Compre a sua edição de Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta, na loja online do ISA.
O geógrafo do Instituto Socioambiental (ISA), Estêvão Benfica Senra, estará presente explicando o processo de pesquisa desenvolvido pelos cinco autores Yanomami do livro.
“No período Bolsonaro com a desestruturação da presença do Estado no território, abandono de escolas, postos de saúde e outras estruturas, tinha-se uma situação muito angustiante: pessoas que haviam passado por processos formativos duradouros ficaram sem poder exercer suas funções, e sem perspectiva de trabalho”, explicou Senra.
Diante deste cenário, a pesquisa surgiu como uma forma de continuar apoiando esses indígenas além de ser uma forma de se produzir informações qualificadas sobre o território, com o objetivo de entender as mudanças que as comunidades experimentavam, com a explosão da invasão garimpeira.
Os autores do livro Diários Yanomami são Mozarildo Yanomami, Darysa Yanomami, Josimar Palimitheli Yanomami, Alfredo Himotona Yanomama e Marcio Hesina.
Os diários apresentam a percepção dos cinco autores e de seu povo sobre os impactos do garimpo na Terra Indígena Yanomami entre 2019 e 2022, período em que o Jair Bolsonaro (PL) ocupava o cargo de presidente do Brasil. A gestão foi marcada por políticas que estimularam a invasão garimpeira no território.
A publicação conta com relatos em formato de diários, registro de depoimentos e também entrevistas feitas pelos indígenas. O livro é bilíngue e sempre apresenta a primeira versão do texto em Yanomae com a tradução para português na página seguinte.
Lançamento em Boa Vista
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Da direita para a esquerda: Mozarildo Yanomami, Davi Kopenawa e Darysa Yanomami, tirando foto com o público no evento de lançamento do livro Diários Yanomami em Boa Vista (RR)|Rafael Oliveira/Mega Filmes/Hutukara/ISA
O primeiro acesso do público ao Diários Yanomami ocorreu em 24 de maio. O lançamento ocorreu no Centro Amazônico de Fronteira, o maior auditório da Universidade Federal de Roraima (UFFR) durante o evento Reahu na UFRR.
Na ocasião, os autores Darysa Yanomami e Mozarildo Yanomami estiveram acompanhados pelo xamã Davi Kopenawa, que também lançou o seu livro O Espírito da Floresta.
A publicação tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a criança e adolescente (UNICEF), da Rainforest Foundation Norway e do Centro de Documentação Indígena (Missionários da Consolata). Também contribuem com apoio financeiro o Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO) da União Europeia.
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Serras Guerreiras de Tapuruquara: aventura, cultura e hospitalidade indígena na Amazônia
No Médio Rio Negro, o turista se torna um visitante – acolhido e guiado pelos povos que ocupam ancestralmente o território
Começa a tarde na comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas. As pessoas se preparam para almoçar, seguindo a regra dos anfitriões indígenas, que indicam que os primeiros a se servirem devem ser os visitantes.
Sobre a mesa, há uma diversidade de alimentos da floresta e dos quintais, como cará roxo, beiju, peixe moqueado – ou defumado –, peixe ensopado, buriti, abacaxi, banana, entre outras delícias.
Cozinheiras da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, apresentam os pratos que serão servidos aos visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Peixes, frutas variadas, beiju: os melhores sabores do Rio Negro à mesa/Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Expedições das Serras Guerreiras de Tapuruquara oferecem variedade de pratos locais/Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Antes do cochilo na rede, logo após o almoço e com o forte calor amazônico, ainda resta disposição para uma conversa. Seu João Vieira Brazão, do povo Baré, usa o bloco de anotações e uma caneta para começar a rascunhar uma pequena gramática ilustrada de nheengatu, para ensinar um pouco de sua língua.
Desenha um rosto, coloca setas indicativas e vai escrevendo: olho, reçá; nariz, tym; cabeça, yakãga; orelha, nãby, boca, yorou. Em seguida, avança um pouco: meu nariz, se tym; meu olho, se reçá, minha boca, se yorou, minha orelha, se nãby. Como bom professor, vai em frente e forma uma frase: minha cabeça dói ou se akãga sacy.
A aula na língua nheengatu – um tanto improvisada pelo seu João Brazão – não faz parte do roteiro oficial do projeto de turismo Serras Guerreiras de Tapuruquara. Mas dá uma ideia dos encontros possíveis ao conhecer a Amazônia dos indígenas. E acompanhados dos indígenas.
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Crianças da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Seu João Brazão (primeiro à direita) recebe participantes da expedição|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
O projeto oferece dois roteiros de cultura e aventura. O Maniaka tem ênfase na parte cultural, enquanto o Witera oferece mais aventura (detalhes abaixo).
A viagem acontece no Estado do Amazonas, entre as cidades de São Gabriel da Cachoeira e Santa Isabel do Rio Negro, numa das regiões mais lindas do Estado, com um cenário único onde há serras em meio ao tapete verde da floresta. A visitação acontece de agosto a fevereiro, quando as chuvas diminuem na região, sendo que cada expedição dura de 8 a 12 dias.
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Rio Negro de cima: vista panorâmica no topo de uma das serras|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Paisagens de tirar o fôlego se revelam aos visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Para cada serra, um nome. Vamberto Plácido, do povo Baré, que nasceu e sempre viveu nessa região, conta que as serras que dão nome ao projeto são, na verdade, guerreiros.
“Então, contando um pouco da história das serras guerreiras, vou contar para vocês uma históriazinha dessas serras. Segundo os mais antigos, essas serras, eles eram os guerreiros. Cada uma delas tem seu nome. Por isso que é o Jacamim, a Jacuraru, a Cutia, o Porco, o Trovão e a Anta. Saindo da Colômbia, percorreram a noite toda, mas não conseguiram pegar o destino onde iam guerrear com outra serra, onde ficava a cobra conhecida como cobra do Tukano. Eles não conseguiram chegar até lá e amanheceram o dia e ficaram até hoje. Então, esse projeto já trouxe o nome das Serras Guerreiras de Tapuruquara. Tapuruquara é o antigo nome de Santa Isabel do Rio Negro”, narra.
Para entrar nesse território – que é sagrado –, é preciso benzimento. Com esse ritual, o pajé apresenta os turistas aos verdadeiros donos da área, invisíveis aos não indígenas. Feita a proteção, é hora de aproveitar a viagem!
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Chega a hora de partir e conhecer as belezas do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Banho de rio e amizade com as Serras de Tapuruquara ao fundo|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Variedade de lugares, sabores e experiências
Subida de serras, canoagem, culinária tradicional, oficinas de artesanato, banhos de rio, narrativas indígenas, danças e muita cultura.
Os passeios não se repetem. A depender da época, da seca ou das chuvas, as paisagens e os roteiros mudam – dificilmente o visitante vai nadar duas vezes na mesma praia.
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Roteiros incluem canoagem e passeios pelas praias de areia branca do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Do alto das serras, é possível ver de cima a copa das árvores da floresta amazônica, o rio serpenteando, o voo das araras.
Depois de percorrer trilhas, ouvir histórias, visitar roças, fazer farinha e artesanato, nadar em praias de areia branca, remar, comer os alimentos tradicionais, você ainda poderá ter contato com a cultura dos 23 povos indígenas do Médio e Alto Rio Negro, que ocupam ancestralmente este território. Nessa região, convivem povos como os Baré, Tukano, Baniwa, Desano, Piratapuya, Arapaso, Nadeb, entre outros.
Na comunidade de Boa Vista, por exemplo, os turistas vão dançar o Mawako e participar de um Dabucuri. O ritual acontece em ocasiões especiais, agradece e compartilha os bons momentos e as farturas.
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Turismo de base comunitária leva os viajantes a uma imersão na culturas dos povos indígenas do Rio Negro|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Na comunidade de Aruti, a artesã Alciene da Silva de Oliveira, povo Piratapuia, ensina a manejar o arumã, usado para as peças artesanais como os tapetes. Em São João 2, Jacson Luis Costa Silva e Marlice Brandão Pinheiro, do povo Baré, convidam para sentir nas mãos a argila dos igarapés amazônicos e moldar pequenas peças seguindo a tradição milenar da arte de fazer cerâmica.
No projeto de turismo de base comunitária, o passeio tem um componente a mais. Além de passear, o turista apoia os indígenas e ajuda a preservar o meio ambiente, contribuindo para uma atividade econômica sustentável. São cerca de 200 famílias beneficiadas em cinco comunidades: Cartucho, Aruti, São João 2, Uábada 2 e Boa Vista.
