Resultados de monitoramento em área implantada durante a COP30 mostram que muvuca e agricultura sintrópica são uma combinação favorável para a restauração da Amazônia e da floresta
Banana, macaxeira, taioba, feijão de porco, pepino, sementes para coletar e plantar de novo é o resumo da fartura e diversidade do que pode ser visto hoje na Praça Dorothy Stang, em Belém, onde, em novembro de 2025, durante a COP30 aconteceu um mutirão de plantio de agrofloresta urbana com muvuca de sementes. O resultado mostra que produção de alimentos e restauração de ecossistemas podem e devem estar juntos.
“Além da função produtiva, a agrofloresta também passou a desempenhar papel paisagístico, transformando a estética da praça. O espaço, antes marcado por um gramado homogêneo, agora se apresenta como um ambiente verde, diverso e vivo”, é o que relata Claudia Kahwage, do Espaço Permacultural Via Amazônia, organização que coordenou a ação de plantio.
De acordo com ela, os resultados obtidos em pouco mais de quatro meses após o plantio demonstram a efetividade da técnica da muvuca mesmo em condições de solo degradado.
“A experiência reforça o potencial da muvuca como tecnologia de restauração de baixo custo e alta eficiência, com aplicabilidade tanto em áreas rurais quanto urbanas da Amazônia. No contexto da COP30, a iniciativa evidencia que soluções práticas e replicáveis já estão em curso, apontando caminhos concretos para a recuperação de áreas degradadas e a construção de cidades mais resilientes”, afirma.
Claudia Kahwage explica que, na ocasião, um trecho de gramado empobrecido foi convertido em área agroflorestal por meio da técnica da muvuca, que consiste na semeadura direta de uma mistura diversificada de espécies. As sementes utilizadas foram fornecidas pelo Instituto Socioambiental (ISA), contribuindo para a diversidade e funcionalidade do sistema. O plantio incluiu também o consórcio com mandioca, banana, abacaxi e carás, fortalecendo o potencial produtivo da área.
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O sistema agroflorestal se mostra bem estabelecido. O crescimento vigoroso das espécies e a boa cobertura do solo são sinais evidentes de regeneração ecológica. A área, antes degradada, hoje apresenta diversidade vegetal e já começa a produzir alimentos, além de contribuir para o sombreamento e melhoria do microclima local.
Assista o registro abaixo:
Claudia explica ainda que na agricultura sintrópica, o plantio biodiverso, como o da muvuca de sementes, é a base do sistema produtivo. Inspirada nos processos naturais, essa abordagem organiza diversas espécies em conjunto, combinando diferentes alturas e ciclos de vida. Essa diversidade permite que as plantas cooperem entre si, promovendo fertilidade do solo, equilíbrio ecológico e aumento da produtividade.
“Assim, o cultivo funciona como uma floresta produtiva, onde produzir e regenerar caminham juntos. A muvuca e a agricultura sintrópica juntas são uma potência para a restauração da Amazônia”, conclui.
O mutirão de plantio, que ocorreu durante o lançamento do Festival de Cinema Dorothy Stang: Justiça Climática e Direitos Humanos, foi organizado pelo Espaço Permacultural Via Amazônia, reunindo cerca de 30 participantes de organizações locais, como o Redário e o ISA, que forneceram as sementes para a muvuca. O plantio foi orientado pelos educadores agroecológicos Luciney e Riviane Vieira, da Vila Iandê/Universidade Cabana, com base nos princípios da agricultura sintrópica e uso de adubação 100% orgânica.
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