"Devastamos mais da metade do nosso País pensando que era preciso deixar a natureza para entrar na história: mas eis que esta última, com sua costumeira predileção pela ironia, exige-nos agora como passaporte justamente a natureza".
Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo, um dos motes da fundação do ISA em 1994.
O ISA trabalha em parceria com povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais para elaborar soluções inovadoras para os desafios enfrentados por estas comunidades e povos. Nossas iniciativas apoiam e promovem a defesa de direitos, gestão e proteção territorial, economias do cuidado, processos formativos, restauração ecológica inclusiva e produtiva. Elas são baseadas em processos de experimentações e trocas de saberes transparentes, equitativas e de longo prazo com nossos parceiros, que tem como base a valorização dos modos de vida destas populações e a garantia de seus direitos.
Nossa abordagem de atuação coloca a potência dos saberes tradicionais em diálogo com práticas legais, acadêmicas e de mercado. A inovação, produzida a partir dessa interação entre diferentes mundos, pensamentos e linguagens, oferece caminhos para o reconhecimento pela sociedade brasileira - e mundial -, que são estes povos que cuidam e protegem as florestas que prestam os serviços socioambientais para a própria sobrevivência do planeta e cada um de nós.
Há diversas outras iniciativas que apontam para soluções originais para os desafios enfrentados pelas populações indígenas e tradicionais para garantir o direito à terra, o bem-viver, a preservação de suas florestas e modos de vida, intrinsecamente interdependentes. A formação de jovens comunicadores indígenas, por exemplo, capacita tecnicamente a juventude dos territórios do Xingu e do Rio Negro em dominar a tecnologia para contar suas próprias histórias, defender seus direitos e se conectar com a cultura de seus de seus antepassados. Conheça abaixo outros exemplos de soluções desenvolvidas pelo ISA e seus parceiros locais e nacionais:
Copiô, Parente, o primeiro podcast feito no Brasil para os povos da floresta
Xingu Solar, projeto de promoção de energia fotovoltaica no Xingu
“O objetivo principal dessa unidade demonstrativa é que se torne uma vitrine das técnicas de restauração aqui na região. Escolhemos estrategicamente o campo experimental da Embrapa, para que as pessoas que não conhecem possam acessar esse espaço que é bem mais perto da cidade”, afirma Miguel Gama, técnico em restauração ecológica do Instituto Socioambiental (ISA) sobre a unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes nativas implantada em 26 fevereiro deste ano, cujos resultados já são visíveis.
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Participantes do I Encontro de Coletores da Amazônia viram de perto os primeiros resultados da semeadura das sementes coletadas pela Rede de Sementes da Terra do Meio|Denise Santos Costa/ISA
Durante o evento, além de ver de perto o processo da restauração por muvuca, os convidados - entre eles Emater, Embrapa, universidades, estudantes, coletores de sementes, entre outros parceiros locais e empresas - também conheceram as ações que vêm sendo desenvolvidas na região pela Caminhos da Semente, Redário e Rede de Sementes Terra do Meio, iniciativas apoiadas pelo ISA.
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Convidados participaram da implantação da unidade demonstrativa experimental, entendendo como o método pode ser adaptado a diferentes formas de semeadura|Miguel Gama/ISA e Matheus Rezende/ISA
“Da teoria à prática, a gente foi para o campo, mostrar como é que é feito. Muitos participantes ainda não haviam tido contato direto com a muvuca, porque é uma coisa nova ainda aqui na região. Agora tem essa área, mais próxima deles, que podem visitar e acompanhar seu desenvolvimento”, continua Miguel.
Conforme Matheus Rezende, técnico em restauração ecológica (ISA), essa unidade também servirá para o monitoramento de indicadores ecológicos em futuros dias de campo. “Discutimos diversas questões e dúvidas importantes sobre toda a cadeia da restauração com sementes, tornando a experiência ainda mais rica. Momentos como esses fortalecem a troca entre conhecimento científico, prática no campo e articulação multissetorial, essenciais para compreendermos tecnicamente a restauração ecológica com sementes, ampliando a restauração com qualidade e garantindo o sucesso dos projetos em diferentes ecossistemas”, finaliza.
O dia de campo experimental “Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes” foi promovido pelo ISA, através das iniciativas Caminhos da Semente e Redário, em parceria com Embrapa Amazônia Oriental, Centro Capoeira e UFPA, com apoio financeiro da Fundação Bezos para a Terra.
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Artista indígena Aymara, Shirley Espejo realiza oficina de colagens para educadores no espaço Floresta no Centro, do ISA
Atividade gratuita, dia 17 de outubro, em São Paulo, convida professores da educação básica a refletir e ressignificar narrativas sobre povos indígenas e comunidades tradicionais
No dia 17 de outubro, sábado, a artista visual Shirley Espejo (@espejismo) realiza no espaço Floresta no Centro, na Galeria Metrópole, em São Paulo, a oficina “Colagem para mãos livres”, um encontro voltado especialmente a professores da educação básica interessados em explorar novas possibilidades de criação e de trabalho com imagens em sala de aula.
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Fotocolagem de Shirley Espejo para a série "Hoje na História Socioambiental"|Shirley Espejo
A atividade acontece das 9h30 às 13h e tem 25 vagas disponíveis, com 70% delas reservadas para educadores da rede pública de ensino. Inscreva-se agora: https://isa.to/4ywcuUl.
A oficina não exige experiência prévia com técnicas artísticas e propõe exercícios de observação, composição e desconstrução de imagens e textos a partir de perguntas como
“Com quantas imagens se faz uma colagem?”
“Com quantas imagens se constrói um sonho visual?”
Shirley também apresenta princípios da colagem manual e convida os participantes a experimentar outras formas de olhar para os materiais gráficos que circulam no cotidiano.
A atividade aborda ainda a maneira como corpos indígenas e racializados são historicamente representados em revistas, jornais, enciclopédias e outros materiais impressos.
A colagem aparece, assim, como possibilidade de deslocar imagens de seus contextos originais, questionar representações cristalizadas e construir novas narrativas. Para Shirley, a técnica pode contribuir para a ressignificação de narrativas impostas sobre corpos racializados e marginalizados ao longo da história pós-colonial, e pode ser incorporada ao exercício da docência.
Arte, memória e educação socioambiental
A oficina está conectada ao projeto “Hoje na História Socioambiental”, iniciativa que busca transformar documentos históricos e acervos em ferramentas didáticas para professores e estudantes.
Ao aproximar documentos, imagens, memória e criação artística, a proposta é estimular outras formas de leitura do passado e do presente e contribuir para uma educação capaz de questionar narrativas hegemônicas sobre povos indígenas, comunidades tradicionais e outros grupos historicamente invisibilizados ou representados de maneira estereotipada.
A oficina também busca demonstrar que a produção artística pode ser acessível e pode ajudar a construir imagens e narrativas utilizando poucos recursos, como fragmentos de textos, fotografias, papéis e até mesmo dispensando ferramentas de corte, como tesouras e estiletes, marca já reconhecida da artista.
Sobre Shirley Espejo
Shirley Espejo (@_espejismo_), é artista visual indígena aymara e filha de imigrantes bolivianos. Sua produção investiga identidade, memória, migração e as representações de povos originários e corpos racializados, especialmente por meio da colagem manual e do deslocamento de imagens. Em 2025, foi indicada ao Prêmio Pipa, uma das principais premiações dedicadas à arte contemporânea brasileira.
É idealizadora do projeto “Colagem para mãos livres”, voltado à investigação e experimentação artística a partir da colagem manual, e do “Agosto do Papel”, iniciativa independente de difusão do papel como meio de expressão artística.
Shirley também integrou o 33º Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, onde apresentou sua primeira exposição individual, “Rasgo”. Participou ainda do Projeto Emergir – Leituras Expandidas com livros Pop-up, contemplado pelo ProAC, para a produção de um livro infantojuvenil sobre identidade e imigração, e foi selecionada para a I Exposição e Ciclo de Acompanhamento Artístico da Rede ArteRefúgio, iniciativa ligada à Unicamp e ao ACNUR dedicada às expressões artísticas produzidas em contextos de migração e deslocamento humano.
Serviço
Oficina “Colagem para mãos livres”, com Shirley Espejo (Espejismo) Data: 17 de outubro de 2026 Horário: 9h30 às 13h Local: Floresta no Centro, espaço do ISA – Praça Dom José Gaspar, 134, São Paulo (SP). 2º Mezanino da Galeria Metrópole Público: professores da educação básica e outros Vagas: limitadas, sendo 70% delas reservadas a profissionais da rede pública de ensino. Inscreva-se aqui: https://isa.to/4ywcuUl.
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Organizadores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos anunciam finalistas da edição 2026
Vencedores serão conhecidos em sessão pública de julgamento no dia 30 de setembro, com transmissão ao vivo pelo YouTube. Cerimônia de premiação será no dia 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo
Nesta 48ª edição, foram 346 produções inscritas nas categorias: Arte, Fotografia, Texto, Vídeo, Áudio, Multimídía e Livro-reportagem, das quais 21 são finalistas. Vencedores serão definidos em Sessão Pública de Julgamento no próximo dia 30 de setembro, a partir das 14h, com transmissão ao vivo pelo Canal do Prêmio no YouTube.