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Oficina de cerâmica tradicional na comunidade São João 2|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Atividade faz parte dos roteiros do Projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
E, ao se prepararem para receber os turistas, os indígenas acabam reforçando a própria cultura, inclusive repassando aos mais jovens envolvidos nos projetos da sociobiodiversidade.
Os esforços exigidos nas viagens amazônicas são compensados na hora do descanso. O corpo se ajeita na rede. É hora de dormir como os indígenas.
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Visitantes dormem em redes e conhecem os costumes regionais|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
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Alojamentos permitem uma integração profunda com a natureza|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Na chegada e na saída, há momentos de muita emoção. Na recepção aos turistas, as crianças indígenas cantam para receber os visitantes, na língua indígena. Na despedida, é hora de abraçar os anfitriões, que já se tornaram amigos.
Por volta de setembro, quando as águas baixam no início da estação seca, a paisagem ganha generosas revoadas das borboletas amarelas, que agrupadas no chão formam verdadeiros tapetes vivos.
Coordenador geral do Serras Guerreiras de Tapuruquara, Marcos Baltazar Salustiano, do povo Baré, morador da comunidade do Cartucho, convida para essa visita.
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Marcos Baltazar Salustiano, do povo Baré e morador da comunidade do Cartucho, é coordenador geral do Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
“A gente convida você a vir participar do nosso projeto, que é familiar. A gente tem esse contato com as pessoas de fora, mas é um contato assim, de amigo. As comunidades oferecem um carinho enorme para essas pessoas que vêm. E essas pessoas que vêm deixam também um carinho enorme nas comunidades. Por isso que a gente convida todos a participarem do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara, que envolve os 23 povos indígenas de várias etnias, como Baré, Tukano, Desano, Nadeb.”
Puranga Pesika – Sejam bem-vindos!
Depoimentos
Jaciel Manoel Rodrigues, povo Baré, morador da comunidade do Cartucho e coordenador da Associação das Comunidades Indígenas Ribeirinhas (Acir)
Desde o início do projeto, a gente tem essa mentalidade. Todos que chegam, para a gente é como se fosse o nosso vizinho daqui. A gente acolhe com carinho, todos eles. E a gente se sente muito feliz quando eles estão aqui entre a gente.
Elaine da Silva Galvão, coordenadora do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade Aruti
A gente convive com outras pessoas. A gente conhece outras pessoas e eles conhecem a gente também, nossa língua, que é o nheengatu.
O que o visitante pode aproveitar da culinária? Bacaba, bacabinha, patauá. Surubi, pirandira, aracu, pacu. Tucupi doce, tucupi azedo, pimenta. Todo tipo de peixe eles pegam, eles trazem para oferecer aos turistas. Tem caldeirada, assado, frito, moqueado e, às vezes, até salgado.
Professor Rosemiro Torres Olar, povo Baré, professor e coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade Uábada II
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Professor Rosemiro Torres Olar, povo Baré, coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Esses lugares são sagrados. Cada cachoeira tem um nome, tapiracanga, jurupari, outro lá, piramiri, kiuá. Tudo isso aí, ele se envolve em apenas um dono, que é Uaimi, que significa velha. Ela que cuida disso aqui. É dono de tudo esse patrimônio que tem aqui para dentro desse igarapé. Então toda vez que a gente vai para dentro do igarapé pescar, atrás de algum produto, ou vai a passeio, nós temos que pedir permissão a ela.
Um dos pajés, toda vez que a gente recebe o turista, para cá, principalmente pela primeira vez, ele faz um benzimento. Para que esse benzimento? Esse benzimento é para apresentar o visitante para o dono do igarapé, o dono da cachoeira. Então seria apresentar. Por isso, pelo cuidado que temos que ter com o turista. Proteger o nosso visitante.
Orlandino Cordeiro de Oliveira, povo Baré, conhecedor indígena e morador de Aruti, recebe os turistas em sua casa
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Orlandino Cordeiro de Oliveira (camisa pólo azul), povo Baré, conhecedor indígena e morador de Aruti, recebe os turistas em sua casa|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Meu nome é Orlandino de Oliveira, essa é minha família. Somos eu e minha família aqui. Minhas filhas, minhas noras, filhos, genros. Uma partezinha. A maioria está por aí. Sabe por que que possui esse nome de Aruti, essa ilha? Não tem essa pedrazona bem no rabo da ilha? Essa é Aruti. Isso significa, em português, é preguiça, a Ilha da Preguiça. Mas é o nome da ilha, não é porque eu sou preguiçoso. Esse Aruti está em nheengatu, língua de Baré.
João Vieira Brazão, povo Baré, coordenador do projeto Serras Guerreiras de Tapuruquara na comunidade de São João 2
Espero que você venha conhecer aqui. Esperamos de braços abertos, com muito entusiasmo, para que conheçam a nossa realidade, a nossa floresta, o nosso rio, a nossa imagem pessoalmente, ao vivo, conhecer a nossa comida tradicional, conhecer o fruto da nossa região aqui, comer o peixe gostoso, conhecer a nossa farinha, o nosso beiju, a nossa fruta tradicional.
Vamberto Plácido Rodrigues, povo Baré, ex-coordenador do Projeto Serras Guerreiras e atual servidor da Funai
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Vamberto Plácido Rodrigues, do povo Baré, ex-coordenador do Projeto Serras Guerreiras e atual servidor da Funai|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Esse projeto, o benefício que trouxe para foi o intercâmbio das pessoas que vêm de fora conhecer a nossa cultura nas comunidades. Isso faz com que essa cultura se fortaleça. Porque apresentamos aos turistas a dança cultural, a própria língua, a dança.
Bruno Mangolini, coordenador da Poranduba Amazônia, participou da expedição em outubro de 2023
Além de você estar vivendo uma experiência muito peculiar, muito rica, de passear, de conhecer um lugar diferente, uma cultura, isso vai também vai contribuir com as comunidades, inclusive com o resgate da parte cultural. Também gera renda para a comunidade.
O que fica mais marcante fora os passeios, a parte gastronômica, as belezas naturais, é o cuidado dos indígenas que estão nos recebendo. A simpatia, a alegria deles em receber o visitante que vem conhecê-los, acho que isso é muito marcante.
Mari Salim, sócia da Montanero Expedições, participou da expedição em outubro de 2023
A gente percebe o resgate de vários saberes tradicionais, inclusive de saberes que os mais jovens não estavam valorizando tanto. E foi muito bonito perceber que eles estão articulando tudo isso por conta desse trabalho de turismo. Para mim, o que mais encantou foi a mobilização desse resgate, junto às famílias e os jovens, e o quanto eles já estão se sentindo orgulhosos de estar apresentando isso para nós. E fiquei muito contente de ver uma preocupação não só com a segurança, mas com o conforto de todos os visitantes que vêm. Desde os dormitórios, até a culinária e os transportes.
Jéssica Martins, assessora técnica em turismo do Instituto Socioambiental (ISA)
O projeto Serras Guerreiras é sonhado e construído junto com as comunidades, pelas comunidades indígenas do médio rio Negro. Esse é um roteiro que acontece nessa região bem especial, do Noroeste Amazônico, com uma paisagem diferenciada, tanto na questão da natureza, quanto na questão dos povos indígenas e na parte cultural, que é muito rica e muito diversa.
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Até breve! Moradores da comunidade de Boa Vista, no Médio Rio Negro, Amazonas, se despedem dos amigos-visitantes|Benjamin Mast/La Mochila Produções/ISA
Apresentação dos pratos para o almoço na comunidade São João 2|Benjamin Mast/ISA
Merenda com pratos regionais depois de remada na comunidade de Boa Vista|Benjamin Mast/ISA
Roteiros de turismo comunitário convidam a descobrir os sabores da culinária tradicional do Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
Indígenas do povo Baré ensinam aos turistas a tradição milenar da arte de fazer cerâmica|Benjamin Mast/ISA
Paisagem na viagem de barco pelo Médio Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
Paisagem na viagem de barco pelo Médio Rio Negro|Benjamin Mast/ISA
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
ISA lança “Vozes do Clima”, boletim de áudio com informações sobre a pauta climática para povos e comunidades tradicionais
Primeiro episódio ouve lideranças indígenas sobre os impactos da emergência climática, durante o 20º Acampamento Terra Livre
O Instituto Socioambiental (ISA) lança neste dia 6 de junho o boletim de áudio “Vozes do Clima”, com o objetivo de levar informações a povos indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais sobre os temas relacionados à pauta climática. Em formato de boletim de notícia e com duração média de 8 minutos, o novo projeto de comunicação do ISA será distribuído via Whatsapp e Telegram e tem como público alvo comunidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil que atuam na área socioambiental.
