioprodutivos locais e nos produtos e serviços gerados a partir de recursos da biodiversidade — conectados aos modos de vida, às práticas e saberes desses povos, e à melhoria da qualidade de vida e bem viver das comunidades em seus territórios e maretórios.
Hoje, os territórios de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais cobrem cerca de ¼ do Brasil e mais da metade da Amazônia; é sobre essa base, e sobre os biomas que ela mantém, que o setor se sustenta. Segundo estimativas do ÓSócioBio, essa economia movimenta hoje R$17,4 bilhões e 525 mil postos de trabalho.
Mas os benefícios da sociobioeconomia não ficam restritos a quem vive dela. Ela contribui para enfrentar o desmatamento, a mudança do clima e a desigualdade social, gerando emprego e renda, conservando e restaurando territórios e distribuindo riqueza.
Como destaca o documento, a sociobio funciona, essencialmente, como a infraestrutura natural da economia brasileira: sustenta o regime de chuvas, a regulação climática, a fertilidade do solo e a polinização dos quais dependem setores inteiros, do agronegócio à energia hidrelétrica. Mais de 95% da área agrícola e 99% das pastagens do Brasil dependem da chuva regulada pela floresta, conforme dados da WRI.
As organizações vão levar o documento às candidaturas ao longo da campanha eleitoral, coletando compromissos públicos que servirão de base para cobrança de mandato após a eleição. O lançamento aconteceu, em agosto, de forma online pelo site sociobionasurnas.com.br, onde é possível ler a carta na íntegra, além das redes sociais das organizações que compõem o ÓSócioBio.
Candidatos podem assinar o compromisso público com a carta pelo link e pessoas físicas podem apoiar assinando o abaixo-assinado aqui.
Sobre a campanha
Sociobio nas Urnas 2026 é uma campanha suprapartidária do ÓSócioBio, rede composta por mais 40 organizações das economias da sociobiodiversidade. Com o lema "Deixa a sociobio crescer!”, a campanha pede compromisso das candidatas e candidatos deste ciclo eleitoral com destravar e adequar as políticas públicas para que os agentes da sociobioeconomia possam aprimorar cada vez mais seu modelo de desenvolvimento que distribui renda entre muitos enquanto conserva as riquezas naturais do nosso país.
Acesse: sociobionasurnas.com.br.
Carregando