EXPOTIX 2025 celebra os 30 Anos da ATIX e a diversidade de povos, culturas e alimentos do Xingu
Feira e comemoração reúnem representantes dos 16 povos do Território Indígena do Xingu (TIX) e conta com exposição de produtos tradicionais, troca de saberes e apresentações culturais, promovendo o fortalecimento das economias indígenas
O Território Indígena do Xingu (TIX) se prepara para celebrar a diversidade de povos, culturas e alimentos, além de fortalecer as economias indígenas. Entre os dias 16 e 19 de setembro acontece a 2ª Feira e Exposição dos Produtos do Território Indígena do Xingu (EXPOTIX), edição comemorativa dos 30 anos da ATIX (Associação Terra Indígena Xingu). O encontro acontece na aldeia Khikatxi, TI Wawi, e contará com representantes dos 16 povos do Território Indígena do Xingu.
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Assim como em 2023, EXPOTIX 2025 terá danças tradicionais e exposição de artesanato|Tairu Kayabi Juruna/Rede Xingu+ 2023
“A EXPOTIX e os 30 anos da ATIX mostram a força dos povos do Xingu em proteger a floresta e fortalecer uma economia sustentável com respeito à cultura e aos saberes tradicionais”, afirma o presidente da ATIX, Ianukula Kaiabi Suiá.
A ATIX atua, desde a sua fundação, em 1995, pela proteção territorial e promoção de direitos indígenas, no fortalecimento e adequação de políticas públicas e na valorização cultural, ambiental, social e econômica das comunidades.
A comemoração dos 30 anos da associação será no dia 16 com a presença do presidente atual, Ianukula Kaiabi Suiá, e seus antecessores. Haverá um torneio de arco e flecha para marcar a data, além de uma exposição com o histórico de lutas e conquistas da associação indígena.
No dia 17 terá início a EXPOTIX, ponto de encontro e troca, onde os participantes poderão apresentar suas produções, compartilhar técnicas e celebrar suas culturas. Entre as atrações estão os preparos tradicionais, numa proposta de restaurantes indígenas.
A feira contará com uma grande diversidade de itens, incluindo polvilho, farinha, sucos, banana, mel, pimenta e produtos como farinha de peixe e massa de pequi e murici. Haverá ainda a troca de mudas e sementes, fortalecendo a agricultura e a segurança alimentar na região. Além dos produtos tradicionais, haverá uma variedade de artesanatos.
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Entre as atrações estão os preparos tradicionais, com produtos como o pequi. Na foto, a semente do fruto|Rogério Assis/ISA
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O pequi é um alimento versátil e usado de diversas formas ajuda a fortalecer a cultura e a segurança alimentar na região|Rogério Assis/ISA
A EXPOTIX é também um espaço de diálogo e reflexão. Estão programadas rodas de conversa sobre temas importantes para as comunidades, incluindo os desafios e impactos das mudanças climáticas, adaptação e manejo do fogo.
Haverá uma roda de conversa específica das mulheres, onde serão relatadas as observações sobre os impactos dos extremos do clima no dia a dia das roças e da comunidade. Liderança e ativisita, Watakakalu Yawalapiti estará presente, assim como a coordenadora do Departamento de Mulheres da ATIX (ATIX-Mulher), Alawero Mehinako.
O evento também contará com discussões sobre o papel de iniciativas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e as iniciativas da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos).
Para além de fortalecer a segurança alimentar, a diversidade da alimentação indígena compõe as economias da sociobiodiversidade - as economias dos povos indígenas e outros povos tradicionais -, que vêm se estabelecendo como essencial no combate à emergência climática.
Com economias que têm por base sistemas agrícolas e de saberes tradicionais, esses povos produzem cultura e alimentos e, ao mesmo tempo, preservam o ambiente. Dessa forma, suas práticas são promotoras de biodiversidade, cuidado com a água e regulação climática.
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O encontro acontece na aldeia Khikatxi, no Polo Wawi, TI Wawi, e contará com representantes dos 16 povos do Território Indígena do Xingu|Kamikia Kisedje
Programação cultural
A programação cultural será um ponto alto, com apresentações incluindo o artista Eric Terena e outros talentos indígenas locais, unindo a tradição com ritmos vibrantes.
Durante o encontro será exibido o filme Sukande Kasáká | Terra Doente, dirigido por Kamikia Khisêtjê e Fred Rahal e premiado em festivais. O filme mostra a pressão sobre o TIX do agronegócio, com o agrotóxico contaminando o solo, a água e os alimentos, e trazendo sérias ameaças para a saúde das comunidades.
Para fechar a EXPOTIX, será realizado um grande Moitará – ritual de troca –, fortalecendo relações e a economia que gera fartura e preserva a floresta.
O encontro é realizado pela ATIX em parceria com a SECEL/MT, Governo de Mato Grosso, Ministério da Cultura e Governo Federal, no âmbito do EDITAL Nº 08/2023/SECEL-MT CRIATIVO – Feiras de Economia Criativa e Solidária – Edição Lei Paulo Gustavo, com apoio da Embaixada da França no Brasil, Energisa MT, FUNAI, Instituto Socioambiental - ISA, Dsei - Xingu, Unifesp (Projeto Xingu), Imaflora, Rede de Sementes do Xingu, Rede Xingu Mais, AIK Produções, e Coiab.
Agenda
2ª ExpoTIX e comemoração dos 30 Anos da ATIX
16/09 - Cerimônia de comemoração dos 30 anos da ATIX
Atividades:
- Exposição do histórico da ATIX
- Danças e torneio de arco e flecha
17, 18 e 19/09 - 2ª ExpoTIX 2025
Atividades:
- Exposição e feira de produtos e artesanatos indígenas;
- Rodas de conversa sobre economia indígena e valores culturais, com participação de representantes do poder público, parceiros e lideranças indígenas;
- Danças e cantos culturais;
- Desfile da identidade cultural do Xingu;
- Shows com os artistas Maitaré Kaiabi, Mulekes da Aldeia. Participação especial do DJ Eric Terena;
- Encerramento com grande Moitará entre povos Xinguanos
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
ISA faz recomendações sobre transportes para povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais
Estudo avaliou o acesso a serviços essenciais, os desafios enfrentados pelas comunidades e oferece subsídios ao PNL 2050
De voadeira, mulheres Baniwa retornam no rio Ayari para casa após colher pimenta, Terra Indígena Alto Rio Negro (AM)|Carol Quintanilha/ISA
O Instituto Socioambiental (ISA) lança nesta terça-feira (02/09) um relatório técnico, no âmbito do Plano Nacional de Logística 2050, sobre a mobilidade e o abastecimento de comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais situadas nos territórios das bacias do Xingu, do Rio Negro e do Vale do Ribeira, regiões de atuação da organização.
O documento tem o objetivo de apoiar o Ministério dos Transportes (MT) na elaboração de políticas públicas voltadas aos meios de transportes das pessoas que moram nestes territórios e que dependem de todos os tipos de modais, como o fluvial, o terrestre e o aéreo.
As informações que compõem o documento foram coletadas entre os meses de março e julho de 2025, por meio da aplicação de um questionário e contou com a participação das equipes técnicas que atuam em mais de 30 territórios nos estados do Mato Grosso e Pará (Programa Xingu), Amazonas e Roraima (Programa Rio Negro) e São Paulo e Paraná (Programa Vale do Ribeira). Além destes, também participaram as equipes que atuam com as economias da sociobiodiversidade e da restauração ecológica.