Temas como emergência climática, mercado de carbono e economias da sociobiodiversidade, além das agendas da incidência política do ISA e parceiros em Brasília e nos estados, serão abordados na série. Com o “Vozes do Clima”, o ISA pretende compartilhar informações com diferentes atores sobre iniciativas relacionadas ao enfrentamento da crise climática e sua incidência política nas instâncias do poder público.
Demarcação das Terras Indígenas como saída para a crise
O primeiro episódio do “Vozes do Clima” traz como pauta o 20° Acampamento Terra Livre (ATL), realizado de 22 a 26 de abril, em Brasília, com o tema “Nosso Marco é Ancestral: nós sempre estivemos aqui” e é apresentado pela estudante indígena Thaine Fulni-ô. Conta com depoimentos de lideranças indígenas, todas mulheres, sobre a realidade de seus territórios com o acirramento da crise climática e aponta caminhos para enfrentar o problema, como demarcação e preservação das Terras Indígenas, valorização dos saberes ancestrais e luta pela valorização das mulheres, principais protetoras dos biomas.
“Nós temos territórios que, num período em que chovia muito, hoje eles pegam fogo. Nós temos sentido que, cada vez mais, o calor impacta porque a gente tá o tempo todo pensando como vai ficar a estrutura das nossas casas, que são de acordo com os nossos costumes e que vão precisar ser modificadas, porque a gente não suporta mais ficar ali”, ressaltou Joziléia Kaingang, secretária executiva da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).
Além dela, também estão presentes no programa Elisa Pankararu, coordenadora do Departamento de Mulheres Indígenas da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme); Braulina Baniwa, ex-secretária executiva da Anmiga; Fernanda Kaingang, diretora geral do Museu dos Povos Indígenas; e Cristiane Julião, co-fundadora da Anmiga e liderança do povo Pankararu.
“A gente tinha um calendário, que sabia que março era hora de preparar a terra, para maio e junho colher o milho e o feijão. Hoje a gente não sabe. Não sabe quando é que planta, não sabe quando é que colhe, não sabe nem se vai plantar”, disse Cristiane Julião, explicando que seu território já sente os efeitos da crise climática.
Segunda temporada
Escute o primeiro episódio de 2025, que fecha as ações do mês de março, trazendo o olhar de lideranças mulheres sobre a COP30 (Conferência das Nações sobre Mudanças do Clima), que será realizada em novembro, em Belém (PA):
Protagonismo dos povos indígenas na COP30
Articulação do movimento indígena rumo à conferência do clima foi tema do 21º ATL e teve como ponto alto o lançamento da Comissão Internacional Indígena para a COP30.
Mercado de carbono jurisdicional no Pará
O programa jurisdicional de REDD+ (sigla para Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal, Manejo Sustentável de Florestas e Conservação e Aumento dos Estoques de Carbono Florestal), em discussão no estado do Pará, é o tema deste episódio do "Vozes do Clima".
Próxima parada, Belém: o que esperar da COP30?
O episódio traz um balanço de como foi a Conferência do Clima realizada em Bonn, na Alemanha, e os desafios que devem marcar a COP30, no final de novembro, em Belém/PA.
Os saberes ancestrais dos AIMAs como ferramentas de adaptação
Os trabalhos e as pesquisas realizadas pelos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) do Rio Negro, Amazonas, como parte das estratégias para enfrentar a crise climática é tema deste episódio do "Vozes do Clima". As entrevistas foram feitas durante a oficina “Olhares Indígenas sobre as transformações nos territórios devido ao clima", realizada em Brasília.
A COP30 foi a COP dos povos?
O boletim de áudio "Vozes do Clima" fecha o ano de 2025 trazendo um balanço político da Conferência sobre Mudanças do Clima da ONU, a COP30, realizada em Belém (PA), em novembro deste ano. O novo episódio traz as vozes de lideranças indígenas, quilombolas e extrativistas sobre a primeira COP realizada no Brasil, que contou com forte presença de ativistas socioambientais, de organizações de povos e comunidades tradicionais e de juventudes e periferias.
Primeira temporada
Ouça agora o primeiro episódio!
Resistência quilombola
O segundo episódio do “Vozes do Clima” vai abordar o 2º Aquilombar, o maior evento do movimento quilombola brasileiro, realizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) no dia 16 de maio, com o tema “Ancestralizando o futuro”. Durante o encontro, que culminou numa grande marcha com mais de 3 mil pessoas, o ISA ouviu lideranças quilombolas sobre os impactos da emergência climática em seus territórios.
A tragédia ambiental no Rio Grande do Sul é um triste exemplo de como essa pauta precisa estar no centro das discussões. Mais de 20 dos 147 quilombos gaúchos e mais de 2,5 mil dos 17,6 mil quilombolas foram severamente atingidos, segundo o Ministério da Igualdade Racial (MIR). A perspectiva do segundo episódio, portanto, é abordar essas e outras preocupações presentes nas discussões do movimento quilombola.
O Xingu é um só
O terceiro episódio do "Vozes do Clima" aborda debate sobre mudanças climáticas e mercado de carbono durante assembleia da Rede Xingu+, que aconteceu em maio, na Resex Rio Iriri. Apresentado por Joelmir Silva, integrante da rede de comunicadores da Rede Xingu+ e morador da comunidade extrativista Maribel, o episódio e ouviu diversas lideranças indígenas e ribeirinhas.
Programas jurisdicionais de REDD+
Quarto episódio repercute oficina de intercâmbio entre organizações indígenas, quilombolas e extrativistas, que debateu a regulação do mercado de crédito de carbono de Mato Grosso e Pará. Foram três dias de debates intensos à beira do Rio Guamá, que desaguaram no consenso de que é fundamental que povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais se articulem para o diálogo sobre as ações e iniciativas que envolvem o mercado de crédito de carbono no Brasil e as formas de enfrentar a emergência climática.
Salvaguardas
Quinto episódio do “Vozes do Clima” discute salvaguardas para garantir direitos em projetos de crédito de carbono. Programa traz avaliações de lideranças que participaram de seminário organizado pelo ISA e que acompanham discussões sobre tema na Conaredd.
Uma conversa rumo à COP 30
No sexto e último episódio da primeira temporada do Vozes do Clima, ativistas socioambientais e lideranças de povos e comunidades tradicionais discutem os resultados frustrantes da COP29 e os caminhos para a participação efetiva de povos e comunidades tradicionais na COP30, em Belém (PA).
O boletim de áudio “Vozes do Clima” tem periodicidade quinzenal e é uma realização do ISA, com produção da produtora de podcasts Bamm Mídia e apoio da Environmental Defense Fund (EDF). A identidade visual foi concebida pelas designers e ilustradoras indígenas Kath Matos e Wanessa Ribeiro. O programa também poderá ser ouvido nas plataformas de áudio Spotify, iHeartRadio, Amazon Music, Podcast Addict, Castbox e Deezer.
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Comunicadores da Rede Xingu+ abrem mostra fotográfica no centro de Oslo, capital da Noruega
Com curadoria de Kujaesãge Kaiabi, ‘Os Olhos do Xingu’ convida o público a conhecer, até 17 de junho, as belezas e as ameaças aos modos de vida nos territórios
Dança coletiva do povo Khïsêtjê durante tradicional festa de fim de ano na aldeia Khikatxi, Terra Indígena Wawi|Kokoyamaratxi Renan Suya
A exposição Os olhos do Xingu, que acontece entre os dias 3 e 17 de junho no centro de Oslo, capital da Noruega, reúne fotografias de oito comunicadores da Rede de Comunicadores Xingu+ que vivem em Terras Indígenas na Bacia do Rio Xingu, entre Pará e Mato Grosso.
Com curadoria de Kujaesãge Kaiabi e dos comunicadores indígenas, a exposição é uma realização da Rede Xingu+, da Rainforest Foundation Norway e do Instituto Socioambiental (ISA). As fotografias serão exibidas em painéis em grande formato na Kronprinsesse Märthas plass, ao lado do Centro Nobel da Paz e da prefeitura de Oslo.
Ao todo, são 20 imagens que apresentam a preocupação dos comunicadores indígenas e ribeirinhos com pressões e ameaças à Bacia do Rio Xingu, bem como a felicidade expressa no relacionamento com as comunidades, seus conhecimentos e culturas. A exposição direciona o olhar da sociedade envolvente para além da fronteira do imaginário popular, destacando a relação intrínseca entre o bem viver e a proteção dos territórios.
