Estimativa oficial registra queda de 18% no desmatamento na Amazônia

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Taxa é a segunda menor da história. Ministra do Meio Ambiente atribui número a ações de fiscalização e regularização ambiental
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O governo divulgou, hoje (26/11), a estimativa oficial da taxa de desmatamento na Amazônia. Entre agosto de 2013 e julho de 2014, teriam sido desmatados 4.884 quilômetros quadrados de floresta, uma queda de 18% em relação ao período 2012-2013, quando foram derrubados mais de 5.891 quilômetros quadrados. Trata-se do segundo menor índice, desde que ele começou a ser produzido, em 1988 (confira a apresentação divulgada pelo governo).

A estimativa deverá ser consolidada no primeiro semestre do ano que vem, mas a expectativa dos técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é que haja uma variação de no máximo 3%, para mais ou para menos.

Somente Acre e Roraima registraram alta nas taxas, 41% e 37% respectivamente. Todos os outros estados da região tiveram queda em seus números. Representantes do governo informaram que ainda não tinham uma avaliação sobre esses índices na coletiva de imprensa onde os dados foram divulgados, em Brasília.

O Pará continua sendo o campeão do desmatamento, com 1,8 mil quilômetros quadrados de matas derrubadas, o que significa, contudo, um decréscimo de 22% em relação ao período anterior. Mato Grosso segue em segundo lugar, com uma área desmatada de pouco mais de mil quilômetros quadrados, uma queda de 8%. Rondônia vem na sequência, com 669 quilômetros quadrados derrubados, uma redução de 28% (veja tabela ao lado).

Depois do aumento de 29% da taxa, entre 2013 e 2012, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, comemorou os números divulgados hoje e atribuiu a queda da taxa às ações de fiscalização e de regularização ambiental do governo.

“Os estados estão fazendo o Cadastro Ambiental Rural. Até dezembro, o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural terá em sua base 132 milhões de hectares, um terço da área sujeita a cadastramento”, disse Teixeira. “Isso pode ser um indicativo de que muitas pessoas que apostavam no desmatamento estão querendo se regularizar”, argumentou.

De acordo com a ministra, os novos números colocam o País mais próximo do cumprimento da meta voluntária estabelecida pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, que é uma redução das emissões totais de gases de efeito estufa entre 36% a 39% em relação à uma projeção para 2020. "Estamos cumprindo as metas em relação ao desmatamento e em relação aos outros setores também", disse Teixeira.

Polêmica

A taxa vem a público depois da polêmica causada pelo atraso na divulgação da taxa oficial consolidada do desmatamento, no período de 2012-2013, e nas taxas mensais de outro sistema, o Deter, que tem uma resolução menor e serve apenas para orientar a fiscalização. Após ser acusado de adiar a liberação das informações para não prejudicar a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o governo informou que evitava divulgar as imagens de satélite para não favorecer quem desmata ilegalmente. Depois, decidiu que vai divulgar os dados de Deter apenas a cada três meses.

“Nós não seguramos informação. Era nosso desejo que as informações fossem divulgadas o mas rápido possível”, defendeu o ministro de Ciência e Tecnologia, Clélio Campolina.

O próprio Deter havia registrado um possível aumento de 9% no desmatamento para o período entre agosto de 2013 e julho de 2014. Luís Eduardo Maurano, do Inpe, no entanto, reforçou que esse sistema não pode ser usado nem mesmo para indicar tendências por ter uma metodologia diferente.

Maurano informou que os dados e imagens de satélite que compõem a última taxa do Prodes ainda estão sendo analisados pela equipe da instituição e disponibilizados na internet. Portanto, não houve tempo para uma avaliação mais detalhada da dinâmica dos desmates nas zonas de expansão da fronteira agrícola. Ele disse, porém, que os dados indicam que os grandes desmatamentos podem estar voltando, depois da difusão das pequenas derrubadas usada para tentar enganar a fiscalização.

“Uma análise mais criteriosa e aprofundada que ajude a entender melhor as dinâmicas do desmatamento e quais são os seus vetores depende dos dados espaciais, que ainda não foram disponibilizados”, ressalva Adriana Ramos, coordenadora de Política e Direito Socioambiental do ISA. “Os números sozinhos não explicam o que está por trás do desmatamento nem permitem discutir políticas em detalhe para romper o patamar que estamos. Precisamos entender melhor esses dados”.

Oswaldo Braga de Souza
ISA
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