“Trata-se de um relatório inédito, pois reúne informações de logística e mobilidade dos territórios com o propósito de informar e demandar uma mudança na política pública de transporte para os povos e comunidades tradicionais, além de propor uma agenda positiva de infraestrutura de transportes que defenda os territórios e os modos de vida tradicionais”, afirmou Mariel Nakane, analista na Coordenação de Proteção e Direitos Territoriais (PDT) do Programa Xingu.
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Liderança indígena maneja balsa no limite oeste do Território Indígena do Xingu (TIX), em Canarana (MT)Diego Baravelli / ISA
De acordo com os técnicos do ISA que participaram do levantamento, a ausência de uma abordagem sistêmica e integrada entre a política de transportes e as políticas sociais, territoriais e de desenvolvimento econômico acentua a exposição dos povos às vulnerabilidades ambientais e socioeconômicas.
Principais resultados
Uma característica marcante dos territórios é a utilização da intermodalidade (transportes fluvial, terrestre e aéreo), conforme as condições climáticas, como ocorre, por exemplo, durante o inverno amazônico com chuvas e cheias nos rios ou no verão, em que a estação é mais seca. Verificou-se que essas condições vêm sendo alteradas com as mudanças climáticas e impactando as condições de navegação dos rios, a mobilidade e o abastecimento das comunidades.
Como alternativa, vem ocorrendo a abertura de novas estradas e a utilização de modais terrestre pelas comunidades, o que acaba possibilitando o acesso de invasores e a exploração ilegal de madeiras e de minérios nos territórios.
Outro exemplo de dificuldade que as comunidades enfrentam no seu deslocamento cotidiano é o fato de não existir transporte coletivo entre o município de Altamira (PA) e as comunidades do entorno, resultando na dependência de caronas para deslocamentos, já que o custo do transporte particular é elevado. Isso ocorre também com o escoamento das produções da sociobiodiversidade de pequena escala de produtos como castanha, borracha, copaíba, óleos, artesanatos, dentre outros.
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Na Terra do Meio (PA), os rios são as estradas dos ribeirinhos: em barcos, famílias escoam a produção que garante sustento e preserva a floresta|Marcelo Salazar/ISA
O levantamento também apontou que as condições dos serviços de transportes disponíveis para os territórios são ruins e perigosas – respostas de 55% dos entrevistados – e apenas 25% consideraram que as condições eram boas e satisfatórias. A duração média do tempo de viagem – com deslocamentos que variam de 6h a mais de 24h de viagem para acesso aos serviços básicos – também foi tema da pesquisa.
Para Estevão Senra, geógrafo do Programa Rio Negro do ISA, o processo de consulta foi bastante interessante, pois é uma oportunidade de apresentar os desafios logísticos do território Yanomami, localizada nos estados de Roraima e Amazonas, onde o acesso das comunidades para os serviços mais básicos ainda depende do modal aéreo, que é bastante complexo.
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Avião da Secretaria Especial de Saúde Indígena em Surucucu (RR), Terra Indígena Yanomami, onde a maior parte das viagens acontece pelo ar|Fernando Frazão/Agência Brasil
“Apresentar e dar visibilidade a esses desafios é bem importante, pois acompanhamos as dificuldades no enfrentamento à crise humanitária no território Yanomami, especialmente a partir de 2019. E que, para superá-la, precisaremos de um grande investimento de logística para atender melhor às comunidades e garantir o acesso aos serviços básicos, além de dar condições para que as economias locais possam prosperar”, avaliou.
Dentre as recomendações do ISA, o documento cita a necessidade de ampliar a abordagem do planejamento de longo prazo da política de transporte nacional com a integração das demandas logísticas dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais como uma questão prioritária. Além disso, o Plano Nacional de Logística 2050 precisa incluir um capítulo específico sobre os desafios da logística em territórios tradicionais elaborado de forma participativa com esses grupos.
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No Quilombo Bombas, em Iporanga (SP), o caminho estreito e íngreme até a comunidade revela a resistência cotidiana|Júlio César Almeida/ISA
Processo de elaboração do PNL 2050
No dia 04 de junho de 2025, foi realizada uma reunião sobre Sociobiodiversidade no contexto do Plano Nacional de Logística 2050, promovida pela Subsecretaria de Fomento e Planejamento do Ministério dos Transportes, responsável pela elaboração do PNL 2050, e pela Secretaria de Integridade Pública e Secretaria Federal de Controle Interno da Controladoria Geral da União (CGU), com a participação de mais de 20 organizações da sociedade civil, no Auditório da Controladoria Geral da União, em Brasília.
O objetivo da reunião foi discutir os desafios e as oportunidades para a logística das cadeias produtivas da sociobiodiversidade e para a mobilidade e o abastecimento de povos e comunidades tradicionais no PNL 2050, que está em fase de elaboração até o final do ano.
No relatório divulgado pela sociedade civil sobre o encontro, os participantes alertaram para o fato de que as políticas de transporte no Brasil têm sido historicamente desenvolvidas sob uma perspectiva macroeconômica, priorizando modais e infraestruturas voltadas para a exportação de produtos do agronegócio e da mineração através das ferrovias, hidrovias e rodovias.
As políticas têm ignorado as necessidades de transporte dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, as suas economias da sociobiodiversidade e a produção de restauração ecológica para o desenvolvimento sustentável do país.
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Livro de memórias de Raoni terá lançamento em Brasília
Um desejo de longa data da liderança histórica do povo Kayapó, obra é uma realização do Instituto Raoni e da Companhia das Letras, com apoio do ISA e do ISPN
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebe no dia 09 de setembro, às 19 horas, o evento de lançamento do livro Raoni-Memórias do Cacique. A obra concretiza um desejo de longa data do Cacique Raoni, e é uma realização do Instituto Raoni em parceria com a Companhia das Letras, com apoio do Instituto Socioambiental (ISA) e do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN). O evento será aberto ao público, haverá sessão de autógrafo com o cacique e um diálogo com Raoni, seu neto Beptuk Metuktire e Fernando Niemeyer.
Ropni, aportuguesado como Raoni, pertence ao povo Mẽbêngôkre, também conhecido como Kayapó Cacique, pajé e cuidador de seu povo, tornou-se uma liderança que conheceu o mundo dos brancos, fez alianças pessoais e políticas, dentro e fora do Brasil, e formou uma visão de mundo própria, onde não há diferença entre mito e história, revelando a complexidade do pensamento originário.
O livro foi construído a partir de entrevistas inéditas realizadas pelos tabdjwy de Raoni, seus netos, entre 2020 e 2023. Falando sempre em mẽbêngôkre, e rodeado de parentes, Raoni gravou durante dezenas de horas, em diversas sessões, as histórias e mitos que resultaram neste relato. O material foi traduzido para o português por meio de um trabalho meticuloso e extenso de uma equipe de tradutores Mêbêngôkre, sob a coordenação do antropólogo Fernando Niemeyer, que também supervisionou a redação e edição do manuscrito.
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Trajetória do cacique Raoni exalta a floresta viva, com seus espíritos, cosmovisão, modos de vida e esperança|Lilo Clareto/ISA
As memórias do cacique nos convidam a enxergar a história do Brasil pela perspectiva daqueles que sempre habitaram estas terras, que testemunharam a chegada dos invasores e que, desde então, elaboram estratégias de resistência. É a perspectiva daqueles que veem a floresta viva e repleta de espíritos como seu principal meio de existência e que lutam por ela como um ato de esperança para o futuro.