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Jepi Kaiulu Kalapalo brinca alegremente com borboletas em frente à sua casa na Aldeia Kalapalo, Terra Indígena do Xingu|Tauana Kalapalo/2016
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Na Aldeia Kalapalo, crianças se divertem com o ‘ta’, brincadeira que consiste em acertar uma flecha no centro de uma roda em movimento|Tauana Kalapalo/2017
As imagens produzidas pelos comunicadores ainda propõem uma reflexão sobre como os diferentes modos de produção de registros visuais incentivam as novas gerações de comunicadores a fazer fotografia a partir do pensamento dos povos do Xingu.
A seleção de fotos apresentadas na mostra inclui registros de mobilizações em Brasília, como a 3ª Marcha Mulheres Indígenas, realizada em setembro de 2023, além de retratos feitos em reuniões e em danças e festividades realizadas nos territórios.
Em uma potente fotografia monocromática, a comunicadora Tina Yawalapiti retratou o centro cultural Umatalhi, importante espaço para o fortalecimento do modo de vida alto xinguano pela realização de atividades como o ensino da língua yawalapiti – atualmente com poucos falantes –, aulas de artesanato e cursos de formação para comunicadores.
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Construção de Umatalhi, centro cultural na aldeia Tuatuari, no Alto Xingu|Tina Yawalapiti/ISA
Sobre a curadora, Kujaesãge Kaiabi
A comunicadora vive na aldeia Guarujá, no Território Indígena Xingu (TIX), onde se destaca como uma das mais promissoras figuras femininas do audiovisual. Todos os dias acorda cedo, toma banho no rio e prepara a alimentação da sua família. Junto com as mulheres de sua comunidade, coleta mandioca, amendoim, torra farinha, faz artesanato e cuida de sua aldeia.
Seu principal papel enquanto comunicadora é apoiar os caciques e lideranças kaiabi a compreender os retrocessos governamentais e ameaças que tramitam no Congresso Nacional. “Sou uma porta-voz do povo Kaiabi”, conta a comunicadora. Para isso produz vídeos e áudios informativos.
O desejo de se tornar comunicadora surgiu quando foi convidada para atuar no filme A história da Cutia e do Macaco, do Instituto Caititu. Desde então, Kujaesãge passou a se inspirar nas produções que viu durante a sua atuação. “Para mim não foi fácil, pois naquela época não havia mulheres na área audiovisual”, relatou.
A imagem tem um poder muito significativo para o povo Kaiabi: “quando tiramos uma foto ou fazemos um vídeo, é esse registro que servirá como dicionário ou lembrança da família que se foi”, disse a comunicadora, que também pesquisa imagens do seu povo em arquivos históricos de conteúdos produzidos também por cineastas não-indígenas.
Desde 2018, realiza a cobertura audiovisual da Mobilização das Lideranças Indígenas, no Acampamento Terra Livre em Brasília.
Em 2022, foi curadora do 1º Festival de Cinema e Cultura Indígena do Brasil e no mesmo ano expôs no Instituto Moreiras Salles, fotos e um filme em que apresenta a trajetória do seu avô, Prepori Kaiabi, um dos principais pajés da história do Parque Indígena do Xingu (PIX).
Atualmente, Kujaesãge Kaibi (@kujaesage) se dedica a produção de um longa-metragem que conta a história de Prepori Kaiabi.
Sobre os comunicadores da Rede Xingu+
Composta por 26 membros, a Rede de Comunicadores Indígenas e Ribeirinhos do Xingu integra a Rede Xingu+, uma articulação entre organizações de povos indígenas, associações de comunidades tradicionais e instituições da sociedade civil atuantes na bacia do Rio Xingu.
Ao se apropriarem do uso de equipamentos e tecnologias sociais, os comunicadores da Rede Xingu+ assumem o protagonismo na comunicação interna e articulação política entre diferentes povos da Bacia do Rio Xingu, e contribuem para a prevenção, emissão de alertas e monitoramento de atividades ilegais nas Áreas Protegidas do Xingu.
Tiogo Kalapalo (no centro) distribuindo peixes para os moradores da Aldeia Aiha Kalapalo, na Terra Indígena do Xingu, como parte do processo de agradecimento do dono do ritual Kuarup à pela contribuição da comunidade, que juntou polvilho para alimentar os participantes do evento|Tauana Kalapalo/2022
Banco de areia no Rio Xingu, em região próxima à Aldeia Samaúma, do povo Kawaiwete, está cada vez maior, fenômeno agravado pelas mudanças climáticas|Kamatxi Ikpeng/2023
Fim de tarde na Esec Terra do Meio. Ao atingir a posição registrada na foto, o sol sinaliza para os beiradeiros que chegou ao fim o dia de trabalho e começará um horário considerado sagrado para o descanso|Joelmir Silva e Silva/2023
Mulheres Xinkrin e Kayapó participam de apresentação tradicional de canto e dança antes do início de uma partida de futebol pela 3ª Copa Mebêngôkre Nire de Futebol Society|Kubenkákre Kayapó/2023
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Lançamento de livros une autores Yanomami, professores e estudantes em Roraima
Em ‘Reahu na UFRR’, público na Universidade Federal de Roraima pode conhecer as obras Diários Yanomami e O Espírito da Floresta
Da esquerda para a direita: Darysa Yanomami, Davi Kopenawa e Mozarildo Yanomami, durante evento em Roraima|Rafael Oliveira/Mega Filmes/ISA/Hutukara
Autores Yanomami levaram centenas de pessoas ao Centro Amazônico de Fronteira (CAF), maior auditório da Universidade Federal de Roraima (UFRR), na última sexta-feira (24/05) para “Reahu na UFRR”. O evento foi palco para os lançamentos dos livros Diários Yanomami e O Espírito da Floresta.
Em Diários Yanomami, cinco autores yanomami apresentam a percepção deles e de seu povo sobre os impactos do garimpo na Terra Indígena Yanomami entre 2019 e 2022, período em que o Jair Bolsonaro (PL) ocupava o cargo de presidente do Brasil. A gestão foi marcada por políticas que estimularam a invasão garimpeira no território.
Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta foi exposto pela primeira vez ao grande público durante o Reahu - palavra que significa festa em Yanomae - em Boa Vista. Todas as cópias disponibilizadas pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) na ocasião foram vendidas meia hora após o início do Reahu. O livro está em pré-venda na loja online do Instituto Socioambiental, que entrega para todo o país.
Diários Yanomami foi escrito por Mozarildo Yanomami, Darysa Yanomami, Josimar Palimitheli Yanomami, Alfredo Himotona Yanomama e Marcio Hesina. Mozarildo e Darysa representaram o coletivo durante o evento.
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Darysa Yanomami em lançamento do livro Diários YanomamiFabrício Araújo/ISA
“Eu fiquei muito feliz em ver todas estas pessoas e saber que estavam aqui pelo meu livro. Eu agradeço muito a todas estas pessoas e a Universidade Federal [de Roraima]. Eu sonhei muito com isso e por isso estou muito feliz”, contou Darysa ao ISA.
Mozarildo reforçou, em discurso ao público, o cuidado dos Yanomami com a floresta e pediu que os não indígenas prestassem atenção nas palavras colocadas em Diários Yanomami. Ele sublinhou, ainda, que as palavras foram escritas pelos próprios Yanomami e não por brancos.
“Mas se eu estivesse trabalhando sozinho, estas palavras não teriam sido divulgadas. O Instituto Socioambiental, a Diocese de Roraima e a Hutukara nos apoiaram. Por tanto, prestem muita atenção na devastação que os garimpeiros causaram na nossa Terra Yanomami. As palavras deste livro descrevem a destruição provocada pelo garimpo”, pontuou Mozarildo.
‘Nossa universidade é a floresta’
Este foi o segundo grande evento da UFRR com participação e forte atuação do xamã Yanomami Davi Kopenawa. Em setembro de 2022, o reitor José Geraldo Ticianeli o entregou o título de Doutor Honoris Causa em uma cerimônia virtual e com limitação de público em razão da pandemia de Covid-19.
“A educação indígena também faz parte da missão da Universidade Federal de Roraima. Conceder o título de Doutor Honoris Causa ao Davi Kopenawa em um momento historicamente importante de se posicionar para a universidade mostrou o nosso respeito aos povos originários e, principalmente, tornou o Davi um porta-voz da UFRR com este título”, disse Ticianeli.
Nesta nova oportunidade, Kopenawa falou sobre sua mais recente parceria com o antropólogo francês Bruce Albert e reforçou sua mensagem contra o garimpo em terras indígenas diante da acadêmia científica.
“O originário não tem universidade. A nossa universidade é a floresta. Eu aprendi olhando, escutando, cuidando e preservando a floresta. A nossa terra mãe nos ensinou a sonhar e olhar a beleza da nossa floresta”, disse Kopenawa durante seu discurso.
