"Devastamos mais da metade do nosso País pensando que era preciso deixar a natureza para entrar na história: mas eis que esta última, com sua costumeira predileção pela ironia, exige-nos agora como passaporte justamente a natureza".
Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo, um dos motes da fundação do ISA em 1994.
O ISA trabalha em parceria com povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para elaborar soluções inovadoras para os desafios enfrentados por estas comunidades e povos. Nossas iniciativas apoiam e promovem a defesa de direitos, gestão e proteção territorial, economias do cuidado, processos formativos, restauração ecológica inclusiva e produtiva. Elas são baseadas em processos de experimentações e trocas de saberes transparentes, equitativas e de longo prazo com nossos parceiros, que tem como base a valorização dos modos de vida destas populações e a garantia de seus direitos.
Nossa abordagem de atuação coloca a potência dos saberes tradicionais em diálogo com práticas legais, acadêmicas e de mercado. A inovação, produzida a partir dessa interação entre diferentes mundos, pensamentos e linguagens, oferece caminhos para o reconhecimento pela sociedade brasileira - e mundial -, que são estes povos que cuidam e protegem as florestas que prestam os serviços socioambientais para a própria sobrevivência do planeta e cada um de nós.
Há diversas outras iniciativas que apontam para soluções originais para os desafios enfrentados pelas populações indígenas e tradicionais para garantir o direito à terra, o bem-viver, a preservação de suas florestas e modos de vida, intrinsecamente interdependentes. A formação de jovens comunicadores indígenas, por exemplo, capacita tecnicamente a juventude dos territórios do Xingu e do Rio Negro em dominar a tecnologia para contar suas próprias histórias, defender seus direitos e se conectar com a cultura de seus de seus antepassados. Conheça abaixo outros exemplos de soluções desenvolvidas pelo ISA e seus parceiros locais e nacionais:
Copiô, Parente, o primeiro podcast feito no Brasil para os povos da floresta
Xingu Solar, projeto de promoção de energia fotovoltaica no Xingu
O sócio fundador do ISA Márcio Santilli analisa as consequências da possível transição política para a Amazônia. Artigo publicado originalmente no site do Mídia Ninja em 9/9/2022
Márcio Santilli
- Sócio fundador e presidente do ISA
É cada vez menos verdade se dizer que é a lei da selva que prevalece na Amazônia. Foi assim em outros tempos. Na floresta tropical, a abundância de vida e a intensidade da luta pela sobrevivência tornam mais evidente a presença da violência. Essa violência, porém, não difere, em essência, daquela destinada por sociedades que se consideram “civilizadas” aos migrantes e outras populações de origens geográficas, culturais, políticas ou sociais diversas. Mesmo assim, associamos a palavra “selvagem” à prática deliberada da violência.
A arqueologia contemporânea ensina que a ação humana sempre foi protagonista na produção da biodiversidade, desde que os seres humanos vivem nela e dependem dela. A ciência tem demonstrado que a Amazônia é, também, produto dessa vivência, o que deixa evidente que a associação entre selva e violência – a noção de “selvageria” – é mais colonial do que propriamente humana. É mais fruto de uma estranheza, uma exterioridade.
Não há dúvida de que a floresta impôs e continua impondo forte resistência ao padrão ideal de ocupação colonial, fundado no seu consumo mercantil e, afinal, na sua supressão. Se considerarmos a persistência da violência colonial contra a floresta, intensificada pelo avanço tecnológico, é surpreendente que florestas ainda existam, embora cada vez menos. Nesse processo, o que fica mais evidente é que a selvageria, no sentido da violência, é o próprio desmatamento. E que a vida, em sentido amplo, depende do que resta das florestas.
“Selva!”
A página do Exército no Facebook ensina que a saudação “Selva!”, comumente usada entre os militares, teve origem na frequência com que os motoristas dos veículos militares repetiam esse brado para indicarem o seu destino, na portaria do Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus. Nunca houve uma guerra na selva nem em Manaus. A indicação dos motoristas era de que o seu destino estava além do enclave urbano. A saudação também vai além, expressando a disposição de enfrentar as agruras da selva.
O Exército vale-se do poder legal de convocação, muito mais efetivo do que o das demais instituições públicas, para garantir alguma presença do Estado na região amazônica. Presença de um Estado estruturado a partir de fora da selva, ou da Amazônia, que não foi constituído a partir das formas próprias de organização das populações originais. Embora o censo do IBGE considere como essencialmente rurais 85% dos municípios da região, o poder político nos estados se articula a partir de 20 cidades, onde vive a metade da população e a maioria dos eleitores. A maior parte do território e os que vivem nela estão à margem das estruturas e dos investimentos públicos.
A presença do Exército vem sendo reforçada e aporta recursos e benefícios em algumas regiões de fronteira. Também é crescente o recrutamento local de efetivos, inclusive de indígenas. Porém, a leniência dos governos diante da predação organizada dos recursos naturais e a sucessão de assassinatos na Amazônia escancaram a ineficácia da presença militar para conter o avanço da criminalidade, mesmo nas regiões de fronteira, e para garantir a paz e a segurança dos que vivem lá.
Nos últimos anos, valendo-se da impunidade, tomou proporções inéditas a organização da grilagem de terras públicas e da invasão de terras indígenas e de unidades de conservação, associadas à exploração predatória e intensiva dos recursos minerais e florestais. A violência é um dos seus resultados, assim como o aumento do desmatamento a cada ano.
Investigações recentes da Polícia Federal sobre garimpos predatórios nas terras Yanomami (AM-RR), Munduruku e Kaiapó (PA), assim como sobre os assassinatos recentes, no Vale do Javari (AM), do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Don Phillips, mostram o protagonismo do narcotráfico, que lava dinheiro e se vale da logística da produção predatória, controlando extensão crescente da Amazônia.
Também estão sendo apuradas as relações entre essas engrenagens do crime organizado com empresas formalmente constituídas, que legalizam a produção predatória nas respectivas cadeias produtivas, e com políticos e governantes. Essas redes de interesses criminosos permeiam as pressões, no Congresso Nacional, pela legalização da grilagem de terras e da predação mineral em terras indígenas. Assim como permeiam a agenda do presidente Bolsonaro, com visitas a garimpos e a presença dos envolvidos nas suas lives e em outros eventos oficiais.
Emergência
Se as eleições de outubro confirmarem a vitória do Lula, indicada nas pesquisas, será este o tamanho da bronca: desmontar as redes de formação de milícias da Amazônia. A situação requer, como emergência, o comando da inteligência policial e militar sobre as forças. Como estratégia, impõe priorizar investimentos em projetos das populações amazônicas marginalizadas, que ainda garantem o que há de floresta em pé.
Lula pretende indicar um civil para o Ministério da Defesa, criar um ministério para assuntos indígenas e uma secretaria especial para orientar o desenvolvimento científico e tecnológico da Amazônia. Ele tem reiterado que vai reprimir o garimpo predatório em terras indígenas e retomar a política de redução do desmatamento. Desarticular as quadrilhas da predação organizada será uma condição de viabilidade para o seu programa de governo.
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| André Villas-Bôas / ISA
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Lideranças do Rio Negro levam debate sobre soberania linguística indígena e conectividade ao Fórum da Internet no Brasil
Debate passou pela inclusão digital, proteção de dados e fortalecimento das línguas indígenas a partir das experiências do Rio Negro
A relação entre conectividade e fortalecimento das línguas indígenas esteve em discussão nesta quarta-feira (27), durante o workshop “Vozes em Rede: Experiências de Inclusão Digital e Soberania Linguística Indígena”, realizado no 16º Fórum da Internet no Brasil (FIB), promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em Belém do Pará.
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Participaram da mesa no 16º Fórum da Internet no Brasil (FIB) Alberto Fernandes, Ray Baniwa, Dadá Baniwa, Edson Baré|Cleuber Amaro/Funai
Organizado pela Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e pela Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas, o encontro teve como foco as experiências do Rio Negro, território que concentra uma das maiores diversidades linguísticas do país, a partir do reconhecimento das línguas indígenas como patrimônio imaterial e base da soberania cultural, territorial e epistêmica dos povos indígenas.
