Condecoração é uma das mais importantes do Ministério das Relações Exteriores e também foi concedida a outras personalidades como Fernanda Torres e Kléber Mendonça
No final da manhã desta quarta (29), em cerimônia no Palácio do Itamaraty, em Brasília, o Instituto Socioambiental (ISA) e sua secretária-executiva Adriana Ramos foram agraciados com a Ordem do Rio Branco, uma das principais condecorações do Ministério das Relações Exteriores.
A honraria tem o objetivo de “distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção”. Ela foi criada em 1963 em homenagem ao Patrono da diplomacia brasileira – o Barão do Rio Branco.
No mesmo evento, também receberam a distinção outras personalidades e organizações, como o cineasta Kléber Mendonça, a atriz Fernanda Torres, a cantora Daniela Mercury, o Movimento Nacional da População em Situação de Rua e a coleção Bei de Bancos Indígenas.
“Eu fiquei muito honrado de receber a insígnia, em nome do ISA e das mãos do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin”, diz o presidente da organização, Márcio Santilli. “Esse é um reconhecimento muito importante, neste momento da vida da instituição, e que nós queremos compartilhar com todos os nossos colaboradores, os nossos apoiadores e aqueles que acompanham diretamente o nosso trabalho. Muito obrigado a todos”, completa.
“Receber a Ordem do Rio Branco é um importante reconhecimento pelo trabalho realizado nas últimas décadas em prol de um Brasil mais justo e sustentável. É uma demonstração de que o país entende a relevância da valorização de seu patrimônio socioambiental”, afirma Adriana Ramos.
ISA
A condecoração foi concedida ao ISA dias depois de seu aniversário de 32 anos, em 22 de abril. Nessas três décadas, a organização atuou ao lado de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas para desenvolver soluções que contribuam para a proteção de seus territórios, o fortalecimento de sua cultura e saberes tradicionais, a promoção de seu protagonismo político e de uma economia sustentável.
Desde sua fundação, consolidou-se como referência na organização de informações sobre os povos e terras indígenas (TIs) no Brasil, mantendo sites com informações e análises atualizadas sobre o assunto, incluindo um voltado especialmente
para crianças e jovens.
Nesse periodo, também apoiou os povos indígenas em suas reivindicações de reconhecimento de direitos territoriais, a exemplo da demarcação das TIs do Rio Negro (AM) e do retorno do povo Panará ao seu território tradicional, no Mato Grosso.
Também contribuiu com os estudos que embasaram a criação de Unidades de Conservação da Terra do Meio (PA), participou ativamente da elaboração do Plano BR-163 Sustentável, liderou a Campanha Y katu Xingu, que alavancou esforços de restauração florestal na Bacia do Rio Xingu e levou à criação da Rede de Sementes do Xingu.
Sob a liderança do ISA, também foi criada a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (Raisg), composta por organizações de 6 países amazônicos (Brasil, Venezuela, Equador, Bolívia, Colômbia e Peru), que tornou-se referência na integração de dados sobre a Panamazônia.
Com sede em São Paulo, a organização conta hoje com outros sete escritórios: Brasília (DF), Manaus e São Gabriel da Cachoeira (AM), Boa Vista (RR), Altamira (PA), Canarana (MT) e Eldorado (SP).
Adriana Ramos
Comunicadora e especialista em política ambiental, Adriana de Carvalho Barbosa Ramos é secretária-executiva do ISA desde 2023, quando passou a dividir a função com o agrônomo Rodrigo Junqueira. Ela integra a equipe do escritório da organização em Brasília desde 1995, atuando em incidência política em diferentes áreas de conhecimento e políticas públicas socioambientais.
É carioca da gema e botafoguense de coração, mãe da Ana e do Tales, avó do Arthur e esposa do professor de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Henyo Trindade Barreto Filho.