"Me comovo quando penso em Raoni, herói mítico do panteão dos guerreiros, líder da resistência nativa no continente americano com quem temos a oportunidade de conviver, alguém de cuja luta podemos ser testemunhas", compartilha Ailton Krenak.
Raoni nasceu em 1937, na região do Kapôt, norte do Mato Grosso, e tornou-se intermediário entre seu povo e os não indígenas em viagens dentro e fora do Brasil para reivindicar seus interesses coletivos e buscar alianças e recursos. Com atuação emblemática na arena política, teve importância decisiva na demarcação de vários territórios e na conquista de direitos indígenas a partir da década de 1970.
Serviço
Memórias do Cacique: Um diálogo com Raoni Mẽtyktire, Beptuk Metuktire e Fernando Niemeyer
Mediação: Danna Dantas Local: Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília (SCES, Trecho 2 - Asa Sul, Brasília/DF), aberto de terça a domingo, das 9h às 21h Data: 09 de setembro, às 19h Ingressos:bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB Brasília a partir do dia 8/9, às 12h (via link ou na bilheteria física)
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Mulheres Waurá levam cerâmica ancestral do Xingu a SP, tradição ameaçada pela crise climática
Ceramistas realizam contação de histórias, conversas e oficinas na capital paulista para compartilhar saberes e denunciar os impactos das mudanças do clima nos territórios
Yakakumalu Waurá faz panelas para cozinhar caldo de mandioca na aldeia Piyulaga. São necessários três homens para carregar uma panela|Piratá Waurá
Guardado e transmitido há mais de mil anos pelas mulheres, o conhecimento ceramista dos Waurá ou Wauja , povo que vive no Alto e no Médio Xingu, será apresentado em uma série de encontros, oficinas e rodas de conversa em museus e centros culturais da capital paulista.
A agenda começa em 30 de agosto no Museu das Culturas Indígenas (MCI), com a contação de histórias, segue em 2 de setembro no espaço Floresta no Centro, do Instituto Socioambiental (ISA), com a conversa “COP30: Mudanças climáticas e o impacto na identidade xinguana”, continua no Sesc Consolação nos dias 4 e 5 de setembro com oficinas de cerâmica e se encerra em 6 de setembro no Museu A Casa do Objeto Brasileiro, com um bate papo e uma oficina de grafismo em cerâmica.
Confira a programação completa ao final
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Além de panelas, itens decorativos e cuias fazem parte da produção das mulheres xinguanas|Cláudio Tavares/ISA
Crise climática
A cerâmica Wauja é reconhecida pela beleza, precisão técnica e forte ligação com o território, os ciclos da natureza e os rituais xinguanos. Porém, as mudanças climáticas vêm comprometendo sua continuidade.
Um dos maiores desafios é a escassez do cauxi – coral retirado do fundo dos rios e essencial para dar liga ao barro e evitar rachaduras nas peças. As secas prolongadas e as cheias cada vez mais curtas e irregulares reduziram drasticamente a disponibilidade desse recurso.
Além disso, o processo artesanal, que envolve coleta de barro, queima em madeira específica (jatobá) e pintura com grafismos tradicionais, também sofre com os impactos ambientais. Sem esses insumos, fica em risco não apenas a produção, mas a autonomia econômica das mulheres e a transmissão cultural para as novas gerações.
Esse cenário reforça a urgência dos debates da COP30, que será realizada em Belém no fim do ano, trazendo à tona a importância da justiça climática e da valorização dos saberes tradicionais como parte da solução para a crise global.
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Meixulã Waurá segura cerâmica durante a EXPOTIX, Exposição de Produtos do Território Indígena do Xingu|Tairu Kayabi Juruna/Rede Xingu+
Programação completa
No dia 30/08, as ceramistas visitam o Museu das Culturas Indígenas para uma sessão de contação de histórias gratuita, mediante retirada de ingressos. Nesta edição, o público conhecerá Kamalu-hái, figura central na cosmologia do povo Waurá. Considerada a “dona do barro”, trata-se de uma criatura semelhante a uma cobra , responsável por ensinar aos Waurá a arte da cerâmica.
No final da tarde de 02/09, o Espaço Floresta no Centro, do ISA, recebe as ceramistas do Xingu para uma conversa gratuita sobre os efeitos das mudanças climáticas na produção de cerâmicas tradicionais, às vésperas da COP 30 em Belém. Haverão dois artistas waurá realizando pintura corporal.
Nos dias 04 e 05/09, o Sesc Consolação promove duas oficinas livres de cerâmica, conduzidas pelas ceramistas, que apresentarão como o processo de produção mantém os saberes tradicionais de seus povos.
As últimas atividades ocorrem em 06/09, no Museu A Casa do Objeto Brasileiro, em dois momentos: pela manhã, uma conversa aberta e gratuita sobre os impactos da crise climática no Território Indígena do Xingu (TIX); e, em seguida, uma oficina de grafismo em cerâmica, com inscrição paga e na qual cada participante receberá uma peça exclusiva.
Contação de história
Local: Museu das Culturas Indígenas, R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo Dia: 30/08 Horário: 11h às 12h Valor: Gratuito (retirada de ingresso)
COP30: Mudanças climáticas e o impacto da identidade Xinguana
Local: Floresta no Centro, Av. São Luiz,187 Galeria Metrópole - loja 28 2o piso - Centro Histórico de São Paulo, São Paulo Dia: 02/09 Horário: 19h Valor: Gratuito
Oficina cerâmica
Local: Museu das Culturas Indígenas, R. Dona Germaine Burchard, 451 - Água Branca, São Paulo Dia: 03/09 Horário: 14h Valor: Gratuito
Oficina cerâmica
Local: SESC Consolação, R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque Dia: 04/09 e 05/09 Horário: 18h30 e 14h (respectivamente) Valor: Gratuito (mediante inscrição)
Papo de Casa
Local: Museu a Casa do Objeto brasileiro, Av. Pedroso de Morais, 1216 - Vila Madalena, São Paulo Dia: 06/09 Horário: 11h00 às 12h00 Valor: Gratuito
Sujeito a lotação
Oficina grafismo
Local: Museu a Casa do Objeto brasileiro, Av. Pedroso de Morais, 1216 - Vila Madalena, São Paulo Dia: 06/09 Horário: 14h às 18h Valor: R$480,00
Todo o valor arrecadado nas atividades pagas será inteiramente entregue às ceramistas, que também irão vender suas peças durante os eventos. Também haverá oportunidade de pintura corporal em alguns dos eventos.
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“Dar a terra à Terra”: Redário e Socorro Lira lançam clipe com coletores e coletoras de sementes para plantar as florestas do futuro
Videoclipe foi gravado em encontro nacional com 27 redes e grupos coletores de sementes de todo o Brasil, e marca o caminho rumo à COP30
Com a força de quem há anos transforma palavras em poesia, a multiartista e produtora cultural Socorro Lira apresenta, em parceria com o Redário e o Instituto Socioambiental (ISA), o videoclipe da música “Dar a terra à Terra”.