Yanomami mais próximos dos roraimenses
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Mozarildo Yanomami, autor do livro Diários Yanomami, durante evento na Universidade Federal de Roraima (UFRR)|Rafael Oliveira/Mega Filmes/ISA/Hutukara
O Reahu na UFRR foi o primeiro grande evento de diálogo entre os Yanomami e as pessoas que vivem em Roraima. Historicamente, este povo indígena vive em cenário conflituoso marcado pelo forte posicionamento contra o garimpo ilegal na maior terra indígena do Brasil.
“A gente entende que a mensagem dos Yanomami é importante em qualquer lugar do mundo, mas em Roraima é ainda mais importante porque é onde eles vivem, é o contexto em que estão inseridos. É uma forma de sensibilizar também as pessoas que estão sempre em contato com eles”, explicou Estêvão Benfica Senra, produtor editorial do Diários Yanomami.
E a necessidade de aproximação com os Yanomami foi comprovada pelas palavras do público presente, que se diversificou entre jovens no início da graduação, adultos em processo de pós-graduação, experientes professores de todos os tipos de educação: básico, médio e superior e até figuras do poder público, como é o caso da defensora pública de Roraima Jeane Magalhães Xaud.
“A temática Yanomami tomou conta do meu dia, na verdade tem tomado conta dos meus dias no trabalho e também na vida social. Ouvir o Davi Kopenawa é luxo primordial, é necessário porque nós só poderemos compreender os Yanomami, como o Davi disse, através das palavras escritas por eles mesmos. O povo Yanomami é um povo que tem toda uma complexidade, quanto mais nós entendermos essa complexidade e estarmos abertos a ela, mais nós poderemos desimpactar o contato deles, por exemplo, com a nossa sociedade e com o nosso sistema de justiça”, afirmou Xaud.
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Davi Kopenawa distribui autógrafos durante Reahu na UFRR|Fabrício Araújo/ISA
Já a estudante de Ciências Sociais Enoá Vitória Mourão, de 24 anos, escolheu ir ao evento na noite de sexta-feira porque as palavras de Davi Kopenawa já fazem parte de sua pesquisa. Atualmente lendo A Queda do Céu, ela aproveitou para adquirir O Espírito da Floresta e poder estar na presença do xamã.
“Há locais que não conseguimos ter acesso, como a própria Terra Indígena Yanomami, e estar com o Davi Kopenawa aqui presente é uma oportunidade única. O Davi é uma pessoa que eu admiro e com quem eu gostaria de poder conversar por pelo menos cinco minutos é incrível”, contou emocionada.
Sobre os livros
Diários Yanomami é um livro realizado pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o Instituto Socioambiental (ISA). A produção editorial é assinada por Estêvão Senra, geógrafo do ISA, que também faz parte dos times de organização e edição junto a Alcida Ramos e Corrado Dalmonego. A tradução de Yanomae para Português foi feita por Dalmonego conjuntamente com os pesquisadores.
A publicação tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a criança e adolescente (UNICEF), da Rainforest Foundation Norway e do Centro de Documentação Indígena (Missionários da Consolata). Também contribuem com apoio financeiro o Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO) da União Europeia.
O Espírito da Floresta reúne textos originalmente publicados entre 2002 e 2021 em inúmeras exposições realizadas em Paris pela Fundação Cartier. O livro é dividido em 16 capítulos com textos intercalados entre os autores e está à venda online na Companhia das Letras, na livraria Boa Vista.
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Evento em 24 de maio, "Reahu na UFRR", apresenta obra de cinco autores Yanomami que registraram percepções sobre as mudanças na maior Terra Indígena do Brasil entre 2019 e 2022; livro está em pré-venda na loja online do ISA
Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta, livro escrito por cinco autores indígenas da Terra Indígena Yanomami, entra em pré-venda nesta quarta-feira (15/05) na loja do Instituto Socioambiental (ISA). A publicação será lançada em Boa Vista, Roraima, durante o evento “Reahu na UFRR”, com palestra do xamã Davi Kopenawa na Universidade Federal de Roraima (UFRR).
Reserve o seu exemplar de Diários Yanomami: Testemunhos da Destruição da Floresta, na loja online do ISA.
Reahu, que pode ser traduzido do Yanomae para o português como festa ou celebração, é o principal ritual dos Yanomami. Durante o evento na UFRR, Kopenawa também lança seu novo livro O Espírito da Floresta, que repete a parceria de sucesso com o antropólogo Bruce Albert.
Os autores do Diários Yanomami são Mozarildo Yanomami, Darysa Yanomami, Josimar Palimitheli Yanomami, Alfredo Himotona Yanomama e Marcio Hesina. Eles apresentam a percepção deles e de seu povo sobre os impactos do garimpo na Terra Indígena Yanomami entre 2019 e 2022, período em que o Jair Bolsonaro (PL) ocupava o cargo de presidente do Brasil. A gestão foi marcada por políticas que estimularam a invasão garimpeira no território.
A publicação conta com relatos em formato de diários, registro de depoimentos e também entrevistas feitas pelos indígenas. O livro é bilíngue e sempre apresenta a primeira versão do texto em Yanomae com a tradução para português na página seguinte.
“Eu quero que vocês, brancos que nos defendem à distância, ouçam estas minhas palavras”, inicia o capítulo “Diários”, escrito pelo pesquisador Mozarildo Yanomami. A reflexão de Mozarildo passa pela violência dos garimpeiros contra as mulheres, sobre o desconhecimento dos não indígenas às violações que os Yanomami sofrem e o desejo de que esta publicação jogue luz sobre o tema e ajude a salvar o povo dele.
“Meu trabalho nesta pesquisa Urihi Temi teve um propósito, foi sério. Então, o que pensam depois de ler estas minhas palavras? Mando-as de onde moro, na Terra Yanomami. Não foi um filho de branco que fez esta pesquisa. Portanto, acreditem nelas”, pontua Mozarildo.
A pesquisa, o olhar sensível e as recordações de Mozarildo atravessam a onda de violência causada pelos invasores, mergulha na infância do pesquisador, detalha o encontro que teve com os garimpeiros ilegais na sua terra natal e descreve os cuidados dos Yanomami com a floresta (Urihi a) apesar de perceberem a devastação da terra e a seca dos rios enquanto os invasores “se apossam da terra”.
Na parte de entrevistas, Alfredo Homotona disseca as transformações que o garimpo causou no modo de vida dos Yanomami - da cultura, natureza, liberdade e relações pessoais. Com entrevistados de diferentes regiões das terras altas, muitos hospedados na Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista, como pacientes ou acompanhantes de parentes enfermos.
Alfredo captura o depoimento de mulheres, anciãos e principalmente de jovens que foram cooptados, usados e enganados por promessas dos garimpeiros ilegais.
A pesquisadora e comunicadora Darysa Yanomami reuniu depoimentos de diversas mulheres das terras-baixas, na Terra Indígena Yanomami. Ela apresenta uma sequência de 12 depoimentos com mulheres de diferentes regiões impactadas pela atividade ilegal: corrupção de jovens, assédio às mulheres, destruição dos alimentos e oferta de comida industrializada em troca de silêncio e favores.
“Fiquei muito preocupada ao ver as imagens de crianças desnutridas em outras regiões. É esse o rastro que deixam os garimpeiros onde ficam perto [dos Yanomami], por isso, não os queremos. Eles nos trazem muito sofrimento, por isso, não queremos que se aproximem. Quando os garimpeiros poluem nossa terra, a malária se alastra muito”, conta uma moradora da região de Wakatha que diz temer e chorar muito pelo futuro dos netos.
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Darysa Yanomami, autora do livro Diários Yanomami|Corrado Dalmonego
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Jovens Yanomami em oficina sobre tradução em 2017|Corrado Dalmonego
“Quando a floresta era bonita”, “quando os garimpeiros invadiram a terra” e “a trapaça dos garimpeiros”. Estes são alguns dos títulos dos diários de Josimar Palimitheli Yanomami. Ele relata como os garimpeiros chegaram ao Palimiu após enganarem algumas lideranças com promessas não cumpridas e como os Yanomami experimentaram a rápida devastação da terra e a poluição dos rios.
“Antigamente, nossos rios eram bonitos, a água era limpa, escura. Os peixes também eram limpos. Era bom, mas quando chegaram muitos garimpeiros, eles poluíram nossos rios. Instalaram suas balsas no meio do rio. Os que subiam de barco, jogavam lixo. Então, os peixes comiam os dejetos sujos e gordurosos das máquinas deles. Ao comer aquela sujeira, os peixes se contaminaram, a carne amoleceu. Foi isso que os garimpeiros fizeram quando começaram a chegar em grandes números e trabalhar com as balsas”, escreve Josimar em seus diários.