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Prêmio reconhece profissionais de sete categorias|Divulgação
Desde a sua primeira edição, concedida em 1979, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog presta homenagem a personalidades e profissionais da comunicação que se destacam na promoção dos direitos humanos fundamentais. Também celebra a vida e obra do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura civil-militar no dia 25 de outubro de 1975 nas dependências do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.
A premiação passou a ser organizada desde 2023 pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, associação civil de direito privado, sem fins lucrativos ou político-partidários, fundada em novembro de 2022, em São Paulo. A entidade reúne 18 instituições da sociedade civil, além da família Herzog: Associação Brasileira de Imprensa (ABI); Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI); Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Artigo 19; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Geledés; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional); Instituto Vladimir Herzog, Instituto Socioambiental (ISA); Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo; Periferia em Movimento; Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e União Brasileira de Escritores (UBE).
Um arco de alianças formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), Teatro da PUC, TV PUC, CDI e OBORÉ atua como parceiros realizadores do Prêmio, que tem como curadora a jornalista Ana Luisa Zaniboni Gomes. Esta 48ª edição tem o patrocínio da Petrobrás, da Caixa e do Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura.
Conheça os finalistas
Categoria ARTE
Antonio Junião Trabalho: Outro jovem negro assassinado Veículo: Ponte Jornalismo Cidade: São Paulo/SP
Thiago Lucas Trabalho: O INIMIGO MORA EM CASA Veículo: Jornal do Commercio Pernambuco
Thiago Lucas Trabalho: ENTRE A CHUVA E A PERDA Veículo: Jornal do Commercio Pernambuco
Categoria FOTOGRAFIA
Eduardo Anizelli Trabalho: Aqueles que carregam os mortos Veículo: Folha de S.Paulo Rio de Janeiro/RJ
Pedro Kirilos Trabalho: Muro do BOPE Veículo: O Estado de SP Rio de Janeiro/RJ
Tomaz Silva Trabalho: Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro Veículo: Agência Brasil-EBC Rio de Janeiro/RJ
Categoria PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM ÁUDIO Bia Guimarães, Natália Silva, Carolina Moraes, Branca Vianna, Paula Scarpin, Flora Thomson-DeVeaux, Marcela Casaca, Juliana Jaeger, Bia Ribeiro, Vitor Hugo Brandalise, Bárbara Rubira, Évelin Argenta, Vinicius Luiz, Marcella Ramos, Júlia Matos, Gustavo Nascimento, Thainá Nogueira Trabalho: Sala de espera: O aborto legal no Brasil sob uma nova ameaça Veículo: Rádio Novelo Campinas/SP
Julia Dolce, Sandra Guimarães, Victor Oliveira, Lorena Tabosa, João Peres, Maíra Mathias, Denise Matsumoto, Clara Borges, João Ambrósio, Juliana Mastrascusa, Brenda Vidal Trabalho: Palestina, da abundância à fome Veículo: O Joio e O Trigo São Paulo/SP
Otávio Augusto Trabalho: Carlos Mota: A Pedagogia da Coragem Veículo: Rádio Senado Brasília/DF
Categoria PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM MULTIMÍDIA
Caio Castor, Gabriela Moncau, Leandro Becker, Giovana Abreu, Angélica Neiva, André Gravatti, Ana Clara Barbosa, Bianca Pyl Trabalho: Moinho de Gente: a expulsão da última favela do centro de São Paulo Veículo: Intercept Brasil São Paulo/SP
Jade Abreu, Érica Montenegro, Breno Esaki, Daniel Ferreira, Michael Melo, Geisiane Sousa, Gui Prímola, Lara Abreu, Gabriel Foster, Leonardo Hladczuk, Lucas Akasaki, Alvino Rodrigues, Saulo Marques, Lilian Tahan, Olívia Meireles, Otto Valle, Márcia Delgado, Geisiane Sousa Trabalho: Um Brasil que desmorona Veículo: Metrópoles Brasília/DF
Juliana Mori, Bruno Abbud, Ahmad Jarrah, Carolina Dantas, Jeanneth Validivieso, Jaap van 't Kruis, Natalie Barusso, Bram Ebus, Juan Torres Trabalho: Ouro, escavadeiras e fuzis: como facções e milícias dominam garimpos clandestinos na Terra Indígena Sararé Veículo: InfoAmazonia e Amazon Underworld Belém/PA
Categoria PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TEXTO
Daniel Camargos, João Laet, Carlos Juliano Barros, Paula Bianchi Trabalho: A foto esquecida do trabalhador amarrado em uma carvoaria do Maranhão e o elo com a Toyota Veículo: Repórter Brasil lBelo Horizonte/MG
Hyury Potter, João Laet e Talita Bedinelli Trabalho: ‘A empresa enricou e tirou a nossa riqueza’: a luta de Ribeirinhos que perderam o Rio para a Alcoa Veículo: Sumaúma São José/SC
Mariana Rosetti, João Paulo Guimarães, Jane Fernandes, Joana Suarez, Helena Berto, Lory Costa, Kath Xapi Trabalho: Parto ou sentença? Veículo: Revista AzMina Santo André/SP
Categoria VÍDEO
Angela Boldrini, Giovanna Stael, Henrique Santana, Nicollas Witzel, Beatriz Peres Trabalho: 22 SEMANAS Veículo: Folha de S. Paulo São Paulo/SP
Marieta Cazarré, Paulo Leite, Ana Graziela Aguiar, Ana Passos, Cleiton Freitas, Patrícia Araújo, Gabriel Penchel, JM Barbosa, Rogério Verçoza, Sigmar Gonçalves, Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho, Rivaldo Martins, Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia Trabalho: Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão Veículo: TV Brasil Brasília/DF
Thiago Padovan, Acácio Barros, JM Barboza, Rafael Carvalho, Márcio Garoni, Rodrigo Botosso, Nelson Lin, Fábio de Albuquerque Trabalho: O Eterno Abril de Carajás: 30 Anos de um Massacre Veículo: TV Brasil São Paulo/SP
Categoria LIVRO-REPORTAGEM
Ana Paula Araújo Trabalho: Agressão Veículo: Editora Globo/Globo Livros Rio de Janeiro/RJ
Cecilia Olliveira Trabalho: Como nasce um miliciano Veículo: Bazar do Tempo Belo Horizonte/MG
Octavio Santiago Neto Trabalho: Só sei que foi assim Veículo: Autêntica Editora Natal/RN
Calendário
- Sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores: 30 de setembro, quarta-feira, das 14h às 18h. Transmissão ao vivo pelo Canal do Prêmio no YouTube
- Roda de Conversa com os Ganhadores: 20 de outubro, terça-feira, das 14h às 17h, no Tucarena (PUCSP) – Rua Bartira, 347 – Perdizes, SP
- Solenidade de premiação: 20 de outubro, às 20h, no Tucarena (PUCSP) - Rua Bartira, 347 – Perdizes, SP.
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ISA e Fneei lançam repositório para trabalhar com saberes indígenas nas salas de aula
Repositório de educação antirracista foi desenvolvido para apoiar professores e fortalecer a Lei nº 11.645/2008, que determina o ensino de histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas na educação básica
Para difundir propostas pedagógicas sobre histórias, culturas e saberes indígenas, nesta quarta-feira (02/09), o Instituto Socioambiental (ISA) e o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) lançam o repositório Aldear a Educação.
Educadores indígenas e organizadores do evento de premiação do Aldear a Educação, que ocorreu no Sesc 24 de Maio, em São Paulo|Brenda Okubo/ISA
Inserido no site Povos Indígenas no Brasil Mirim, o ambiente virtual foi desenvolvido para apoiar educadores, como um espaço de referência para aqueles que buscam abordar a temática indígena em suas aulas e fortalecer a Lei nº11.645/2008, que determina o ensino de histórias e culturas afrobrasileiras e indígenas em todo o currículo escolar.
Escolhido para abrigar o repositório, o site Mirim.org, do ISA, foi criado em 2009, para dialogar com a publicação da normativa no ano anterior, a partir do site Povos Indígenas no Brasil. Por meio de material destinado ao público infanto-juvenil e de educadores, o Mirim apresenta a sociodiversidade de povos e busca despertar o interesse e o respeito de crianças e jovens às culturas indígenas existentes no Brasil.
Para o lançamento, as onze propostas premiadas no edital “Aldear a Educação Básica” serão disponibilizadas gratuitamente. Uma realização do Fneei e ISA, com apoio técnico do Instituto Alana e parceria da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), o edital reconheceu estratégias exitosas de ensino-aprendizagem ligadas à Lei 11.645/2008. Tais ações pedagógicas foram realizadas em diversas partes do país, em todas as etapas da educação básica, incluindo a Educação de Jovens e Adultos e o Ensino Médio Técnico, além da modalidade da educação escolar indígena, e refletem a multiplicidade de abordagens pedagógicas sobre histórias, culturas e saberes indígenas.