A canção, com melodia de Alisson Menezes, mistura elementos da música popular brasileira com uma batida envolvente de funk e traz uma mensagem clara sobre a necessidade de aprofundar a restauração ecológica no Brasil, e indica que é preciso devolver à natureza o que lhe pertence, sem barganha e sem exploração.
Parte do clipe foi gravada pela equipe de Comunicadores da Rede Xingu+ durante o 4º Encontro Nacional do Redário, realizado em Nova Xavantina (MT), e dá protagonismo a coletoras e coletores de sementes nativas de todo o Brasil. Mais de 150 pessoas de quase 30 redes participaram do encontro, marcado pela troca de saberes, defesa da biodiversidade e fortalecimento das lutas comunitárias pela conservação ambiental.
Assista ao clipe!
O clipe também apresenta ao público gravações no Estúdio 185 de Alldry Eloise, Fabricio Mascate, Jaque da Silva, João Maia e Socorro Lira nos vocais, da percussionista Valentina Facury e do saxofonista Chico Macedo, com arranjos de Cintia Zanco, que fez a direção musical. A mixagem é de Ricardo Vignini e a masterização de Homero Lotito, do Reference Mastering Studio. A identidade visual é do Estúdio Arado e a produção audiovisual da Cama Leão.
“Dar a terra à Terra” propõe outro ritmo para pensar o planeta. Mais leveza, mais dança, mais alegria e conexão com as novas gerações se mostram como estratégia de conscientização e resistência. Em um momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em 2025, a música em ritmo de funk surge como uma ponte entre arte e política, convocando cada um, cada uma, a refletir sobre seu papel diante da emergência climática e da urgência de conservar o que ainda resta.
Com mais de 20 anos de carreira, Socorro Lira já percorreu o Brasil e o mundo com sua arte e foi vencedora do Prêmio da Música Brasileira em 2012, na categoria “Cantora Regional”, pelo CD “Lua Bonita – Zé do Norte, 100 Anos”. Seus álbuns dialogam com literatura, ancestralidade, justiça social e ativismo ambiental. Neste novo trabalho, ela continua em sua trajetória que une palavras e movimentos para semear ideias.
Sobre o Redário
O Redário é uma articulação entre redes e grupos de coletores de sementes nativas, para estruturação da base da cadeia de restauração em larga escala, através da oferta de sementes de qualidade adequadas a cada projeto.
Atualmente, com mais de 2500 coletoras e coletores reunidos em 27 redes, a maioria de base comunitária, está com ações concentradas em 4 biomas, 11 estados e Distrito Federal.
Sobre o Instituto Socioambiental (ISA)
O Instituto Socioambiental (ISA) é uma associação sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), fundada em 22 de abril de 1994, por pessoas com formação e experiência marcante na luta por direitos socioambientais no Brasil.
Ouça a música no seu aplicativo de música favorito e compartilhe!
Ficha técnica
Dar a terra à Terra
Letra: Socorro Lira
Música: Álisson Menezes
Direção artística, produção fonográfica e voz: Socorro Lira
Arranjo e produção musical: Cíntia Zanco
Programação: Gigi Magno (Estúdio Eletrola Produções)
Em um desenvolvimento significativo para a pesquisa ambiental no Brasil, um projeto colaborativo entre o Instituto Socioambiental (ISA) e a Escola Politécnica da USP (Poli) foi aprovado na Chamada FAPESP de Propostas (2024) – Fase 1, do Programa de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP), no final de maio de 2025.
O projeto, intitulado “Avaliação de impactos cumulativos para o Xingu: propostas para o planejamento e licenciamento de projetos de infraestrutura” tem como objetivo principal analisar e subsidiar cientificamente o planejamento de obras de infraestrutura e respectivo licenciamento ambiental na Bacia do Xingu, com foco na problemática dos impactos cumulativos resultantes das mudanças de uso e cobertura da terra na Bacia do Xingu. A pesquisa contará com modelagem espacialmente explícitas dos impactos de projetos de transporte na região, além de discutir cenários com alternativas para a região.
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Região ocupada por reservatório da Usina de Belo Monte teve vegetação morta após alagamento e sofre com a cheia permanente|Mônica Lizardo
A coordenação do projeto e liderança da pesquisa fica sob a responsabilidade da professora Juliana Siqueira-Gay, da Escola Politécnica da USP, tendo como pesquisadores associados a professora Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo e o professor Luis Enrique Sánchez, também da Escola Politécnica da USP. Além disso, o projeto contará com uma equipe de sete pesquisadores bolsistas, ainda a serem selecionados. É parte da equipe do projeto o ISA, sendo a gestora responsável a economista Mariel Nakane.
Além da Escola Politécnica da USP e ISA, também outras instituições entraram na condição de associadas ao projeto, ou seja, acompanharão o desenvolvimento da pesquisa, sendo essas o Ministério dos Transportes, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e a Rede Xingu+. A colaboração entre pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil foi considerada uma “garantia da relevância dos resultados para a região de estudo”.
A proposta se destacou por sua abordagem metodológica, que inclui análises espaciais e modelagem de cenários de uso e cobertura da terra, além de parcerias com entidades da sociedade civil e atores relevantes do licenciamento. A pesquisa pretende gerar modelos para subsidiar a avaliação de impactos cumulativos envolvendo a proposição de cenários, áreas de influência e limiares de significância dos impactos, com o objetivo subsidiar técnica e cientificamente pareceres de órgãos ambientais, contribuindo para a melhoria do planejamento e licenciamento ambiental.
A professora Juliana Siqueira-Gay detalha que este projeto “atua na interface ciência e políticas públicas e possui um enorme potencial de impacto social para as comunidades indígenas e tradicionais que vivem sobretudo no interflúvio Xingu-Tapajós. Acredito que, com este projeto, estamos desempenhando um papel importante como comunidade científica junto à sociedade, e em parceria com todas as instituições parceiras e associadas, buscamos colaborar diretamente com subsídios técnicos para melhorar a tomada de decisão no planejamento e licenciamento de projetos”.
A análise da FAPESP ressaltou o mérito do projeto na “geração de conhecimentos para a formulação, revisão, aprimoramento, análise, monitoramento e implementação de políticas públicas relacionadas ao planejamento e execução de projetos de infraestrutura, que são de grande importância econômica, cultural, ambiental e social”.
“Apesar do atual contexto do desmonte da política ambiental, com o PL da Devastação, nossa pesquisa propõe o caminho de fortalecimento, melhoria e desenvolvimento da avaliação de impacto ambiental no país, tanto no âmbito da política ambiental, no licenciamento, quanto na política setorial, no planejamento de política de transportes federal, sobretudo com o reconhecimento da avaliação de impactos cumulativos pelos gestores públicos, porque são impactos que tanto afligem os territórios mas cujos efeitos são recorrentemente esquecidos nos estudos de impacto ambiental.” – Mariel Nakane (ISA)
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Lewaiki Khisêtjê, do Xingu para a ONU: resistência indígena que cruza fronteiras
Elas que lutam! Liderança premiada por documentário sobre agrotóxicos investe em formação internacional para defender direitos e territórios
A jovem liderança Lewaiki Suyá, do povo Khisêtjê, carrega um sonho e uma responsabilidade que andam juntos: fortalecer a luta pela proteção do território de seu povo para que suas filhas, Mawirá, de 11 anos, e Yambakhrety, de oito, assim como as futuras gerações, possam viver em paz na terra ancestral dos Khisêtjê, mantendo viva sua cultura e identidade.
