Lideranças contam como mobilizaram todo o território e pedem representação na posse presidencial, em Brasília
A Hutukara Associação Yanomami (HAY), a maior e mais representativa das oito associações que compõem o Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana, publicou nesta segunda-feira (26/10) uma carta parabenizando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem reconhece como “parceiro”, pela vitória no segundo turno das eleições.
A organização pede, também, a presença de suas lideranças na posse presidencial, dia 5 de janeiro de 2027, em Brasília.
O documento vem na trilha de outras duas cartas produzidas por organizações Yanomami e Ye’kwana entre o 1º e o 2º turno das eleições, que alertavam para os riscos da repetição de uma massiva invasão garimpeira em caso de vitória do candidato do PL, o senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro.
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Foi durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, que os Yanomami enfrentaram a pandemia da Covid-19 com a presença de cerca de 20 mil invasores garimpeiros, a desestruturação da saúde e mortes por doenças facilmente tratáveis, como pneumonia e desnutrição.
Jair Bolsonaro foi denunciado por genocídio ao Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, em razão da omissão na proteção aos indígenas. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a abertura de investigações para apurar eventuais crimes de genocídio e omissão de socorro. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal conduzem as apurações, que seguem em sigilo.
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“Mas você, Lula, nos deu a mão. Colocou equipes de saúde e de seguranças em nossa terra, expulsou os invasores garimpeiros, fortaleceu a Funai e trouxe comida para onde a fome ameaçava”, agradecem, em texto. “Ao criar o Ministério dos Povos Indígenas e a Casa de Governo em Roraima, você nos colocou no centro das decisões sobre a nossa própria terra e trouxe de volta o sonho da floresta viva”.
Segundo a carta, houve um grande movimento nas aldeias para garantir os votos dos Yanomami. A ação coordenada das lideranças envolveu caravanas atravessando a mata e navegando longos rios. “Esta vitória também nasceu da nossa própria força e união”, afirmam os Yanomami.
A Terra Indígena (TI) Yanomami tem 9,6 milhões de hectares - mesmo tamanho de Portugal - e centenas de comunidades que acolheram umas às outras dando água, alimentação e acomodação a fim de garantir que todos pudessem votar.
Presença na posse presidencial
Em 1º de janeiro de 2023, durante a posse de seu terceiro mandato, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado de representantes dos trabalhadores, ativistas e do cacique Raoni Metuktire, do povo indígena Kayapó. Para a próxima posse presidencial, dia 5 de janeiro de 2027, os Yanomami demandam estar presentes.
“Como um ato simbólico de continuidade desta caminhada e do nosso trabalho conjunto, queremos estar ao seu lado na posse presidencial, subindo a rampa do Palácio do Planalto junto com você. Queremos que os nossos representantes levem a força do povo Yanomami para esse momento, para mostrar ao povo brasileiro e a todo o mundo a nossa aliança e reafirmar o seu compromisso com os povos indígenas da Amazônia e de todo o Brasil”, diz trecho da carta.
Yanomami pela defesa da democracia brasileira
A dois dias do pleito, os Yanomami e Ye’kwana lançaram duas cartas ao povo brasileiro. Uma construída no âmbito do Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana, a mais alta instância de decisões do território, e a outra durante o Encontro de Mulheres na comunidade Rokoari.
Em ambos os documentos, os Yanomami explicitaram a situação da TI Yanomami e seus temores diante da possibilidade de o Brasil eleger Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas no domingo (25/10). Dessa forma, apelaram à consciência e ao coração dos brasileiros para impedir uma nova tragédia em seu território.
Em 2022, após a vitória de Lula, as mulheres yanomami também escreveram uma carta. Elas relataram os horrores que o garimpo causou em suas famílias, na terra e nos rios, além de pedir socorro a Lula.
Em 20 de janeiro de 2023, o presidente se dirigiu a Boa Vista onde anunciou uma megaoperação para reestruturar a saúde e retirar os invasores.
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