O repositório reúne recursos pedagógicos, materiais de referência (como orientações normativas) e outros elementos para subsidiar o trabalho de professores que não sabem como começar a trabalhar com a Lei 11.645/2008 ou desejam ampliar seu repertório de práticas de ensino. De caráter colaborativo, o Aldear a Educação será alimentado continuamente com novos materiais do ISA, do Fneei e de parceiros.
Em breve, estará disponível ainda a coleção de kits didáticos do ‘Hoje na História Socioambiental’, que articula documentos históricos do Acervo do ISA com atividades a partir de questões-problema relacionadas às lutas, memórias e resistências de povos indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais.
“Raízes da cultura, sementes que contam histórias: as sementes e o artesanato do povo Tapeba” – Ana Paula da Rocha, da Escola Indígena Aba Tapeba, em Caucaia (CE)
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Ana Paula da Rocha propôs e executou atividade na Escola Indígena Aba Tapeba, em Caucaia (CE)|Mariana Soares/ISA
A atividade proposta por Ana Paula da Rocha, do povo Tapeba, visa promover a conscientização sobre a importância das espécies nativas utilizadas no artesanato tradicional Tapeba, fortalecendo a identidade cultural e a preservação ambiental na aldeia Jandaiguaba em resposta aos desafios do desmatamento e da urbanização. Por meio de uma abordagem que integra teoria e prática, o projeto articula rodas de conversa com anciões e artesãos, mapeamento de espécies, criação de viveiros e mutirões de plantio, engajando estudantes e a comunidade em processos coletivos de diálogo, escuta e atividades de campo.
“Encontro Indígena: cultura, lutas e resistência - a experiência do CIEJA Campo Limpo” – Andressa dos Santos Silva, de São Paulo (SP)
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Andressa dos Santos Silva propôs experiência no CIEJA Campo Limpo, em São Paulo (SP)|Brenda Okubo/ISA
O projeto "Encontro Indígena", desenvolvido pela educadora Andressa dos Santos Silva, busca valorizar as culturas e saberes dos povos indígenas por meio de ações pedagógicas interdisciplinares construídas em parceria com essas comunidades. A iniciativa utiliza diversas linguagens como teatro, musicalização, oficinas de grafismo e culinária, além de visitas a territórios indígenas, como o Real Parque, para sensibilizar os alunos e desconstruir preconceitos e estereótipos. Ao integrar vivências práticas, literatura e o diálogo direto com a realidade indígena, prática reforçada pela leitura diária de frases de autores indígenas, o projeto promove o reconhecimento da diversidade étnica, as lutas e as contribuições fundamentais desses povos no cotidiano.
“Do Território à Sala de Aula: saberes indígenas na Educação de Jovens e Adultos” – Arley de Araújo Clemente, do Centro Comunitário Indígena/EJA Nordeste, em Ceará Mirim (RN)
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Arley de Araújo Clemente enviou proposta executada Centro Comunitário Indígena/EJA Nordeste, em Ceará Mirim (RN)|Brenda Okubo/ISA
A proposta enviada por Arley de Araújo Clemente, busca valorizar os conhecimentos da comunidade indígena Rio dos Índios ao integrar saberes tradicionais aos conteúdos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O projeto promove a alfabetização e o letramento por meio de práticas como a construção coletiva de cartazes sobre o ciclo de cultivo do milho e da mandioca. Ao combinar rodas de conversa, produção textual, desenhos e discussões sobre plantio e colheita, a iniciativa fortalece a oralidade e a escrita, articulando o ensino formal com a realidade cultural e as vivências cotidianas dos educandos, tornando o aprendizado mais participativo e contextualizado.
“Campos do Cristal encontra Anhetenguá: um caminho para aldear o currículo” – Bruna Moreira da Silva, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos do Cristal, em Porto Alegre (RS)
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Bruna Moreira da Silva, desenvolveu projeto na Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos do Cristal, em Porto Alegre (RS)|Mariana Soares/ISA
Desenvolvida pela professora Bruna Moreira, a Mostra Cultural Indígena da EMEF Campos do Cristal, em Porto Alegre, utiliza o suporte dos Espaços Educativos Afro-brasileiros e Indígenas (EEABIs) para valorização da sociodiversidade. Na edição de 2025, o projeto envolveu 21 turmas e mais de 400 estudantes na produção de uma feira com apresentações artísticas e de pesquisas. Além disso, em 2025, a atividade colocou a interculturalidade em prática por meio de uma parceria com a aldeia Anhetenguá, do povo Guarani Mbya. Com visitas recíprocas e momentos de troca entre estudantes e representantes indígenas, a escola concretizou seu objetivo de integrar saberes e promoveu um intercâmbio de conhecimentos, fortalecendo a valorização da identidade indígena no cotidiano escolar.
“Vozes da Floresta: um chamado para um novo amanhã” – Cristiana Andrade Butel, da Escola Estadual Senador João Bosco, em Parintins (AM)
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Cristiana Andrade Butel inscreveu proposta feita na Escola Estadual Senador João Bosco, em Parintins (AM)|Mariana Soares/ISA
A atividade proposta por Cristiana Butel articulou saberes indígenas com os diferentes campos da literatura, artes, música, dança e teatro e envolveu, ao longo de um mês, alunos do Ensino Médio. Desenvolvida em Parintins, no Amazonas, a atividade teve como mote o tema “Povos Indígenas: Ontem e Hoje”. Entre as atividades desenvolvidas estão leituras coletivas, debates, produções textuais, seminários, apresentações e produções artísticas. As lideranças estudadas pelos alunos para desenvolver os trabalhos foram Davi Kopenawa, Daniel Munduruku, Ailton Krenak, Márcia Kambeba, Trudruá Dorrico e Eliane Potiguara.
“‘Outro olhar’: um podcast sobre vida e obra de Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomami” – professores Leonardo Alves da Cunha Carvalho e Enoque Marques Pontes, com participação dos estudantes Gabriela Duarte, Glenda Amaral, Karen Oliveira, Thayane Menezes e Victor Moraes, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em São Paulo (SP)
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Glenda Amaral representou os colegas que participaram do podcast "Outro olhar" feito no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em São Paulo (SP)|Brenda Okubo/ISA
O projeto "Outro Olhar", desenvolvido no Instituto Federal de São Paulo - Campus São Miguel Paulista pelos professores de sociologia e filosofia junto a estudantes do ensino médio, é uma iniciativa interdisciplinar de criação de um podcast. A proposta utiliza o formato de áudio para explorar a biografia e o pensamento de Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomami, promovendo um debate decolonial e intercultural que questiona os fundamentos eurocêntricos da educação básica. Ao todo são 16 episódios que unem o rigor acadêmico à produção técnica de áudio e vídeo, explorando temas como as cosmologias desses povos, seus direitos, histórico do contato e preservação da floresta, integrando o projeto maior "Pedagogia Antirracista no Chão da Escola".
“Povos da Terra: saberes indígenas, ciência e educação para o bem viver” – Monyque Ferreira Brandão, da Escola Estadual José Domingos da Silveira, em Barueri (SP)
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Monyque Ferreira Brandão idealizou uma disciplina para valorizar conhecimentos indígenas amazônicos na Escola Estadual José Domingos da Silveira, em Barueri (SP)
A disciplina eletiva "Povos da Terra: Memória, Matéria e Ciência", idealizada pela historiadora e professora Monyque Ferreira Brandão em colaboração com a professora Glauciane Lima na Escola Estadual José Domingos da Silveira (SP), propõe uma abordagem interdisciplinar para o ensino médio que articula História, Biologia, Artes e Química. O projeto valoriza os conhecimentos indígenas amazônicos como produtores de ciência e cultura, conectando saberes tradicionais, como o manejo da "Terra Preta" e a etnobotânica, com desafios contemporâneos como as mudanças climáticas. Por meio de metodologias ativas, como oficinas de argila, simulações arqueológicas e análise de fontes, a disciplina discutiu a relação entre os povos da Amazônia e suas práticas de sustentabilidade e saúde
“Saberes que conectam na educação infantil: ancestralidade, natureza, memórias e vivências” – Selma de Souza Sá Silva, da Escola Municipal Virgílio Távora, em São Paulo (SP)
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Selma de Souza Sá Silva fez projeto para valorizar saberes ancestrais na Escola Municipal Virgílio Távora, em São Paulo (SP)|Brenda Okubo/ISA
Indígena do povo Pankará de Pernambuco, Selma de Souza Sá Silva na EMEI Virgílio Távora desenvolveu uma abordagem interdisciplinar e decolonial para o ensino da cultura indígena. Ao longo de quatro meses, a iniciativa buscou romper com estereótipos folclorizados ao integrar História, Geografia, Artes, Ciências e Língua Portuguesa por meio do estudo do povo Pankará, utilizando vivências práticas como o contato com a natureza, o uso de plantas medicinais, a produção de arte com argila e a valorização da oralidade e memória ancestral.