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Liderança do povo Khisêtjê passou a compor o Programa para Representantes Indígenas da Organização da ONU|Amanda Pankará
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Seguindo o exemplo de seus avós, ela se tornou porta-voz de seu povo e fica em Genebra, na Suiça até julho|Arquivo pessoal
No início de maio, na aldeia Khikatxi, Lewaiki compartilhou um pouco da sua história. Ela estava em luto pela perda de duas anciãs da aldeia, cujos nomes não devem ser falados ou escritos em respeito aos costumes ancestrais. Nesse processo, estava com os cabelos um pouco mais curtos e sem as pinturas tradicionais.
“O grande sonho que eu tenho é de que um dia o meu povo possa viver em paz. Sem ameaças, sem se preocupar com o que pode acontecer amanhã. Todo dia a gente acorda pensando nisso, de que a qualquer momento a gente pode perder o nosso território, de que a gente pode não estar praticando a nossa cultura, nossas festas. Então esse é o meu medo. E o meu sonho é ter esse território para as futuras gerações”, afirma.
De família de lideranças indígenas, Lew – como é chamada pelos mais próximos – é diretora executiva da Associação Indígena Khisêtjê (AIK) e está celebrando uma conquista que fortalece sua luta e seu sonho: foi selecionada como bolsista do Programa para Representantes Indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU), após ser indicada pela diretoria da associação para concorrer à vaga.
“Eu fico muito feliz, porque não é uma conquista só minha, mas do povo Khisêtjê. Fico feliz em estar representando o meu povo. Desde pequena eu ouço o nome ONU. Mas eu nunca imaginava estar participando nesse espaço, que é tão importante”, diz.
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Lewaiki Khisêtjê durante o II Encontro da Educação Escolar Indígena do TIX - Saberes para o Bem Viver, que ocorreu em maio de 2025|Kamikiá Kisedje/ISA
Inicialmente, as atividades aconteceram em Brasília. Em seguida, Lewaiki seguiu para Genebra, na Suíça, onde fica até julho. É a primeira vez que ela deixa o país. Ela vive na aldeia Khikatxi, no Território Indígena Wawi, anexo ao Território Indígena do Xingu, no Mato Grosso, e sempre morou com seus pais.
A luta de Lewaiki começa neste território: antes, ela vivia com sua família na aldeia ancestral Ngojhwere, um lugar de memória, reconquista e história do contato com os não indígenas. Mas o avanço do agronegócio e a pulverização dos agrotóxicos expulsaram seu povo desse território. E eles passaram a viver na aldeia Khikatxi.
É nesse cenário que nasceu o filme “Sukande Kasáká | Terra Doente”, narrado por Lewaiki e pelo cineasta indígena Kamikia Khisêtjê. O filme - lançado este ano e premiado em festivais como É Tudo Verdade e Ecofalante - denuncia o avanço silencioso dos agrotóxicos sobre os corpos e os rios.
“É uma ferramenta de luta contra a ameaça invisível”, define ela. “Quando a gente é liderança, a gente sabe dos perigos que pode correr. Mas a gente tem que proteger o nosso povo. Sempre coloca isso em primeiro lugar. E é isso que o meu avô, o cacique Kuiussi, nos ensina”, conta.
Lewaiki vê na comunicação e na formação política instrumentos de resistência. Inspirada pelo trabalho de Kamikia, que levou a voz do povo Khisêtjê para além da aldeia, e no exemplo de seus avós, ela se tornou porta-voz de seu povo.
Para além de liderança, Lewaiki mantém no seu dia a dia na aldeia as atividades tradicionais. Cozinha, faz beiju, cuida da roça e tece cestos. “A gente não vive só de escritório. A gente precisa da valorização da nossa cultura. É ela que nos fortalece.”
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No seu dia a dia, a cultura de seu povo permanece resistindo, seja na feitura de cestarias, nas cozinhas ou nas roças|Kamikiá Kisedje/ISA
Nas reuniões e decisões comunitárias, Lewaiki representa também a força dos jovens e das mulheres: guardiãs dos saberes, cuidadoras do bem viver, estão cada vez mais presentes nos espaços de decisão ao lado dos homens.
Formação na ONU
Agora, com a bolsa da ONU, prepara-se para aprender mais sobre direitos indígenas e mecanismos internacionais de proteção. “É um desafio estar nesses lugares, ocupar esses espaços. Você sendo uma liderança, uma mãe, ter que se ausentar para buscar conhecimento para defender o seu povo. Mas a gente resiste há centenas de anos. E a gente continua resistindo.”
Ela quer estar na ONU para aprender, voltar e multiplicar o conhecimento.“Eu quero me dedicar ao máximo para poder aprender, porque esse é um dos objetivos do programa: a liderança indígena aprende e passa a ser uma multiplicadora dentro do seu povo. E é isso que eu quero fazer com os jovens, que são o futuro do povo e precisam estar alinhados com os mais velhos. Os nossos anciãos vão orientar sobre o caminho a seguir. E a gente sempre tem que manter esse vínculo com essa raiz, com o nosso povo. Porque se a gente se desvincular disso, a gente erra o caminho”, reflete a jovem liderança.
O programa do qual Lewaiki participa está vinculado à Seção de Povos Indígenas e Minorias do Escritório do Alto Comissionado das Nações Unidas para Direitos Humanos (OACNUDH), em Genebra, e busca promover as condições de desenvolvimento econômico e social.
De acordo com a ONU, o objetivo é que os bolsistas conheçam o sistema e mecanismos das Nações Unidas, principalmente sobre questões indígenas, para que possam melhor ajudar a proteger e promover os direitos dos povos indígenas, além de compartilhar o conhecimento adquirido.
Em junho, ela deu início à viagem para participar do programa da ONU em Brasília e, logo após, seguiu para Genebra, para continuar com o seu sonho de fortalecer seu povo e seu território.
Lewaiki carrega em seu nome também a história de um sonho. Pela tradição Khisêtjê, os nomes começam com “Ngay”, “Pyi” ou “Koko”. Seu nome é único. Ela foi chamada de Lewaiki após seu tio Tony Suyá sonhar, em contato com o mundo espiritual, com esse nome, que é de uma planta. E ela segue semeando esperanças, seja no Khikatxi, em Brasília ou em Genebra.
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As principais informações sobre o ISA, seus parceiros e a luta por direitos socioambientais ACESSE TODAS
Protocolos de consulta das Resex da Terra do Meio, no Pará, serão lançados em seminário na UFPA
Documentos elaborados por ribeirinhos reivindicam o direito à consulta prévia e fortalecem a proteção territorial na região
Nos dias 1 e 2 de julho, em Belém, as associações de moradores das Reservas Extrativistas (Resex) da Terra do Meio, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) e o Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares da Universidade Federal do Pará (Ineaf-UFPA), farão o lançamento dos protocolos de consulta dos ribeirinhos das Resex do Rio Iriri, do Rio Xingu e do Riozinho do Anfrísio. O lançamento dos protocolos faz parte do seminário Consulta prévia, protocolos e garantia de direitos, promovido pela universidade.
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Os irmãos Marlon Sandro Araujo Rodrigues e José Andrade Araujo Rodrigues com sua coleta de castanhas na Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA)📷Lilo Clareto/ISA
Os documentos foram elaborados pelos beiradeiros da Terra do Meio, região amazônica situada no interflúvio dos rios Xingu e Iriri, no Pará, e que abrange diversos tipos de áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação de diversas categorias, como as próprias Resex.