Assista como foi a participação abaixo:
A atividade reuniu lideranças indígenas da região, pesquisadores e desenvolvedores para discutir os impactos, desafios e possibilidades da presença indígena no ambiente virtual. Edson Baré, diretor da Foirn e mediador da mesa, destacou iniciativas como o projeto Nheengatu Digital, desenvolvido pela Federação em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), que atua com estudantes de comunidades do Alto Rio Negro para fortalecer o uso da língua indígena em plataformas digitais. Segundo Edson, um dos desafios do projeto está justamente na adaptação tecnológica para as especificidades do Nheengatu.
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Dadá Baniwa, coordenadora da CR-Rio Negro/Funai, destacou a diversidade linguística do Rio Negro|Vanessa Fernandes/ISA
“O teclado, por exemplo, ainda precisa ser adaptado. Existem letras que são necessárias para dar a entonação correta dos sons, mas não aparecem nos teclados convencionais”, explicou.
Mesmo com as limitações, ele relatou resultados positivos nas comunidades de Juruti e Tabocal, onde cerca de 40 adolescentes já utilizam os tablets do projeto para escrever e se comunicar na própria língua no ambiente virtual.
Também integrante da mesa, a liderança Maria do Rosário Piloto Martins, conhecida como Dadá Baniwa, títular da Coordenadoria Regional Rio Negro da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai/CR-Rio Negro), destacou que o debate sobre línguas indígenas na internet precisa considerar as especificidades e diversidades dos territórios amazônicos.
Dadá lembrou que São Gabriel da Cachoeira possui 18 línguas indígenas identificadas, sendo 16 ainda faladas no município, e ressaltou que a valorização das línguas passa também pelo uso das redes sociais, pelas publicações digitais e pelo registro das memórias indígenas.
“Antes da internet, a gente já tinha nosso jeito de comunicar: pela oralidade, pelas mudanças da natureza, pelas constelações. Quando se fala das línguas na internet, também é preciso levar em consideração como elas estão sendo tratadas nesse ambiente”, afirmou.
A liderança também reforçou a importância da comunicação intercultural e das redes de comunicadores indígenas como estratégia de combate à desinformação sobre os territórios e também da valorização das línguas.
Outro ponto debatido foi a construção de acordos ortográficos para as línguas indígenas. O tema gerou reflexões sobre os limites entre oficialização e preservação da diversidade linguística e os riscos de padronizações excessivas apagarem as variações linguísticas existentes nos territórios.
Sobre este ponto, Dadá Baniwa afirmou que os acordos ortográficos não pretendem estabelecer uma “língua certa”, mas criar instrumentos de reconhecimento institucional e fortalecimento das línguas em espaços oficiais, como escolas, documentos e concursos públicos. Edson Baré acrescentou que o processo busca preservar ao máximo os diferentes dialetos e variantes regionais.
Soberania digital e autonomia tecnológica
Ao refletir sobre a chegada da internet ao Rio Negro, Ray Baniwa, cofundador da Rede Wayuri e doutorando em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembrou que os povos indígenas do Rio Negro já convivem com processos de contato e adaptação tecnológica há décadas. Segundo ele, que tem pesquisas centradas no impacto da internet e das tecnologias digitais nas comunidades indígenas sob uma perspectiva decolonial, o uso da internet se tornou uma ferramenta fundamental para afirmar a existência e a diversidade dos povos no ambiente digital.
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Alberto Fernandes e Ray Baniwa refletiram sobre autonomia tecnológica e soberania digital|Vanessa Fernandes/ISA
“Foi necessário usarmos as tecnologias para mostrar que existimos. Antes era o rádio, agora é a internet”, afirmou Ray, destacando ainda que grande parte das iniciativas de inclusão digital na região surgiu das próprias organizações indígenas, diante da ausência de políticas públicas estruturadas para as comunidades mais distantes. Mesmo quando a política chega, na opinião dele, muitas vezes ela esteve desconectada da realidade local.
Ele lembrou experiências conduzidas pelas lideranças da Foirn e pelo projeto Conexão Povos da Floresta, ressaltando que iniciativas locais conseguem integrar conectividade e letramento digital de maneira mais próxima da realidade das comunidades. Ray aproveitou para fazer um alerta.Para ele, além do acesso à internet, é necessário discutir os impactos sociais e culturais da hiperconectividade, especialmente entre crianças e adolescentes indígenas, que já enfrentam situações de golpes, violência digital e afastamento dos espaços tradicionais de transmissão de saberes.
Durante as perguntas do público, participantes levantaram preocupações sobre o uso de plataformas privadas controladas pelas big techs, como Starlink, Meta e Google, e os riscos relacionados à vigilância de dados linguísticos indígenas.
Ray reconheceu que as comunidades acabam se tornando reféns das grandes empresas de tecnologia diante da ausência de alternativas públicas acessíveis. “Hoje é muito difícil pensar soberania sem discutir alternativas às big techs”, afirmou. Ao mesmo tempo, destacou que as comunidades vêm construindo protocolos próprios sobre o que pode ou não ser compartilhado no ambiente virtual. “Nossos sábios nos orientam sobre o que pode ser publicado. Tem conhecimento que só pode ser transmitido presencialmente, dentro da comunidade”, explicou.
A preocupação com a formação técnica também foi defendida por Alberto Fernandes, técnico de telecomunicações que atua na região do Rio Negro que também integrou a mesa. Ele questionou por que ainda há tão poucos investimentos na capacitação local para instalação e manutenção dos equipamentos de conectividade.
Alberto citou o projeto Rio Negro Solar, desenvolvido pela Foirn em parceria com estudantes da Unicamp, voltado à formação técnica em energia fotovoltaica, como exemplo de iniciativa que alia autonomia tecnológica e permanência dos conhecimentos nos territórios.
Nas considerações finais, Ray Baniwa chamou atenção para a necessidade de refletir também sobre o direito à desconexão. “Desconectar também é estar conectado à terra, aos pais, à ancestralidade”, afirmou. Para ele, a presença da internet nos territórios indígenas não pode significar imposição, mas uma escolha consciente das comunidades sobre como, quando e para quê utilizar a tecnologia.
O comunicador também destacou a importância de o FIB abrir espaço para o debate sobre conectividade e povos indígenas. Segundo ele, ao longo dos anos tem sido possível observar o crescimento da participação indígena e de populações tradicionais no evento, ampliando a presença desses territórios nas discussões sobre tecnologia e governança digital.
Em 2025, a Rede Wayuri participou da 15ª edição do FIB, realizada em Salvador (BA), promovendo o workshop “Teias de Conexão: Retrato da Conectividade nas Comunidades Indígenas”. Na ocasião, o debate abordou os impactos da conectividade em comunidades indígenas do Médio e Alto Rio Negro, a partir das experiências do projeto de inclusão digital promovido pela Foirn.
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Conhecimento indígena orienta ações de combate a incêndios no Território Indígena do Xingu
Em ano de El Niño, e a partir das necessidades dos povos indígenas, ISA apoia a elaboração e entrega de 15 Planos de Manejo Comunitários do Fogo ao PrevFogo, do Ibama
Resultado de cinco anos de trabalho na região do Alto Xingu, Território Indígena do Xingu (MT), o Instituto Socioambiental (ISA) entregou ao Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), do Ibama, um total de 15 Planos de Manejo Comunitários do Fogo. A entrega foi realizada no dia 13 de maio em assembleia do Instituto Aritana, no Polo Leonardo.
Equipes do Prevfogo, do Ibama, trabalham para controlar incêndio florestal no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, em 2016|Vinícius Mendonça/Ascom/Ibama
O fogo é uma tecnologia milenar de manejo da paisagem, utilizado na roça de coivara, na limpeza de caminhos e aldeamentos, no preparo da comida, na coleta do mel, no aquecimento das casas, em técnicas de caça e em inúmeras outras atividades. No entanto, nos últimos anos, os incêndios florestais se tornaram um dos principais desafios enfrentados pelos povos xinguanos.