“Mulheres que tecem a história: biografias de lideranças indígenas femininas” – Talita Yosioka Collacio, da Escola Municipal Professor João de Barros Pinto, em Santo André (SP)
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Talita Yosioka Collacio, propôs projeto para combater invisibilidade de mulheres indígenas no debate público da Escola Municipal Professor João de Barros Pinto, em Santo André (SP)|Richard Wera Mirim e Pedro Biava/Mídia Guarani Mbya/ISA
O projeto proposto pela professora Talita Yosioka Collacio na EMEIF Prof. João de Barros Pinto (SP), utiliza o gênero discursivo "biografia" como eixo para uma prática interdisciplinar que articula Língua Portuguesa, História, Geografia e Ciências. Desenvolvida prioritariamente para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a atividade combate a invisibilidade das mulheres indígenas no debate público ao explorar trajetórias de lideranças como Sônia Guajajara, Tuíre Kayapó, Joenia Wapichana e a Cacica Jaqueline Haywã, esta última protagonista de uma palestra que aproximou os estudantes da realidade indígena no contexto urbano. O projeto incluiu análise de vídeos, debates, construção de painéis interativos e leitura de poemas autobiográficos.
“Ariponã: diálogo intercultural e valorização da cultura pataxó em escolas de Betim, MG” – Thais Regina Maciel da Silva - Tamikuã Pataxó, da Escola Municipal Aristides José da Silva, em Betim (MG)
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Thais Regina Maciel da Silva - Tamikuã Pataxó, propôs prática interdisciplinar na Escola Municipal Aristides José da Silva, em Betim (MG)|Mariana Soares/ISA
A proposta conduzida pela educadora Tamikuã Pataxó, do povo Pataxó, na Escola Municipal Aristides José da Silva, em Betim (MG), é uma prática interdisciplinar que articula Artes, Língua Portuguesa, Ciências, Biologia, História e Geografia. Motivada pela necessidade de combater o racismo e a invisibilidade indígena após um episódio de racismo, a proposta desenvolvida pela professora promove o letramento e o diálogo intercultural por meio de vivências práticas, incluindo oficinas de escrita na língua Patxohã, confecção de adornos e tintas naturais, grafismos corporais e culinária tradicional, bem como um intercâmbio cultural com uma aldeia Pataxó da região.
“Opy em maquete: integrando saberes do povo Guarani M’bya e outras ciências” – Vilmone Benites Samaniego - Wera Mirim, da Escola Indígena Pira Rupa, em Palhoça (SC)
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Vilmone Benites Samaniego - Wera Mirim, propôs uma jornada que vai da floresta à matemática na Escola Indígena Pira Rupa, em Palhoça (SC)|Mariana Soares/ISA
Na escola Pira Rupa, em Santa Catarina, o professor Vilmone Wera Mirim, do povo Guarani Mbya, propõe uma jornada que vai da floresta à matemática. A partir da construção coletiva de uma maquete da Opy (casa de reza guarani) com os estudantes, a atividade utiliza o processo construtivo como um eixo para abordar conteúdos de Matemática (geometria e medidas), Física (estrutura e pressão), Química (transformações e estados da matéria) e Ciências Humanas (história e território). A proposta conecta os conceitos curriculares às práticas de coleta de materiais e respeito aos ciclos da natureza, buscando articular os conhecimentos acadêmicos aos modos tradicionais de ensino e aprendizagem do povo Guarani.
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ONU reconhece iniciativa brasileira Araticum como Referência da Restauração Mundial
Anunciada durante evento na COP17 da UNCCD, a iniciativa foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel
Ulaanbaatar, Mongólia, 26 de agosto de 2026 – A ONU reconheceu hoje a iniciativa brasileira Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship), destacando o grande esforço para restaurar o Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo e um bioma que sofre intensa pressão devido à conversão e fragmentação de terras e às mudanças climáticas.
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Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum e coletora de sementes Geraizeira recebeu o Prêmio|Carol Sacramento/Araticum
Anunciada durante um evento na 17ª sessão da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17 da UNCCD), a iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro foi reconhecida junto a outros dois projetos emblemáticos de restauração, localizados na Arábia Saudita e no Sahel. Com esse reconhecimento, o Brasil torna-se o único país até o momento a receber dois títulos de Iniciativas de Referência da Restauração Mundial (World Restoration Flagship).
Liderados pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, os prêmios reconhecem algumas das iniciativas de restauração de ecossistemas mais ambiciosas e impactantes do mundo.
“Os impactos das mudanças climáticas, da seca e da desertificação, bem como as tensões geopolíticas em curso, estão afetando duramente os sistemas alimentares globais”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA. “Investir na saúde das terras é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças. As três iniciativas reconhecidas hoje mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos – desde segurança alimentar e novos empregos até maior resiliência para milhões de pessoas.”
Com mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, o Cerrado perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte devido à conversão de terras em grande escala. Esse processo prejudica os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.
"O reconhecimento do Cerrado como Iniciativa de Referência da Restauração Mundial demonstra que o Brasil está reconstruindo uma política ambiental capaz de aliar conservação da biodiversidade, ação climática e desenvolvimento,” afirmou João Paulo Ribeiro Capobianco, Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil. “A restauração da vegetação nativa é uma prioridade estratégica para o país, porque protege nossos recursos hídricos, fortalece a resiliência dos territórios, gera oportunidades para as populações locais e contribui para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Esse reconhecimento amplia a visibilidade da agenda brasileira de restauração e fortalece nossa capacidade de estabelecer novas parcerias e atrair investimentos para acelerar sua implementação".
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O Cerrado, uma das savanas tropicais mais biodiversas do mundo, sofre intensa pressão, mas iniciativas como a Araticum ajudam a reverter esse quadro|Todd Brown/UNEP
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Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração, contribuindo para o compromisso de restauração do Brasil|Todd Brown/UNEP
A iniciativa reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais para apoiar projetos de restauração em nove estados brasileiros. Esse trabalho é realizado por meio da regeneração natural, da semeadura direta, da restauração ecológica e de sistemas agroflorestais com espécies nativas.
O projeto já mapeou mais de 27 mil hectares em processo de restauração, com novas áreas sendo continuamente incorporadas por meio de sua plataforma de monitoramento. Além disso, sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas já foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração, contribuindo para a formação de uma cadeia produtiva da restauração que inclui coletores de sementes, viveiros, técnicos de restauração e serviços de monitoramento.
“Restaurar o Cerrado significa cuidar do nosso clima, da nossa água e do nosso futuro”, afirmou Fabrícia Santarém, coordenadora da Araticum, Articulação para a Restauração do Cerrado, e coletora de sementes Geraizeira. “A escolha do nosso bioma como uma Iniciativa de Referência da Restauração Mundial da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas reafirma a necessidade de investir na restauração de florestas, savanas e campos nativos, bem como na autonomia e no fortalecimento das organizações comunitárias que estão na linha de frente da conservação.”
Até 2030, a iniciativa pretende alcançar 2 milhões de hectares em restauração, contribuindo para a valorização dos ecossistemas não florestais e para o compromisso nacional do Brasil de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa.
Para isso, combina a restauração ecológica com ferramentas sociais e econômicas, incluindo programas de pagamento por serviços ambientais, agricultura sustentável, sistemas agroflorestais, planejamento territorial e articulação com políticas públicas.
A iniciativa Araticum - Restauração do Cerrado Brasileiro, é uma das 30 iniciativas de restauração reconhecidas pela ONU desde 2022. Juntas, essas iniciativas já somam quase 20 milhões de hectares em processo de restauração e abrangem compromissos para restaurar cerca de 75 milhões de hectares até 2030, ao mesmo tempo em que geram mais de 800 mil empregos e contribuem para a recuperação e o aumento das populações de espécies da biodiversidade.
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A Araticum reúne mais de 180 organizações, Povos Indígenas e Quilombolas, comunidades locais, agricultores, pesquisadores, organizações da sociedade civil, iniciativa privada e instituições governamentais|Todd Brown/UNEP
Sobre as Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagships)
No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade da restauração. Por meio das Iniciativas de Referência de Restauração Mundial, a Década da ONU da Restauração de Ecossistemas homenageia os melhores exemplos globais de restauração de ecossistemas em grande escala e de longo prazo, que incorporam os 10 Princípios de Restauração da Década da ONU.
O progresso de todas as Iniciativas de Referência de Restauração Mundial será monitorado de forma transparente por meio da Estrutura de Monitoramento da Restauração de Ecossistemas (Framework for Ecosystem Restoration Monitoring), plataforma da Década da ONU dedicada ao acompanhamento dos esforços globais de restauração.
Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) é a principal autoridade global em questões ambientais. A organização exerce liderança e promove parcerias em prol da proteção do meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorar sua qualidade de vida sem comprometer o bem-estar das gerações futuras.
Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)
A FAO é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para erradicar a fome. Seu objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos suficientes e de boa qualidade para levar uma vida ativa e saudável. Com mais de 193 países-membros, a FAO atua em mais de 130 países ao redor do mundo.