Pelo cumprimento da Convenção 169
Os protocolos de consulta são elaborados pelos povos e comunidades tradicionais e buscam garantir o direito à consulta livre, prévia e informada em projetos que os impactam de forma direta ou indiretamente, como obras, pesquisas ou outras medidas que possam afetar a população local.
A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 1989, prevê a Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) e estabelece que os Estados devem consultar os povos indígenas e comunidades tradicionais sobre qualquer medida que possa afetar os seus direitos, territórios, recursos ou cultura.
“A consulta prévia, nos termos da Convenção nº 169, deve sempre contemplar a possibilidade de não execução do empreendimento, quando ele puder produzir impactos graves sobre os povos indígenas e tradicionais”, afirma Rodrigo de Oliveira, doutorando em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Direitos Humanos pela UFPA. Oliveira irá ministrar uma oficina sobre a construção de protocolos de consulta, durante o seminário.
O seminário promovido na UFPA busca, assim, trazer um debate fundamental no cenário de violações de direitos territoriais dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que o país vive atualmente, agravado com a aprovação pelo Senado Federal do PL do Licenciamento Ambiental (PL 2159/2021), ou PL da Devastação, como vem sendo chamado pela sociedade civil, que segue no sentido contrário à CLPI ao propor a criação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Essa lei visa uniformizar os procedimentos de licenciamento no país e simplificar as regras para determinados empreendimentos, o que pode impactar na consulta prévia e na participação das comunidades tradicionais no processo de licenciamento.
Serviço:
Evento: Seminário ‘Consulta prévia, protocolos e garantia de direitos’ e lançamento dos protocolos de consulta das comunidades beiradeiras das Resex da Terra do Meio.
Dias 1 e 2 de julho de 2025, das 14h às 18h.
Locais: No dia 01/07, Auditório Setorial Básico I da Universidade Federal do Pará (UFPA). No dia 02/07 no Auditório Dona Dijé do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (Ineaf/UFPA).
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Da roça à sala de aula: povos do Xingu querem escolas que preservem cultura e alimentação tradicional
Realizado na Terra Indígena Wawi, o II Encontro de Educação Escolar Indígena reuniu cerca de 300 professores, estudantes e lideranças para fortalecer saberes, escolas, territórios e sistemas alimentares
Em maio, na Escola Estadual Indígena Central Kamadu, Aldeia Tuba-Tuba, Território Indígena do Xingu (TIX), as aulas acontecem no roçado. O calendário escolar segue o ritmo da vida comunitária: os alunos acompanham suas famílias nas atividades de plantio, pesca e coleta na floresta.
“A gente respeita o calendário tradicional indígena. Essa é uma aula prática, prevista no nosso currículo”, explica o professor Karin Juruna. Ao final das atividades, os alunos apresentam um relatório. “Tudo isso é aula. Tudo isso é saber, é prática cultural, porque estão aprendendo com a família. Assim entendemos o funcionamento da escola”, completa.
Assista ao vídeo do cineasta Kamikia Khisêtjê:
Na Aldeia Nyarazul, a professora Vilma José Sabino Kamayurá e seu marido, Wary Sabino Kamayurá, desenvolvem um projeto na sala anexa da Escola Estadual Indígena Central Leonardo Villas Bôas. Dentro da disciplina “Saberes e Ciências Indígenas”, a sala de aula se estende até as roças, onde os alunos aprendem na prática a preparar o solo e entender os ciclos do plantio a partir dos conhecimentos tradicionais do povo Aweti.
“O tempo certo de plantar, de colher. Essa ciência indígena a gente não acha no Google”, reflete Vilma. O resultado é fartura: os alimentos vão para os alunos e ainda são doados às aldeias próximas.
Esses e outros exemplos de como a cultura e os sistemas agrícolas indígenas podem estar nas escolas foram apresentados durante o II Encontro da Educação Escolar Indígena do TIX - Saberes para o Bem Viver, que aconteceu entre 9 e 12 maio no Terra Indígena Wawi, TIX, no município de Querência (MT).
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Os anfitriões do II Encontro da Educação Escolar Indígena do TIX foram os Khisêtjê da Aldeia Khikatxi, na Terra Indígena Wawi|Kamikia Khisêtjê/ISA
O evento foi organizado pela Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – por meio do Projeto Xingu –, do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI Xingu) e da Funai (Coordenação Regional do Xingu).Participaram das conversas a Secretaria de Estado da Educação do Mato Grosso (Diretoria Regional de Educação - DRE Barra do Garças), o Instituto Federal do Mato Grosso, a Eco Universidade, a Imaginable Futures, entre outros parceiros.
Recebidos pelo povo Khīsêtjê, na aldeia Khikatxi, representantes dos 16 povos do Xingu se reuniram para discutir os caminhos da educação indígena e construíram, de forma coletiva, a Carta do Encontro, que propõe a valorização dos saberes ancestrais e dos princípios do bem viver no contexto escolar.
O coordenador de Educação da Associação Terra Indígena Xingu (ATIX), Kussugi Bruce Kuikuro, explica que o encontro promoveu a escuta de professores, caciques e lideranças para a construção de Projetos Político Pedagógicos Indígenas (PPPIs) específicos para cada um dos povos do TIX. “O tema central é saberes para o bem viver, ou seja, a escola tem que andar junto com os nossos saberes tradicionais. A escola é para fortalecer a nossa cultura”, resume.
Na carta, a Coordenação da Educação da ATIX aponta que a política educacional deve unir escola, cultura, agroecologia, saúde e soberania. Entre outros pontos, o documento reivindica a implementação dos PPPIs e da política do Território Etnoeducacional do Xingu.
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Danças e cantos tradicionais foram apresentados durante o encontro|Kamikia Khisêtjê/ISA
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Manifestações culturais também fazem parte do cotidiano das escolas no TIX|Kamikia Khisêtjê/ISA
Além disso, a carta destaca a importância de incluir o alimento tradicional nas escolas como forma de fortalecer os sistemas agrícolas e os saberes milenares indígenas. Também denuncia os graves desafios enfrentados pela agricultura indígena diante das mudanças climáticas, da perda de sementes nativas e do uso intensivo de agrotóxicos nos monocultivos que cercam os territórios.
“É inaceitável que nossos alunos recebam alimentos industrializados enquanto os roçados tradicionais sofrem para produzir. Queremos políticas públicas específicas para apoiar a agroecologia indígena, fortalecer os sistemas alimentares próprios, adaptar os roçados às novas realidades climáticas e garantir que a alimentação escolar reflita e valorize a diversidade e a força dos nossos povos”, reforça o documento.
Os sistemas agrícolas indígenas são milenares e compostos por um conjunto de saberes sofisticados que possibilitam a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, mantêm a floresta em pé. É esse sistema, ao mesmo tempo ancestral e inovador, que os indígenas querem que esteja na sala de aula.
Tradicionalmente, esses conhecimentos são transmitidos oralmente de geração em geração, enquanto as atividades estão em curso — nas trilhas até a roça, durante as coletas na floresta, a caça ou a pesca.