A entrega dos Planos de Manejo Comunitário do Fogo para o PrevFogo marca um novo momento na prevenção de incêndios dentro do Território Indígena do Xingu: a possibilidade de a política pública ser aperfeiçoada a partir do conhecimento e necessidades específicas dos povos indígenas.
“Os Planos de Manejo Integrado do Fogo, frutos do Mapeamento da Cultura do Fogo, que são produzidos de maneira participativa, revelam os saberes e fazeres das comunidades do Alto Xingu, quanto ao conhecimento tradicional associado ao uso, ou não uso, do fogo no território”, explica Marcos Guedes, técnico especialista em Manejo Integrado do Fogo do PrevFogo.
Para ele, a abordagem é muito exitosa em trazer o protagonismo comunitário como base para a efetiva promoção da gestão do fogo nos territórios. “Os Planos de Manejo Integrado do Fogo do Alto Xingu servirão de bússolas a apontar caminhos e soluções na árdua missão de conservação do território e prevenção aos incêndios florestais”, afirma.
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O Cacique Tapi Yawalapiti, presidente do Instituto Aritana, conduz a Assembleia|Iano Yawalapiti
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Ivã Bocchini, do ISA, entrega Planos de Manejo Comunitários do Fogo para Marcos Guedes, do PrevFogo|Iano Yawalapiti
Mudanças climáticas e adaptação
O trabalho começou em diálogo com aldeias do Rio Kuluene, principal rio formador do Xingu, onde moram indígenas dos povos Kalapalo e Kuikuro, principalmente. A região é caracterizada pela presença de campos naturais, uma vegetação adaptada ao fogo. No entanto, os indígenas têm sofrido com incêndios que começam nos campos, mas se descontrolam e queimam áreas de floresta.
Preocupados com a manutenção das condições de vida em suas comunidades, os xinguanos passaram a procurar o ISA para pensar novas estratégias de manejo do fogo. O trabalho resultou na elaboração dos mapas.
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Desenho do Plano de Manejo Comunitário da Aldeia Tangurinho|Emilton Paixão
"Estes planos abrange as diretrizes dos povos nativos que vivem no Território Indígena do Xingu. É gerido coletivamente por diversas etnias, como Kuikuro, Naruvotu, Tapayuna, Wauja, Kalapalo e Yudja. Suas frentes prioritárias incluem executar os planos de manejo comunitário do Xingu e mitigar os impactos das mudanças climáticas na região, com foco na restauração ecológica, manejo tradicional de roçados, recuperação de cultivos nativos, manejo sustentável e fomento a sistemas agroflorestais", explica Emilton Paixão, técnico do ISA que apoiou a elaboração dos Planos de Manejo.
O desmatamento crescente no entorno do território, o uso intensivo de agrotóxicos “secantes” nas lavouras de soja e milho e o secamento de nascentes e diminuição das águas fluviais tornaram a floresta mais seca e vulnerável ao fogo.
Antes, o fogo era mais brando, queimava lentamente uma pequena área e apagava naturalmente ao anoitecer ou ao encontrar uma porção de mata mais úmida. Agora, o fogo está “bravo” e avança descontroladamente sobre a floresta, degradando imensas áreas de mata. A floresta degradada pelo fogo se torna mais seca e mais suscetível à incêndios no ano seguinte, gerando um ciclo perverso de savanização da floresta amazônica.
Recursos estratégicos para a construção de casas, confecção de utensílios e artesanatos, coleta de frutas e plantas medicinais são destruídos, gerando prejuízos para as aldeias.
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Gráfico de área queimada no TIX ano a ano, com dados do Mapbiomas - Coleção 10|Ricardo Abad
“Este ano de 2026 será extremamente desafiador. O Xingu se prepara para um El Niño de seca intensa e altas temperaturas. O ISA seguirá junto com os povos do Xingu e suas instituições representativas, como a Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) e o Instituto Aritana, monitorando, avaliando e colaborando com o manejo do fogo e combate aos incêndios, ao lado dos agentes públicos do PrevFogo”, afirma Ivã Bocchini, coordenador-adjunto do programa Xingu do ISA.
A atuação do PrevFogo no Território Indígena do Xingu se caracteriza por duas estratégias fundamentais: ações de manejo e ações de combate. As primeiras, orientadas pelo Plano Nacional de Manejo Integrado do Fogo, ocorrem no período de maio a julho, quando a chuva diminui, mas a mata ainda está úmida, momento ideal para realizar queimas controladas, onde o fogo é tecnologia ancestral de manejo e conservação da floresta. s ações de combate a incêndios se estendem de agosto a outubro, no auge da estiagem, quando qualquer fogo precisa ser rapidamente detectado e apagado.
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Estudo divide Brasil em 48 zonas para orientar restauração de ecossistemas
Redário e parceiros lançam mapas das Zonas de Transferência de Sementes. O objetivo é aumentar a resiliência climática em plantios de espécies nativas no país
Como equilibrar a conservação da biodiversidade local com a necessidade de preparar os ecossistemas para um clima em transformação? No Brasil, milhões de árvores, arbustos e ervas são plantados todos os anos por iniciativas de restauração ecológica. Mas esses plantios amadurecerão em um cenário marcado pelas mudanças climáticas, crise hídrica e perda crescente da diversidade biológica. Um estudo científico inédito promovido pelo Redário e publicado pela revista Plants, People, Planet apresenta uma ferramenta estratégica para a implantação de plantios mais resilientes, elaboração de referências técnicas para subsidiar políticas públicas, protocolos e diretrizes nacionais para a restauração ecológica biodiversa e o enfrentamento da emergência climática.
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Frente às emergências climáticas, estudo do Redário apresenta ferramenta para implantação de plantios mais resilientes|Rodrigo Carvalho Gonçalves/Redário/ISA
Pela primeira vez, pesquisadores mapearam o Brasil em 48 Zonas de Transferência de Sementes (ZTS), que são regiões que compartilham climas e solos similares. Depois, essas mesmas ZTS foram projetadas no futuro, considerando cenários otimistas e pessimistas de mudanças climáticas. O cruzamento das projeções atual e futura indicará de quais localidades as sementes devem ser colhidas para terem mais chances de germinar, se desenvolverem bem e sobreviverem em cada local de plantio.
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Zonas de Transferência de Semente (ZTS) conforme o clima atual e com a projeção do clima esperado para 2100, segundo o modelo MPI-ESM1.2-HR|Silva et al., 2026
Oferta de sementes
Os resultados do estudo, conduzido pelo pesquisador Mateus Silva, da Universidade de Exeter, revelam que mais da metade do território brasileiro provavelmente enfrentará graves mudanças climáticas até o ano 2100 e que em muitas dessas ZTS ainda não há oferta de sementes nativas para o mercado.
“O Brasil concentra uma grande parcela de áreas prioritárias para restauração em escala global, mas até então não havia um sistema de zoneamento para orientar o fluxo de sementes desde o local de coleta até a área a ser restaurada, contrariando a tendência observada em outros países. Neste estudo, buscamos preencher essa lacuna e incorporar uma dimensão climática às zonas de sementes. Esperamos que este seja um primeiro passo para que o Brasil assuma um papel de liderança não apenas na restauração inclusiva, mas também na restauração resiliente às mudanças climáticas”, afirma Mateus Silva.
Por se tratar do primeiro trabalho dessa natureza desenvolvido para o Brasil, a expectativa dos parceiros - pesquisadores e restauradores de organizações nacionais e internacionais - é que o mapeamento das Zonas de Transferência de Sementes evolua nos próximos anos, promovendo debates, novas pesquisas científicas, conhecimentos locais e testes em campo com diferentes perspectivas territoriais e de escala.