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Feira quilombola tem partilha de saberes para preservação de sementes
17ª Feira de Trocas de Mudas e Sementes do Vale do Ribeira reuniu conhecedores tradicionais e poder público em seminário sobre bancos de sementes. Discussão também envolveu temas como território e clima
Para se fazer uma boa “coruja” - receita tradicional dos quilombos do Vale do Ribeira (SP) - são necessários pelo menos oito dias quando o clima está mais frio ou cinco dias em tempos mais quentes. É preciso primeiro deixar a mandioca de molho e, quando já estiver bem mole, é hora de prensar e secar. Depois basta misturar ovo e gordura à massa, enrolar na folha de bananeira e colocar para assar no forno de barro.
A receita é da poeta e liderança Leonila Rodrigues, que nasceu e vive no Quilombo Abobral Margem Esquerda, no município de Eldorado (SP), na região que concentra a maior área contínua de Mata Atlântica do país. A coruja foi um dos preparos servidos durante a 17ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira.
A feira aconteceu na Praça Nossa Senhora da Guia, nos dias 14 e 15 de agosto, reunindo cerca de 1 mil pessoas entre participantes e visitantes.
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Entre conversas e compartilhamentos de receitas, sementes e mudas de resistência, a 17ª edição ocorreu nos dias 14 e 14 de agosto, em Eldorado (SP)|Júlio César Almeida/ISA
Na sexta-feira, após o café da manhã tradicional, a programação teve início com um seminário sobre bancos de sementes. Para a preservação das sementes são necessários - além do compartilhamento - titulação do território; troca de conhecimento e cuidado com o ambiente, conforme apontaram as discussões feitas durante o primeiro dia do encontro.
A primeira mesa foi composta pela pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Marília Lobo Burle; pela liderança quilombola Urias Morato, do Quilombo São Pedro; e por Ana Paula Donato dos Santos, pesquisadora e liderança do Quilombo Porto Velho. A mediadora Letícia Ester, da Equipe de Articulação e Assessoria às Comunidades Negras do Vale do Ribeira (Eaacone) e liderança do quilombo São Pedro, trouxe em sua fala a importância de se ouvir o conhecimento que vem de fora, mas também de valorizar e reconhecer os saberes que estão no território.
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Mesa reuniu Urias Morato, do Quilombo São Pedro, Ana Paula Donato, pesquisadora no tema de mudanças climáticas, Marília Lobo Burle, da Embrapa, e a mediadora Letícia Ester|Júlio César Almeida/ISA
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Conversa sobre contaminação por metais pesados e terras raras foi conduzida pela pesquisadora doutora quilombola Maíra Silva|Júlio César Almeida/ISA
A liderança quilombola Aurico Dias, do Quilombo São Pedro, um dos coordenadores do GT da Roça - que organiza a Feira de Sementes - informa que há um diálogo aberto com a Embrapa para verificar se há nos bancos de sementes da empresa de pesquisa variedades de espécies que são da região mas que acabaram se perdendo.
“Queremos entender se a Embrapa tem qualidades de sementes crioulas que perdemos, para que possamos ter de volta sementes da nossa cultura”, explica.
Em sua apresentação, a pesquisadora Marília Burle, que atua no Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen/Embrapa), explicou sobre os bancos ativos de germoplasma da Embrapa e ações para ampliar o acesso das comunidades às sementes crioulas. Um banco de germoplasma é formado a partir da identificação, da caracterização e da preservação de células germinativas de alguns seres vivos, sejam eles animais ou vegetais. Ela explica que a instituição possui uma série de coleções de sementes e um banco central mantido em Brasília.
“A unidade da Embrapa à qual pertenço, o Cenargen, foi criada na década de 1970. Foi um período em que vários países começaram a se preocupar com a perda da diversidade agrícola e passaram a formar seus bancos de germoplasma ex situ, mantidos em grandes geladeiras pelo Estado, sob a concepção de que era preciso coletar materiais antes que variedades antigas fossem perdidas”, explica.
As sementes estão registradas em um sistema de informações chamado Alelo, que trata-se de uma plataforma digital pública de tecnologia da informação. Os números são expressivos: a coleção de milho conta com mais de quatro mil variedades, enquanto a de arroz supera 20 mil variedades.
Marília destaca que a Embrapa atua em projetos em rede, como o projeto Mãos Guardiãs, realizado em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), que inclui ações diretas nos territórios. “Quem faz a conservação local não somos nós. A gente entra nesse projeto fazendo diálogos, ajudando nesse fluxo de material, onde a gente está aprendendo também”, diz.
Para as comunidades tradicionais, o vocabulário técnico ganha outro contorno.
“Para esse termo técnico, banco de germoplasma, nós povos e comunidades tradicionais usamos outros termos. A gente entende bem melhor quando se fala em um paiol de semente, uma casa de semente, um cantinho de semente”, explica Letícia Ester, da Eaacone.
A liderança quilombola Urias Morato resume o que está no centro dessa questão. “Nós temos que fazer com que uma semente fique deste ano para outro ano para fazermos a nova plantação”, disse. Para que isso aconteça, há todo um conhecimento tradicional envolvido. “Nós temos o nosso jogo de cintura para assegurar a semente, que são conhecimentos desde quando vai debulhar a semente até o plantio e também o armazenamento que vamos fazer para que ela não dê caruncho”, diz.
Nascido e criado no Quilombo São Pedro, Urias aprendeu o trabalho na roça aos nove anos com seus pais e tios. Ele relata que a comunidade, que hoje conta com cerca de 60 famílias, tinha um cotidiano pautado pelo compartilhamento mútuo de alimentos e produção.
A liderança Vanilda Donato, do Quilombo Porto Velho, reforçou que a discussão sobre sementes é inseparável da luta pela terra e cobrou a titulação de territórios quilombolas. “Não tem como ter semente saudável se o solo está doente, na mão de quem invade. Para falar de semente é preciso falar de titulação. Porque nós sabemos produzir de forma saudável. Essa terra é cuidada por nós. Mas hoje a gente não consegue descansar o solo por falta de território”, disse.
Pesquisa “Aquilombando o Clima”
O tema dos impactos das mudanças climáticas também foi discutido durante a Feira de Sementes, com o relato de Ana Paula Donato dos Santos, pesquisadora e liderança do Quilombo Porto Velho, sobre a pesquisa “Aquilombando o Clima”.
Quatro comunidades quilombolas do Vale do Ribeira (Cangume, Maria Rosa, Nhunguara e Porto Velho) investigaram como as mudanças climáticas vêm alterando seus territórios. Os resultados apontam rios com menos volume, temperaturas mais altas, roças menos produtivas, menos peixes e estações de plantio imprevisíveis.
A partir do diagnóstico, as comunidades formularam propostas de adaptação, entre elas melhoria nas formas de conservação e os bancos de sementes crioulas, restauração de matas ciliares e nascentes e titulação dos territórios. O estudo é coordenado pela analista em pesquisas interculturais do ISA, Lúcia Chamlian Munari.
“Durante a pesquisa notamos que os rios e os peixes estão diminuindo e isso é consequência do capitalismo que colocou na cabeça das pessoas só agir por dinheiro. Isso afeta quem cuida da natureza. Mas os jovens querem aprender com os mais velhos para resgatar esses conhecimentos e aprender o tempo certo do plantio, das luas. Os professores sobre o meio ambiente não estão apenas fora, nas universidades, mas também dentro dos territórios”, diz Ana Paula Donato dos Santos.
Na tarde de sexta-feira, um dos temas em discussão foi o Sistema Agrícola Tradicional do Quilombola do Vale do Ribeira (SAT), reconhecido como patrimônio nacional. O público acompanhou a apresentação do técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Evandro Domingues, sobre as salvaguardas patrimoniais, que são ações para o fortalecimento do SAT Quilombola.
Ao longo deste ano estão sendo realizadas oficinas reunindo os atores locais, Associações Quilombolas, Eaacone, Cooperquivale, Iphan, Embrapa, ISA, Conaq, Sesc Registro e outros parceiros para dialogar sobre essas ações. Muitas delas já vêm sendo desenvolvidas pelas comunidades quilombolas. A partir dessas discussões será elaborada a Carta de Intenção do plano de salvaguarda, prevista para ser lançada na Feira de Sementes do ano que vem.
Logo em seguida, a pesquisadora quilombola Maíra Silva, doutora em Ciências na área de Geologia e Recursos Naturais, conversou com os presentes sobre contaminação por metais pesados e terras raras e como isso afetou e afeta o Vale do Ribeira.
Partilhas
A chuva no início da manhã de sábado não atrapalhou a troca de sementes, com participação dos quilombos da região, como como Porto Velho, Cangume, Praia Grande, Bombas, Pilões, Maria Rosa, Nhunguara, São Pedro, Galvão, Ivaporunduva, Piririca, André Lopes, Sapatu, Pedro Cubas, Pedro Cubas de Cima, Abobral Margem Esquerda, Abobral Margem Direita, Morro Seco, Peropava e Mandira.
Só na banca de Urias Morato havia pelos menos nove tipos de produtos, como palmito pupunha, cará, milho da palha grossa, chuchu, mandioca, mel, limão e seis tipos de feijão. Lucas Gattai, que trabalha com agricultura orgânica, visitou a feira pela primeira vez e fez boas trocas. Em uma das permutas, ele entregou feijão e levou quiabo japonês, além de conhecer a jabutitana que - segundo os quilombolas - é remédio pra tudo.