Esteve envolvida nos debates e mobilizações que levaram a algumas das principais conquistas na agenda socioambiental no país nos últimos 30 anos, como a instituição da Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc, 9.985/2000), o decreto que regulamenta a demarcação das Terras Indígenas (1.775/1996), a Lei de Gestão de Florestas Públicas (11.284/2006) e a implantação do Fundo Amazônia.
Adriana integra a coordenação do Observatório do Clima (OC), a maior rede de organizações ambientalistas do país, e faz parte do Conselho Orientador do Fundo Podáali. Foi membro da Direção Executiva da Associação Brasileira de ONGs (Abong), representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e no Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa).
Outros prêmios já recebidos pelo ISA
World Exposition Germany / Hanoover (2000): Sistema de Informação Socioambiental (SIS) reconhecido como “Expo 2000 project".
Empreendedor Social Ashoka-Mckinsey (2001): Arte Baniwa, finalista na categoria Menção Honrosa em Idéia Inovadora.
Prêmio Chico Mendes:
2002 - 1º lugar na categoria Organização Não-Governamental;
2003 - 1º lugar na categoria Ciência e Tecnologia.
Prêmio Jabuti:
2003 - vencedor na categoria Melhor Livro Não-Ficção e Ciências Naturais e da Saúde por “Biodiversidade na Amazônia Brasileira”;
2005 - 3º lugar na categoria Ciências Humanas por “Terras Indígenas e Unidades de Conservação – O Desafio das Sobreposições”;
2011 - vencedor na categoria Ciências Humanas, por “Manejo do Mundo - Conhecimentos e Práticas dos Povos Indígenas do Rio Negro”;
2017 - vencedor na categoria Gastronomia - Ana Amopö: Cogumelos Yanomami;
2025 - vencedor na categoria Acadêmica de Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais por “Uma Enciclopédia nos Trópicos”.
Prêmio Agência Nacional de Águas (2008): De Olho nos Mananciais, o melhor na categoria Organização Não Governamental.
Prêmio Ford de Conservação Ambiental (2009): projeto Restauração Florestal e Aproveitamento Econômico, vencedor na categoria Negócios em Conservação.
Seleção de Práticas Inovadoras em Revitalização de Bacias Hidrográficas do MMA (2010): 1º lugar na categoria Organizações Sociais, tema Conservação e recuperação de solos, água e biodiversidade por "Recuperação das nascentes e matas ripárias na Bacia do Xingu".
Prix Jeunesse Iberoa-mericano (2011): 3º lugar na Categoria Digital e Interativa para o Site Povos Indígenas no Brasil Mirim.
Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade do IPHAN (2013): vencedor na categoria Comunicação e mobilização social, pela ação “Povos Indígenas no Brasil”.
Prêmio MundoGEO#Connect LatinAmerica (2015): 2º lugar na categoria INFRAESTRUTURA E UTILITIES, pelo projeto “De onde vem a água?”.
Prêmio Melhores ONGs:
2017 - destaque das 100 melhores organizações com excelência em gestão e impacto social;
2018 - destaque das 100 melhores organizações com excelência em gestão e impacto social.
Festival AnimaMundi (2019): vencedor na categoria Portfólio com o filme “Xingu, o rio que pulsa em nós”.
Prêmio Internacional da ONU de Inovação para a Alimentação e Agricultura Sustentáveis (2019): vencedor com o projeto Origens Brasil concebido por ISA e Imaflora.
Prêmio de Direitos Humanos da União Europeia (2020): vencedor com o projeto “Planos emergenciais de combate à pandemia de Covid-19 ao lado de indígenas, quilombolas e ribeirinhos”.
Reconhecimento da ONU (2024): Técnica da "Muvuca de Sementes" é uma “Boa Prática” oficial da Década da Restauração.
Comunidade Campeã da Década da Restauração (2025): Redário é selecionado pelo estabelecimento e gestão de atividades geradoras de renda relacionadas à restauração.
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