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Encontro anual do Redário reúne coletores, técnicos, parceiros e convidados que conversam sobre restauração de ecossistemas|Caio Ferraz/Redário/ISA
“Esse mapa é fundamental porque conecta com inteligência climática e ecológica os territórios onde as sementes são coletadas e onde são plantadas. Nos faz evoluir sobre o paradigma de que a semente coletada no local sempre é a mais segura para um plantio, uma ideia que é muito presente globalmente, mas que estudos científicos têm mostrado que não é tão simples assim. Uma semente local, para performar bem, deve ser coletada até que distância do local do plantio? O mapa de Zonas de Transferência de Sementes no Brasil responde a essa pergunta de forma objetiva considerando o clima atual. A semente local é aquela coletada dentro da mesma ZTS atual do local de plantio e que, provavelmente, compartilha adaptações genéticas a esse mesmo clima. Já o mapa de ZTS que considera cenários de clima futuro orienta a compra de sementes nativas da ZTS do clima atual local e da ZTS do clima futuro ( 2060 ou 2100), em proporções a serem testadas, resultando em plantios com maior variabilidade genética para a resiliência climática, aumentando as chances de sucesso no longo prazo dos plantios no Brasil”, afirma Eduardo Malta, do Instituto Socioambiental (ISA) e coordenador do Redário.
Coletores
O Redário é uma articulação nacional, apoiada pelo ISA e outros parceiros, que atualmente conecta 37 redes e grupos coletores de sementes nativas em diferentes biomas brasileiros.
A articulação, hoje com mais de 3 mil coletoras e coletores, incluindo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIQCTAFs), incorporará as Zonas de Transferência de Sementes aos sistemas operacionais e de rastreabilidade, como ferramenta de apoio nas decisões sobre origem, oferta, demanda e fluxo de sementes entre territórios de atuação da articulação.
A plataforma digital em construção através de parceria entre o Redário, Mateus Silva, o Centro de Referência em Informação Ambiental (CRIA), Associação Nativas Brasil e o WWF-Brasil, disponibilizará publicamente informações georreferenciados das ZTS, além de mapas de ocorrência de 1.200 espécies nativas ofertadas atualmente pelo mercado de sementes e mudas. Também será possível saber em quais redes de sementes, viveiros e Zonas de Transferência estas espécies estão disponíveis.
A iniciativa tem o apoio da União Europeia, Fundação Good Energies, Instituto Clima e Sociedade, Bezos Earth Foundation, Itaú e Biomas Serviços Ambientais, Restauração e Carbono S.A.
Ciência para resiliência
Para Danielle Celentano, do ISA e membro do comitê gestor do Redário, “grandes iniciativas de restauração, políticas públicas e empresas do setor florestal têm aqui uma oportunidade concreta de liderar essa transformação e promover resiliência climática, alinhando ciência, prática e impacto em escala. Tudo isso favorecendo a economia da sociobiodiversidade e a conservação dos territórios”.
Outros
Denominadas como Seed Transfer Zones ou apenas Seed Zone no campo da restauração ecológica, as ZTS são utilizadas há bastante tempo em outros países, assim como na agricultura e silvicultura brasileiras, com a finalidade de orientar o trânsito de sementes entre regiões, embora sejam chamadas de nomes diferentes.
No Brasil, o setor florestal as denomina como Dendrozonas, Zonas Bioclimáticas ou Zonas de aptidão climática, enquanto o setor agrícola utiliza mapas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), publicado regularmente pelo governo federal para contratação de seguro rural.
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Comissão organizadora anuncia abertura das inscrições para a 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog
A partir de 20 de maio, jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço já podem se inscrever no mais tradicional prêmio da imprensa brasileira. Vencedores serão conhecidos em 30 de setembro e premiação acontece no dia 20 de outubro
As inscrições para a 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos seguem abertas até o dia 20 de junho de 2026. O mais tradicional prêmio da imprensa brasileira reconhece jornalistas, repórteres fotográficos, escritores e artistas do traço que, por meio do trabalho cotidiano, defendem a democracia, a justiça e os direitos humanos.
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As inscrições estão abertas até o dia 20 de junho|Divulgação
De abrangência nacional, o PVH tradicionalmente recebe inscrições em sete categorias:
- Produção jornalística em texto: Reportagens em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos
- Produção jornalística em áudio: Reportagens ou documentários em áudio
- Produção jornalística em vídeo: Reportagens ou documentários em vídeo Produção jornalística em multimídia: Reportagens multimídia publicadas na internet
- Fotografia: Foto ou série fotográfica publicada em veículos impressos ou eletrônicos
- Arte: Ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos publicados em veículos impressos ou eletrônicos
- Livro-reportagem: obras editadas e lançadas no ano de 2025
Para concorrer, basta acessar a ficha de inscrição e seguir as orientações da plataforma. Para esta 48ª edição são aceitos trabalhos jornalísticos publicados ou veiculados no período compreendido entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. Na categoria livro-reportagem, serão aceitas inscrições de obras editadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
Neste site os interessados podem conferir o Regulamento das sete categorias tradicionais de premiação (texto, vídeo, áudio, multimídia, foto, arte e livro reportagem) e o calendário da edição.
A taxa de R$60,00 (sessenta reais) por trabalho inscrito é uma forma de marcar o compromisso da sociedade e dos profissionais da Comunicação com essa premiação histórica. O valor arrecadado nessa Contribuição Solidária vai ajudar os organizadores a honrar os compromissos assumidos com parceiros e fornecedores envolvidos na construção de mais esta jornada.
Comissão organizadora e promotora
Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog presta homenagem a personalidades e profissionais da comunicação que se destacam na promoção dos direitos humanos fundamentais e celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.
Desde 2023, na histórica edição de 45 anos, a premiação passou a ser organizada pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Artigo 19; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e União Brasileira de Escritores (UBE).
O 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos tem o patrocínio da Petrobras, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Atuam como parceiros institucionais a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), o Teatro da PUC, a TV PUC, a OBORÉ e a CDI Comunicação.
- Período de inscrições: 20 de maio a 20 de junho 2026.
- Sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores: 30 de setembro de 2026, quarta-feira, 14h, com transmissão ao vivo.
- Solenidade de Premiação: 20 de outubro de 2026, terça-feira, no Tucarena, em São Paulo
Neste ano, a cerimônia será antecedida da Roda de Conversa com os autores das produções premiadas e de visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog - Rua Santo Antônio, 33, Bela Vista – São Paulo – SP, atrás da Câmara Municipal de São Paulo, em frente ao Terminal Bandeira.
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Revista Aru nº 7 celebra trajetórias e saberes de mulheres indígenas do Rio Negro
Publicação reúne 21 textos de autoras do Brasil e da Colômbia, exalta a trajetória das mais velhas e reafirma o protagonismo feminino indígena na produção de conhecimento
A maloca Casa do Saber, da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), em São Gabriel da Cachoeira (AM), foi palco do lançamento da sétima edição da revista de pesquisa intercultural da Bacia do Rio Negro, Aru. Dedicada às mulheres indígenas da região e com caráter binacional, a edição reúne 21 textos de autoras indígenas e não indígenas do Brasil e da Colômbia, propondo uma reflexão ampla sobre o ser mulher na bacia do Rio Negro.
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Autoras e organizadora da Aru durante lançamento da sétima edição da revista|Vanessa Fernandes/ISA
Realizado nesta segunda-feira (27/04), o evento reuniu lideranças indígenas, estudantes e autoras em uma tarde marcada pela celebração, memória e reconhecimento da trajetória das mulheres rionegrinas, evidenciando o papel das mais velhas como precursoras do movimento indígena feminino na região – muitas vezes silenciadas ao longo da história.
Inspirada nas sociocosmologias indígenas da região, a publicação parte da ideia da mulher como agente de transformação, associada ao movimento, à renovação e à capacidade de recriar mundos. A edição articula gênero, território e identidade a partir de perspectivas interseccionais, reafirmando que as experiências das mulheres indígenas estão em constante transformação e só podem ser compreendidas em relação a dimensões sociais, culturais e políticas mais amplas.