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Urias Morato, liderança do Quilombo São Pedro levou diversidade de produtos para a Feira|Júlio César Almeida/ISA
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Alimentos como milho, palmito, banana, cará, cana-de-açúcar, além de mudas foram compartilhadas no segundo dia|Júlio César Almeida/ISA
Comunidades do povo Guarani Mbya, na região do Vale, também estiveram presentes na feira, com suas próprias bancas de exposição de artesanatos e uma apresentação de danças tradicionais feitas pelos xondaro da Reserva Indígena Takuari, de Eldorado (SP).
Werá Abílio, liderança da aldeia Takuarity da TI Pakurity, em Cananeia (SP), foi até Eldorado com a família e contou que leva para a sua aldeia as sementes e mudas que consegue trocar por artesanato.
“É a segunda vez que participamos da feira de troca de sementes. E nós gostamos muito porque em algumas regiões os Guarani também perderam sementes importantes para nós. E quando a gente participa, encontramos algumas sementes e ramas de mandioca. Para trocar, a gente traz mais artesanato, que tem vários significados, importância e cultura de gerações. Fazemos com carinho e queremos mostrar para os povos e sociedade”, disse.
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Povo Guarani da Terra Indígena Pacurity, em Cananéia, participou da Feira pela segunda vez|Júlio César Almeida/ISA
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Os participantes também puderam aproveitar artes quilombola feita com produtos locais|Júlio César Almeida/ISA
Grupos de jovens também marcaram presença. Paulo Silvio Pupo Júnior, de 17 anos, estudante do ensino médio e integrante do recém-criado Grupo de Jovens do Quilombo Ivaporunduva, participou da feira junto com outros jovens. “A feira trata de vários temas que são de nosso interesse, como a nossa cultura. Por isso, decidimos participar conjuntamente. Todos nós fazemos trabalhos comunitários e entendemos a importância de estarmos em contato com os conhecimentos do nosso território”, disse. Os jovens criaram um grupo no Instagram para compartilhar informações e mobilizações.
Na programação também aconteceram diversas apresentações culturais, como os Violeiros do Ivaporunduva; Sarau da Tia Elvira, com leitura de poemas por Vaniele, Duda, Letícia, Júlia, Leonila e Iago; Dança do Quilombo Cangume; Puxirão Quilombo São Pedro; Nhã Maruca e Xondaro Guarani.
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Grupo de dança do Quilombo Cangume esteve na programação do segundo dia|Júlio César Almeida/ISA
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Leitura de poemas, Xondaro Guarani, Puxirão do Quilombo Cangume e mais na celebração de mais uma edição|Júlio César Almeida/ISA
O Vale do Ribeira é uma das regiões com maior sociobiodiversidade do estado de São Paulo, abrigando mais de 40 comunidades quilombolas, além de povos indígenas, caiçaras e caboclos. Essas comunidades habitam a região há mais de 400 anos e desempenham um papel fundamental na manutenção do maior remanescente contínuo de Mata Atlântica.
Coordenador do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental (ISA), Frederico Viegas explica que, historicamente, a legislação ambiental restritiva impôs obstáculos às práticas tradicionais agrícolas locais. Diante da proibição de práticas como a roça de coivara na década de 1990, que gerou multas e perseguições, as comunidades criaram a feira como instrumento de resistência e preservação de variedades.
“O Vale do Ribeira destaca-se pela sociobiodiversidade e resistência histórica de comunidades tradicionais. A feira de sementes surgiu como estratégia contra a criminalização de práticas agrícolas ancestrais. Este ano ocupamos um novo espaço na praça, sendo um marco que indica seu fortalecimento a cada edição”, diz.
A 17ª edição reuniu representantes da Embrapa, do Iphan, do MDA, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), do ISA, da Eaacone, do Slow Food, Sesc Registro, da Prefeitura de Eldorado, entre outros. Em 2025, circularam pela feira 235 variedades de sementes e mudas e 1,5 tonelada de mudas, sementes, alimentos processados e não processados e doações. Os dados deste ano ainda estão sendo organizados.
Na hora do almoço tradicional, servido no sábado, uma celebração dos sistemas agrícolas: palmito, farofa de ostras, arroz, feijão, carne de porco. A fartura dos quilombos do Vale continua - como nos ensina seu Urias - de um ano para o outro!
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No almoço tradicional quilombola, para fechar o evento, farofa de ostras, mandioca, feijão e carne de porco|Júlio César Almeida/ISA
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Refeição farta é preparada por mulheres dos quilombos da região, com suas produções|Júlio César Almeida/ISA
A Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais é uma realização do GT da Roça com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), Sesc Registro, Prefeitura de Eldorado, Prefeitura de Iporanga, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Bem-Te-Vi Diversidade. Em 2025, circularam pela feira 235 variedades de sementes e mudas e 1,5 tonelada de mudas, sementes, alimentos processados e não processados e doações. Os dados deste ano ainda estão sendo organizados.
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Do Acervo do ISA para os vestibulares: saiba como temas socioambientais podem aparecer em exames pelo Brasil
No Dia do Estudante (11/08), conheça as iniciativas de educação do Instituto Socioambiental (ISA) com foco em povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e entenda como utilizá-las
Temas como mudanças climáticas, valorização dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, racismo estrutural, justiça ambiental e desigualdades sociais têm ocupado espaço em questões e propostas de redação de universidades pelo Brasil e do próprio Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
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Fotocolagem feita pela artista aymara Shirley Espejo com fotos do Acervo do ISA, para utilização na série Hoje na História Socioambiental|Webert da Cruz e Júlio César Almeida/ISA
A relação entre a pauta socioambiental e os vestibulares é cada vez mais evidente e constante. Em edições recentes, diferentes instituições abordaram questões diretamente relacionadas ao tema, como:
Enem 2022: Os desafios para a valorização das comunidades e povos tradicionais do Brasil
Fuvest 2023: Refugiados ambientais e vulnerabilidade social
UnB 2024: A demarcação de Terras Indígenas no Brasil como estratégia de enfrentamento da crise climática
PUC-Campinas 2024: O aumento da temperatura global e seus impactos na ampliação das desigualdades
Enem 2024: Desafios para a valorização da herança africana no Brasil
No Norte e Nordeste do país, processos seletivos de universidades estaduais e federais também contam com questões sobre as mudanças climáticas e as estratégias milenares de povos e comunidades dos biomas Amazônia e Caatinga de co-criação das coberturas vegetais e promoção da diversidade ambiental. Uma vez que as alternativas propostas por eles apresentam caminhos para prolongar a vida no planeta.
No Enem, em 2025, por exemplo, a questão 13 do caderno azul estava relacionada ao Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, ao citar a Lei 10.639/2003 | Reprodução
No ano de 2026, com as notícias sobre o El Niño e outros eventos climáticos, espera-se que a temática socioambiental esteja em alta tanto nos temas de redação quanto nas questões de diversas áreas do conhecimento.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, alterando a circulação da atmosfera e influenciando o clima em diversas partes do mundo.
No Brasil, seus efeitos podem incluir secas mais intensas na Amazônia e no Nordeste, aumento das temperaturas, redução do volume dos rios e maior ocorrência de queimadas, enquanto a região Sul poderá registrar chuvas acima da média, possíveis enchentes e tornados.
Nesse cenário, os recursos pedagógicos produzidos pelo Instituto Socioambiental (ISA) são importantes aliados para vocês estudantes que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre a história socioambiental brasileira e estar seguro para responder a questões relacionadas à pauta climática e à luta de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
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Fotocolagem feita pela artista aymara Shirley Espejo com fotos do Acervo do ISA, para utilização na série Hoje na História Socioambiental| Brenda Okubo e Beto Ricardo / ISA
Possíveis temas que envolvem povos indígenas
Os povos indígenas têm ocupado um espaço cada vez mais relevante nas propostas de redação dos vestibulares brasileiros, seja em discussões sobre direitos territoriais, mudanças climáticas, democracia, patrimônio cultural ou preservação da biodiversidade.
Alguns kits didáticos para entender um pouco mais:
Possíveis temas que envolvem comunidades quilombolas
As comunidades quilombolas também têm ganhado destaque nas discussões propostas pelos vestibulares, especialmente em temas relacionados ao racismo estrutural, à justiça social, aos direitos territoriais, à conservação ambiental e ao protagonismo das mulheres negras.
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Fotocolagem feita pela artista Shirley Espejo com fotos do Acervo do ISA, para utilização na série Hoje na História Socioambiental|Webert da Cruz e Júlio César Almeida/ISA
Sugestões de kits didáticos para entender um pouco mais:
Possíveis temas que envolvem comunidades ribeirinhas
As comunidades ribeirinhas e outras populações tradicionais desempenham um papel fundamental na conservação dos ecossistemas brasileiros e reúnem conhecimentos construídos ao longo de gerações sobre o uso sustentável dos recursos naturais, o manejo da biodiversidade e a convivência com os rios e as florestas.
