Ocorrida pela primeira vez entre os dias 05 e 07 de maio de 2014, a I Semana do Extrativismo surgiu como um espaço de iniciativas coletivas que impulsionam a economia da sociobiodiversidade brasileira
A primeira edição da Semana do Extrativismo (Semex) ocorreu em 2014, no Gabiroto, polo central da Reserva Extrativista Rio Xingu, no Pará, reunindo, pela primeira vez, cerca de 30 participantes entre extrativistas, representantes de empresas e organizações da sociedade civil para reforçar a relação histórica dos povos com seus territórios e reivindicar um plano de desenvolvimento para a região.
Durante os três dias, os participantes avaliaram o trabalho que vinha sendo desenvolvido na região desde 2008 e debateram propostas de desenvolvimento de arranjos produtivos, tecnologias aplicadas às atividades locais, políticas públicas e estratégias de comercialização de produtos da floresta.
Além dos extrativistas, participaram do evento representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Fundação Rainforest da Noruega, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) e das empresas Mercur, Natura e Cacauway e um consultor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Programa de Desenvolvimento Regional Sustentável do Xingu (PDRSX).
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A idealização da Semex surgiu a partir das discussões do Grupo de Trabalho de Produção e Comercialização da Rede Terra do Meio (RTM), especialmente quando o espaço passou a contar com maior participação de beiradeiros. A presença mais ativa das comunidades mostrou a importância de aproximar as instituições parceiras da realidade vivida nos territórios tradicionais.
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Nas reuniões do GT, o encontro começou a ganhar forma: um evento anual voltado à troca de experiências e ao diálogo entre extrativistas, cantineiros, associações locais, organizações da sociedade civil, parceiros comerciais e representantes do poder público. Os encontros também visavam debater os multiprodutos da floresta e os contratos diferenciados de comercialização para cada um deles, aí incluídos borracha, castanha, óleos de babaçu, andiroba, copaíba, farinhas, frutas e sementes florestais.
Ao final do primeiro encontro foi elaborado o manifesto da I Semana do Extrativismo da Terra do Meio, documento que contém um conjunto de reivindicações que indicavam um programa de desenvolvimento para a região. O documento era destinado ao governador do Pará à época, Simão Jatene.
O manifesto também defendia a criação de uma lei estadual de subvenção para produtos extrativistas e que o Estado reconhecesse o potencial da sociobiodiversidade da região e implementasse políticas públicas e ações adequadas para o desenvolvimento de uma economia sociobiodiversa.
No manifesto, os participantes destacaram:
“As Populações da Terra do Meio possuem uma relação histórica e profunda com seus territórios tradicionais e com as florestas e rios que fazem parte deles. A natureza dessa relação garante, juntamente com a demarcação e proteção dos territórios, a conservação de um dos maiores Patrimônios Socioambientais do planeta. Esse patrimônio material e imaterial é responsável por serviços socioculturais e ambientais ainda pouco valorizados pela sociedade e pelos governos.”
Leia na íntegra
Xingu: história dos povos da floresta (Parte III, p. 370-376)
Nos anos seguintes, parte dessas demandas passou a ganhar maior visibilidade e estrutura. Na segunda edição do encontro, no ano de 2015, o destaque foi a participação indígena, marcando a aliança com o povo Xipaya. No decorrer dos anos, outros povos indígenas passaram a participar do encontro, fortalecendo a representatividade coletiva.
A 9ª Semana do Extrativismo (Semex), contou com a cobertura de comunicadores da Rede Xingu+. Joelmir Silva, da comunidade Maribel, e Maxiel Xavier, da Resex Rio Iriri, registraram o evento em fotos, vídeo, texto e áudios. Assista abaixo:
Além disso, a partir das experiências no território, a Semex passou a fortalecer novas discussões, sendo uma delas a necessidade de adequações das políticas públicas à realidade dos beiradeiros, extrativistas, pequenos agricultores e indígenas.
Um dos exemplos positivos nesse sentido é a participação de agricultores e extrativistas da região ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), por meio do qual os alimentos e os preparos das roças, da floresta e dos rios passaram a ser entregues nas escolas da comunidade, reforçando a cultura e a saúde e protegendo o ambiente!
Desde o último encontro ocorrido em maio de 2025, os olhos do poder público passaram a estar ainda mais atentos e participativos. Entre os parceiros e apoiadores estavam órgãos públicos como Ministério do Meio Ambiente (MMA); Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab); Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); Banco do Brasil e Governo do Estado do Pará. As empresas Mercur e Natura, entre outras, também estiveram na 10° edição do encontro.
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A Semana do Extrativismo - Semex fortalece as economias da sociobiodiversidade, que constituem uma forma de proteger o território, e a manutenção de modos de vida profundamente interligados aos seus ciclos.
Professoras(es), venham conhecer o kit didático que reúne fontes e documentos com propostas de reflexão para apoiar discussões e atividades sobre o assunto em sala de aula!
Referências bibliográficas
I Semana do Extrativismo debate estratégias de desenvolvimento para a Terra do Meio (PA). Instituto Socioambiental. 09 jun. 2014. Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/acervo/noticias/i-semana-do-extrativi…. Acesso em: 12 mar 2026.
HAMDAN, Ana Amélia. Povos da Terra do Meio fortalecem alianças e inovam na sociobioeconomia. Instituto Socioambiental. 25 jun. 2025. Disponível em: https://isa.org.br/noticias-socioambientais/povos-da-terra-do-meio-fort…. Acesso em: 12 mar 2026.
RODRIGUES, Adriana; ALMEIDA, Roberto. Semana do Extrativismo reforça laços por uma economia do cuidado com o Xingu. Instituto Socioambiental. 25 jul 2022. Disponível em: https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/semana-do-extra…. Acesso em: 12 mar 2026.
VILLAS-BÔAS, André; GUERRERO, Natalia Ribas; JUNQUEIRA, Rodrigo Gravina Prates; POSTIGO, Augusto (org.). Xingu: História dos Povos da Floresta. 1 ed. São Paulo: Instituto Socioambiental, 2017.
** A série Hoje na História Socioambiental apresenta a riqueza de informações do Acervo do Instituto Socioambiental que conta com mais de 250 mil itens catalogados voltados para a temática socioambiental como publicações do ISA, livros gerais, teses e dissertações, mapas, notícias, materiais audiovisuais, entre outros. Hoje na História Socioambiental é um convite a reler o Brasil com mais amplitude, sensibilidade e justiça, valorizando a memória e documentação dos diversos povos.
Esta publicação conta com o apoio do Fundo Amazônia e é um produto do projeto "Defesa e Promoção dos Direitos Indígenas no Brasil: Construir Capacidades e Engajar Pessoas por um Futuro mais Justo", realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), com o financiamento da União Europeia.
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