Dulce Morais, assessora de gênero do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (ISA) e uma das editoras desta edição, explica que o processo de construção da publicação partiu das próprias experiências das mulheres da região.
“No processo de organizar os textos, partimos dos múltiplos temas trabalhados e discutidos pelas mulheres indígenas do Rio Negro e também de quem caminha junto com elas, no intuito de ampliar os conhecimentos que circulam nas comunidades para um público maior, seguindo com o propósito da Aru”, afirmou.
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Capa da Revista Aru nº 7|Larissa Duarte, do Povo Tukano
Neste contexto, a assessora chama atenção, ainda, para o simbolismo da capa desta edição, ilustrada por Larissa Duarte, do povo Tukano. Produzida com tinta de urucum e técnica de aquarela, a arte traz a imagem da cobra-canoa, elemento central nas narrativas de origem da região.
A ilustração destaca que a travessia não é feita apenas por homens, mas também por mulheres, muitas vezes invisibilizadas nessas histórias. Representadas no interior da cobra-canoa, elas simbolizam a trajetória de formação da humanidade, ao longo da qual os povos foram aprendendo a benzer, caçar e curar, recebendo os conhecimentos que seguem vivos até hoje.
Organizada em seis eixos temáticos, a revista aborda desde participação política e economia indígena até saúde, violência contra mulheres, saberes tradicionais e mudanças climáticas, incluindo reflexões no contexto da COP30.
Durante o lançamento, cinco autoras compartilharam com o público os processos de escrita e as experiências que deram origem aos seus textos: Elizabete Moraes, Tukano, advogada e multiartista; dona Cecília Albuquerque, Piratapuia, liderança histórica e ex-coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) da Foirn; Cleocimara Reis, Piratapuia, atual coordenadora; Rosijane Moura Tukano, doutoranda; e Carlinha Lins Yanomami, presidente da Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma (Amyk), de Maturacá.
No início do evento, Dulce resgatou o significado de Aru nas narrativas de conhecedores de diferentes povos do Rio Negro: um personagem que avança de leste para oeste, remando rio acima, trazendo consigo o frio e o chuvisco que fertilizam as roças recém-plantadas com ideias e reflexões para fortalecimento das vozes indígenas na região.
Abrindo os diálogos da mesa de autoras, Cleocimara Reis ressaltou os avanços construídos ao longo dos anos pelo Departamento de Mulheres, especialmente no enfrentamento à violência de gênero e na ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.
Segundo ela, as conquistas atuais são fruto de uma trajetória coletiva de luta e resistência. “Somos o sonho das mulheres que vieram antes da gente. Ocupamos todos os espaços que também são nossos”.
As falas evidenciaram que escrever para a revista, para muitas delas, foi também um exercício de memória, resistência e continuidade. Rosijane Moura destacou que seu texto nasce das histórias de outras mulheres que a formaram ao longo da vida.
“Hoje, eu sou formada por várias mulheres indígenas que eu tive a oportunidade de conhecer”, afirmou ela ao lembrar trajetórias marcadas por dificuldades, violência e também por saberes e ensinamentos transmitidos entre gerações.“Se hoje eu estou aqui, é graças a essas mulheres que enfrentaram, que sofreram, muitas vezes em silêncio”, completou durante a fala.
Já dona Cecília Albuquerque relembrou os primeiros anos de atuação do Dmirn, marcados por desafios e ausência de recursos. “Nós éramos as primeiras a enfrentar vários desafios, onde não tínhamos nada. Até bote e motor a gente tinha que carregar. Mas, com muito sacrifício, fizemos nosso trabalho”, contou.
Ela destacou ainda que uma das principais lutas foi pelo reconhecimento dos direitos das mulheres indígenas e pelo direito à fala: “Nós temos os mesmos direitos. Podemos não ter a mesma força, mas a nossa fala, a nossa inteligência é a mesma”.
A fala de Carlinha Yanomami trouxe o processo de criação da associação Kumirayoma, formada por mulheres Yanomami que buscavam conquistar espaço de participação. “A gente não tinha esse espaço. As reuniões eram decididas pelos homens e nós apenas ouvíamos”, relatou.
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Dona Cecília Albuquerque, Cleocimara Reis e Rosijane Moura em diálogo sobre a construção da Aru 7|Vanessa Fernandes/ISA
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Carlinha Yanomami, presidente da Associação de Mulheres Yanomami Kumirayoma (Amyk)|Vanessa Fernandes/ISA
A partir da organização coletiva, ela contou, foi possível avançar em pautas fundamentais, como o enfrentamento à violência. “Hoje as mulheres estão conseguindo perceber o que é violência e falar sobre isso nas comunidades”.
Para Carlinha, o trabalho também envolve fortalecer as novas gerações e manter vivas as práticas culturais. “A cestaria não é apenas cestaria, ela é ancestralidade. Não podemos perder isso com a juventude”, finalizou.
A multiartista Elizabete Moraes destaca a escrita como forma de expressão sensível e política do feminino, conectada à memória, à espiritualidade e à relação com a natureza. “O feminino está em tudo, em todos os lugares”, afirmou.
Sua fala também reforçou a importância da imaginação e da escuta interna como caminhos de criação e afirmação identitária, especialmente para crianças e adolescentes presentes no evento.
Após a mesa de falas, o público participou com perguntas e comentários, em um momento de troca entre gerações. Em seguida, Janete Alves, do povo Desana, vice-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro e ex-coordenadora do Departamento de Mulheres, ressaltou a importância da publicação como reconhecimento do trabalho e das pesquisas realizadas pelas mulheres indígenas, além de seu papel no fortalecimento do trabalho intercultural no Rio Negro.
O encontro foi encerrado com um café coletivo, mantendo o clima de acolhimento e celebração que marcou toda a tarde.
Esta publicação e evento de lançamento foram realizados pelo ISA, em parceria com a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), Aliança Pelo Clima (ApC) e TerrIndígena.
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Pesquisadores indígenas, ribeirinhos e acadêmicos criam instituto de monitoramento na Volta Grande do Xingu
Conectando métodos científicos com conhecimentos ancestrais, aliança já soma 13 anos de pesquisa sobre os impactos de Belo Monte
Na última sexta-feira (17/04), um marco para a defesa do Rio Xingu foi celebrado na Terra Indígena Paquiçamba, em Vitória do Xingu (PA). Em assembleia que reuniu mais de 50 representantes — entre indígenas, ribeirinhos e acadêmicos de diferentes centros científicos —, foi criado o Instituto de Monitoramento Ambiental Territorial Independente e Pesquisa Intercultural da Volta Grande do Xingu (MATI-VGX). Fruto de mais de uma década de registros contínuos dos impactos da hidrelétrica de Belo Monte, a criação do Instituto ocorreu onde tudo começou: na aldeia Mïratu, do povo Juruna/Yudjá, localizada no chamado "Trecho de Vazão Reduzida" (TVR) — região de onde a usina desvia até 80% das águas do Xingu para alimentar suas turbinas.
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Criação do Instituto de Monitoramento Ambiental Territorial Independente e Pesquisa Intercultural da Volta Grande do Xingu (MATI-VGX) fortalece monitoramento participativo|Roberto Rezende/ISA
“A formalização do MATI-VGX vem evidenciar aquilo que viemos falando há muitos anos, desde a implementação da barragem de Belo Monte. É algo muito importante para esta região da Volta Grande e para quem reside aqui. Mas não é importante só para nós: também para que surjam outras iniciativas que precisam de fortalecimento, para que tenham mais iniciativas de monitoramento participativo intercultural”, declarou Josiel Juruna, diretor do MATI-VGX, em nome dos sócios fundadores.
Aliando conhecimentos dos territórios tradicionais e de universidades, o MATI-VGX se tornou uma referência fundamental sobre a Volta Grande do Xingu. Seus dados, publicados em periódicos de excelência com revisão por pares, como a Conservation Biology, têm fornecido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) — licenciador de Belo Monte — avaliações sobre o que se passa na região em decorrência do barramento do Xingu.