Com detalhes, Josimar relembra a primeira vez que o povo de Palimiu viu sacos de lixo em seu rio. As sacolas plásticas estavam acompanhadas de um corpo boiando de um dos garimpeiros. A data era 12 de junho de 2022 - um domingo - e marcava o início de uma era de terror para os Yanomami com conflitos armados e muitas ameaças por parte dos garimpeiros.
Márcio Hesina apresenta a última parte do Diários Yanomami. Ele introduz uma pesquisa sobre o emagrecimento das crianças no Haxiu. Adoecido durante a fase de investigações, Márcio conseguiu fazer o trabalho com famílias de quatro comunidades e ouvir pacientes da Casai, mas não chegou a finalizar o estudo.
Diários Yanomami é um livro realizado pela Hutukara Associação Yanomami (HAY) e o Instituto Socioambiental (ISA). A produção editorial é assinada por Estêvão Senra, geógrafo do ISA, que também faz parte dos times de organização e edição junto a Alcida Ramos e Corrado Dalmonego. A tradução de Yanomae para Português foi feita por Dalmonego conjuntamente com os pesquisadores.
A publicação tem apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Rainforest Foundation Norway e do Centro de Documentação Indígena (Missionários da Consolata). Também contribuem com apoio financeiro o Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO).
Serviço
Lançamento dos livros Diários Yanomami e O Espírito da Floresta no Reahu na UFRR
Data: Sexta-feira, 24/05, a partir das 18h30
Local: Centro Amazônico de Fronteira (CAF) na Universidade Federal de Roraima
Endereço: Av. Nova Iorque, 48-188 - Aeroporto, Boa Vista - RR
Entrada aberta ao público!
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Cine Japu exibe filmes e conecta pessoas em cidade indígena do Rio Negro
Em seu primeiro ano, iniciativa contou com a participação de quatro cineastas e reuniu cerca de 630 pessoas em São Gabriel da Cachoeira (AM)
Revoada dos pássaros Japu no Rio Negro. Fenômeno inspirou o nome do projeto cultural Cine Japu|João Claudio A. Moreira/Divulgação
Em São Gabriel da Cachoeira, cidade do Amazonas às margens do Rio Negro e cercada pela floresta, diariamente, por volta das 18h30, acontece a revoada dos pássaros japu. E logo após esse horário, quinzenalmente, chega também a hora do Cine Japu.
O projeto levantou voo em 2023 por iniciativa do Instituto Socioambiental (ISA), com participação da Rede Wayuri de Comunicadores Indígenas. Até o momento, foram promovidas 15 sessões, reunindo um público de cerca de 630 pessoas – média de 42 por sessão. Na plateia, de predominância indígena, há estudantes, professores, religiosos, funcionários públicos, militares, pessoas de todas as idades.
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Lançamento do Cine Japu contou com a presença dos comunicadores da Rede Wayuri e do cineasta indígena Moisés Baniwa|Ana Amélia Hamdan/ISA
Além das sessões de cinema, o Cine Japu promove rodas de conversa e encontros para ampliar horizontes, fortalecer a cultura indígena, conectar pessoas, mostrar realidades diversas, informar e divertir.
Para a coordenadora-adjunta do Programa Rio Negro do ISA, Natália Pimenta, o Cine Japu é um projeto que vem promovendo o encontro de que aproxima a organização da cidade de São Gabriel da Cachoeira, seus moradores e instituições e, por isso, é tão importante. “Com o Cine Japu, estamos convidando as pessoas para virem ao ISA, que está de portas abertas para a comunidade de São Gabriel”, falou.
À frente dessas rodas, conduzidas pela comunicadora Suellen Samanta, povo Baré, estiveram quatro cineastas: Moisés Baniwa, Mariana Lacerda, Júlia Berstein e Maya Da-Rin. Outros debates foram realizados por funcionários públicos, pesquisadores e lideranças indígenas.
“Conseguimos trazer nas sessões emoção e reflexão para os nossos espectadores, principalmente chamando atenção para diversas questões e realidades. O Cine Japu também possibilitou a transmissão de valores de luta, sobrevivência e conquistas dos direitos da causa indígena. Através do cinema e da arte, conseguimos alcançar este espaço de grande importância e representatividade para a população gabrielense”, refletiu Suellen Samanta.
As sessões de 2023 foram inauguradas e encerradas por indígenas. A primeira exibição do Cine Japu aconteceu em maio, com o filmeWayuri, de Diana Gandra, documentário que traz a história dos cinco primeiros anos da rede de comunicadores. Na roda de conversa, estavam os protagonistas: os próprios comunicadores.
Na mesma noite foi exibido o documentário Wetapena Nette Ianhapakatti (“Nossos remédios e benzimentos”), de Moisés Baniwa, também presente na sessão.
Já na última exibição de 2023, em novembro, o Cine Japu – que acontece no telecentro do ISA – levantou voo e chegou à Maloca-Casa do Saber da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), com o lançamento em São Gabriel da Cachoeira do documentárioRionegrinas, que narra a história de luta e resistência das mulheres dentro do movimento indígena do Rio Negro.
A primeira exibição do documentário aconteceu em setembro, na Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, em comemoração aos 20 anos do Departamento das Mulheres Indígenas do Rio Negro (DMIRN-Foirn).
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Última sessão de 2023 aconteceu na Maloca-Casa do Saber|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Casa cheia para exibição do documentário Rionegrinas|Ana Amélia Hamdan/ISA
O Cine Japu também recebeu ao longo de 2023 três diretoras de cinema. A cineasta Mariana Lacerda trouxe o delicado e impactanteGyuri, com exibições em Boa Vista, Manaus e São Gabriel da Cachoeira. Ela conduziu a roda de conversa ao lado da liderança indígena Braz França, povo Baré, – que faleceu alguns meses depois – e da artista Rosi Waycon, do povo Piratapuya. O filme mostra a ligação da fotógrafa Claudia Andujar com o povo Yanomami.
Na plateia, a enfermeira Clara Opoxina, que trabalha com os Yanomami, se emocionou ao comentar que a crise retratada na tela estava se repetindo no atual momento devido à invasão garimpeira.
A cineasta Julia Bernstein participou da sessão que exibiu o filmeKarai ha'egui kunha karai 'ete - Os Verdadeiros Líderes Espirituais, de Alberto Alvares. Ela fez parte da equipe de filmagens. Júlia Bernstein desenvolveu oficinas com comunicadores indígenas e repassou sua experiência.
Para ela, o cinema pode aproximar os jovens indígenas de suas tradições. “O audiovisual, que é uma coisa da tecnologia, que interessa muito aos jovens, pode reconectar os jovens com a tradição também. O que o Alberto faz é a preservação da memória, do modo de vida Guarani e da história das pessoas”, disse ela, na roda de conversa.
Maya Da-Rin exibiu em São Gabriel da Cachoeira o filmeA Febre, conduzindo a roda de conversa. No elenco do filme estão dois indígenas de São Gabriel da Cachoeira: Regis Myrupu e Rosa Peixoto. Boa parte dos diálogos é em língua indígena. Na plateia formada principalmente por indígenas de São Gabriel, muitos reconheceram sua língua.
“Eu esperei muito pelo lançamento do filme aqui em São Gabriel da Cachoeira e ainda sonho com a exibição no território indígena. Logo após o filme ficar pronto, veio a pandemia. E isso atrasou esse encontro que acontece agora”, disse. Maya Da-Rin também realizou uma oficina de cinema com os comunicadores da Rede Wayuri.
O senhor Laurentino, povo Desana, conhecedor tradicional, assistiu ao filme e falou da importância da história de cada indígena. “Cada um de nós tem a sua história. O indígena tem que ser protagonista da sua história”, disse.
Essa exibição contou com a presença especial do Dr. Dráuzio Varella, médico, escritor e comunicador que estava em São Gabriel e foi conhecer o Cine Japu.
Em uma parceria com projeto do Museu de Berlim, em uma das sessões foram exibidas entrevistas gravadas no Rio Negro com a temática do contato entre indígenas e não indígenas. A roda de conversa foi conduzida pelo comunicador Ray Baniwa. Na plateia, estudantes de arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) trouxeram a importância do projeto trazer as narrativas indígenas.
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Comunicadores da Rede Wayuri entrevistaram a cineasta Mariana Lacerda no programa Papo da Maloca, em maio de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Maya Da-Rin, diretora do filme A Febre, em entrevista no programa Papo da Maloca, da Rede Wayuri, em outubro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
Em duas sessões, foram feitos convites especiais a duas comunidades: Os moradores do Waruá, do povo Dâw, assistiram ao filme Gyuri. Já a comunidade de Itacoatiara Mirim contou com a presença da liderança indígena, Luiz Laureano, para assistir ao filme A Febre.