A perda de variedades, longos períodos de seca e ataques de animais são alguns dos impactos criados pelas pressões dos sistemas econômicos predatórios, como o agronegócio que avança nos limites do TIX, e as mudanças climáticas. Com isso, os saberes estão sendo ameaçados. A escola pode, neste contexto, ser espaço de fortalecimento desses conhecimentos e do território, apoiando no repasse de saberes indígenas aos mais jovens.
Na carta há demandas que serão encaminhadas para as Secretarias Municipais de Educação, Secretaria de Estado da Educação do Mato Grosso, Ministério da Educação - MEC e parceiros.
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Representantes dos 16 povos do TIX participam do encontro e aprovaram carta com demandas e denúncias|Kamikia Khisêtjê/ISA
Bruce Kuikuro explica que a educação escolar indígena diferenciada está assegurada na Constituição e também na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, mas não é colocada em prática pelo poder público. Exemplos como os citados não se repetem em todas as comunidades.
Sobre a alimentação, ele lembra que, quando era estudante, recebia na escola beiju, peixe, banana e abóbora. “Hoje em dia não está sendo assim. As crianças de hoje estão mais acostumadas a consumir, infelizmente, alimentos da cidade. Temos que decolonizar isso. Buscar solução. Oferecer a alimentação tradicional também é uma forma de educar as crianças”, diz.
Diretor da Escola Estadual Indígena Central de Educação Básica Khisêtjê, Yaconhongráti Suyá explica que, em boa parte do ano, a merenda escolar é formada por alimentos tradicionais como mandioca, polvilho, farinha, peixe, caça, batata, mel, pequi, murici, macaúba e cana, mas há períodos em que é necessária complementação de alimentos adquiridos nas cidades, como arroz, feijão, cebola, maçã, bolachas, entre outros. “Há épocas de colheita, que a escola recebe mais a alimentação tradicional. Em outras épocas, precisamos de complementação”, informa.
Oficina de merendeiros e merendeiras
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Oficina com merendeiros teve beiju colorido com cenoura e beterraba|Kamikia Khisêtjê/ISA
A atividade reuniu os merendeiros que atuam nas escolas do TIX e nutricionistas do DSEI em um espaço de troca entre os saberes indígenas e não indígenas, com foco na alimentação saudável. Foram ensinadas receitas como temperos naturais à base de alho e cebola e até beiju colorido, preparado com cenoura e beterraba.
Nas comunidades, a entrada de ultraprocessados têm sido um problema, conforme indica trabalho desenvolvido pela Unifesp - Projeto Xingu que, entre os anos de 2017 e 2019, realizou uma série de exames médicos que constatou o aumento de problemas como diabetes e pressão alta, doenças ligadas a pressões sobre o território, o que interfere em hábitos alimentares e modos de vida. Na apresentação desse estudo, a educadora Rosana Gasparini trouxe informações sobre alimentação saudável, explicando as classificações de alimentos in natura e minimamente processados, processados e ultraprocessados.
No encerramento do encontro, as cozinheiras e os merendeiros foram aplaudidos de pé. “Os merendeiros e as merendeiras são tão educadores quanto os professores. Principalmente quando se fala em cultura alimentar. Através das mãos deles é que vão resgatar e preservar essa cultura”, afirma a nutricionista Sônia Mendonça, do DSEI Xingu, que conduziu a oficina.
Adequação das políticas públicas às necessidades dos povos indígenas
A antropóloga no ISA, Luisa Tui explica que os povos do TIX vêm apontando os sistemas alimentares como centrais em seus modos de vida. Em visita às aldeias realizadas em 2022 e 2024, a consultora do ISA Angelise Nadal Pimenta e Luisa Tui promoveram um processo de escuta dos indígenas sobre as roças e a alimentação tradicional das escolas.
Um tema recorrente nas respostas foi o impacto das mudanças climáticas e das pressões do agronegócio sobre os territórios, afetando diretamente a produção de alimentos — com perdas significativas de sementes e variedades tradicionais.
“Esses sistemas são uma ferramenta para proteção do território e para fortalecer os modos de vida, valorizar os saberes tradicionais, e também são um caminho para apoiar na construção das escolas mais adequadas e respeitosas aos povos do TIX”, reflete a antropóloga.
Luisa Tui aponta que políticas públicas de aquisição de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), são um caminho para o fortalecimento dos sistemas agrícolas tradicionais, possibilitando que os produtos das roças sejam entregues nas cantinas escolares, inclusive gerando renda para as comunidades.
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Sistemas alimentares são uma ferramenta para proteção do território e para fortalecer os modos de vida, diz Luisa Tui|Kamikia Khisêtjê/ISA
As conversas para a adequação dessas políticas à realidade dos povos indígenas, como os do TIX, e demais comunidades tradicionais vêm sendo conduzidas pela Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) do Mato Grosso, com amplo diálogo com o poder público e parceiros, entre eles o ISA e a ATIX.
Na abertura do encontro, o articulador territorial do ISA, Marcelo Martins, observou que esse é um movimento importante para o fortalecimento das roças, favorecendo a alimentação tradicional. “A gente sabe que alimentação tradicional é saúde e envolve também a cultura e os modos de vida”, disse.
Marcelo Martins também apontou a ampla participação de educadores, indicando o fortalecimento da pauta da educação indígena. “Há uma preocupação com os jovens que saem de suas aldeias para estudar. Primeiro tivemos a implantação do ensino médio, mas vê-se também a necessidade de implantação de universidade e ensino técnico e outras oportunidades dentro do território”, explica.
Angelise Pimenta traçou um histórico da educação e da alimentação escolar no TIX, apontando que o território é pioneiro em promover a entrega de alimentos das roças. Hoje o TIX tem aproximadamente 160 aldeias, sendo que 89 têm escolas que atendem cerca de 2.700 alunos.
Durante o encontro, aconteceram diversas manifestações culturais, como cantos e danças. O professor Makaulaka Mehinako, da Comunidade A´lo Kaupuna, propôs uma quebra de protocolo e chamou à frente todos os cantores presentes. Em seguida, observou que junto a mestres e doutores da educação formal, havia também cantores, lutadores e mães de família.
“Para nós, essas pessoas são como os doutores e pós-doutores. Precisamos fazer esse reconhecimento para que os não indígenas entendam”, disse.
O registro do evento foi feito pelos comunicadores indígenas Kamikia Khisêtjê e Renan Suyá e Crispim Khisêtjê, comunicadores da Rede Xingu+, com divulgação nas redes da Associação Indígena Kisedje (AIK) e da ATIX.
Durante o encontro foi exibido o filme Sukande Kasáká | Terra Doente, dirigido por Kamikia Khisêtjê e Fred Rahal e premiado como o melhor curta-metragem brasileiro no festival É Tudo Verdade 2025. O filme mostra a pressão sobre o TIX do agronegócio, com o agrotóxico contaminando o solo, a água e os alimentos, e trazendo sérias ameaças para a saúde das comunidades.
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Semana do Extrativismo chega à 10ª edição e busca inovação das economias da sociobiodiversidade
Semana do Extrativismo (SEMEX) acontece de 21 a 25 de maio na Terra Indígena Koatinemo, do povo Asurini, e discutirá negócios e políticas públicas para geração de renda e proteção da floresta e dos saberes tradicionais
A Semana do Extrativismo (SEMEX), promovida por associações dos povos indígenas, beiradeiros e agricultores familiares que compõem a Rede Terra do Meio (PA), está realizando sua 10ª edição. Será promovida uma rodada de conversas e trocas para impulsionar políticas públicas, parcerias e negócios que geram renda e, ao mesmo tempo, preservam a floresta e culturas.