Com os dados produzidos de maneira independente, não é apenas a própria empresa concessionária de Belo Monte quem detém exclusividade na comunicação ao licenciador sobre os impactos do empreendimento. Além disso, o público em geral pode ter acesso à base de dados do monitoramento, disponível no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr | MATI-VGX).
A presença constante no território possibilita ao MATI-VGX registrar eventos críticos que evidenciam o estado do ecossistema — como o flagrante, pelo quarto ano consecutivo, de milhões de ovas de peixe morrendo em áreas secas, devido à redução drástica da vazão do rio. Com isso, além de informar imediatamente os órgãos competentes de fatos dessa importância, o MATI-VGX fornece à sociedade em geral evidências dos graves danos que hidrelétricas podem provocar em rios amazônicos, explicitando também a urgência de se estabelecer uma partilha justa de água na Volta Grande do Xingu.
“O MATI é a visão e a voz, em tempo real, da situação das vidas na Volta Grande do Xingu”, disse o diretor adjunto do MATI-VGX, Raimundo da Cruz e Silva, ribeirinho e pesquisador. Ele complementa: “a nossa maior força foi a união entre os indígenas, os ribeirinhos e os cientistas acadêmicos, consolidando uma robustez de conhecimentos práticos e científicos, transmitindo qualidade e segurança em nosso trabalho”.
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“O MATI é a visão e a voz, em tempo real, da situação das vidas na Volta Grande do Xingu”, disse o diretor adjunto do MATI-VGX, Raimundo da Cruz e Silva|Roberto Rezende/ISA
O MATI-VGX teve sua produção técnica e científica reconhecida pelo Ibama, que ordenou à concessionária de Belo Monte que considere as análises produzidas pelo monitoramento independente para propor um novo hidrograma para a Volta Grande.
A relevância e legitimidade do MATI-VGX como interlocutor qualificado sobre os impactos de Belo Monte se deu também, nos últimos anos, em eventos públicos, científicos e acadêmicos, sobre a realidade da região. Exemplos recentes são as suas contribuições para o debate promovido pelo Ministério Público Federal durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), de 2025; a participação na 76ª reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) com a mesa redonda “De quanta água um rio precisa? Partilha da água entre os povos do Rio Xingu e a UHE Belo Monte sob mudança climática”, em 2024; e o seminário técnico “O Futuro da Volta Grande do Xingu”, promovido em Brasília pela Procuradoria-Geral da República, em 2023.
“As pesquisas realizadas pelo MATI-VGX têm capilaridade no território, se baseiam no sistema de conhecimentos intergeracionais e registram as mudanças ambientais e dados sobre interações entre espécies”, observa a professora doutora Janice Muriel Cunha, da Universidade Federal do Pará (UFPA), associada ao MATI-VGX. “A criação do instituto fortalece a missão de salvaguardar a Volta Grande do Xingu e pela governança ambiental mais participativa e com o protagonismo de quem vive os impactos no território”, completa.
Saiba mais sobre a luta de ribeirinhos e povos indígenas pela vida do Rio Xingu:
Agora fortalecido como organização formalizada, o MATI-VGX reafirma sua missão de promover o monitoramento independente e a pesquisa intercultural, garantindo o protagonismo local e a defesa dos direitos humanos e ambientais na Volta Grande do Xingu. Esse é um passo decisivo para justiça socioambiental e a proteção necessária de uma das regiões mais biodiversas e ameaçadas do Brasil.
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Aldear a Educação leva saberes indígenas ao Sesc 24 de Maio, em São Paulo (SP)
Com oficina, roda de conversa, aula-espetáculo, performance de Auritha Tabajara e pocket show de Brisa Flow, programação especial celebra as onze iniciativas premiadas pelo Edital Aldear a Educação Básica
Encerrando o Abril Indígena, mês de mobilização e resistência para o movimento indígena, nos dias 28 e 29 de abril, o Sesc 24 de Maio, em São Paulo (SP), recebe uma programação especial dedicada à promoção de uma educação que reconheça os saberes indígenas nas escolas brasileiras.
Reunindo pessoas educadoras de comunidades indígenas e não indígenas, as atividades do Aldear a Educação incluem roda de conversa, aula-espetáculo, oficina e bate-papo, propondo o diálogo entre diferentes saberes e modos de ensinar e aprender. “É um espaço para fortalecer, aprender, somar experiências e seguir avançando na valorização das ciências indígenas e no bem viver”, afirma Rosenilda Luciano, do povo Sateré-Mawé, coordenadora do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei).
Além disso, o evento também busca assegurar a Lei nº 11.645/2008, uma conquista do movimento indígena que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), tornando obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas nas escolas do país. A legislação veio para complementar a Lei nº 10.639/2003, que já havia determinado a inclusão no currículo de histórias e culturas afro-brasileiras.
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Aula na aldeia Ngojwêrê, do povo Khisêtjê, na Terra Indígena Wawi, no Mato Grosso, valoriza língua indígena|Ton Koene
A programação é uma realização do Serviço Social do Comércio São Paulo (Sesc SP), junto ao Instituto Socioambiental (ISA) e ao Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei), em parceria com a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e o Instituto Alana.
Para Rosenilda Luciano Sateré-Mawé, a cerimônia marca um momento de celebração e de reconhecimento das práticas pedagógicas nascidas nos territórios e reafirma a construção de uma educação mais justa, sustentável e pluriétnica, profundamente alinhada aos saberes dos povos indígenas. “Esse encontro evidencia a força da luta dos educadores e educadoras indígenas, articulados pelo FNEEI, com apoio de parceiros comprometidos, como o ISA, o Sesc, a Anmiga e o Instituto Alana, na construção coletiva de caminhos para a efetiva implementação da Lei 11.645/2008, respeitando as especificidades dos povos indígenas”, conclui.
A programação conta a presença de Joziléia Kaingang, diretora-executiva da Anmiga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Gersem Baniwa, coordenador do FNEEI e professor na Universidade de Brasília (UnB); Cris Takuá, do Museu das Culturas Indígenas (MCI) e coordenadora das Escolas Vivas junto à Associação Selvagem; Luiz Ketu, escritor e pesquisador do Quilombo São Pedro, no Vale do Ribeira (SP); além da performance poética inédita da escritora Auritha Tabajara, com participação especial da musicista Paola Gibram; e o pocket show da artista Brisa Flow.
A iniciativa também celebra as onze experiências selecionadas no Edital Aldear a Educação Básica: Fortalecendo a Lei 11.645/08, que reconheceu onze práticas pedagógicas comprometidas com a valorização das histórias, culturas e conhecimentos indígenas nas escolas brasileiras. Ao todo, mais de 200 propostas foram avaliadas por um comitê formado por especialistas, educadores e representantes de organizações da sociedade civil.
Para Luma Prado, pesquisadora responsável pelo projeto Aldear a Educação do ISA, “a programação no Sesc 24 de Maio dá oportunidade à comunidade educadora paulistana de conhecer, aprender e trocar com educadores indígenas e não indígenas que tornam realidade a Lei 11.645 em várias partes do Brasil”. Ela ainda acrescenta, “para nós, do ISA, a Lei 11.645 é estratégica no combate ao racismo contra povos indígenas, na valorização da sociodiversidade brasileira e, além disso, é a chave para que crianças e jovens possam desenvolver soluções para enfrentar a emergência climática”.
O evento busca ampliar o alcance dessas práticas anteriormente reconhecidas pelo edital, que incluem iniciativas como podcasts com intelectuais indígenas, jogos protagonizados por mulheres lideranças, catálogos táteis de grafismos e projetos voltados a diferentes etapas da educação básica, incluindo Educação de Jovens e Adultos (EJA).
As ações pedagógicas premiadas serão disponibilizadas gratuitamente na plataforma Aldear a Educação, no site mirim.org, contribuindo com o repositório de recursos pedagógicos de educadores e para a difusão de abordagens antirracistas e interculturais em todo o país.