Em um contexto de mudanças climáticas e busca por modelos de desenvolvimento mais sustentáveis, esses saberes têm ganhado destaque em debates sobre sociobiodiversidade, segurança alimentar e geração de renda.
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Fotocolagem feita pela artista aymara Shirley Espejo com fotos do Acervo do ISA, para utilização na série Hoje na História Socioambiental|Rafael Salazar/ISA
Sugestão de kit didático para entender um pouco mais:
Navegue pelo mirim.org, uma plataforma educativa criada pelo ISA para apresentar a diversidade dos povos indígenas brasileiros a crianças, jovens, educadores e famílias, em uma linguagem acessível e visualmente atraente.
E também, leia as notas do Hoje na História Socioambiental, efemérides socioambientais contadas a partir da ótica documental do Acervo do ISA. Clique nos links abaixo para encontrar os conteúdos:
**A série Hoje na História Socioambiental apresenta a riqueza de informações do Acervo do ISA que conta com mais de 250 mil itens catalogados voltados para a temática socioambiental como publicações, livros, teses e dissertações, mapas, notícias, materiais audiovisuais, entre outros.
Esta publicação conta com o apoio do Fundo Amazônia e é um produto do projeto "Defesa e Promoção dos Direitos Indígenas no Brasil: Construir Capacidades e Engajar Pessoas por um Futuro mais Justo", realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA), com o financiamento da União Europeia.
Este material tem conteúdo de responsabilidade exclusiva da instituição realizadora e não reflete a posição da União Europeia.
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Carta convoca candidatos a assumir compromisso com a restauração ecológica
Documento assinado durante Conferência Brasileira de Restauração Ecológica defende a implementação dos compromissos ambientais do Brasil e reconhece o protagonismo dos povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e redes de sementes
Organizações e movimentos que atuam na conservação da natureza e na restauração ecológica lançaram a carta "Restauração na Eleição: um compromisso com a natureza, as pessoas e o futuro do Brasil", um chamado para que candidatas e candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo assumam o compromisso de fortalecer a conservação e ampliar a restauração ecológica em todos os biomas brasileiros.
Coletivos da restauração assinam a carta "Restauração na Eleição: um compromisso com a natureza, as pessoas e o futuro do Brasil" durante a Assembleia da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica|Flávio André/Pacto pela Restauração do Pantanal
Coletivos da restauração assinam a carta "Restauração na Eleição: um compromisso com a natureza, as pessoas e o futuro do Brasil" durante a Assembleia da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica.
A carta foi assinada dia 30 de julho de 2026 durante a Assembleia Geral na VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026), realizada na Universidade de Brasília (UnB), reunindo entidades que representam diferentes biomas, setores e experiências da restauração no país.
O documento destaca que a degradação dos ecossistemas já ameaça a segurança hídrica, energética e alimentar, além de comprometer a economia, a saúde e a qualidade de vida da população. Diante desse cenário, as entidades defendem que conservar os ecossistemas remanescentes e restaurar áreas degradadas são medidas indispensáveis para aumentar a resiliência do Brasil frente às mudanças climáticas.
A carta reforça que a restauração vai muito além do plantio de árvores. Ela recupera ecossistemas, protege a biodiversidade, fortalece a produção agropecuária, reduz riscos de desastres, gera emprego e renda e impulsiona negócios da sociobiodiversidade e da economia de baixo carbono.
Outro ponto de destaque é o reconhecimento do papel estratégico dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, cujos conhecimentos e formas de manejo são fundamentais para conservar a biodiversidade e restaurar ecossistemas. O documento também chama atenção para a necessidade de fortalecer as redes de coletores de sementes e os viveiros de espécies nativas, elementos essenciais para garantir diversidade genética, qualidade ecológica e escala às ações de restauração.
Mais do que propor novos compromissos, a carta conclama os futuros gestores públicos a implementar a legislação e os acordos nacionais e internacionais já assumidos pelo Brasil, garantindo planejamento, financiamento, governança, monitoramento e continuidade das políticas públicas voltadas à conservação e à restauração.
Assinam o documento a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE), a Aliança pela Restauração na Amazônia, a Articulação pela Restauração do Cerrado (Araticum), a Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas Nativas (Nativas Brasil), o Observatório do Código Florestal, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, o Pacto pela Restauração do Pantanal, o Redário, a Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa) e a Rede Sul de Restauração Ecológica.
A iniciativa reafirma que proteger e restaurar a natureza não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia para promover desenvolvimento, justiça social, adaptação às mudanças climáticas e qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
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II Encontro Indígena de Restauração Ecológica fortalece protagonismo indígena na construção do futuro da restauração no Brasil
Reunindo 80 representantes de 38 povos de todos os biomas brasileiros, o encontro consolida uma agenda indígena para a restauração ecológica e amplia sua participação nos espaços de decisão do país
O protagonismo indígena na restauração ecológica ganhou novos contornos durante o II Encontro Indígena de Restauração Ecológica (II EIRE), realizado nos dias 25 e 26 de julho, em Brasília.
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Participante do do II Encontro Indígena de Restauração Ecológica - II EIRE|Lia Domingues/Rede de Sementes do Xingu
Organizado em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), do Redário, da Rede de Sementes do Xingu e de diversos parceiros, o encontro reuniu cerca de 100 participantes, entre eles 80 representantes de 38 povos indígenas de todos os biomas brasileiros.
A iniciativa respondeu diretamente a uma das principais reivindicações apresentadas no I EIRE, realizado em Juazeiro (BA), em 2024: ampliar a presença e a participação indígena nos espaços nacionais de debate e decisão sobre restauração. Nesse sentido, o II EIRE fortaleceu alianças, promoveu a troca de experiências e construiu estratégias para ampliar a participação dos povos indígenas em todas as etapas da restauração, da concepção dos projetos à gestão dos recursos, das políticas públicas aos espaços de governança.
Ao longo de dois dias, rituais, rodas de conversa, momentos culturais e cirandas de conhecimento reuniram experiências de diferentes territórios, evidenciando que, para os povos indígenas, restaurar vai muito além de recuperar áreas degradadas. Significa fortalecer territórios, revitalizar culturas, proteger a biodiversidade, assegurar a soberania alimentar e manter vivos os conhecimentos ancestrais sobre o cuidado com a terra.
O encontro também aprofundou debates sobre políticas públicas, governança e a construção do Programa Indígena de Restauração Ecológica (PIRE), além da representação indígena em instâncias nacionais ligadas ao tema.
Entre os participantes estavam representantes da Rede de Sementes do Xingu (RSX), no Mato Grosso; da Rede de Sementes da Bioeconomia da Amazônia (RESEBA), em Rondônia; e da Rede de Sementes Serra da Lua (RESSEL), em Roraima, todas articuladas ao Redário.
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Ritual de abertura do II Encontro Indígena de Restauração Ecológica|Lia Domingues/Rede de Sementes do Xingu
Um caminho iniciado em 2024
O encontro deu continuidade ao processo iniciado no I Encontro Indígena de Restauração Ecológica (I EIRE), realizado durante a Conferência da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE24), em Juazeiro (BA). Na ocasião, representantes de 41 povos elaboraram a Carta dos Povos Indígenas do I Encontro Indígena de Restauração Ecológica – Chamado para restaurar ecossistemas e cabeças com sabedoria ancestral indígena, afirmando que "não há restauração possível sem os povos indígenas".
O documento reivindicava participação efetiva em toda a cadeia — ou, como preferem chamar, nos "ninhos da restauração" —, desde a formulação das iniciativas até sua implementação e monitoramento, além de acesso direto ao financiamento, reconhecimento dos conhecimentos tradicionais e maior presença indígena nos espaços de governança da restauração.
Dois anos depois, essas reivindicações continuam orientando a construção coletiva da agenda indígena para a restauração.
Muito além da execução de projetos
As lideranças presentes defenderam que os povos indígenas não querem apenas executar projetos concebidos por terceiros, mas participar das decisões desde o início, definir prioridades para seus territórios e gerir diretamente os recursos destinados à restauração.
Outro tema recorrente foi a necessidade de que os projetos deixem capacidades instaladas e benefícios permanentes nos territórios. Para as lideranças presentes, iniciativas de restauração precisam estar conectadas às economias da sociobiodiversidade, à produção de alimentos, às sementes nativas, ao artesanato e a outras atividades capazes de gerar renda e autonomia após o encerramento dos financiamentos.
Como resumiu uma das participantes durante o encontro, os povos indígenas não querem ser "submissos aos editais", dependendo continuamente de novos projetos para manter as ações em seus territórios. O desafio é construir processos capazes de fortalecer a autonomia das comunidades e gerar um legado duradouro.
Os debates também reforçaram que os povos indígenas são protagonistas históricos da conservação dos ecossistemas brasileiros. Seus conhecimentos, formas de manejo e modos de vida explicam, em grande medida, a elevada integridade ambiental das Terras Indígenas, reconhecidas entre as áreas mais preservadas do país. Nesse contexto, restaurar significa também fortalecer quem há séculos protege as florestas, as águas e a biodiversidade.