O Cine Japu também promoveu uma sessão infantil, indo até a Escola Mamãe Margarida, voltada a crianças portadoras de necessidades especiais.
Entre outros convidados, também conduziram as rodas de conversa a antropóloga do ISA Dulce Morais, a economista do ISA Ana Letícia Pastore, a defensora Isabela Sales, a coordenadora do DMIRN, Cleocimara Reis, do povo Piratapuya e as lideranças femininas Edneia Teles, do povo Arapasso e Rosilda Cordeiro, do povo Tukano.
Um dos grandes incentivadores do projeto foi o arcebispo de São Gabriel da Cachoeira, Dom Edson Damiam, que esteve presente na maioria das sessões e ainda fez divulgações na missa na catedral da cidade. Entre outros apoiadores estão o Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Colégio São Gabriel, ICMBio, Defensoria Pública e Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (Assai).
A primeira sessão de 2024 aconteceu ainda em abril, Mês dos Povos Indígenas. Na terça-feira, dia 30 de abril, a Sala Dagoberto Azevedo, Suegu, na sede do ISA, recebeu moradores da comunidade Waruá, alunos do curso de Letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), professores, pesquisadores e o público em geral para a exibição do filme Línguas da Floresta (direção Juliana de Carvalho e Vicente Ferraz). O filme traz imagens gravadas em São Gabriel da Cachoeira e outros locais.
No evento, uma roda de conversa com a presença de Roberto Sanches, liderança do povo Dâw, e do professor Flávio Ferraz, do povo Wanano, discutiu o fato de que em São Gabriel - a terceira cidade mais indígena do país - muitos dos nomes das ruas, praças e pontos turísticos não são em línguas indígenas.
As sessões do Cine Japu acontecem quinzenalmente às terças-feiras, às 19h, no Telecentro do ISA. A entrada é gratuita e ainda há distribuição de pipoca e suco. Participe!
Dráuzio Varella com os comunicadores João Alex Yanomami, Juliana Albuquerquer Baré, Suellen Samanta Baré, Deise Alencar Tukano e José Paulo Piratapuya|Ana Amélia Hamdan/ISA
Diretora Maya Da-Rin durante oficina de cinema com os comunicadores da Rede Wayuri, em outubro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
Ray Baniwa conduz debate sobre o contato dos indígenas e não indígenas no alto rio Negro, em novembro de 2023|Ana Amélia Hamdan/ISA
A comunicadora Suellen Samanta, do povo Baré, conduziu as rodas de conversa do Cine Japu|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Hutukara Associação Yanomami lança novo site
Espaço traz galerias de fotos, vídeos e notícias dos principais acontecimentos da luta Yanomami e Ye'kwana
Evilene Paixão
- Jornalista da Hutukara Associação Yanomami
Neste 19 de abril, Dia Nacional dos Povos Indígenas, em que se comemora a diversidade cultural, ancestralidade, preservação da história, luta pelos direitos e resistência contra todas as formas de violência, preconceito e discriminação aos povos indígenas, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) lança o novo site da organização mais representativa do povo Yanomami e Ye’kwana, presidida pelo xamã e liderança política, Davi Kopenawa Yanomami.
Davi Kopenawa, xamã, liderança Yanomami e presidente a Hutukara Associação Yanomami. Site novo foi ao ar no Dia Nacional dos Povos Indígenas|HAY
O novo layout traz sete sessões, onde o público pode encontrar quem são os povos Yanomami e Ye’kwana, quem é a Hutukara e as principais linhas de trabalho, além de mapas com localização do território, delimitação, comunidades, áreas afetadas pelo garimpo e ainda conhecer as lideranças que estão à frente da HAY.
O vice-presidente da HAY, Dário Vitorio Kopenawa, disse que a nova página é uma ferramenta fundamental para dar visibilidade aos trabalhos da associação, que completa 20 anos em novembro deste ano. “Importante para mostrar o trabalho da Hutukara, principalmente para os não indígenas para olhar, conhecer e respeitar. É o fruto do nosso trabalho. Estudantes, autoridades, acadêmicos, pesquisadores vão conhecer as atividades que estamos promovendo, os nossos compromissos e prioridades. Mostrar para a sociedade o trabalho que a Hutukara vem fazendo há muito tempo”, destacou.
Ações de proteção territorial, produtos da floresta e governança institucional estão entre as linhas de trabalho da HAY, disponíveis na nova página eletrônica. Diante da invasão do garimpo, uma das principais ações da Hutukara tem sido a implantação de atividades de proteção ao território. Ano passado jovens Yanomami e Ye’kwana, que vivem nas calhas do Rio Uraricoera, regiões mais afetadas pela mineração ilegal, participaram de oficinas de operadores de drones, com o objetivo de mapear e registrar a presença dos invasores, nessa mesma linha foi instalado o sistema de alerta na Terra Yanomami, que registra e denuncia situações vulneráveis de saúde, ambiental e territorial.
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Um dos ambientes do novo site da Hutukara Associação Yanomami traz um mapa da Terra Indígena Yanomami, a maior do País|HAY
Localizada ao extremo norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, a Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, com mais de nove milhões de hectares e atualmente com uma população de cerca de 32 mil habitantes, entre os povos Yanomami e Ye’kwana. O diretor-financeiro da HAY, Maurício Ye’kwana, nascido na comunidade Fuduwaaduinha, na região de Auaris, vem atuando na Hutukara desde 2008. “Credibilidade e facilidade nas informações, o site é um grande avanço de um novo momento para a Hutukara. Como representante do povo Ye’kwana, acredito que esse trabalho da comunicação vai facilitar as nossas ações junto a outras associações indígenas, parceiros e apoiadores”.
O site traz galerias de fotos e vídeos dos principais acontecimentos da associação e faz conexões com as redes sociais da Hutukara o Instagram, Facebook e Youtube, que traz as principais notícias e ações cotidianas realizadas.
“A Terra Yanomami completou 30 anos, a Hutukara vai fazer 20 anos esse ano e tudo isso fica e vai ficar registrado no nosso site. Uma rede de comunicação muito grande para colocarmos a nossa história de luta e de conquista, de conhecimento da tradição e cultura, resistência, xamanismo, línguas. Uma conquista não somente nossa, mas de todos os povos indígenas do Brasil”, finaliza Dário Vitorio Kopenawa.
O layout do site é da artista Raquel Uendi, que já realiza trabalhos junto aos povos indígenas e é responsável também pelo site da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
A Hutukara é o principal parceiro estratégico do Instituto Socioambiental (ISA) em Roraima.
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Campanha busca doações para Tuire Kayapó, que luta contra o câncer
Liderança da Terra Indígena Las Casa (PA), Tuire esteve à frente da luta contra a construção de hidrelétricas no Xingu
Tuire Kayapó durante a Pré-Marcha das Mulheres Indígenas, em fevereiro de 2023. Todo ano a liderança percorre mais de 1.110 quilômetros até Brasília, para participar das mobilizações e lutar pela floresta em pé 📷 Benjamin Mast/La Mochila Migrante/ISA
Em 1989, Tuire Kayapó, liderança da Terra Indígena Las Casas (PA), esteve à frente da luta contra a construção de hidrelétricas no Xingu, em especial do projeto da Usina Hidrelétrica Kararaô, que mais tarde se tornou a Usina de Belo Monte.
Foi nesse ano que a liderança Kayapó protagonizou o icônico registro em que brada seu facão contra o rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, em um gesto que marcou para sempre a resistência dos povos indígenas.
Hoje, aos 56 anos, a grande guerreira Kayapó luta pela sua vida e enfrenta um câncer no colo do útero, uma doença que representa 7,5% das mortes femininas por cânceres, com estimativa de 311 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Durante toda sua vida Tuire defendeu incansavelmente os direitos da floresta amazônica e de seus povos: “As florestas, os rios, os povos indígenas: é a sobrevivência deles que eu defendo até hoje”, afirmou em entrevista para o #ElasQueLutam.
Para que Tuire Kayapó continue a lutar pelos direitos dos povos da floresta, ela precisa de apoio para enfrentar o câncer.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala durante reunião do Conselho Nacional de Políticas Indigenistas (CNPI), ao lado da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, no Palácio da Justiça, em Brasília|Ricardo Stuckert/PR
Reportagem atualizada às 14h47
Nesta quinta-feira (18/04), o governo Lula deu sequência a processos de demarcação de Terras Indígenas (TIs) com a homologação de duas áreas pela Presidência. As TIs homologadas são: Aldeia Velha, do povo Pataxó, em Porto Seguro (BA); e Cacique Fontoura, do povo Iny Karajá, em Lagoa da Confusão (TO), Luciara (MT) e São Félix do Araguaia (MT). Somadas, as áreas representam 34.070 hectares.
