Que Murici é esse?

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Identificação botânica é tema de oficina da Rede de Sementes do Xingu. Encontro reuniu coletores, técnicos e professores em discussão sobre a qualidade e conhecimento aprofundado das espécies florestais




Entre os dias 9 e 11 de Junho foi realizado a II Oficina de Coletores Especialistas no município de Porto Alegre do Norte (MT), uma iniciativa da Associação Rede de Sementes do Xingu (RSX), Instituto Socioambiental (ISA) e Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat). Participaram cerca de 40 pessoas, entre coletores, técnicos da RSX, do ISA, da Comissão Pastoral da Terra, professores e alunos da Unemat.

“Ao longo dos 10 anos, a Rede vem trabalhando em diversos processo formativos, com a preocupação de promover um aprendizado constante e atualizado, dos coletores, técnicos e parceiros”, ressaltou Guilherme Pompiano, técnico do ISA. O objetivo do encontro foi aprimorar os aprendizados da última oficina realizada em Nova Xavantina em 2016 [Saiba mais] e aprofundar o estudo em dois gêneros de sementes que RSX produz: Murici e Mirindiba.

Também foram debatidas questões sobre qualidade das sementes e técnicas de beneficiamento. “A identificação botânica é uma das preocupações da Rede, pelo fato de trabalharmos com uma grande diversidade de sementes florestais temos a necessidade de sempre atualizar o conhecimento”, completou Pompiano.

Durante a oficina, foi realizado um minucioso estudo sobre essas duas variedades e outras espécies que os coletores trouxeram de suas áreas de coleta. Nesse momento, os presentes fizeram uma discussão sobre a classificação taxonômica e características para reconhecimento das diferentes espécies de mirindibas e muricis. “Agora vamos poder identificar todos os tipos de Mirindibas”, disse Cleusa Nunes de Paula, coletora do assentamento Macife, em Bom Jesus do Araguaia. “Eu achava que só tinha quatro tipos de muricis, e agora descobri que tem muitos”, completou Paat Kayabi, que vive no Território Indígena do Xingu (TIX).

Rutimara Cruz de Mello, Coletora do assentamento Caeté, localizado no município de Diamantino, participou pela primeira vez de uma oficina: “foi excelente”, avaliou. “Agradeço muito aos outros coletores por compartilharem novas técnicas de beneficiar sementes. Também vamos procurar desenvolver novas técnicas e compartilhar na Rede”.



A Rede sempre apoiou e incentivou os coletores a desenvolverem novas tecnologias e inovações para facilitar o trabalho de beneficiamento das sementes, o que pode incidir na precificação das sementes. “Cada dia estamos mais capacitados”, contou seu Placides Pereira Lima, coletor do assentamento Manah, em Canabrava do Norte

Acrísio Luiz dos Reis, diretor da Rede e coletor do Manah conta que a RSX, em dez anos de existência, já realizou diversos processos formativos junto aos coletores e parceiros: “Em 2008, aqui mesmo nesse local a gente estava discutindo como beneficiar algumas sementes e hoje a gente está com um montante na mão, vemos que crescemos muito, e mesmo assim ainda temos muito para aprender.”

Outra espécie com demanda de identificação pelos coletores é o gênero Andira (Angelins), que deverá ser o tema da próxima oficina.

A iniciativa aconteceu com o apoio do Newton Fund, Universidade de Leeds, Programa Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), Manos Unidas, União Europeia e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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