Comunicação do EIRE
A cobertura do II EIRE foi realizada pelos comunicadores da Rede de Sementes do Xingu. Assista ao vídeo produzido por Marewi Juruna e Lia Domingues:
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Oreme Ikpeng e Marewi Juruna da Rede de Sementes do Xingu|Lia Domingues/Rede de Sementes do Xingu
Carta do II EIRE
O encontro aconteceu na semana que antecedeu a VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE2026). Muitos participantes permaneceram em Brasília para a conferência, com isenção da inscrição e apoio financeiro de diferentes instituições, o que representa mais um passo para que a restauração ecológica seja construída com maior diversidade de saberes, justiça social e protagonismo indígena.
No dia 31 de julho, durante a plenária de encerramento da SOBRE2026, representantes indígenas subiram ao palco para apresentar a Carta dos Povos Indígenas do II Encontro Indígena de Restauração Ecológica à VI Conferência da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica – Nós Somos a Regeneração.
O documento reafirma que, para os povos indígenas, a restauração ecológica é inseparável da cultura, da espiritualidade e do território. Sob o lema "Nós Somos a Regeneração", a carta propõe ampliar a compreensão sobre a restauração, defendendo o fortalecimento dos "ninhos da vida" — territórios onde a vida continua sendo cultivada — e o reconhecimento dos conhecimentos indígenas como formas próprias de compreender e regenerar o mundo.
Entre os principais encaminhamentos estão o fortalecimento das políticas ambientais; a criação de mecanismos de financiamento acessíveis diretamente aos povos indígenas; a participação desde a concepção das iniciativas; a construção coletiva do Programa Indígena de Restauração Ecológica (PIRE); a continuidade da formação de Multiplicadores Indígenas em Restauração Ecológica (MIRE); e o reconhecimento dos territórios indígenas como protagonistas no cumprimento das metas nacionais de restauração.
A leitura da carta na plenária da SOBRE2026 marcou a consolidação de uma agenda construída pelos próprios povos indígenas e reafirmou uma mensagem que atravessou todo o encontro: não haverá restauração ecológica justa, duradoura e transformadora sem aqueles que, há milênios, mantêm vivos os territórios, os conhecimentos e as relações que sustentam a vida.
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Sementes agrícolas, cultura quilombola e defesa territorial marcam a 17ª edição da Feira de Sementes do Vale do Ribeira
Nos dias 14 e 15 de agosto, em Eldorado (SP), lideranças das comunidades quilombolas da região compartilham debates sobre preservação e a força da cultura viva em programação gratuita
Há sementes agrícolas que guardam séculos de história, resistência e cuidado com a terra. É com esse legado nas mãos que as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira, no sudoeste de São Paulo, abrem suas portas para a 17ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais.
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Feira promove trocas e vendas de sementes e mudas tradicionais, apresentações culturais e o tradicional almoço quilombola|Júlio César Almeida/ISA
Nos dias 14 e 15 de agosto, a Praça Nossa Senhora da Guia, em Eldorado (SP), será palco de um grande encontro com muita comida boa, dança, cantos, conhecimento e alegria de compartilhar saberes e lutas.
Organizada pelo Grupo de Trabalho da Roça, composto por dezenove Associações das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira e parceiros, em conjunto com o Instituto Socioambiental (ISA), a feira visa fortalecer a cultura quilombola, a segurança alimentar e a proteção da agrobiodiversidade local. Em 2018, o Sistema Agrícola Tradicional (SAT) Quilombola do Vale do Ribeira, base da feira, foi reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Iphan.
Valni de França Dias, integrante do GT Roça e liderança do Quilombo São Pedro, celebra que a Feira é maior a cada ano. Para ela, é uma oportunidade de mostrar o que foi realizado desde a última edição e despertar o interesse de cada vez mais quilombolas por meio da conscientização.
“A Feira é para apresentar um trabalho que nós fazemos o ano todo com as nossas roças, com as sementes, com a nossa alimentação e também com as licenças”, explica. “E as sementes, para nós, é um patrimônio muito precioso. Por isso, temos que salvaguardar com cuidado, e contamos com representantes das comunidades e entidades parceiras nessa organização”, completa.
Para Ruan Carlos da Conceição, gerente do Sesc Registro, a Feira é uma das mais importantes expressões da relação entre cultura, território, biodiversidade e memória ancestral presentes na região.
“Para o Sesc Registro, participar desta iniciativa é reafirmar um compromisso construído ao longo dos anos ao lado das comunidades quilombolas, apoiando ações que valorizam seus saberes, modos de vida e formas de organização social”, diz. “Não atuamos apenas como parceiros, somos também aprendizes, neste convívio com as comunidades quilombolas e buscamos ampliar a visibilidade dessas narrativas e fortalecer o Sistema Agrícola Tradicional Quilombola como um patrimônio vivo, construído e preservado por gerações de agricultores e agricultoras que contribuem diretamente para a conservação da Mata Atlântica e para a manutenção da diversidade cultural do Vale do Ribeira”.
Ruan destaca o desenvolvimento conjunto de exposições, encontros, atividades formativas, ações educativas e programas culturais que aproximam diferentes públicos da riqueza desses conhecimentos.
“Acreditamos que a Feira é um espaço fundamental de intercâmbio, fortalecimento comunitário e mobilização social, capaz de conectar tradição e futuro.”
O evento é um convite aberto para todos que desejam se encantar com a riqueza das tradições afro-brasileiras e entender mais sobre os modos de vida que mantêm o maior maciço de Mata Atlântica em pé. Durante os dois dias, o público poderá vivenciar debates sobre a preservação ambiental, conhecer mais sobre a roça de coivara, coleta e beneficiamento de sementes, e fortalecer as comunidades ao saborear pratos da culinária tradicional e garantir mudas e sementes crioulas produzidas diretamente nas roças quilombolas da região.
Para Giselle Sousa, analista do Instituto Socioambiental (ISA), também parceiro histórico do evento, o compartilhamento é também sobre as pressões sofridas pelas comunidades quilombolas, como a crescente emergência climática. Ela explica que pesquisadores quilombolas também vão levar resultados sobre uma pesquisa nesse tema.
“O Instituto Socioambiental tem contribuído para o diagnóstico, com a implementação do protocolo LICCI (Indicadores Locais de Impactos das Mudanças Climáticas) junto a pesquisadores Quilombolas, que resultou em percepções de mudanças no clima nos territórios e que serão fundamentais para incidência em políticas públicas climáticas e estratégias de adaptação", diz.
A edição mais recente, a 16ª edição, realizada em agosto de 2025, reuniu cerca de 500 pessoas, entre quilombolas, indígenas, ribeirinhos e parceiros. O evento destacou a importância da roça como espaço de identidade e autonomia, promovendo a troca de mais de 300 variedades de sementes e mudas.
"A feira de troca de sementes é um movimento que viabiliza a visibilidade do modo de vida quilombola na região do Vale do Ribeira. A troca de sementes que são manejadas durante gerações conectam histórias, resistência e segurança alimentar dentro dos territórios", reforça Giselle.
Confira a programação
A sexta-feira (14/08) será dedicada ao aprendizado e à reflexão com um ciclo de seminários e começa com o café da manhã seguido de uma mística de abertura com o Seu Aurico, liderança do Quilombo São Pedro. Depois, a mesa "A Embrapa e a democratização de sementes: o resgate e o acesso às sementes crioulas", conta com a participação de Ana Paula Donato dos Santos, liderança do Quilombo São Pedro, da pesquisadora Patrícia Goulart Bustamante (Embrapa) e mediação de Letícia Ester (Eaacone).
No período da tarde, o público acompanha a apresentação do Iphan sobre salvaguarda patrimonial e um bate-papo importante sobre os impactos da contaminação por metais pesados no território, com Maira Silva, pesquisadora quilombola, doutora em Ciências na área de Geologia e Recursos Naturais.
No sábado (15/08), a festa ganha o coração da cidade. Das 9h às 14h, a praça se enche de vida com a tradicional Troca de Sementes e Mudas, feira de produtos vindos direto da roça, apresentações culturais com os Violeiros do Ivaporunduva; poesias da Tia Elvira; dança do Quilombo Cangume; puxirão Quilombo São Pedro; Nhá Maruca; Xondaro Guarani; e um imperdível almoço tradicional quilombola para encantar o paladar e celebrar a cultura viva.
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Valni de França Dias, do Quilombo São Pedro, na cozinha da 16ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira|Júlio César Almeida/ISA
Valni, que também compõe a equipe da cozinha, compartilha a alegria de participar do preparo do tradicional almoço com frutos de suas roças. “Os alimentos que a gente prepara, é a gente mesmo que planta, que colhe e é muito gratificante.”
A Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais é uma realização do GT da Roça com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), Sesc Registro, Prefeitura de Eldorado, Prefeitura de Iporanga, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Bem-Te-Vi Diversidade.
Serviço
Evento: 17ª Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais das Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira
Data: 14 e 15 de agosto
Local: Praça Nossa Senhora da Guia — Eldorado, SP, a 3hrs de São Paulo
Entrada: Gratuita e aberta a todos os públicos.
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