Com os atos, que foram publicados nesta sexta-feira (19/04) no Diário Oficial da União (DOU), o Brasil passa a contar com 528 Terras Indígenas homologadas e reservadas, chegando a um total de 108.075.186 de hectares.
As demarcações foram oficializadas pelo presidente Lula durante o encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI), órgão colegiado e consultivo que tem por objetivo articular, fornecer apoio e propor a política indigenista oficial.
O evento em Brasília marcou a retomada do Conselho, composto por 64 conselheiros titulares, sendo 30 representantes do Poder Executivo, 30 integrantes dos povos e organizações indígenas e quatro representantes de entidades indigenistas. O Instituto Socioambiental (ISA) foi uma das organizações indicadas para compor o órgão.
Em 2015, o CNPI foi instaurado via decreto (nº 8.593) pela ex-presidenta Dilma Rousseff. No entanto, o Conselho foi extinto em 2019, durante o primeiro ano da gestão passada.
Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão de homologar apenas duas Terras Indígenas, das seis que estavam sendo divulgadas, veio para evitar problemas futuros, como judicialização dos processos, e de um pedido de governadores para atrasar a assinatura, com objetivo de realizar sem conflitos a desocupação das áreas. “A gente não quer briga, nem prejudicar o indígena e também não quer prejudicar um trabalhador rural”, justificou.
As outras quatro Terras Indígenas que estavam cotadas para homologação eram: Xukuru-Kariri, do povo Xukuru-Kariri, em Palmeira dos Índios (AL); Morro dos Cavalos, dos povos Guarani Mbya e Guarani Nhandeva, em Palhoça (SC); Toldo Imbu, do povo Kaingang, em Abelardo Luz (SC); e Potiguara de Monte-Mor , do povo Potiguara, em Marcação (PB) e Rio Tinto (PB). Além dessas, outras 247 áreas estão em diferentes etapas de demarcação, aguardando sua finalização, somando 251 Terras Indígenas com processos ainda pendentes.
“Quero que vocês saibam que essas Terras já estão prontas. O que nós não queremos é prometer para vocês uma coisa hoje e amanhã você ler no jornal que a Justiça tomou uma decisão contrária. A frustração seria maior”, completou Lula.
“Nós vamos conversar com as pessoas que estão nessas Terras e eu prometo a vocês que nós vamos assinar essas Terras, para que a gente possa dar um passo ainda mais importante”, prometeu.
Na ocasião, também estiveram presentes Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas; Cida Gonçalves, ministra da Mulher; Dinaman Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática; Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União (AGU); Rui Costa, ministro da Casa Civil; Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil; e Braulina Baniwa, da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).
Às 20h30 de Brasília, a ministra Sonia Guajajara fez o primeiro pronunciamento em rede nacional pela ocasião do Dia dos Povos Indígenas, neste 19 de abril.
Demarcações são comemoradas, mas ainda há muito a ser feito
Os atos desta quinta vêm sete meses após as últimas homologações e depois de o presidente Lula sinalizar, em sua “Mensagem ao Congresso Nacional”, que avançaria nas demarcações de terras. No entanto, na avaliação de organizações indígenas e indigenistas, ainda há muito a ser feito.
Durante a cerimônia, Sonia Guajajara ressaltou a importância dos anúncios, mas ponderou: “Temos ainda um passivo muito grande enquanto Estado brasileiro para que a seja cumprido o direito constitucional do território tradicional aos povos indígenas”.
"Pra gente, é uma vitória imensa. É uma vitória para nós, enquanto povo Pataxó, mas é uma vitória também para todos os povos indígenas, que vêm lutando pela demarcação de suas terras. Foi [homologada] a nossa terra, [mas] agora a gente também tem que estar junto para que aconteça a luta com a demarcação de [terras de] outros parentes", comemorou Angelo Pataxó, liderança da Terra Indígena Aldeia Velha, na Bahia.
Segundo a liderança Pataxó, agora se inicia uma etapa desafiadora, que é a desintrusão e posterior gestão do território. "Mas temos muito o que agradecer ao nosso povo, a cada pessoa da comunidade, que desde que iniciou a retomada, vem lutando. A luta continua", finalizou.
Em entrevista ao ISA, Vanessa Fe Ha, coordenadora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ArpinSul), destacou que a decisão é importante, pois não há futuro dos povos indígenas sem a demarcação. Felicitando os povos das TIs homologadas, ela ressalta que a expectativa era ver o mesmo desfecho para as terras da região Sul.
“A gente sabe a luta que é para nós, povos indígenas, termos o nosso território demarcado, mas a gente também pede a demarcação das Terras Indígenas que ficam na nossa região, como é o caso da Terra Indígena Morro dos Cavalos, que só está esperando a assinatura do presidente Lula”, afirmou.
A TI Morro dos Cavalos foi uma das terras incluídas na campanha #DemarcaYvyrupa, relançada essa semana pelas lideranças do povo Guarani para reivindicar a homologação de quatro TIs e a declaração de outras oito terras sem pendências que, segundo a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), precisariam apenas de uma assinatura para avançar no processo demarcatório.
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Indígenas Karajá durante ato em Frente ao Congresso Nacional na 19ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2023)|Joédson Alves/Agência Brasil
Vera Rodrigo Mariano, assessor jurídico da CGY, vê o anúncio com muita frustração, uma vez que lideranças dessas terras chegaram a ser convidadas para a cerimônia de anúncio. “A gente fica sempre com expectativas boas de ver a regularização dos nossos territórios se encaminharem. E quando chega perto de concretizar, não sai como o esperado”, apontou.
“A gente percebe que o presidente Lula cede muitas vezes a pressões políticas do Congresso e do próprio Judiciário”, complementou. “O direito dos povos indígenas, o direito fundamental ao território se coloca em cheque, como uma moeda de negociações e uma pauta política de medir forças no cenário político Nacional”, criticou o assessor.
A Apib, em suas redes sociais, também cobrou o cumprimento dos compromissos firmados pelo presidente Lula durante sua campanha ao Planalto.
Para Tiago Moreira dos Santos, antropólogo no ISA, as medidas devem ser comemoradas, mas lembra que há ainda 251 processos de demarcação não finalizados, em diversas etapas. “As homologações do governo Lula estão na média das duas últimas décadas, contudo, devido ao grande passivo que existe no reconhecimento de TIs, principalmente fora da Amazônia Legal, nesse ritmo seria necessário cerca de 30 anos para termos um avanço satisfatório”, avaliou.
Apesar do flagrante histórico de conflitos envolvendo demarcações, nenhuma TI do povo Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul foi incluída na lista. Num discurso recente,o chefe do Executivo, em visita ao Estado na última sexta-feira (12/4), propôs ao governador Eduardo Riedel (PSDB) a compra de uma terra para “salvar” os Guarani Kaiowá – declaração que gerou protestos de organizações indígenas e indigenistas.
Conheça mais sobre as Terras Indígenas demarcadas:
Tradicionalmente ocupada pelo povo Pataxó, a Terra Indígena Aldeia Velha está localizada em Porto Seguro, ao sul do Estado da Bahia, com parte da área contígua ao núcleo urbano do distrito de Arraial d'Ajuda. Atualmente, 1465 pessoas vivem na Terra Indígena, segundo o Censo 2022.
Em 2008, os estudos de identificação foram aprovados, delimitando uma área de cerca de 2000 hectares, em sobreposição com o Museu Aberto do Descobrimento (Made). A declaração da Terra Indígena pelo MJ veio em 2010. Há mais de duas décadas o povo Pataxó espera pelo desfecho do processo de homologação.
Além do contínuo esbulho sofrido pelo povo Pataxó, conforme apontam registros, atualmente a região segue sendo alvo de disputas fundiárias.
Terra Indígena Cacique Fontoura, em Lagoa da Confusão (TO), Luciara (MT) e São Félix do Araguaia (MT)
A Terra Indigena Cacique Fontoura está localizada entre os municípios de Luciara e São Félix do Araguaia (MT), bioma Cerrado, na Amazônia Legal. Declarada com 32 mil hectares, a área é ocupada pelo povo Iny Karajá, com uma população de 489 habitantes.
Os Iny Karajá em Cacique Fontoura têm o Rio Araguaia como um eixo de referência mitológica e social. O território é marcado por uma extensa faixa do Vale do Rio Araguaia, a Ilha do Bananal, que é a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de dois milhões de hectares.