Este ano, o encontro acontecerá entre os dias 21 e 25 de maio, na Aldeia Koatinemo, em Altamira (PA), com o povo Asurini abrindo seu território para receber extrativistas; indígenas; agricultores familiares; representantes de órgãos públicos federais, estaduais e municipais; de empresas parceiras e de organizações não governamentais.
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Alimentos das roças, dos rios e da floresta na Terra do Meio|Ana Amélia Hamdan/ISA
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Coleta da castanha na Reserva Extrativista do Rio Iriri, no Pará|Lilo Clareto/ISA
Entre os temas do encontro estão o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA); Fundo Terra do Meio; políticas públicas de aquisição de alimentos como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); as cadeias de valor de produtos como a seringa e a castanha. Os impactos da emergência climática também estarão na pauta: este ano, devido à sazonalidade e à seca severa na Amazônia em 2024, não houve a safra da castanha.
Para as conversas devem estar presentes os representantes das organizações que integram a Rede Terra do Meio; órgãos públicos como Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e ICMBio; empresas como a Mercur e Natura; parceiros como o Instituto Socioambiental (ISA), The Nature Conservancy (TNC) e Origens Brasil.
A realização da SEMEX 10ª Edição marca também a consolidação da Rede Terra do Meio como um modelo para as promoções de articulações, atividades e negócios sustentáveis. São arranjos produtivos dinâmicos que se ajustam ao longo do tempo e, por isso, encontros como a SEMEX são tão importantes.
As economias da sociobiodiversidade são baseadas nos conjuntos de saberes e práticas de povos e comunidades tradicionais que produzem alimento e fartura e, ao mesmo tempo, mantêm a floresta viva. O manejo tradicional de florestas são serviços ambientais que promovem os ecossistemas, biodiversidade, regulação do clima e da água.
Esses serviços vêm sendo prestados há centenas e, em alguns casos, há milhares de anos por povos e comunidades tradicionais e são essenciais para o planeta, especialmente devido às crises do clima, da água e da biodiversidade.
Entretanto, não há o devido reconhecimento por esse trabalho. As políticas, programas e contratos de PSA podem viabilizar esse reconhecimento, fortalecendo os povos e comunidades tradicionais e seus territórios. No final de 2024, durante o Encontro da Rede Terra do Meio, o Governo do Estado do Pará apresentou o projeto piloto do Programa de Pagamento por Serviços Territoriais e Ambientais (PSTA) em Territórios Coletivos, que voltará a ser discutido de forma ampliada com associações, governos federais e municipais e empresas.
Já as políticas públicas de aquisição de alimentos - como o PAA e o PNAE - promovem o fortalecimento dos sistemas agrícolas e sistema de conhecimentos, que são a base das economias da sociobiodiversidade.
Na Terra do Meio está em desenvolvimento o maior programa de PAA do Pará, destacando-se pela diversidade de povos e produtos, com a entrega de 82 alimentos, sendo 22 que até então não tinham nem mesmo sido registrados, entre eles a golosa, o cacauí e o peixe feito na massa de macaxeira.
Só em 2024, o programa movimentou cerca de R$1 milhão, sendo que a Rede Terra do Meio busca formas de adequar a política pública à realidade local e ampliar o acesso ao programa. Busca-se ampliar a execução das compras públicas para mais de R$3 milhões ao ano, tanto via PAA quanto via PNAE.
Durante a SEMEX, os participantes devem aprofundar o conhecimento sobre o Fundo Terra do Meio e buscar novos negócios para comercialização dos produtos. Ao final do encontro, serão traçadas as diretrizes para os próximos 5 anos da Rede Terra do Meio.
Os comunicadores da Rede Terra do Meio - grupo formado por jovens beiradeiros e indígenas - fará a cobertura da SEMEX. Esses comunicadores vêm fortalecendo os caminhos da sociobiodiversidade com suas câmeras e celulares, conectando pessoas e levando informação aos povos da floresta.
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Coleta de látex em seringueira na Aldeira Tukayá, do povo Xipaya, no Pará|Lilo Clareto/ISA
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Cacho de coco babaçu na Reserva Extrativista Morro do Anfrísio, na Bacia do Xingu|Cláudio Tavares/ISA
COP30
A SEMEX 10ª Edição acontece alguns meses antes da COP30, que será em novembro, também no Pará, na capital Belém, indicando um caminho ao mesmo tempo ancestral e inovador que se coloca como alternativa a projetos desenvolvimentistas que atropelam os modos de vida e degradam o ambiente, resultando em prejuízos não só para economia dos povos da floresta, mas para a economia como um todo.
Na Primeira Carta do Presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, lançada em março de 2025, consta que o Conselho de Estabilidade Financeira – a organização internacional que monitora e recomenda políticas para o sistema financeiro global – informou que os choques climáticos podem ameaçar a estabilidade financeira do mundo.
A Conferência do Clima tem entre seus objetivos buscar ações para que as mudanças no clima ocorram lentamente de forma a permitir a adaptação dos ecossistemas, assegurando a produção de alimentos e desenvolvimento econômico sustentável.
E isso é o que as famílias da Terra do Meio vêm fazendo há centenas e, em alguns casos, milhares de anos.
Quebrar coco de babaçu, furar copaíba, cortar seringa, coletar e quebrar castanha, fazer roças: essas atividades tradicionais vêm conseguindo - ao longo dos tempos - a inovação de gerar renda, manter as famílias e povos em seus territórios e, ao mesmo tempo, proteger a floresta.
SEMEX 10ª EDIÇÃO
Saberes dos povos da floresta guiando trilhas para inovação das economias da sociobiodiversidade
Local: TI Koatinemo/Altamira (PA)
Data: 21 a 25 de maio
21 a 23 de maio - Acordos internos
24 e 25 de maio - Encontro com parceiros
O que é a SEMEX?
A Semana do Extrativismo - SEMEX tem o objetivo de reunir quem vive e defende a floresta com o setor público e privado e outros parceiros para discutir ações, reconhecimentos, negócios e políticas públicas para a promoção das economias da sociobiodiversidade, baseada no conhecimento de indígenas, extrativistas, beiradeiros e agricultores familiares.
O que é a Rede Terra do Meio?
É uma associação que atua na região da Terra do Meio, no Pará, e articula a gestão, promoção e valorização do manejo tradicional da floresta. É formada por ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares. É um exemplo de sociobioeconomia que alia cultura, conservação e geração de renda. Promove uma economia que mantém a floresta viva, reduzindo os impactos das mudanças climáticas. Faz parte da rede Origens Brasil, que promove relações comerciais éticas e transparentes.
Povo Asurini
Pela primeira vez, o povo Asurini receberá a SEMEX. O encontro acontecerá na Terra Indígena Koatinemo, na Aldeia Ita´aka, que fica há cerca de duas horas de Altamira (PA). O povo Asurini sentiu fortemente os impactos dos projetos desenvolvimentistas na região da Terra do Meio e, em 1982, chegou a contar com apenas 52 indivíduos. A partir de 1994 houve uma recuperação demográfica com o aumento da população infantil e a mudanças no padrão de composição familiar, juntamente com os casamentos interétnicos. Os Asurini são reconhecidos pela beleza de seu artesanato e de seus grafismos.
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