O edital Aldear a Educação Básica
Lançado em setembro de 2025, o edital tem como objetivo reconhecer e divulgar experiências educativas que evidenciem os saberes indígenas, combatendo o preconceito e fortalecendo a Lei nº 11.645/2008. A iniciativa é fruto da parceria entre FNEEI, ISA, Instituto Alana e Anmiga. Além do edital, a parceria entre as organizações é responsável pelo mapeamento de educadores indígenas que atuam na formação continuada de professores e pela nota técnica “Lei 11.645/08: Ensino de História e Cultura Indígena”, lançada em 2024.
Confira a programação completa:
Roda de conversa: Como aldeamos a Educação? Data e horário: 28 de abril de 2026, terça-feira, das 15h às 17h30 Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio Participantes: Prof. Dr.ª Joziléia Kaingang (Anmiga e UFSC) e responsáveis pelas propostas premiadas no edital Aldear a Educação Básica, sendo eles: Ana Paula da Rocha, do povo Tapeba, que atua na Escola Indígena Aba Tapeba, em Caucaia (CE); Andressa dos Santos Silva, que atuou no CIEJA Campo Limpo, em São Paulo (SP); Arley de Araújo Clemente, do povo Potiguara Ibirapi, educador no Centro Comunitário Indígena/EJA Nordeste, em Ceará Mirim (RN); Bruna Moreira da Silva, professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos do Cristal, em Porto Alegre (RS); Cristiana Andrade Butel, que atua na Escola Estadual Senador João Bosco, em Parintins (AM); Leonardo Alves da Cunha Carvalho, professor do Instituto Federal de São Paulo (Campus São Miguel Paulista), na capital paulista; Monyque Ferreira Brandão, professora da Escola Estadual José Domingos da Silveira, em Barueri (SP); Selma de Souza Sá Silva, do povo Pankará, que atua na Escola Municipal Virgílio Távora, em São Paulo (SP); Talita Yosioka Collacio, professora da EJA na Escola Municipal Professor João de Barros Pinto, em Santo André (SP); Thais Regina Maciel da Silva, do povo Pataxó, que leciona na Escola Municipal Aristides José da Silva, em Betim (MG); Vilmone Benites Samaniego (Wera Mirim), do povo Guarani Nhandeva, educador na Escola Indígena Pira Rupa, em Palhoça (SC) Mediação: Tatiane Maíra Klein (ISA e USP) *Retirada de ingresso 30 minutos antes
Aula-Espetáculo: Aldear a Educação: caminhos indígenas para a Lei 11.645/08 Data e horário: 28 de abril de 2026, terça-feira, das 19h às 21h Local: Teatro do SESC 24 de Maio Participantes: performance poética de Auritha Tabajara, com participação especial da musicista Paola Gibram; Chirley Pankará (Anmiga e USP), como mestra de cerimônias; aula de Gersem Baniwa (FNEEI e UnB) e Luma Prado (ISA e USP); e pocket show de Brisa Flow *Retirada de ingressos 1 hora antes
Bate-papo: Pedagogias quilombolas e indígenas Data e horário: 29 de abril de 2026, quarta-feira, das 15h às 16h30 Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio Participantes: Cris Takuá (Escolas Viva/Conselho Aty Mirim, TI Ribeirão Silveira) e Luiz Ketu (Quilombo São Pedro) Mediação: Mariana Soares, jornalista (ISA) *Retirada de ingresso 30 minutos antes
Oficina: Escolas antirracistas, modos de fazer Data e horário: 29 de abril de 2026, quarta-feira, das 17h às 19h Local: Sala ETA, no 4º andar do Sesc 24 de Maio Participante: Veronica Pinheiro (grupo Aprendizagens/Selvagem) *Retirada de ingresso 30 minutos antes
Mais informações:sescsp.org.br/24demaio Serviço de van: o Sesc oferece transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.
Sobre o Sesc
O Serviço Social do Comércio é uma entidade privada com finalidade pública, criada em 1946 por iniciativa do empresariado do setor de comércio de bens, serviços e turismo, e que tem como missão contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores dessas categorias, seus dependentes e da sociedade em geral.
No estado de São Paulo, o Sesc conta com uma rede de 44 unidades, incluindo centros culturais e esportivos, bem como unidades especializadas. Oferece programações em diversas linguagens artísticas, atividades físico-esportivas e de turismo social, programas de saúde, educação para sustentabilidade, para a diversidade e para acessibilidade, alimentação, programas especiais para crianças, jovens e pessoas idosas, além do Sesc Mesa Brasil – programa institucional de combate à fome e ao desperdício de alimentos.
O Sesc desenvolve, assim, uma ação de educação não formal permanente com o intuito de valorizar as pessoas ao estimular a autonomia, a convivência e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.
Sobre o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei)
O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) é um espaço de diálogo e articulação entre lideranças indígenas, educadores e o Estado, em defesa de uma educação escolar indígena específica, diferenciada e intercultural. Criado em 2015, o Fórum atua na promoção de políticas públicas que valorizem os saberes tradicionais, as línguas e os territórios indígenas, conforme previsto na Constituição e no Plano Nacional de Educação, reafirmando seu papel de resistência frente aos retrocessos nos direitos dos povos indígenas.
Sobre o Instituto Socioambiental
Com o lema “socioambiental se escreve junto”, em 1994 foi fundado o Instituto Socioambiental (ISA). Desde então, a organização atua lado a lado com parceiros históricos de comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas para desenvolver soluções que protejam seus territórios, fortaleçam suas culturas e saberes tradicionais, elevem seu perfil político, e desenvolvam economias sustentáveis.
Com Programas e escritórios dentro dos territórios, o ISA fincou suas raízes em três bacias hidrográficas: Rio Negro (AM/RR), Xingu (MT/PA) e Ribeira de Iguape (SP). E, em parceria com associações locais, organizações não governamentais, e redes regionais e nacionais, articula projetos através dos Programas de Política e Direito Socioambiental e Povos Indígenas no Brasil, bem como dos Temas de Restauração Ecológica, Economias da Sociobiodiversidade e Clima - uma relação de duas vias que nomeamos “raiz-antena”. Sua missão é defender a pluralidade socioambiental brasileira, seja no chão da floresta ou nos corredores de Brasília.
Sobre o Alana
O Alana é um ecossistema de organizações de impacto socioambiental que promove e inspira um mundo melhor para as crianças. Um mundo sustentável, justo, inclusivo, igualitário e plural. Um mundo que celebra e protege a democracia, a justiça social, os direitos humanos e das crianças com prioridade absoluta. Um mundo que cuida dos seus povos, de suas florestas, dos seus mares, do seu ar. O Alana é um ecossistema de organizações interligadas, interdependentes, de atuação convergente, orientadas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O encontro de um Instituto, uma Fundação e um Núcleo de Negócios de Entretenimento de Impacto. Um combinado único de educação, ciência, entretenimento e advocacy que mistura sonho e realidade, pesquisa e cultura pop, justiça e desenvolvimento, articulação e diálogo, incidência política e histórias bem contadas.
Sobre a Anmiga
A Anmiga é uma organização de mulheres originárias dos seis biomas do País – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Por meio de uma construção coletiva, elas buscam fortalecer a luta pelo bem viver e por seus territórios, a partir do protagonismo das mulheres e da valorização de seus saberes tradicionais.
Esta publicação é um produto do projeto "Defesa e Promoção dos Direitos Indígenas no Brasil: Construir Capacidades e Engajar Pessoas por um Futuro mais Justo", realizado pelo Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) e Instituto Socioambiental (ISA), com o financiamento da União Europeia. Este material tem conteúdo de responsabilidade exclusiva das instituições realizadoras e não reflete a posição da União Europeia.
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Ação de plantio agroflorestal na Praça Dorothy Stang, em Belém, contribui para diversidade urbana
Resultados de monitoramento em área implantada durante a COP30 mostram que muvuca e agricultura sintrópica são uma combinação favorável para a restauração da Amazônia e da floresta
Andrea Ono
- Jornalista do Redário
Claudia Kahwage
- Espaço Permacultural Via Amazônia
Banana, macaxeira, taioba, feijão de porco, pepino, sementes para coletar e plantar de novo é o resumo da fartura e diversidade do que pode ser visto hoje na Praça Dorothy Stang, em Belém, onde, em novembro de 2025, durante a COP30 aconteceu um mutirão de plantio de agrofloresta urbana com muvuca de sementes. O resultado mostra que produção de alimentos e restauração de ecossistemas podem e devem estar juntos.
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Ação ocorreu na Praça Dorothy Stang, em Belém, em novembro de 2025, durante a Conferência das Partes (COP30)|Claudia Kahwage
“Além da função produtiva, a agrofloresta também passou a desempenhar papel paisagístico, transformando a estética da praça. O espaço, antes marcado por um gramado homogêneo, agora se apresenta como um ambiente verde, diverso e vivo”, é o que relata Claudia Kahwage, do Espaço Permacultural Via Amazônia, organização que coordenou a ação de plantio.
De acordo com ela, os resultados obtidos em pouco mais de quatro meses após o plantio demonstram a efetividade da técnica da muvuca mesmo em condições de solo degradado.
“A experiência reforça o potencial da muvuca como tecnologia de restauração de baixo custo e alta eficiência, com aplicabilidade tanto em áreas rurais quanto urbanas da Amazônia. No contexto da COP30, a iniciativa evidencia que soluções práticas e replicáveis já estão em curso, apontando caminhos concretos para a recuperação de áreas degradadas e a construção de cidades mais resilientes”, afirma.
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Plantio com muvuca foi inspirado nos processos naturais, semeando diversas espécies em conjunto, combinando diferentes alturas e ciclos de vida|Hellyda Silveira/Espaço PermaCultural Via Amazônia
Claudia Kahwage explica que, na ocasião, um trecho de gramado empobrecido foi convertido em área agroflorestal por meio da técnica da muvuca, que consiste na semeadura direta de uma mistura diversificada de espécies. As sementes utilizadas foram fornecidas pelo Instituto Socioambiental (ISA), contribuindo para a diversidade e funcionalidade do sistema. O plantio incluiu também o consórcio com mandioca, banana, abacaxi e carás, fortalecendo o potencial produtivo da área.
O sistema agroflorestal se mostra bem estabelecido. O crescimento vigoroso das espécies e a boa cobertura do solo são sinais evidentes de regeneração ecológica. A área, antes degradada, hoje apresenta diversidade vegetal e já começa a produzir alimentos, além de contribuir para o sombreamento e melhoria do microclima local.
Claudia explica ainda que na agricultura sintrópica, o plantio biodiverso, como o da muvuca de sementes, é a base do sistema produtivo. Inspirada nos processos naturais, essa abordagem organiza diversas espécies em conjunto, combinando diferentes alturas e ciclos de vida. Essa diversidade permite que as plantas cooperem entre si, promovendo fertilidade do solo, equilíbrio ecológico e aumento da produtividade.
“Assim, o cultivo funciona como uma floresta produtiva, onde produzir e regenerar caminham juntos. A muvuca e a agricultura sintrópica juntas são uma potência para a restauração da Amazônia”, conclui.
O mutirão de plantio, que ocorreu durante o lançamento do Festival de Cinema Dorothy Stang: Justiça Climática e Direitos Humanos, foi organizado pelo Espaço Permacultural Via Amazônia, reunindo cerca de 30 participantes de organizações locais, como o Redário e o ISA, que forneceram as sementes para a muvuca. O plantio foi orientado pelos educadores agroecológicos Luciney e Riviane Vieira, da Vila Iandê/Universidade Cabana, com base nos princípios da agricultura sintrópica e uso de adubação 100% orgânica.
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ISA lança 'Hoje na História Socioambiental', série que movimenta memória e arquivos para as salas de aula
Materiais didáticos com base em documentos históricos do Acervo do ISA fortalecem a luta de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais do Brasil
O acervo do Instituto Socioambiental (ISA) começou a ser formado ainda na década de 1970, antes mesmo da existência formal da instituição, criada em 1994. Na época, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi) formou com participação decisiva de uma rede de colaboradores voluntários uma base inédita de documentos socioambientais.
Hoje, grande parte dessa base documental pode ser consultada na plataforma digital do Acervo do Instituto Socioambiental. São mais de 250 mil itens catalogados, como publicações do ISA, livros, recortes de jornais da época, fotos, vídeos, mapas, entre outros tipos de documentos de valor histórico e imaterial.
Grupo de indígenas de diversos povos, ocuparam auditório durante as negociações do capítulo dos índios na Constituinte, em 1988, em Brasília|Beto Ricardo/ISA
Para valorizar a memória dos povos e dos registros documentais presentes no Acervo do ISA, a série Hoje na História Socioambiental lança luz sobre o protagonismo de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais na construção do país.
A série integra pesquisa histórica, registros documentais e saberes tradicionais, revelando como marcos nacionais se cruzam com trajetórias coletivas, lutas territoriais, processos de resistência, violações de direitos e conquistas que transformaram a história do Brasil.
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Participante da II Marcha Aquilombar, maior evento quilombola do país, teve como tema "Ancestralizando o Futuro", em 2024|Joédson Alves/Agência Brasil
A série e os kits didáticos dialogam com os princípios estabelecidos pela Lei nº 11.645/2008, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas de todo o país e amplia o acesso a conteúdos qualificados sobre os povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, bem como suas trajetórias históricas, sociais e culturais.
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“Saberes Indígenas na escola”, produzida pelo Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) e Instituto Alana|Brenda Okubo/ISA
Hoje na História Socioambiental é um convite do Acervo do ISA a reler o Brasil com mais amplitude, sensibilidade e justiça. Ao revisitar o passado por outras lentes, a série busca ajudar a compreender o presente e inspirar novas formas de pensar o futuro.
Quer saber mais sobre a História Socioambiental do Brasil? Assista ao filme Mapear Mundos, que articula imagens de arquivos indigenistas com testemunhos atuais para rememorar os passos dados por organizações da sociedade civil, em um contexto de ditadura militar, pela garantia de direitos dos povos originários no Brasil.
**A série Hoje na História Socioambiental apresenta a riqueza de informações do Acervo do Instituto Socioambiental que conta com mais de 250 mil itens catalogados voltados para a temática socioambiental como publicações do ISA, livros gerais, teses e dissertações, mapas, notícias, materiais audiovisuais, entre outros. Hoje na História Socioambiental é um convite a reler o Brasil com mais amplitude, sensibilidade e justiça, valorizando a memória e documentação dos diversos povos.
Esta publicação conta com o apoio do Fundo Amazônia e é um produto do projeto "Defesa e Promoção dos Direitos Indígenas no Brasil: Construir Capacidades e Engajar Pessoas por um Futuro mais Justo", realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), com o financiamento da União Europeia.
Este material tem conteúdo de responsabilidade exclusiva da instituição realizadora e não reflete a posição da União Europeia.
Em ritual durante a comemoração dos 30 anos da TI Yanomami, o xamã Davi Kopenawa segura o céu na Aldeia Xihopi, no Amazonas|Christian Braga/ISA
Ana Maria Eugênia da Silva, liderança do Quilombo Sitio Veiga, de Quixadá-CE|Ester Cruz/ISA
Mulheres carregam pimentas colhidas na roça próxima à comunidade Canadá, no Rio Ayari, Terra Indígena Alto Rio Negro, Amazonas|Carol Quintanilha/ISA
Urias Morato, do Quilombo São Pedro, durante a 16ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira|Júlio César Almeida/ISA
Ato público às margens do Xingu no encerramento do Encontro Xingu Vivo para Sempre, em Altamira, Pará|Raul Silva Telles do Valle/ISA
Deputado Vigildásio Senna, da Bahia, leva para a tribuna a Câmera mapa feito pelo CEDI, "Empresas de Mineração em Terras Indígenas"|André Dusek/AGIL
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